terça-feira, 2 de julho de 2013

Dia do Senhor: Sábado ou Domingo?

Por: Alessandro Lima

Todos sabem que no AT, o Senhor instituiu o Sábado como o Seu dia de adoração. Mas resta a pergunta: por que? Para entendermos o motivo deste mandamento divino, devemos responder às seguintes perguntas: 1) Por que Deus instituiu um dia para o Seu culto? 2) Por que o Sábado (Shabath) foi escolhido para ser este dia?
A resposta para a primeira pergunta encontramos no livro do Deuteronômio, onde lemos: "Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado" (Dt 5,15).
Como vemos a observância de um dia de adoração está relacionada à libertação que o Senhor proporcionou ao povo Hebreu, quando o tirou do cativeiro no Egito. Deus manifesta-se como o libertador de Seu povo, manifestando todo o Seu Poder e Glória, como verificamos no envio das pragas (cf. Ex 8;9;10;11) e depois ao separar o Mar Vermelho (cf. Ex 14,21-31) para que Israel pudesse finalmente se ver livre do julgo do Faraó.
O Deus libertador é aquele que guia o Seu Povo à Terra Prometida. Devemos perceber aqui que a libertação promovida pelo Senhor da escravidão do Egito é prenúncio da libertação que Cristo posteriormente promoverá da escravidão do pecado, nos conduzindo à Jerusalém Celestial.
Quanto à segunda pergunta, a resposta encontramos no livro do Êxodo: "Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou" (Ex 20,11; cf. Gn 2,3).
Por esta razão no dia da libertação, o homem também deveria livrar-se do trabalho secular (cf. Am 8,5; Ex 34,21; 35,3; Ez 22,8; Jr 17,19-27; Dt 5,12-14); no dia em que Deus manifestou o Seu Amor pelo povo, o povo também manifestaria o seu amor por Ele (Lv 23,3; Lv 24,8; 1Cr 9,32; Nm 28,9-10; Is 1,12s). Isto lembra as palavras de São João: ?Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro? (1 Jo 4,19).
Depois do que foi exposto, podemos identificar a dupla raiz da instituição do Dia de Adoração:
1)  O dia da salvação do povo de Deus conforme Dt 5,15;
2)  O dia da plenitude da criação cf. Ex 20,11; pois o Senhor cessou o seu trabalho (a criação do mundo) no sétimo dia, por que ele foi terminado no sexto dia. Deus não se cansa, caso contrário não seria Deus. O "descanso" ou "repouso" de Deus refere-se à cessão do Seu Divino trabalho. Shabath (Sábado) significa "cessão", "término de alguma atividade". Por isso, o Sétimo Dia também é o dia da Plenitude da Criação e não do "descanso" de Deus.
Jesus, o Sábado e o Domingo
Com o passar do tempo, os Judeus deturparam a observância do Sábado. Eles se esqueceram das raízes espirituais desta divina observância, e se prenderam apenas à letra.
Na época de Jesus, 39 tipos de trabalho eram proibidos. Entre eles colher espigas (cf. Mt 12,2), carregar fardos (Jo 5,10), etc. Os doentes só podiam ser atendidos em perigo iminente de morte, motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados (cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16).
O Senhor contra os fariseus afirmou: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo tendo cessado a criação do mundo, continuou a governá-lo e também aos homens (Jo 5,17).
Alguns cristãos acreditam que neste momento Jesus estava abolindo a observância do Sábado. Os sabatistas contra-argumentam dizendo que não; que Jesus estava era resgatando o sentido espiritual (a verdadeira raiz) desta divina observância. E neste ponto eles estão com toda razão.
Entretanto, os sabatistas enganam-se em pensar que a divina observância do Dia de Adoração, estaria para sempre fixada no Sábado.
Eles argumentam que o Sábado é perpétuo. Se isto fosse verdade, significaria que toda Lei Levítica (circuncisão, páscoa, incenso, sacerdócio, etc) também seria perpétua. Por exemplo, em Ex.12:14 está declarado que a páscoa terá de ser observada "por suas gerações" e "para sempre", exatamente como é dito sobre o Sábado. A oferta de incenso também é dita como perpétua (Ex.29:42). Lavagem de mãos e pés também (Ex.30:21).
Quando o Senhor afirma que o Sábado é perpétuo, não está se referindo à fixação do sétimo dia como dia de Adoração, mas refere-se ao Seu acordo, à Sua fidelidade para com a humanidade.
É o próprio Deus que através dos Profetas do AT anuncia que Seu Acordo se dará de uma nova forma: "Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados" (Jr.31:31-34) (grifos meus).
O pacto da Antiga Aliança seria substituído por um Novo, onde o primeiro foi apenas uma figura do segundo que é Eterno (cf. Hb 9 ). Neste Novo pacto, o Senhor instituiria um novo dia para Sua Adoração, pois em um novo dia Ele iria salvar o seu Povo para sempre, conforme profetizou Oséias: "Farei em favor dela [Sua nova nação, a Igreja], naquele dia, uma aliança, com os animais selvagens, com as aves do céu e com os répteis da terra: farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra e os farei repousar em segurança. Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o Senhor" (OS 2,20-22) (grifos meus).
O Senhor Jesus não aboliu a observância do Sábado em seu debate com os fariseus. Ele o fez após cumprir o anúncio dos Profetas, morrendo na Cruz e ressuscitando no primeiro dia da semana: Domingo.
Na Antiga Aliança, o Sábado foi estabelecido como o Dia de Adoração, pois foi o Dia da Libertação (cf. Deut 5,15) e o Dia da Plenitude da Criação (cf. Ex 20,11).
Na Nova e Eterna Aliança, o Domingo é estabelecido como o Novo Dia de Adoração, pelas mesmas razões: é o Dia em que o Senhor nos salvou do cativeiro do pecado e o Dia em que ressurgindo da Mansão dos Mortos, cessou o trabalho em Sua nova Criação (a natureza humana incorruptível). Desta forma, o Domingo também é o Dia da Libertação e da Plenitude da Criação.
A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verdadeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11). Onde no Sábado estava a figura (o prenúncio), no Domingo está a concretização. O Domingo é o Sábado eterno.
O Testemunho de Cristo, dos Apóstolos e do Espírito Santo
Jesus aparece à primeira vez aos Apóstolos no domingo, no dia da Ressurreição. Imaginem a alegria que os Apóstolos sentiram ao ver o Senhor Ressuscitado! Sobre isto escreveu o Salmista: "A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijem-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118,22-24). Ora, Jesus se tornou a Pedra Angular no dia em que Ressucitou, o dia da Ressurreição "foi o Dia que o Senhor fez".
Conforme o Profeta Jeremias, em Seu novo pacto, o Senhor promete escrever a Sua Lei no interior e no coração dos homens. E conforme Ozéias, no dia em que isto acontecer, os homens O conhecerão. Ora, isto se cumpre exatamente num Domingo, quando o Espírito Santo é dado aos Apóstolos (cf. Jo 20,19-23; At 2,1-4); pois é o Espírito Santo que nos convence da vontade de Deus.
A segunda aparição do Senhor aos discípulos não é no Sábado, mas no novo "dia que o Senhor fez" (cf. Sl 118,24), isto é, no Domingo (cf. Jo 20,26), dia em que Tomé o adora como Deus (cf. Jo 20,29). Talvez temos aqui a primeira adoração cristã a Deus no dia de Domingo.
O Culto Cristão acontece no domingo (cf. At 20,7; 1Cor 16,2). Os Sabatistas alegam que a "Ceia do Senhor" não era uma reunião de culto. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios mostra claramente que a reunião da "Ceia do Senhor" era uma reunião de culto. Basta verificar os capítulos 11 a 16.
No entanto muitos cristãos se viam tentados a judaizar, isto é, a observar as prescrições da Lei Mosaica. Os Gálatas era um exemplo e por causa deles São Paulo dirige-lhes uma epístola exatamente para tratar desta questão. E vejam a bronca que o Apóstolo dá neles: "Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?" (Gl 3,1-3).
Quem ainda duvidar de que São Paulo também estava se referindo à observância do Sábado, então veja o que ele escreveu aos Colossenses: "Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas ou sábados. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo" (Cl 2,16-17) (grifos meus).
São Paulo confirma que o Antigo acordo (que incluía a observância do Sábado) foi substituído pelo Novo acordo cumprido pela Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (que inclui agora o Domingo como o Dia do Senhor).
Mais uma confirmação Bíblica de que o Domingo é o Dia do Senhor, está no Livro do Apocalipse. Em Ap 1,10 São João escreve: "Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta". A expressão que no português está como "num domingo" no original grego está "té kyriaké hémerà", que significa "No Dia do Senhor". Ora, aqui São João está dizendo que no Domingo, que é Dia do Senhor, Deus lhe deu uma revelação. Se o Domingo não é o Dia do Senhor, por que São João assim o indicou no Livro do Apocalipse?
Testemunhos dos primeiros cristãos
A Igreja do período pós-Apostólico, também confirmou a doutrina do Novo Dia de Adoração que recebeu dos Apóstolos. Vejamos alguns exemplos:
"Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro" (Didaqué 14,1 - primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC) (grifos meus).
Santo Inácio, Bispo de Antioquia, que segundo a Tradição foi a criança que Cristo pegou no colo em Mc 3,36, também confirma a Doutrina Apostólica do Domingo: "9. Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressuscitou dos mortos. 10. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus " (Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Magnésios. 101 d.C.) (grifos meus).
Como se vê o discípulo pessoal de São Paulo confirma a doutrina que recebeu do Mestre, conforme este mesmo expôs aos Gálatas (Gl 1;3) e aos Colossenses (Cl 2,16-17).
Outro testemunho do séc II sobre o Domingo é de Justino de Roma, vejamos:
"67. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame" (Justino de Roma 155 d.C, I Apologia cap 67) (grifos meus).
No tempo de Justino os cristãos eram ferozmente perseguidos e acusados das mais variadas calúnias. Justino que era responsável por uma escola de estudos bíblicos, escreve uma apologia (defesa) ao Imperador em favor dos cristãos. Por isso, ele ao se referir ao domingo utiliza a expressão "dia do sol", pois era no primeiro dia da semana que os pagãos adoravam o sol.
Podemos verificar aqui mais uma vez que a "Ceia do Senhor" não era uma mera reunião de confraternização, mas uma celebração de culto a Deus.
Ainda do segundo século temos o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que escreveu muitas obras para as autoridades romanas em defesa dos cristãos perseguidos:
"Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais" (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16) (grifos meus).
Tertuliano como escreve para os pagãos, também se refere ao primeiro dia da semana como "o dia do sol". Ele é testemunha que nestes dia os cristãos não adoravam o sol, mas a Cristo.
Do terceiro século temos o testemunho de Hipólito de Roma, que também confirma a Tradição Apostólica de celebrar o culto cristão no Domingo: "No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos o partir do pão; os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo" (Hipólito de Roma 220 d.C Tradição Apostólica part III) (grifos meus).
Conclusão
A fundadora do Adventismo do Sétimo Dia, a senhora Ellen G. White, afirmava em seus escritos que a instituição do Domingo como dia do Senhor, era invenção do Papado, e quem observasse este dia com Dia do Senhor receberia a marca da Besta. Por esta razão alguns Adventistas (acreditando mais na senhora White do que na Bíblia, nos Apóstolos, no Espírito Santo e nos cristãos dos primeiros séculos) têm procurado fundamentar esta afirmação pesquisando onde o Papado teria feito tal instituição.  O melhor que fizeram até agora foi afirmar que o Papado substituiu o Dia do Senhor de Sábado para Domingo durante o Concílio de Laodicéia na Frigia, realizado em 360.
O Concílio de Laodicéia apenas confirmou a doutrina apostólica da observância do Domingo contra os cristãos judaizantes. Este Concílio não foi Geral, mas Local, e por esta razão, não envolveu o Bispo de Roma e nem tinha o poder de alcançar a Igreja inteira espalhada pelo mundo.
Devemos lembrar que os decretos contra os cristãos judaizantes foram instituídos pelos Apóstolos durante o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Conforme já expomos, estes decretos não favoreciam a observância do Sábado como Dia do Senhor.
Os Bispos de Jerusalém sempre foram fiéis a estes decretos, conforme podemos observar no testemunho de São Cirilo, Bispo de Jerusalém: "Não ceda de forma alguma ao partido dos Samaritanos, ou aos Judaizantes: por Jesus Cristo de agora em diante foste resgatado. Mantenha-se afastado de toda observância de Sábados, sobre o que comer ou como se purificar. Mas abonime especialmente todas as assembléias dos perversos heréticos" (São Cirilo de Jerusalém. Carta 4, 37) (grifos meus).
Então, devemos ficar com o testemunho de Ellen G. White ou com o testemunho de Jeremias, Oséias, Jesus, Espírito Santo, dos Apóstolos e dos primeiros cristãos?

Fonte:

http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/631-dia-do-senhor-sabado-ou-domingo

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Imitação de Maria: Parte X


Ter amor por aqueles que são crucificados todos os dias

Por: Eduardo Moreira

Pode alguém pensar que Maria sofreu apenas pela morte de Cristo por ser Ele seu filho. Nada mais insensato! Cristo do alto da Santa Cruz deu sua Mãe a todos os homens para que, confiando nela, fossem salvos passando pelos caminhos queridos por Deus e que a Virgem Maria foi capaz de conhecê-los. Essa verdade deveria ser unânime entre os cristãos, mas mesmo entre as Igrejas Apostólicas há aqueles que mantém uma devoção fraca e cuidadosa para com a Santíssima Virgem. Essas pobres almas escondem em seu interior uma profunda soberba, pois pensam que por si próprias podem atingir o Cristo que habita nos Céus, no mais Alto e Inacessível que podemos conceber.
Maria, pois, não sofreu apenas com a morte de Cristo, Ela continua a sofrer ao ver cada filho d'Ela ser desprezado e crucificado pelos homens. E quantas almas são crucificadas todos os dias? Quantas pessoas sob as quais Cristo se esconde são ignoradas nas ruas onde estão famintas, maltrapilhas e abandonadas (Mt 25, 40)?
Maria sofreu por cada apóstolo que foi morto, cada discípulo perseguido e exilado, e continua a sofrer, mesmo hoje, ao ver com pesar que seus próprios filhos não se ajudam. Longe dos discursos socialistas que só fizeram tudo aquilo que condenaram, Maria pede-nos hoje para sermos mais humanos.
Cristo não veio ao mundo para nos ensinar a sermos Deuses, mas sim para mostrar ao homem o caminho, a via perfeita de ser plenamente homem, imagem e semelhança de Deus, demonstrando compaixão para com todos, inclusive para com os mais necessitados.
Cada vez que vemos a desigualdade social gritante se alastrar pela Terra e ficamos calados ou, pior, até apreciamos esse alastramento medonho, somos cúmplices do diabo e permitimos que a mensagem do Evangelho seja usurpada por grupos que, em nome do fim da pobreza, defendem atitudes imorais, assassinato de bebês no ventre materno, massacres das pessoas que seguem alguma religião, enfim, todo tipo de ódio que se possa imaginar. O socialismo é a soma das virtudes enlouquecidas. Esse regime coloca virtudes acima de Deus, extingue o ser humano enquanto indivíduo e provoca as piores tragédias que se conhece quando colocado em prática.
O bom cristão não pode ser socialista porque o socialismo promete apenas a ajuda material e trata o ser humano como uma parte do coletivo. O bom cristão enxerga o próximo como ser humano, não como membro de uma sociedade. Ninguém pode se dizer cristão se não tem compaixão pelo próximo ou se concorda com as mazelas mundiais da fome e da doença. Cristo disse que veio para que todos tivessem vida, e vida em abundância!
Cada vez que negamos ajudar o próximo, tratá-lo como ser humano, negamos isso ao próprio Cristo. Cada vez que ignoramos os anseios do irmão, ignoramos o próprio Cristo que, sendo Rei, veio à Terra pobre como um mendigo.
Tal como Maria teve pena de seu Filho crucificado, também nós devemos ter pena de tantos que são crucificados todos os dias. Se jejuamos, aquele alimento do qual nos abstemos não deve ser reservado, mas sim servir de sustento a quem não o tem. Cabe também a nós em cada jejum ou penitência, não só nos abstermos friamente do alimento, mas também entregar esse sofrimento a Deus pelas mãos Imaculadas de Maria para que Ela, dispenseira de todas as graças, aplique como for melhor.
Além da abstinência, da partilha e da entrega, convém também que façamos, pelo menos por um breve instante, uma reflexão acerca das pessoas que passam por esses sofrimentos todos os dias, não espontaneamente, mas sim por não ter lhes restado opção. Dessa forma certamente quando algum desses pequeninos nos vier pedir alguma coisa saberemos nos colocar em seu lugar, conseguiremos imaginar o desespero e a dificuldade que ele está passando e não pensaremos duas vezes em ajudá-lo e em tratá-los com dignidade.
As mães bem sabem de quantos sacrifícios fazem pelos filhos. Maria, naqueles tempos difíceis, certamente se absteve de muitas coisas para o bem do próximo, de Jesus e de São José principalmente. Certamente esse grande exemplo de santidade moldou grandes santos como São Francisco que ficava feliz quando, mendigando, ganhava um pão que não usava para o próprio sustento. São Francisco ficava feliz porque com aquele pão não mataria a própria fome, mas sim a fome do irmão.
Nisso se resume a passagem de 1 Cor 13 na qual podemos ver que o verdadeiro amor pensa antes no próximo que em si mesmo. Deus não pensa em Si mesmo, mas sim nos seus filhos porque não há nada de que Ele necessite. Quando procuramos imitar a Deus através da Imitação de Maria nosso egoísmo se extingue e, tal como São Francisco, ficamos felizes ao vermos que poderemos ajudar o próximo.
Também testemunhou essa virtude com profundidade Madre Tereza de Calcutá que, saindo de si mesma, foi viver na Índia cuidando de pessoas que nem católicas eram porque viu nelas não hindus, mas criaturas de Deus necessitadas de pão e compaixão. Esse é, talvez, o maior esplendor do cristianismo e também sua maior riqueza, como disse Santo Estêvão, nossa maior riqueza são os órfãos, as viúvas e os mendigos.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Liberdade, Justiça, Amor ao Próximo e Misericórdia

Por: Eduardo Moreira


Ao ler um texto do Papa João Paulo II, o grande Papa da paz, lembrei-me de um antigo chavão que circulava entre as escolas pelas quais passei durante os ensinos fundamental e médio. Aquele chavão era necessário e os professores foram muito sábios em divulgá-lo porque com ele aprendemos o que era a liberdade bem no tempo em que revogávamos para nós esse atributo sem conhecermos exatamente o que era. O chavão era: há uma grande diferença entre liberdade e libertinagem.
Naquela concepção, tínhamos a impressão de que a liberdade era poder fazer tudo o que quiséssemos sem nenhuma influência. Entretanto, onde é que não há influência? Somos influenciados por tudo, pela mídia, pela educação que recebemos de nossos pais, pelo ensino dado nas escolas, etc. Enfim, na atual conjuntura das coisas acho impossível o ser humano não ter influencia de ninguém ou nada, afinal, não se pode negar a forte influência que recebemos do meio que por sua vez forma quem somos. Se não somos influenciados pelo meio conservador, somos influenciados pelo meio revolucionário. Em ambas situações somos influenciados de forma tal que não se pode dizer por isso que somos livres.
Então, o que dizer da liberdade? Existiria alguma liberdade?
A resposta é simples: a liberdade está no ato de escolha. Eu sou livre pra escolher que influência eu terei. Sou livre para discordar das influências e livre para, a partir de outras influências, tentar melhorar minha vida.
Liberdade não é sair fazendo o que se bem entende. A liberdade existe apenas para se praticar o bem, do contrário, com justa razão recebe a prisão quem usa mal sua liberdade. Portanto, é útil pensar que só temos liberdade para fazer aquilo que não agrida a liberdade de outros, ou melhor, para fazer aquilo que gostaríamos que fizessem por nós.
Nisso consiste o amor: fazer pelo próximo o que desejamos que ele faça por nós. Nisso também consiste a verdadeira justiça, a justiça com misericórdia que é indulgente para com os arrependidos. Se erramos, desejamos que todos sejam indulgentes conosco. Ora, se assim é, devemos ser indulgentes com todos os que se arrependem de terem feito o mal. É essa a justiça perfeita.
Certa vez um amigo me chamou a atenção para um fato interessante: não devemos nos zangar com o próximo pelo fato dele ter pecados diferentes dos nossos. Quer dizer, pecados todos temos, então, porque somos tão indulgentes com nossos próprios erros e não toleramos os menores deslizes de nossos semelhantes?
A verdadeira paz depende de tudo isso, da liberdade, da justiça, do amor ao próximo e da misericórdia. Entretanto, não devemos nos enganar porque há uma paz assassina e pacifista que ronda nossa sociedade. O fato de eu dever amar ao próximo não significa que eu não deva aplicar a ele a justiça, porque, do contrário, em nada estou colaborando para o crescimento pessoal dele.
Na justa medida, é perfeitamente aceitável a aplicação de penas para punir e fazer refletir quem erra, bem como para isolar um malfeitor da sociedade que pode se tornar uma vítima de seus criminosos. Não se trata aqui de aplicar a pena de morte a quem rouba uma caixa de fósforos, porque isso seria a justiça sem misericórdia, ou seja, seria uma justiça absurda e implacável.
Trata-se, pois, de aplicar penas justas aos indivíduos que erram visando retirar o risco da sociedade enquanto o indivíduo se reabilita para ingressar nela novamente.
A grande arte da vida é encontrar o equilíbrio, porque medidas extremas sob aspecto de liberdade só escravizam o ser humano. Como disse o poeta, “disciplina é liberdade”, entretanto, não há disciplina no terrorismo e nem na inquietação exacerbada. Ao contrário, as pessoas extremamente inquietas são pessoas doentes, que já perderam o sossego na vida e procuram desesperadamente uma solução sem encontrá-la. São pessoas que já não ligam para a dor alheia, para o próximo e para a sociedade e muito dificilmente conseguirão fazer algo útil para alguém. Precisamos, pois, de mais Cristos e de menos revolucionários.

domingo, 23 de junho de 2013

A Imitação de Maria: Parte IX

Da capacidade de transformar coisas ruins em boas

Por: Eduardo Moreira

Quem poderia imaginar que, em meio a tanta humildade, pudesse brotar a maior Graça já realizada por Deus? Um casal simples, um artesão-carpinteiro e uma mulher que, naquele tempo, era gênero sem expressão na sociedade. Os dois receberam em sua mais profunda “indigência” e humildade a mais importante missão que Deus pôde dar aos mortais: gerar, criar e educar o Homem-Deus.
Para nós é difícil, pelas condições de vida atuais, imaginarmos quanto sofrimento enfrentou pacientemente a Sagrada Família, mas, sem dúvida alguma, sem se desesperarem porque tinham por Pai o Altíssimo. Sequer podemos imaginar como é para uma família com uma criança recém-nascida, vagar pelo deserto a fim de encontrar uma morada segura para seu filho perante a perseguição de um tirano cruel. Assim era o casal de Nazaré, São José e Nossa Senhora.
Seria completamente errôneo afirmar que São José e Nossa Senhora eram indigentes. Talvez o fossem aos olhos do mundo, como o são as pessoas que passam desapercebidas por não terem conseguido alguma importância para a sociedade, mas aos olhos de Deus nunca houve e nem jamais haverá família mais querida e mais importante. Entretanto, mesmo tendo eles ciência disso jamais quiseram se impor com glórias à sociedade, pelo contrário, passaram por esse mundo despercebidos pela maioria da população mundial. Todas as grandes histórias dessas duas grandes pessoas ficaram conhecidas apenas como memórias póstumas, sendo que em vida não receberam mérito algum.
Seria, pois, errôneo atribuir indigência a Nossa Senhora e a São José. Não podemos também falar em “pobre gruta de Belém”. Não houve e nem jamais haverá castelo tão precioso quanto aquele. Não haverá jamais lugar tão santo e tão rico. Não se trata de pobre gruta, mas de riquíssimo castelo onde nasceu o Homem-Deus. É pobre essa gruta em riquezas materiais, as mais pobres dentre as riquezas, entretanto, lá ocorreu o milagre mais perfeito: o nascimento de Cristo. É intrigante pensar como o mais nobre dos reis escolheu nascer no mais simples dos palácios, mas as coisas de Deus não são como as nossas. Nós vemos a aparência, Deus vê o coração.
Em meio a todo aquele cenário de dor e, para alguns, de desespero, Nossa Senhora e São José foram espelhos de Deus. Deus consegue tirar das coisas ruins coisas boas. Nossa Senhora e São José transformaram todo esse sofrimento no episódio mais belo de todas as crônicas dos reis da Terra: o nascimento do Deus-Rei.
Essa é só mais uma prova de que imitando a Maria, imitamos o Altíssimo. Tal qual Ele, Nossa Senhora conseguiu transformar um mal, a pobreza material, em um grande bem: o nascimento do mais rico Rei que já existiu. Eram reis, mas viveram como escravos. Tinham tudo para serem orgulhosos, mas foram humildes todo o tempo.
Pobreza das pobrezas, onde se gerou o Rei dos Reis! Quantas vezes nós, pecadores como somos, reivindicamos riquezas do mundo? Quantas vezes queremos ser coroados de ouro onde Cristo foi coroado de espinhos? Se nem Maria teve lugar para dar à luz o Salvador, nem os cristãos podem ter muitas exigências com um apego exacerbado às coisas materiais.
A verdadeira riqueza é a que trazemos dentro de nós, a que faz brotar a fé, a esperança e a caridade, virtudes que a Santíssima Virgem conheceu de perto e tão bem que se tornou sua mais fiel praticante. Não descansa a alma do avarento, nem do soberbo, nem do orgulhoso e nem do ambicioso. Inquieta está a alma que não procura imitar as virtudes da Santíssima Virgem e não achará paz enquanto não descobrir essa fôrma e caminho de santidade.
Apenas a santidade traz paz de espírito. Apenas a virtude satisfaz a vontade do homem. Muitos correm atrás das riquezas do mundo esperando encontrar nelas alívio para seus sofrimentos. Enganam-se e perdem-se esses. Maria não teve nem onde dar à luz Jesus e não houve mulher com maior paz e nem com maior felicidade que Ela. Sua paz e sua felicidade repousavam em Deus, não nas riquezas da Terra, riquezas que ela não tinha.
Maria transformou suas dores e sofrimentos em uma maneira perfeitíssima de agradar a Deus. Tanto mais se mortificava Ela, mais Graças alcançava aos olhos do Altíssimo. Maria sabia de sua importância na Economia da Salvação. Em cada tarefa doméstica, em cada sofrimento, no alto da Cruz ao ver seu Divino Filho morrer inocente, Maria entregava a Deus seus sofrimentos e certamente com alegria por estar salvando as almas de muitos pecadores.
Sua dor de Mãe ao ver seu Filho morto transformou-se em alegria ao contemplar quantas almas salvou no ato de entregar tão grande sofrimento a Deus para que Ele usasse essa pena duríssima a fim salvar os homens pecadores. Tal qual Cristo, Maria, Imaculada e sem pecado, sofreu como os pecadores para que esses pudessem se salvar.
Na pobreza de Nazaré Maria deu ao mundo a maior riqueza: Jesus Cristo, o Deus vivo e encarnado. No ato de ódio do mundo pelo homem-Deus, Maria deu a esse o maior amor que poderia existir: a Salvação. Maria nos ensinou, tal como Cristo, como tratar o ódio: devemos sufocá-lo com o Amor Divino. Maria está a ensinar ainda hoje a todos os cristãos que devemos transformar as coisas ruins em coisas boas.

Ave Maria

Ave Maria, Cheia de Graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o Fruto do teu ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém


sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Imitação de Maria: Parte VIII


Do verdadeiro espírito de fé e união com Maria

Por: Eduardo Moreira

O homem que comunga entra em comunhão com Cristo, come e bebe sua salvação através da Divina Eucaristia. O homem que reza o Rosário, por sua vez, entra em espírito de fé e união com Maria de forma perfeita. Entretanto, no Rosário meditamos toda a vida de Cristo de forma tal que há uma estreita relação entre ele e a Divina Eucaristia.
Apesar das Ave-Marias em maior número, o Rosário é uma oração Cristocêntrica. Não se afasta de Cristo que o reza com fé, pelo contrário, se aproxima d'Ele de forma perfeita. Ninguém, pois, pode se aproximar de Cristo perfeitamente se não for em espírito de fé e união com Maria.
Quem comunga recebe a Cristo em seu coração, é verdade, mas para essa recepção ser efetiva é necessário a reza do Santo Rosário. Quem comunga e reza o Rosário, mais que se unir com Cristo, se une a Ele de forma tão perfeita que se torna confundível com Ele. A união de quem reza o Rosário com Cristo através da Eucaristia é mais perfeita porque a alma que reza o Santo Rosário se apresenta humildemente à Virgem Santíssima que a apresenta a Jesus. Da mesma forma que há uma união perfeita entre Maria e Jesus, quem se une à Santíssima Virgem pelo Santo Rosário se une a Cristo com laços estreitíssimos através de tão piedosa Mãe.
Aqueles que procuram outra via se perdem, se dispersam, porque não conhecem os caminhos que conhece a Santa Mãe de Deus. Aqueles que procuram a Cristo sem passar por Maria não O encontram. Mesmo que se esforcem, sozinhos jamais poderão encontrá-lo. Deus está em caminhos inacessíveis ao homem, em caminhos que só Maria dentre todos os homens conhece. Só se alcança a Deus de forma perfeita passando pelos mesmos caminhos de santidade pelos quais passou a Santíssima Virgem e se alguém os atinge, mesmo que não saiba, é porque Ela os apresentou.
Faz muito bem à própria alma aquele que, ao receber a Eucaristia, pede para que Nossa Senhora receba Jesus por nós. Em nossa espiritualidade torpe não podemos receber o Cristo de forma perfeita. Convém, pois, consagrarmos esse tão sublime momento à Santa Mãe de Deus, que bem conhece seu Filho e sabe perfeitamente como elevar nossas súplicas a Ele. Nesse exato momento, as maiores Graças se derramam sobre a alma. Cristo se deixa conhecer através de sua Santíssima Mãe que o apresenta à alma que o recebe.
É essa a comunhão perfeita, aquela feita em espírito de fé e união com Maria, a que nos une perfeitamente a Deus através da Divina Eucaristia e do Amor da Virgem. Maria sabe como apresentar o que temos de melhor a Cristo e devemos permitir que Ela o faça. Ela quer nos apresentar a Cristo, mas precisamos entregar nossas almas a Ela. Assim, Maria reveste nossas porcas virtudes com sua santidade e eleva-as ao Pai de forma perfeita através do Pão dos Anjos, a Divina Eucaristia. Tanto mais nos deixamos consumir por esse espírito de fé e união com Maria, mais nos entregamos ao próprio Cristo, mais Graças alcançamos e mais ficamos próximos da Salvação.
Pobres almas aquelas que, não sabendo ou tendo orgulho, não procuram a via de santidade que é Maria. Pobres daqueles que confiam nas porcas misérias e nos deficientes méritos para tentar penetrar o Insondável e Incompreensível. Perdem-se no caminho de sua soberba, confundem-se, dividem-se em seu orgulho e espalham sua confusão.
Muito mais agradável a Deus são aquelas almas que se unem a Maria para que Ela tome conta de suas misérias e de seus méritos. Muito mais graciosa é a oração do humilde, aquela que é ouvida por Deus, que faz tremer a Céus e Terras e converte todo o mundo em união com a Santíssima Virgem.
Engana-se aquele que se acha forte o bastante para ser dono das próprias virtudes ou sábio o bastante para cultivá-las. Tão logo o insensato se declara santo, já vem sorrateiramente o inimigo e lhe subtrai tudo o que pensa que tem através da mesma soberba que o pecador usa para se declarar semelhante a Deus. Aliás, uma relação muito estreita entre a alma soberba e Lúcifer: ambos querem ser iguais a Deus, mas jamais conseguirão.
Devemos, ao invés disso, consagrar todas as nossas virtudes e feitos a aquela que esmagou a cabeça da serpente para que Ela sim faça em nós a Vontade de Deus e tome conta de nossos ralos méritos. Sou todo vosso, minha Rainha e minha Mãe e tudo quanto tenho vos pertence, diz a alma contrita do humilde.
Há quem objete pensando que, se se unir perfeitamente com a Virgem Mãe dispondo de tudo o que tem, nada lhe sobrará para apresentar a Deus. Esse pensamento é insensato e é bem similar ao operário que enterrou os próprios talentos. Primeiramente, não temos via segura alguma de guardar nossos tesouros espirituais. Se os enterrarmos, tão logo o fazemos e a ferrugem os corrói. Se os mostramos, a soberba no-los tira. A escolha mais sábia é entregá-los à Santíssima Virgem que os apresentará a Deus para que sejam usados da melhor forma que existir. Não devemos, pois, pensar que ao entregarmos tudo a Ela ficaremos sem nada porque Maria nunca deixaria faltar nada a quem lhe ama a ponto de se entregar completamente.
Se quisermos ser perfeitos, devemos permitir que Maria venha habitar em nós. Devemos nos unir a Ela com um espírito contrito e devemos implorar para que Ela nos molde em seus caminhos para que um dia gozemos da Pátria Celeste.
Quão grande mistério descoberto por São Luís Maria de Montfort: quanto mais doamos, mais ricos nos tornamos. Quanto mais nos humilhamos, mais se exalta nosso espírito rumo ao Pai. Tanto mais pequenos nos tornamos na Terra, maiores seremos no Reino dos Céus. Pequenas almas rumo ao Céu, plenamente entregues à Misericórdia Divina pelas Mãos Imaculadas da Santíssima Virgem, assim são aqueles que se lançam nesse mar de Graça e Misericórdia.


Oração para a Comunhão
Maria Santíssima, recebei por mim agora seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, porque por minhas faltas e pecados não mereço ser ouvido, não mereço recebê-lo, não mereço sequer me aproximar de tão grande mistério.
Virgem Santíssima, Mãe da Divina Graça, concedei-me a conversão de meu coração pobre e pecador a fim de que melhor me aproxime de Deus.
Tomai conta de minha alma, minha dulcíssima Mãe, e fazei-me como vós, um espelho vivo de Cristo, de quem tu és fiel imitadora.
Mãe de Misericórdia, peço-vos que me gereis no íntimo de vosso ventre, a primeira morada de Cristo, o pão dos anjos, e tornai-me semelhante a Ele que é todo Misericórdia.
Mãe de Deus, apresentai-me a Deus em adoração perfeita. Não permitais jamais que d'Ele me separe e nem que me afaste d'Aquele que me deu a vida e a oportunidade de tornar-me santo.
Mãe de Graça, que por vossa intercessão eu mereça um dia a vida eterna em espírito de fé e união convosco e com Cristo, meu amado Salvador.
Amém.