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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entendendo a Santa Missa

A Santa Missa: a atualização do Sacrifício do Calvário


A Missa é chamada de Santa, pois se trata da atualização do único e definitivo sacrifício do Calvário de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a renovação incruenta, ou seja, sem derramamento de sangue, do sacrifício de Cristo que é o Santo dos santos. Se todas as pessoas entendessem a magnitude de cada celebração eucarística, não achariam por diversas vezes a Missa chata e cansativa. A cada Missa ocorre o grande milagre da transubstanciação, ou seja, da completa mudança da substância do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor. Porém, muitos ignoram que a cada Missa Jesus se entrega a nós com todo seu amor, em um sacrifício único e agradável a Deus, para a nossa salvação.

Para entendermos como a Santa Missa é importante (que além de ser ordenada pelo próprio Cristo “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19), é desejada pelo Pai como uma oblação pura), podemos ler as passagens que seguem:

Inicialmente, o profeta Malaquias inspirado pelo Espírito Santo transmite como o Criador se encontra irritado com a falta de dignidade e pureza dos sacrifícios antigos:

O filho honra seu pai, e o servo reverencia o seu senhor. Se eu, pois, sou vosso pai, onde está a minha honra? E se eu sou o vosso Senhor, onde está o temor que se me deve? diz o Senhor dos exércitos. Convosco falo, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome, e que dizeis: em que desprezamos nós o teu nome? Vós ofereceis sobre o meu altar um pão imundo, e dizeis: Em que te profanamos nós? Nisso que dizeis: A mesa do Senhor está desprezada. Se vós ofereceis uma hóstia cega para ser imolada, não é isto mau? E se ofereceis uma que é coxa e doente, não é isto mau? Oferecei estes animais ao vosso governador, e vereis se eles lhe agradarão, ou se ele vos receberá com agrado, diz o Senhor dos Exércitos (Mal. 1, 6-8).

E diante de tal desagrado o profeta também diz que o Pai não aceitaria mais nenhum sacrifício antigo: “o meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos; nem eu receberei algum donativo de vossa mão” (Mal 1, 10), e mais, prefigura um novo sacrifício puro e digno: “Porque desde o nascente do sol até o poente é o meu nome grande entre as gentes, e em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura” (Mal. 1, 11). Ou seja, todo sacrifício oferecido da forma antiga, com sangue de animais não seria mais aceito, e em seu lugar deveria ocorrer um sacrifício puro para o agrado do Senhor dos exércitos.

Porém esta não é a única passagem bíblica que faz menção a um sacrifício puro oferecido a Deus. As passagens do Antigo Testamento podem prefigurar, por diversas vezes, os acontecimentos do Novo Testamento, através dos profetas e suas profecias. Em Gênesis (14, 18-20), podemos ver Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus altíssimo, oferecendo pão e vinho em Sacrifício a Deus e abençoando-os. Temos a certeza de que ele era sacerdote, pois no salmo 110 (109) versículo 4, podemos observar que o próprio Deus jurou a Davi “Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec”. Já no Novo Testamento na carta de São Paulo aos Hebreus a partir do capítulo 8 podemos observar o apóstolo afirmar um novo sacerdócio, uma Nova Aliança mais benéfica, ou seja, as coisas não seriam mais como no passado, pois o sangue oferecido seria o do próprio Deus.

A Santa Missa é mais que a “Ceia do Senhor”, pois é o Sacrifício do Altar, é Deus que se imola em todas as celebrações eucarísticas e se dá a nós sob as espécies de pão e vinho. Deus nos alimenta e nos dá de comer e beber sustentando nosso Espírito com o pão da vida, tenhamos, pois, fé e gratidão todas as vezes que participamos da celebração da Santa Missa.

Nós, pobres pecadores, devemos participar e assistir com enorme gratidão a este sacrifício, todos os dias renovado e atualizado pelo próprio Cristo. Por esta razão, a Santa Missa é tão solene e os abusos por diversas vezes realizados na liturgia devem ser evitados, pois a celebração eucarística é feita de ritos, da repetição da forma desenvolvida pelos apóstolos, e não cabe a simples leigos mudar a forma dela se realizar, mas somente o Colégio Apostólico, liderado pelo Sumo-Pontífice, pode tomar tais decisões. Como feito no Concílio Vaticano II, na qual a Santa Missa pôde começar a ser celebrada na língua local e com o sacerdote virado para o povo.

Fonte:

Site Doutrina Católica. Disponível em: http://doutrinacatolica.wordpress.com/2011/09/30/entendendo-a-santa-missa/ Acesso em: 30 Setembro 2011.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A Liturgia Católica [Programa Credo in Ecclesia]

Por John Lennon J. da Silva.

Coloco a disposição dos amigos e leitores do Apostolado ao Clemente Romano, para download o último programa que gravei para o “Credo in Ecclesia”. Na verdade o áudio foi gravado no dia 13 de Agosto e com atraso faço postagem aqui no site. Lembrando que o programa que vai ao ar todos os sábados pela rádio-web Resgate a partir das 18:30 hs.

Neste áudio trato especificamente da liturgia católica. Seu nascimento, desenvolvimento, importância e referência para a Igreja desde os primeiros séculos. Falo sobre como o fiel católico deve perceber a liturgia que se realiza na Santa Missa. Faço também comentários quanto à situação da liturgia no Brasil e do verdadeiro espírito que devemos nutri quanto ao culto perfeito que a Igreja celebra.

Abaixo o leitor pode escutar e através do 4shared baixar o áudio.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O padre que usa amicto!

Por John Lennon J. da Silva.

No mês passado escrevi artigo intitulado “As arbitrariedades contra a Sagrada Liturgia” tratei de como anda a liturgia no Brasil, e fiz menção aos erros que têm cercado a vida litúrgica de muitas Igrejas, pois bem entre as minhas afirmações sobressai-se para o leitor, o descuido que têm tido parte do clero em relação à celebração da Sagrada Liturgia. Prova disso é a falta dos paramentos litúrgicos e de um verdadeiro “espírito litúrgico” entre os fieis.

Falar desta situação parece não ser tarefa das mais animadoras, já que uma celebração correta como pede a Igreja tornou-se coisa rara. Mas para glória de Deus muitos padres e bispos zelosos quanto à liturgia, tem demonstrado vigor e testemunho trazendo consigo exemplos peculiares que se constituem pérolas de esperança na restauração do que fora perdido.

Uma destas pérolas que eu pude ver com meus próprios olhos no último domingo dia 21/08, e quero compartilhar com todos os leitores do site nesta época de crise na fé e secularização. No domingo pela noite me dirigi junto com minha namorada para participarmos da Santa Missa pelas 18:00 horas em Igreja aqui de Caruaru. A Santa Missa foi celebrada pelo Revmo. Pe. Francisco Xavier Ribeiro [foto do lado direito] um piedoso e conhecido padre aqui da Diocese de Caruaru, participei de toda a celebração na forma ordinária e ao final acompanhei minha namorada que tem o Revmo. Pe. Francisco como diretor espiritual e desejava presenteá-lo com uma pequena lembrança. Então depois de rápida conversa com ele após a benção final, fomos o seguindo até a sacristia e ficamos próximos a porta de entrada aguardando o padre retirar as vestes litúrgicas para que minha namorada entrega-se seu presente.

Eu particularmente observava tudo atentamente, naquele momento o padre Francisco estava a tirando a estola, casula, cíngulo e a alva pensava eu que havia ele concluído a retirada das vestes litúrgicas e logo apareceria sua veste ordinária. Mas observei em volta do pescoço dele sobre os ombros uma pequena veste, cuja em baixo ele dava um nó nas duas pontas, eu espantei-me por nunca ter visto um padre com um “amicto”¹ [observe a imagem da postagem] só havia visto aquela veste em fotos ou ilustrações litúrgicas, já que há muitas décadas parece ter ela caído em desuso. Naquele momento minha namorada percebeu a veste com estranheza e até comentou o excesso de vestes ao padre, que respondeu com um sorriso rápido.

Logo após o ocorrido pensava e refletia aquele fato, tão raro, tão simples e rico. Raro por que em nossos dias a liturgia tem enfrentando uma crise de identidade e muitos padres encontram-se cômodos quanto ao uso das vestes litúrgicas como manda o Magistério e a Tradição, tal descuido litúrgico já foi condenado várias vezes o Beato João Paulo II dizia; "Deixar de observar as prescrições litúrgicas sobre a exigência dos parâmetros à celebração é interpretado como falta de respeito à Eucaristia". O gesto e o cuidado daquele sacerdote inflamavam em mim esperança, pois mesmo em tempos de crise, secularização e perigo para a fé católica: muitos padres mantêm a fé e cuidado com as orientações que sempre marcaram a vida litúrgica da Igreja.

E durante a volta para casa comentava rapidamente com minha namorada, o valor e a piedade que demonstrava aquele sacerdote ao utilizar aquela veste que aos olhos de muitos é estranha, pois quase não é vista já que caiu em desuso por sacerdotes de diversas paróquias e dioceses do país. Dizia a ela que era coisa raríssima ver um sacerdote usá-la e que o Pe. Francisco se distinguia em meio a uma multidão de analfabetos em liturgia.

Queria trazer este exemplo zeloso para que os leitores e amigos saibam que existem muitos valorosos heróis na Fé, que se tornaram anônimos depois da tempestade que produziram na Igreja Católica os heterodoxos e homens de má fé. Rezemos por sacerdotes dignos e verdadeiros e peçamos a Deus que mantenha fieis os corações de inúmeros bispos, e padres como este sacerdote de pouco mais de 57 anos, assim como religiosos e leigos que têm corajosamente a mando do Senhor Jesus anunciado a boa nova e pelejado pela verdade e pela preservação do que fora legado a única Igreja de Cristo. E mantenha-nos unidos ao sucessor de Pedro.

Notas:

Amicto¹: É a primeira veste que o Sacerdote coloca sobre os ombros e em volta do pescoço. Representa o elmo da salvação que defende o Sacerdote das insídias de Satanás. Ao vesti-la é rezada a seguinte oração: "Colocai, Senhor, na minha cabeça o elmo da salvação para que possa repelir os golpes de Satanás".

terça-feira, 19 de julho de 2011

Por uma correta e sagrada Liturgia!


Por John Lennon J. da Silva.

Na semana passada publiquei artigo leia aqui, sobre as deformações que são encontradas em meio a Sagrada Liturgia no Brasil. Esta semana encontrei alguns bons vídeos sobre o mesmo tema. É interessante aos leitores conhecê-los. Já que é importantíssimo buscarmos uma justa compreensão do assunto, e zelosamente nos mantermos fieis ao que a Igreja ensina e crer que dever ser professado e aceito na liturgia católica.

Ontem descobri pela internet, alguns bons vídeos que contêm considerações eficazes e oportunas sobre a noção de “sacrifício”. Já que a liturgia é o próprio calvário onde o Senhor Jesus é imolado em petição pelos nossos pecados, sentimentos e assentimento que devem marcar não só ideologicamente, mas se enraizar nos católicos transpassando a ideologia e vindo a torna-se presentes na prática catequética, estes devem orientar-se sobre alguns princípios de compreensão para que ajudem em uma justo e edificante comportamento interno na celebração dos mistérios cristãos.

O primeiro destes vídeos que quero trazer aos olhos dos leitor(e)s é um parte da participação que fez Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acúfica e Auxiliar de Aracaju no programa “Escola da Fé” do Prof. Felipe de Aquino. Ele fala muito bem sobre a liturgia e sobre os problemas que ela vêm enfrentando no Brasil.



O segundo vídeo que quero trazer é do Revmo. Pe. Paulo Ricard de Azevedo Junior que em um de seus projetos no site que mantêm, falou recentemente sobre “Música e Liturgia” na sua série de vídeos intitulada “ A Resposta Católica”. É brilhante as considerações sobre a teologia da missa que traz o padre aos que assitem, assim como ao polêmico assunto das músicas, e estilos que podem esta presentes na Santa Missa. Assistam.



O próximo vídeo também é do Padre Paulo Ricardo como é mais conhecido este ortodoxo sacerdote. Neste a uma pequena exposição do que significa o princípio da “inculturação” para a Igreja. É bom salientar que a “inculturação” é usada de forma equivoca para introduzir na liturgia várias formas de aberrações e moldes típicamnete humanos que entram em confronto com os ritos e com a realidade liturgica, como vocês veram o Pe. Paulo Ricardo exclarecer qualquer forma de “inculturação” na liturgia só pode ser feita com autorização especial da Santa Sé. No vídeo também trata-se das ilegitimas “missas-shows”, “missas-afro”, e demais denominações genericas para estas escandalosas celebrações que são verdadeiros abusos liturgicos.



Por último quero presentia-los com um vídeo [legendado] do Cardeal Francis Arinze que de 2002 até 2008 era Prefeito da Congregação para o Culto Divino, congregação a qual compete a missão de orientar e zelar pela aplicação justa do missal romano, exortando as diversas Igrejas locais sobre questões referentes a liturgia católica.



No vídeo que se passa em um evento em que o mesmo cardeal esta á responder algumas perguntas sobre “dança liturgica” [palavra por demais heterodoxa]. E sobre música sécular. Quero deixar registrado uma das frases do Cardeal Arinze que alude muito bem o princípio central, que deve ser divisor de águas na escolha e uso de certas canções durante a Santa Missa, "porque aquilo que cantamos deve manifestar aquilo que acreditamos e não obscurecer nossa fé". O que lembra o tradicional ditado católico em latim “lex orandi, lex credendi.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As arbitrariedades contra a Sagrada Liturgia

Por John Lennon J. da Silva.

Uma das maiores feridas deixadas pela crise que enfrenta a Igreja nestas últimas décadas, sem dúvida alguma se trata das “chagas visíveis” que podem ser verificadas na má aplicação da Sagrada Liturgia. Nas últimas décadas as noções de sacrifício que deveriam permear as celebrações de muitas paróquias principalmente no Brasil, parecem ter desaparecido e dado lugar a arbitrarias compreensões de culto.

Que na maioria das vezes não sublinham a presença de Cristo crucificado e sua redenção, deram lugar a picadeiros onde os expectadores aguardam ansiosos por apresentações recheadas de movimentos e emoções; onde não mais o sacerdote faz às vezes de Jesus, mas é o signo do humano. Fato que fazer “Missas” mais atraentes e recheadas de novidades para alguns soam como o melhor atalho para encher os templos de gente.

Há vale salientar que alguns destes preferem fugir de uma boa catequese que converta a alma e coração dos fieis que andam distantes da Igreja, para que sejam estes introduzidos verdadeiramente na fé e prática católica, limitam-se a badalação e a numero expressivo de corações que se animam com os “frutos da terra” (cf. Gn 4,3) que oferece Caim, mas batem em retirada e deparam-se no mundo com seus corações vazios da Palavra de Deus e das orientações eficazes da Igreja.

Do outro lado também se encontra bispos e padres que apoiam e dão aparato para celebrações que na verdade são shows, ao melhor, torna-se o “sacrifício de Caim”. Existe também o modernismo teológico que vigora na ideologia eclesial destes sujeitos, que usam de forma grossa o Concílio Vaticano II para apoiar suas copiosas aberrações; tentam esconder eles que o concílio freia seus erros e proíbe as suas arbitrariedades. Alguns podem alegar que estou sendo duro nas palavras. Mas no momento em que vivemos quando predominam os covardes devem aparecer os duros e zelosos junto à verdade, como profetas que não têm medo de perder sua cabeça por amor ao reino de Deus.

Desde o início a Igreja procurou prestar a Deus um “oficio” puro e perfeito aos moldes dos louvores que prestam continuadamente na eternidade os anjos que ministram na Igreja triunfante composta pelos querubins, serafins, arcanjos, anjos e santos na alegria celeste. Dentre os séculos homens prudentes e iluminados se levantaram a fim de aperfeiçoar e corrigir os erros na liturgia. Para fazer dela um sacrifício perfeito como o de Abel que fora abençoada por Deus. A liturgia sempre foi um misto composto pelas suas raízes hebraicas e legislação dada por Javé á Moisés, que encontra ápice no aprimoramento cristão trazido na encarnação de Cristo e seu sacrifício em expiação de nossos pecados.

As Mentes frívolas de nossos tempos esquecem suas origens e perderam sua identidade. Já não mais fazem para glória de Deus, o sagrado oficio. Mais se gloriam no homem. Em nossos dias os inimigos da religião infiltrados na Igreja vêm a “profanar o santuário, a fortaleza” e como profetiza Daniel, tentam “cessar o holocausto perpétuo” e lutam para instaurar “a abominação do devastador” (cf. Daniel 11,31).

Por isto tomam lugar às arbitrariedades nos movimentos, [exemplo, dança, pulos e gritos]. Sem contar na composição das músicas e nos etilos musicais. Na falta dos paramentos e objetos de uso litúrgico. Mesmo quando os Papas continuam a exortam que cessem os abusos e desregramentos litúrgicos. O Inimigo, a antiga serpente (cf. Ap 20,2) continua e querer ludibriar e atrapalhar o verdadeiro culto a Deus trazendo confusão a Noiva de Cristo. Onde deveria existir o maior de todos os zelos, pois que da Sagrada Liturgia depende a nossa vida de adoração, os livros litúrgicos que deveriam ser luzes; são nestas ocasiões figurantes, as rubricas litúrgicas que deveriam ser sinais nas mãos dos sacerdotes, são negligenciadas. Estes são alguns dos reflexos da “crise na liturgia” que são vistos em muitas celebrações artífices que contribuem para tornar a “Santa Missa” mais humana e menos divina. Quando busco as celebrações ordinárias em minha cidade busco ortodoxia litúrgica, mas o que enxergo e presencio são as palmas de quem não entende nada do que se passa no altar!

Sempre me vêm à memória a Santíssima Virgem, e o apostolo amado e me interpelo como se sentiram vocês “aos pés da Cruz” (cf. Jo 19,25-26). Tinham seus corações repletos de sofrimento, modéstia, espera e silêncio. Estes são os sentimentos que deveriam ser nutridos pelos fieis hoje, são modelos de comportamento ante a realidade da Cruz que na Santa Missa realiza-se o mistério pascal para nossa salvação.

Rezemos para que Deus suscite nos corações dos clérigos e fieis a nuvem de sentimentos e comportamento que detinham os que estavam no Calvário. Que possamos pelejar para que os não católicos ou os que ainda se mantenham longe da sã doutrina vejam com seus olhos que prestamos a Deus um verdadeiro culto e nutrimos e cremos que a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício Redentor de Cristo.

Tomemos como palavras para nos guiar em uma melhor postura que devemos alimentar internamente e externamente na Santa Missa, lugar onde Cristo oferece-se de um modo sacramental, debaixo das aparências do Pão e do Vinho. As palavras de São Leonardo de Porto-Maurício.

“Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” (São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto).

Que possamos ir à missa e estarmos nela, semelhante aos que assistiram no calvário Jesus Cristo oferece-se de um modo sangrento pelos pecados do homem.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Arte católica antiga: a grandeza bizantina

Em 313, o Imperador Constantino proclamou o cristianismo como uma das religiões permitidas do Estado. Isso provocou uma revolução nas artes da Igreja. Até então, o artista fora um autodidata, aprendendo a trabalhar somente para o momento, sugerindo, insinuando, jamais se entregando totalmente, trabalhando na escuridão, em superfícies pequenas e inadequadas, despreocupado com qualquer coisa que não fosse o presente, cônscio da morte que espreitava em todos os cantos. Agora, subitamente, o brilho da publicidade o envolvia. Ele tinha de decorar basílicas em vez de túneis; glória alguma era demasiada para o Rei dos Reis; antes que seus olhos estivessem acostumados com a luz, exigiram dele grandeza e permanência.

Quase que imediatamente surgiu o difícil problema das imagens. A fé judaica, de onde nascera o cristianismo, interpretara o primeiro mandamento como uma proibição do uso de “imagens esculpidas” para que elas não se transformassem em ídolos. Essa tradição prosseguiu na Igreja primitiva. Assim, a Casa de Deus não teria estátuas. Outras representações também poderiam muito bem ter sido proibidas naqueles primeiros tempos de confuso entusiasmo, se não fosse a lucidez do Papa Gregório Magno, que observou que “a pintura pode fazer pelo analfabeto o que a escrita faz pelos que podem ler”.

Contudo, a rápida técnica da pintura impressionista, que nascera da necessidade de uma vida fugitiva nas catacumbas, deixara de ser apropriada para a Igreja, que representava uma religião oficial do império.

Grandes basílicas estavam sendo construídas sobre os túmulos dos apóstolos e nos lugares santos, custeadas pelos imperadores, cujo gosto pela grandeza e magnificência era satisfeito pelas qualidades duradouras dos trabalhos em mosaico. Os mosaicos são feitos de pequenos cubos de vidro dourado e colorido, sobretudo em cores fortes e ricas. Esses cubos são agrupados em desenhos e quadros e fixados nas paredes, tetos e pisos, onde brilham e cintilam à luz, causando efeitos muito chamativos. Antes da época cristã eles eram usados nos palácios e nos templos dos pagãos.

Os mais antigos mosaicos católicos são encontrados em Roma, na abóbada de Santa Constança, na nave de Santa Maria Maior e na abside de Santa Pudenciana. O estilo das catacumbas ainda está ligado ao mosaico Traditio Legis em Santa Constança. Há em torno dessas figuras um movimento e urgência que não está de acordo com a natureza rígida e formal das pedras de que foram construídas. Ele ainda tem encanto, ao passo que, como meio de expressão, o mosaico exige formalidade. Ele ainda é um tanto rústico, quando deveria ser “distante”. Ainda conta uma história, quando deveria satisfazer-se com uma afirmação.

(O Traditio Legis em Santa Constança)

Os mosaicos de Ravena, mundialmente famosos e singulares, mostram a lenta modificação da ênfase. Examinem primeiramente “O Bom Pastor” no mausoléu de Galla Placidiana, uma pequena edificação de tijolos semienterrada no chão. Ao se entrar nele, saindo da brilhante luz solar, a princípio não se vê nada em sua penumbra, mas lentamente, pelas pequenas aberturas de translúcido alabastro cor de âmbar, passa uma luz resplandecente.

(O Bom Pastor no mausoléu de Galla Placidiana, Ravena)

Os mosaicos, do azul mais profundo, recamado de ouro e prata, cobrem todo o interior e um efeito de grande magnificência sem ostentação revela-se ao espectador. Cristo, o Bom Pastor, ainda é o bom pastor grego, a juventude divina e eterna – mas diferente da figura simples das catacumbas. Ele ainda não é elevado à figura entronizada da arte bizantina, mas ali está Cristo regiamente vestido, usando o ouro e a púrpura do imperador.

Pastoral, e sugerindo um suave ar de paz, esse mosaico nada tem do caráter sentimental e sonhador dos Bons Pastores pintados no século XIX. As ovelhas estão alerta, observando seu pastor, atentas a todas as suas ordens. A paisagem é árida, havendo rochas por toda parte. Tão cedo na arte cristã, já a atitude cristã era representada como de constante vigilância.

O estilo romano-pompeano persiste em todos os mosaicos de Galla Placidia. Luz, sombra e profundidade desempenham um papel importante. O formalismo ainda estava por vir.

Entre o túmulo de Galla Placidia e o batistério de Ravena, a arte cristã se desenvolveu. Ela abandonou seu interesse greco-romano pela narrativa e voltou-se mais para o Oriente, em busca de inspiração. Constantinopla foi sua nova fonte. Infelizmente as mais antigas artes bizantinas se perderam porque Constantinopla, seu berço, foi destruída tantas vezes que pouco dela restou. Ravena representa agora o que Constantinopla outrora deve ter sido.

(Cúpula do batistério em Ravena)

No âmago da arte bizantina encontra-se a idéia de majestade. Cristo é o rei; os anjos, os santos e o imperador são a sua corte. Desapareceu o doce pastor, e em seu lugar está o governante.

No batistério de Ravena são visíveis os primeiros traços da nova influência bizantina. Aqui termina a primeira busca do cristianismo de uma forma própria de manifestar-se artisticamente. Um último e prolongado relance para a passada cultura pagã pode ser visto no batismo de Cristo, a figura central do mosaico do teto.

O jovem Cristo está imerso nas águas do Jordão entre duas figuras: o rude São João Batista está à sua esquerda e um deus semelhante a Netuno dá sua aprovação à direita (na realidade, a figura não é Netuno, mas a personificação do rio Jordão). Eles têm aquela qualidade estática, fixa, nova na arte cristã nessa época, mas que persistirá por muitos séculos em muitos lugares.

Enquanto a grande majestade de Deus estava sendo salientada por toda parte, em Ravena temos uma figura de Cristo, na basílica de Santo Apolinário Novo, desenhada não só para significar a realeza de Deus mas também a benevolência sabedoria e misericórdia do Redentor. Ele tem uma dignidade dificilmente superada. A primitiva idéia do Cristo jovem cedeu lugar à do homem amadurecido.

O estilo bizantino, que teve origem no império de Constantino, influenciou a arte cristã do Ocidente por oito séculos – isto é, por um período mais longo do que aquele que separa Picasso de Giotto. O surpreendente é o pouco que ela mudou em todo esse tempo. Mais tarde, as guerras espalharam os artistas do Oriente por todos os países ocidentais e áurea glória dos mosaicos de Ravena dos séculos V e VI brilhou novamente em Dafni, na Grécia, em Veneza e na Sicília.

(A abside da Catedral de Monreale, Sicília, com um mosaico do século XIII representando Cristo o Governante e Mestre, conhecido como Pantocrator. Foi esse tema, em vez do crucifixo, que por muitos séculos dominou as igrejas católicas e que fixou o caráter da arte bizantina.)

Os mosaicos de Palermo estão entre os mais belos desse período. Ali, e em Monreale, podem-se ver todos os traços tradicionais da arte cristã cuidadosamente conservados. Características são as majestosas figuras de Cristo glorificado, rodeado de anjos e santos.

(Mosaicos do século XI na Capela Palatina, Palermo, representando o nascimento de Cristo e sua entrada em Jerusalém. Alguns dos mais belos exemplares da arte bizantina na Europa se encontram na Sicília.)


A cena da coroação, na igreja Martorana, em Palermo, onde um rei terreno é coroado pelo Rei do Céu, segue a tendência de Ravena. O monarca terreno está luxuosamente trajado e coberto de jóias, mas, em estatura, ele é apresentado num tamanho muito menor do que a figura modestamente trajada de Cristo. Embora essa maneira date do século XII, a forma primitiva persiste. Uma fórmula se transformara numa tradição fixa.

(Cena da coroação, na igreja Martorana, em Palermo)

Outro elemento importante da arte bizantina é o ícone.O ícone tem origem nos retratos funerários da antigüidade greco-romana(fayum). São escritos (maneira de se referir à pintura deles) sobre madeira, na técnica da encáustica ou da têmpera. Como o mosaico, ele se difundiu pelo mundo ocidental. É uma representação rica, rígida e formal de uma simples personagem ou de uma cena, pintados num painel de madeira contra um fundo dourado.

(Ícone georgiano)

E a noção de originalidade?

A noção moderna de que um artista deve ser “original” não era compartilhada pela maioria das pessoas do passado. Um mestre egípcio, chinês ou bizantino ficaria imensamente perplexo se lhe exigissem tal coisa. Tampouco um artista da Europa medieval ocidental teria entendido por que haveria de inventar novos métodos para desenhar um cálice ou representar a História Sagrada, quando os antigos métodos serviam tão bem a esses fins. O piedoso devoto que queria dedicar um novo sacrário para uma relíquia de seu santo padroeiro não só tentava obter o mais precioso material que estivesse ao seu alcance, mas desejaria também dotar o mestre com um antigo e venerável exemplo de como a vida do santo devia ser corretamente representada. Nenhum artista se sentia embaraçado com esse tipo de encomenda; ainda lhe restava campo suficiente para mostrar se era um mestre ou um charlatão.

Talvez possamos entender melhor essa atitude se pensarmos no tipo de música que se pede para tocar num casamento. Numa festa de casamento não esperamos que os músicos componham algo novo para a ocasião, assim como o mecenas medieval não esperava uma nova invenção quando encomendava uma pintura sobre a Natividade para decorar sua capela pessoal. Indicamos o tipo de música que queremos e o tamanho da orquestra ou do coro, se os nossos meios o permitirem. Entretanto, é ainda ao músico que compete apresentar uma execução maravilhosa de uma antiga obra-prima ou fazer desta uma barrafunda inaudível. E, assim como dois músicos igualmente grandes podem interpretar a mesma peça de modos muito diferentes, também dois grandes mestres bizantinos podiam criar obras de arte muito diferentes sobre o mesmo tema e até a partir do mesmo modelo antigo.

Glossário

Neste ponto do nosso trabalho (que é uma série), cabe um pequeno glossário:

Afresco: O termo “afresco”, hoje é sinônimo de pintura mural. Originalmente, porém, era uma técnica de pintar sobre a parede úmida. Vem daí seu nome (“pintura a fresco” ———> “pintura afresco”).

Nesse tipo de pintura, a preparação da parede é muito importante. Sobre a superfície da parede é aplicada uma camada de reboco a base de cal, que, por sua vez, é coberta com uma camada de gesso fina e bem lisa. É sobre essa última camada que o pintor executa sua obra. Ele deve trabalhar com a argamassa ainda úmida, pois com a evaporação da água, a cor adere ao gesso (o gás carbônico do ar combina-se com a cal e a transforma em carbonato de cálcio, fazendo com que o pigmento se fixe na parede).

O afresco se distingue das demais técnicas porque, uma vez seca a argamassa, a pintura se incorpora ao reboco, tornando-se parte integrante dele. Nas outras técnicas, as figuras pintadas permanecem como uma película aplicada sobre um fundo. Além disso, como a parede deve estar úmida para receber a tinta, a camada de gesso é colocada aos poucos. Assim, se alguma área já pronta não receber pintura, ela precisa ser retirada a aplicada posteriormente. Por esse motivo, observando um afresco de perto, podemos notar os vários pedaços em que foi sucessivamente executado.

Têmpera: A têmpera é o nome que recebe um dos modos que os artistas bizantinos utilizavam para preparar a tinta usada em seus ícones. Consiste em misturar os pigmentos a uma goma orgânica, para facilitar a fixação das cores à superfície do objeto pintado. A mais comum é a goma de ovo. O resultado é uma pintura brilhante e luminosa. A partir do surgimento da pintura a óleo, os artistas abandonaram a técnica da têmpera. Mas alguns contemporâneos continuam a usá-la, como foi o caso do pintor brasileiro Alfredo Volpi.

Encáustica: Já a técnica da encáustica foi utilizada desde a Antigüidade. Os gregos usavam-na, por exemplo, para colorir suas esculturas de mármore. O processo consiste em diluir os pigmentos em cera derretida e aquecida no momento da aplicação. Ao contrário da têmpera, cujo efeito é brilhante, a pintura da encáustica é semifosca.

Mosaico: O mosaico consiste na colocação, lado a lado, de pequenos pedaços de pedras de cores diferentes sobre uma superfície de gesso ou argamassa. Essas pedrinhas coloridas são dispostas de acordo com um desenho previamente determinado. A seguir, a superfície recebe uma solução de cal, areia e óleo que preenche os espaços vazios, fazendo com que os pedacinhos de pedra adiram melhor. Como resultado obtém-se uma obra semelhante à pintura.

Os gregos usavam os mosaicos principalmente nos pisos. Já os romanos utilizavam-nos na decoração, demonstrando grande habilidade na composição de figuras e no uso da cor. Na América os povos pré-colombianos, principamente os maias e os astecas, chegaram a criar belíssimos murais com pedacinhos de quartzo, jade e outros minerais.

Mas foi com os bizantinos que o mosaico atingiu sua mais perfeita realização. As figuras rígidas e a pompa da arte de Bizâncio fizeram do mosaico a forma de expressão artística preferida pelo Império Romano do Oriente.

Assim, as paredes e as abóbadas das igrejas, recobertas de mosaicos de cores intensas e de materiais que refletem a luz em reflexos dourados, conferem uma suntuosidade ao interior dos templos que nenhuma outra época conseguiu reproduzir.

Fonte:

MORAIS, Tiago Santos de. Arte católica antiga: a grandeza bizantina. Blog Apologética Católica. Disponível em: http://apologeticacatolicablog.blogspot.com/2011/06/arte-catolica-primitiva-grandeza.html Acesso em: 09 Julho 2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O canto litúrgico medieval no contexto cultural

Os hinos litúrgicos caracterizam-se pela estranha magia da língua: vogais longas, com preferencia pelos ditongos; determinadas combinações de sons; recitativos monótonos; a melodia do verso encontra-se “abaixo do limiar dos conceitos intelectuais”, como se as palavras fossem feitas para acomodar-se a um ritmo já preexistente, à inaudível harmonia das esferas. Essa magia linguística é que exprime as angústias apocalípticas e júbilos angélicos do “homo cluniacensis”. Pela magia linguística, o hino representa, em forma adequada, certos sentimentos religiosos – a “majestas tremenda”, o “amor mystic” – que são, por si mesmos, inefáveis: os sentimentos “numinosos”. Esse traço característico é comum aos hinos de todas as religiões em certa fase da sua evolução: ressoam hinos assim nos templos budistas e nas sinagogas. O hino litúrgico em língua latina distingue-se pelo fato de conservar a capacidade de exprimir conteúdos dogmáticos de maneira muito precisa. Naqueles hinos marianos, porem, o ritmo prejudica o conteúdo, transformando o dogma mariano em substrato de uma poesia quase erótica; as censuras não são determinadas pela lógica da frase, e sim pela música do verso; um elemento musical, a rima, rompe o equilíbrio métrico; os símbolos, que pretendem representar o dogma, tornam-se independentes.

O grande poeta dessa fase é Adam de St. Victor. Grande poeta exatamente porque o valor da sua poesia reside mais nas qualidades literárias do que nas qualidades litúrgicas. O poeta do “Salve, mater salvatoris” e do “Ave, virgo singularis” um criador de símbolos: inventou ou popularizou um conjunto impressionante de metáforas mariológicas. Desde Adam de St. Victor, toda a gente entende imediatamente o

“Rosa mystica,
Turris Davidica,
Turris ebúrnea,
Domus aurea,
Foederis arca,
Juana coeli,
Stella matutina.”

Adam de St. Victor moveu esses símbolos por meio de uma arte extraordinária do verso, de troqueus de sete ou oito silabas, fortemente ritmadas e suavemente rimadas. Arte quase parnasiana, que devia acabar, nos seus imitadores, em rotina.

O hino salvou-se pela influência do grande movimento religioso que de deu ímpeto inédito aos sentimentos numinosos do franciscanismo. Mas a última palavra coube à solidificação do sentimento: a volta ao conteúdo dogmático sem o qual o hino da Igreja perderia a sua significação especial. Por isso, o maior teólogo dogmático da Igreja romana também é o seu maior poeta litúrgico: Tomás de Aquino. Os seus poucos hinos – “Pange, lingua, gloriosi“ e “Lauda, Sion, Salvatorem” – reúnem duas qualidades que raramente se encontram na poesia lírica: a maior precisão e maior musicalidade. Seria possível comentar esses hinos como se fossem tratados teológicos sobre a eucaristia; ao mesmo tempo, versos como

“Tantum ergo sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentuum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui...”

ficam indelevelmente na memória, o que é um dos critérios mais seguros da grande poesia.



Esta última fase da hinografia latina tem, outra vez, importância mais do que literária. A Igreja romana não adotou o “credo ut intelligam”, algo fideísta, de santo Anselmo, mas tomou como base do seu dogma a filosofia aristotélica. Também não foi aos discípulos entusiasmados de são Francisco, e sim aos filhos eruditos de são Domingos, que coube a tarefa de construir a catedral da escolástica. Quando ficou pronto o edifício, que o “homo liturgicus” de Cluny começara, era um sistema filosófico e uma instituição jurídica.


Otto Maria Carpeaux
História da Literatura Ocidental, p. II, cap. I

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ritus Romanus et Ritus Modernus: Existiu alguma reforma litúrgica antes de Paulo VI?

No artigo “Quatrocentos anos de Missa Tridentina”, publicado em diversas revistas religiosas, o professor Rennings se aplicou a apresentar o novo missal, ou seja, o Ritus Modernus, como derivação natural e legítima da liturgia romana. Segundo o dito professor, não teria existido uma Missa de São Pio V se não unicamente por cento e trinta e quatro anos, ou seja, de 1570 a 1704, ano no qual apareceu sob as modificações desejadas pelo Romano Pontífice de então. Continuando com tal modo de proceder, Paulo VI, segundo Rennings, teria por sua vez reformado o Missale romanum para permitir aos fiéis entrever algo mais da inconcebível grandeza do dom que o Senhor fez à sua Igreja na Eucaristia.

Em seu artigo, Rennings habilmente se aferrou a um ponto fraco dos tradicionalistas: a expressão Missa Tridentina ou Missa de São Pio V. Propriamente falando uma Missa Tridentina ou de São Pio V nunca existiu, já que, seguindo as instâncias do Concílio de Trento, não foi formado um Novus Ordo Missae, dado que o Missale sancti Pii V não é mais que o Missal da Cúria Romana, que foi se formando em Roma muitos séculos antes, e difundido especialmente pelos franciscanos em numerosas regiões do Ocidente. As modificações efetuadas em sua época por São Pio V são tão pequenas, que são perceptíveis tão somente pelos olhos dos especialistas.

Agora, um dos expedientes a que recorre Rennings, consiste em confundir o Ordo Missae com o Proprium das missas dos diferentes dias e das diferentes festas. Os Papas, até Paulo VI, não modificaram o Ordo Missae, mesmo introduzindo novos próprios para novas festas, o que não destrói a chamada Missa Tridentina mais do que os acréscimos ao Código Civil destroem o mesmo. Portanto, deixando de lado a expressão imprópria de Missa Tridentina, falamos melhor de um Ritus Romanus.

O rito romano remonta em suas partes mais importantes pelo menos ao século V, e mais precisamente ao Papa São Dâmaso (366-384). O Canon Missae, com exceção de alguns retoques efetuados por São Gregório I (590-604), alcançou com São Gelásio I (492-496) a forma que conservou até há pouco. A única coisa sobre a qual os Romanos Pontífices não cessaram de insistir do século V em diante, foi a importância para todos de adotar o Canon Missae Romanae, dado que dito cânon remonta nada menos que ao próprio Apóstolo Pedro.

Respeitaram o uso das Igrejas locais mais para o que diz respeito às outras partes do Ordo, como para o Proprium das várias Missas. Até São Gregório Magno (590-604) não existiu um missal oficial com o Proprium das várias Missas do ano. O Liber Sacramentorum foi redigido por encargo de São Gregório no princípio de seu pontificado, para serviço e uso das Stationes que tinham lugar em Roma, ou seja, para a liturgia pontifical. São Gregório não teve nenhuma intenção de impor o Proprium do dito missal a todas as Igrejas do Ocidente. Se posteriormente o dito missal se converteu no próprio esboço do Missale Romanum de São Pio V, deve-se a uma série de fatores dos quais não podemos tratar agora.

É interessante notar que, quando se interrogou a São Bonifácio (672-754), que se encontrava em Roma, a respeito de algum detalhe litúrgico, como o uso dos sinais da cruz a serem feitos durante o cânon, este não se referiu ao sacramentário de São Gregório, mas àquele que estava em uso entre os Anglo-saxões, cujo cânon estava totalmente de acordo com aquele da Igreja de Roma…

Na Idade Média, as dioceses e as igrejas que não tinham adotado espontaneamente o Missal em uso em Roma, usavam um próprio e por isto nenhum Papa manifestou surpresa ou desgosto… Mas quando a defesa contra o protestantismo tornou necessário um Concílio, o Concílio de Trento encarregou o Papa de publicar um missal corrigido e uniforme para todos. Agora, pois, com a melhor vontade do mundo, eu não chego a encontrar em tal deliberação do Concílio o ecumenismo que Rennings vê. O que fez São Pio V? Como já dissemos, tomou o missal em uso em Roma e em tantos outros lugares, deu-lhe retoques, especialmente reduzindo o número das festas dos Santos que continha. Ele o tornou obrigatório para toda a Igreja? De modo algum! Respeitou até as tradições locais que pudessem se gloriar de ter, pelo menos, duzentos anos de idade. Assim, propriamente: era suficiente que o missal estivesse em uso, pelo menos, há duzentos anos, para que pudesse permanecer em uso ao lado e no lugar daquele publicado por São Pio V. O fato de que o Missale Romanum tenha se difundido tão rapidamente e

tenha sido espontaneamente adotado também em dioceses que tinham o próprio mais que bicentenário, deve-se a outras causas; não, por certo, a pressão exercida sobre elas por Roma. Roma não exerceu sobre elas nenhuma pressão, e isto numa época em que, bem diferente do que acontece hoje, não se falava de pluralismo, nem de tolerância.

O primeiro Papa que ousou inovar o Missal tradicional foi Pio XII, quando modificou a liturgia da Semana Santa. Seja-nos permitido observar, a respeito, que nada impedia de restabelecer a Missa do Sábado Santo no curso da noite de Páscoa, ainda que sem modificar o rito. João XXIII o seguiu por este caminho, retocando as rubricas. Mas nem um nem o outro, ousaram inovar sobre o Ordo Missae, que continuou invariável. Porém a porta tinha sido aberta, e por ela cruzaram aqueles que queriam uma substituição radical da liturgia tradicional e que a obtiveram. Nós, que tínhamos assistido com espanto a esta resolução, contemplamos agora aos nossos pés as ruínas, não da Missa Tridentina, mas da antiga e tradicional Missa Romana, que foi se aperfeiçoando através do curso dos séculos até alcançar sua maturidade. Não era perfeita a ponto de não ser ulteriormente mais aperfeiçoada, mas para adaptá-la ao homem de hoje não havia necessidade de substituí-la: bastavam alguns pequeníssimos retoques, deixando a salvo e imutável todo o resto.

Mas ao contrário, quiseram suprimi-la e substituí-la com uma liturgia nova, preparada com precipitação e, diremos, artificialmente: com o Ritus Modernus. Ó, como se vê aparecer de modo sempre mais claro e alarmante o oculto fundo teológico desta reforma! Sim, era fácil obter uma mais ativa participação dos fiéis nos santos mistérios, segundo as disposições conciliares, sem necessidade de transformar o rito tradicional.

Porém a meta dos reformadores não era obter a mencionada maior participação ativa dos fiéis, mas fabricar um rito que interpretasse sua nova teologia, aquela mesma que está na base dos novos catecismos escolares. Já se vêem agora as conseqüências desastrosas que não se revelarão plenamente até que passem uns cinqüenta anos.

Para chegar aos seus objetivos, os progressistas souberam explorar mui habilmente a obediência às prescrições romanas dos sacerdotes e dos féis mais dóceis… A fidelidade e o respeito devido ao Pai da Cristandade não chegam ao ponto de exigir uma aceitação despojada do devido sentido crítico de todas as novidades introduzidas em nome do Papa.

A fidelidade à Fé, antes de tudo! Agora, a Fé, parece-me que se encontra em perigo com a nova liturgia, ainda que não me atreva a declarar inválida a Missa celebrada segundo o Ritus Modernus.

É possível que vejamos a Cúria Romana e certos bispos – aqueles mesmos que nos querem obrigar, com suas ameaças, a adotar o Ritus Modernus –, descuidar de seu próprio dever específico de defensores da Fé, permitindo certos professores de teologia a enterrar os dogmas mais fundamentais de nossa Fé e aos discípulos dos mesmos propagar ditas opiniões heréticas em periódicos, livros e catecismos?

O Ritus Romanus permanece como o último rochedo no meio da tempestade. Os inovadores sabem muito bem disso. Daqui parte seu ódio furioso contra o Ritus Romanus, que combatem sob o pretexto de combater uma nunca existida Missa Tridentina. Conservar o Ritus Romanus não é uma questão de estética: é, para nossa Santa Fé, questão de vida ou morte. Logo tornaremos ao assunto.

Monsenhor Klaus Gamber – A reforma da liturgia Romana (tradução de Luis Augusto Rodrigues Domingues)

Disponível para Download em:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Música Litúrgica como querida pela Igreja

Por: Taiana Froes.

A música tem um papel fundamental na liturgia, porém actualmente há muitas dúvidas sobre o que deve ou não ser tocado/cantado na igreja. Os grupos responsáveis pela escolha das músicas nem sempre tem formação para tal ou não tem conhecimento sobre as normas da Igreja, deixando assim margem para uma série de abusos litúrgicos, que ao contrário de glorificar Nosso Senhor o ofende e entristece!

A Igreja é universal, portanto a música dentro da igreja também deve ser universal, santa, com singeleza das formas, composta de preferência para o templo, purificada de qualquer influência profana.

Como realmente há muitas dúvidas sobre o assunto cito a seguir a Encíclica Musicam Sacram do Papa João Paulo II, nada melhor do que o saudoso Papa para orientar a Igreja nesta questão tão importante:

Obs: [grifos meus].

"Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II no centenário do Motu proprio «Tra le sollecitudini» sobre a Música sacra.

1. Impelido por um profundo desejo «de manter e de promover o decoro da Casa de Deus», o meu Predecessor São Pio X emanava, há 100 anos, o Motu proprio Tra le sollecitudini, que tinha como objeto a renovação da música sacra nas funções do culto. Com isso, ele pretendia oferecer à Igreja indicações concretas naquele sector vital da Liturgia, apresentando-a «quase como um código jurídico da música sacra». Tal intervenção, igualmente, fazia parte do programa do seu pontificado, que ele tinha resumido no dístico: «Instaurare omnia in Christo».

A data centenária do documento oferece-me a ocasião para destacar a importante função da música sacra, que São Pio X apresenta seja como um meio de elevação do espírito a Deus, seja como ajuda para os fiéis na «participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja»

A especial atenção que é necessário reservar à música sacra recorda o Santo Pontífice, deriva do fato de que, «como parte integrante da solene liturgia, dela faz parte a finalidade geral que é a glória de Deus e a santificação e a edificação dos fiéis». Interpretando e expressando o sentido profundo do sagrado texto ao qual está intimamente unida, ela é capaz de «acrescentar maior eficácia ao mesmo texto, para que os fiéis [...] se disponham melhor para acolher em si os frutos da graça, que são próprios da celebração dos sacrossantos mistérios».

2. Este delineamento foi retomado pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, no capítulo VI da Constituição Sacrosanctum concilium sobre a sagrada Liturgia, onde menciona com clareza a função eclesial da música sacra: «A tradição musical de toda a Igreja constitui um patrimônio de inestimável valor, que sobressai entre as outras expressões de arte, especialmente pelo fato de que o canto sacro, unido às palavras, é uma parte necessária e integral da liturgia solene». O Concílio recorda, ainda, que «o canto sacro é elogiado seja pela Sagrada Escritura, seja pelos Padres, seja ainda pelos Pontífices Romanos que recentemente, a começar por São Pio X, sublinharam com insistência a tarefa ministerial da música sacra no serviço divino».

Continuando, de fato, a antiga tradição bíblica, à qual o mesmo Senhor e os Apóstolos se mantiveram apegados (cf. Mt 26, 30; Ef 5, 19; Cl 3, 16), a Igreja, ao longo de toda a sua história, favoreceu o canto nas celebrações litúrgicas, oferecendo segundo a criatividade de cada cultura, maravilhosos exemplos de comentário melódico dos textos sagrados, nos ritos tanto do Ocidente como do Oriente.

Portanto, foi constante a atenção dos meus Predecessores a este delicado setor, a propósito do qual foram evocados os princípios fundamentais que devem animar a produção da música sacra, especialmente destinada à Liturgia. Além do Papa São Pio X, devem ser recordados, entre outros, os Papas Bento XIV, com a Encíclica Annus qui (19 de Fevereiro de 1749); Pio XII, com as Encíclicas Mediator Dei (20 de Dezembro de 1947) e Musicae sacrae disciplina (25 de Dezembro de 1955); e, finalmente, Paulo VI, com os luminosos pronunciamentos que disseminou em múltiplas oportunidades.

Os Padres do Concílio Vaticano II não deixaram de reforçar tais princípios, em vista da sua aplicação às condições transitórias dos tempos. Fizeram-no num capítulo especial, o sexto, da Constituição Sacrosanctum concilium. O Papa Paulo VI procedeu, pois, à tradução daqueles princípios em normas concretas, sobretudo por meio da Instrução Musicam sacram, emanada com a sua aprovação em 5 de Março de 1967, pela então Sagrada Congregação para os Ritos. É preciso voltar constantemente àqueles princípios de inspiração conciliar, para promover, em conformidade com as exigências da reforma litúrgica, um desenvolvimento que esteja, também neste campo, à altura da tradição litúrgico musical da Igreja. O texto da Constituição Sacrosanctum concilium onde se afirma que a Igreja «aprova e admite no culto todas as formas de verdadeira arte, dotadas das devidas qualidades», encontra os critérios adequados de aplicação nos nn. 50-53 da Instrução Musicam sacram, agora mencionada.

3. Em diferentes ocasiões, também eu me referi à preciosa função e à grande importância da música e do canto para uma participação mais ativa e intensa nas celebrações litúrgicas, e sublinhei a necessidade de «purificar o culto de dispersões de estilos, das formas descuidadas de expressão, de músicas e textos descurados e pouco conformes com a grandeza do ato que se celebra», para assegurar dignidade e singeleza das formas à música litúrgica. Em tal perspectiva, à luz do magistério de São Pio X e dos meus outros Predecessores, e considerando em particular os pronunciamentos do Concílio Vaticano II, desejo repropor alguns princípios fundamentais para este importante sector da vida da Igreja, com a intenção de fazer com que a música sacra corresponda cada vez mais à sua função específica.

4. Em conformidade com os ensinamentos de São Pio X e do Concílio Vaticano II, é preciso sublinhar acima de tudo que a música destinada aos sagrados ritos deve ter como ponto de referência a santidade: ela, de fato, «será tanto mais santa quanto mais estreitamente for unida à ação litúrgica». Por este exato motivo, «não é indistintamente tudo aquilo que está fora do templo (profanum) que é apto a ultrapassar-lhe os umbrais», afirmava sabiamente o meu venerável Predecessor Paulo VI, comentando um decreto do Concílio de Trento e destacava que «se não se possui ao mesmo tempo o sentido da oração, da dignidade e da beleza, a música instrumental e vocal – impede por si o ingresso na esfera do sagrado e do religioso». Por outro lado, a mesma categoria de «música sacra» recebeu hoje um alargamento de significado, a ponto de incluir repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da mesma Liturgia.

A reforma realizada por São Pio X visava especificamente purificar a música de igreja da contaminação da música profana teatral, que em muitos países tinha poluído o repertório e a prática musical litúrgica. Também nos nossos tempos é preciso considerar atentamente, como evidenciei na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, que nem todas as expressões de artes figurativas e de música são capazes de «expressar adequadamente o Mistério acolhido na plenitude da fé da Igrejas». Conseqüentemente, nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas. 5. Outro princípio enunciado por São Pio X no Motu proprio Tra le sollecitudini, princípio este intimamente ligado ao precedente, é o da singeleza das formas. Não pode existir uma música destinada à celebração dos sagrados ritos que não seja, antes, «verdadeira arte», capaz de ter a eficácia «que a Igreja deseja obter, acolhendo na sua liturgia a arte dos sons».

Todavia, esta qualidade por si só não é suficiente. A música litúrgica deve, de fato, responder aos seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico para o qual é destinada, a adequada correspondência aos gestos que o rito propõe. Os vários momentos litúrgicos exigem, de fato, uma expressão musical própria, sempre apta a fazer emergir a natureza própria de um determinado rito, ora proclamando as maravilhas de Deus, ora manifestando sentimentos de louvor, de súplica ou ainda de melancolia pela experiência da dor humana, uma experiência, porém, que a fé abre à perspectiva da esperança cristã. 6. Os cantos e as músicas exigidos pela reforma litúrgica – é bom sublinhá-lo – devem corresponder também às legítimas exigências de adaptação e de inculturação. É evidente, porém, que cada inovação nesta delicada matéria deve respeitar os critérios peculiares, como a investigação de expressões musicais, que correspondam à participação necessária de toda a assembléia na celebração e que evitem, ao mesmo tempo, qualquer concessão à leviandade e à superficialidade. É necessário, portanto, evitar, em última análise, aquelas formas de «inculturação», em sentido elitário, que introduzem na Liturgia composições antigas ou contemporâneas que possuem talvez um valor artístico, mas que induzem a uma linguagem realmente incompreensível. Neste sentido, São Pio X indicava – usando o termo universalidade – um ulterior requisito da música destinada ao culto: «...mesmo concedendo a cada nação – ele considerava – de admitir nas composições religiosas formas particulares que constituem de certo modo o caráter específico da música que lhes é própria, elas não devem estar de tal modo subordinadas ao caráter geral da música sacra, que ninguém de outra nação, ao ouvi-la, tenha uma impressão negativa». Por outras palavras, o espaço sagrado da celebração litúrgica jamais deve tornar-se um laboratório de experiências ou de práticas de composição e de execução, introduzidas sem uma verificação atenta. 7. Entre as expressões musicais que mais correspondem à qualidade requerida pela noção de música sacra, particularmente a litúrgica, o canto gregoriano ocupa um lugar particular. O Concílio Vaticano II reconhece-o como «canto próprio da liturgia romana» à qual é preciso reservar, na igualdade das condições, o primeiro lugar nas ações litúrgicas celebradas com canto em língua latina. São Pio X ressaltava que a Igreja «o herdou dos antigos Padres», «guardando-o ciosamente durante os séculos nos seus códigos litúrgicos» e ainda hoje o «propõe aos fiéis» como seu, considerando-o «como supremo modelo de música sacra». O canto gregoriano, portanto, continua a ser também hoje, um elemento de unidade na liturgia romana.

Como já fazia São Pio X, também o Concílio Vaticano II reconhece que «os outros gêneros de música sacra, e especialmente a polifonia, não estão excluídos de modo algum da celebração dos ofícios divinos». É preciso, portanto, avaliar com atenção as novas linguagens musicais, para recorrer à possibilidade de expressar também com elas as inextinguíveis riquezas do Mistério reproposto na Liturgia e favorecer assim a participação ativa dos fiéis nas diversas celebrações. 8. A importância de conservar e de incrementar o patrimônio secular da Igreja leva a ter em particular consideração uma exortação específica da Constituição Sacrosanctum concilium: «Promovam-se com empenho, sobretudo nas Igrejas Catedrais, as “Scholae Cantorum”. Por sua vez, a Instrução Musicam sacram determina a função ministerial da schola: «É digno de particular atenção, para o serviço litúrgico que desenvolve, o coro ou a capela musical ou ainda schola cantorum. No que se refere às normas conciliares da reforma litúrgica, a sua tarefa tornou-se ainda mais relevante e importante: deve, realmente, prover à execução exata das partes que lhe são próprias, segundo os diversos tipos de cânticos, e favorecer a participação ativa dos fiéis no canto. Portanto [...] promova-se com especial cuidado especialmente nas catedrais e nas outras igrejas maiores, nos seminários e nas casas de formação religiosas, um coro ou uma capela musical ou ainda uma schola cantorum». A tarefa da schola não foi diminuída: ela, de fato, desenvolve na assembléia a função de guia e de sustento e, nalguns momentos da Liturgia, desempenha a sua função específica.

Da boa coordenação de todos – o sacerdote celebrante e o diácono, os acólitos, os ministros, os leitores, o salmista, a schola cantorum, os músicos, o cantor e a assembléia – decorre aquele clima espiritual que torna o momento litúrgico realmente intenso, participado e frutífero. O aspecto musical das celebrações litúrgicas, portanto, não pode ser relegado nem à improvisação nem ao arbítrio de pessoas individualmente, mas há de ser confiado a uma direção harmoniosa, no respeito pelas normas e as competências, como significativo fruto de uma formação litúrgica adequada.

9. Também neste campo, portanto, se evidencia a urgência de promover uma formação sólida, quer dos pastores quer dos fiéis leigos. São Pio X insistia particularmente sobre a formação musical do clero. Uma insistência neste sentido foi reforçada também pelo Vaticano II: «Dê-se-lhes grande importância nos Seminários, nos Noviciados dos religiosos e das religiosas e nas casas de estudo, assim como noutros institutos e escolas católicas». Esta indicação ainda deve ser plenamente realizada. Portanto, considero oportuno recordá-la, para que os futuros pastores possam adquirir uma sensibilidade adequada também neste campo.

Nesta obra formativa, um papel especial é desempenhado pelas escolas de música sacra, que São Pio X exortava a apoiar e promover, e que o Concílio Vaticano II recomenda a instituir onde for possível. Fruto concreto da reforma de São Pio X foi a ereção em Roma, em 1911, oito anos depois do Motu proprio, da «Pontifícia Escola Superior de Música Sacra», que em seguida se tornou «Pontifício Instituto de Música Sacra». Além desta instituição acadêmica, já quase centenária, que desempenhou e ainda desempenha um serviço qualificado na Igreja, existem muitas outras Escolas instituídas nas Igrejas particulares que merecem ser apoiadas e incrementadas para um melhor conhecimento e execução da boa música litúrgica.

10. Dado que a Igreja sempre reconheceu e favoreceu o progresso das artes, não é de se admirar que, além do canto gregoriano e da polifonia, admita nas celebrações também a música moderna, desde que seja respeitosa do espírito litúrgico e dos verdadeiros valores da arte. Portanto, permite-se que as Igrejas nas diversas Nações valorizem, nas composições destinadas ao culto, «aquelas formas particulares que constituem de certo modo o caráter específico da música que lhes é própria». Na linha do meu Predecessor e de quanto se estabeleceu mais recentemente na Constituição Sacrosanctum concilium, também eu, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, procurei abrir espaço às novas formas musicais, mencionando juntamente com as inspiradas melodias gregorianas, «os numerosos e, freqüentemente, grandes autores que se afirmaram com os textos litúrgicos da Santa Missa».

11. O século passado, com a renovação realizada pelo Concílio Vaticano II, conheceu um desenvolvimento especial do canto popular religioso, do qual a Sacrosanctum concilium diz: «Promova-se com grande empenhamento o canto popular religioso, para que os fiéis possam cantar, tanto nos exercícios de piedade como nos próprios atos litúrgicos». Este canto apresenta-se particularmente apto para a participação dos fiéis, não apenas nas práticas devocionais, «segundo as normas e o que se determina nas rubricas», mas igualmente na própria Liturgia. O canto popular, de fato, constitui um «vínculo de unidade, uma expressão alegre da comunidade orante, promove a proclamação de uma única fé e dá às grandes assembléias litúrgicas uma incomparável e recolhida solenidade».

12. No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a «regra geral» que são Pio X formulava com estes termos: «Uma composição para a Igreja é tanto sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele modelo supremo». Não se trata, evidentemente, de copiar o canto gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto. Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia. Nesta perspectiva, na Carta aos Artistas escrevo: «Quantas composições sacras foram elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização.

No cântico, a fé é sentida como uma exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus» (Ed. port. de L' Osserv. Rom. n. 18, pág. 211, n. 12). Portanto, é necessária uma renovada e mais profunda consideração dos princípios que devem estar na base da formação e da difusão de um repertório de qualidade. Somente assim se poderá permitir que a expressão musical sirva de modo apropriado a sua finalidade última, que «é a glória de Deus e a santificação dos fiéis». Sei ainda que também hoje não faltam compositores capazes de oferecer, neste espírito, a sua contribuição indispensável e a sua colaboração competente para incrementar o patrimônio da música, ao serviço da Liturgia cada vez mais intensamente vivida. Dirijo-lhes a expressão da minha confiança, unida à exortação mais cordial, para que se empenhem com esmero em vista de aumentar o repertório de composições que sejam dignas da excelência dos mistérios celebrados e, ao mesmo tempo, aptas para a sensibilidade hodierna.

13. Por fim, gostaria ainda de recordar aquilo que São Pio X dispunha no plano prático, com a finalidade de favorecer a aplicação efetiva das indicações apresentadas no Motu proprio. Dirigindo-se aos Bispos, ele prescrevia que instituíssem nas suas dioceses «uma comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes em matéria de música sacra». Onde a disposição pontifícia foi posta em prática, não faltaram os frutos. Atualmente, são numerosas as Comissões nacionais, diocesanas e interdiocesanas que oferecem a sua contribuição preciosa para a preparação dos repertórios locais, procurando realizar um discernimento que considere a qualidade dos textos e das músicas. Faço votos a fim de que os Bispos continuem a secundar o esforço destas Comissões, favorecendo-lhes a eficácia no âmbito pastoral.

À luz da experiência amadurecida nestes anos, para melhor assegurar o cumprimento do importante dever de regulamentar e promover a sagrada Liturgia, peço à Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que intensifique a atenção, segundo as suas finalidades institucionais, aos sectores da música sacra litúrgica, valendo-se das competências das diversas Comissões e Instituições especializadas nesse campo, como também da contribuição do Pontifício Instituto de Música Sacra. É importante, de fato, que as composições musicais utilizadas nas celebrações litúrgicas correspondam aos critérios enunciados por São Pio X e sabiamente desenvolvidos, quer pelo Concílio Vaticano II quer pelo sucessivo Magistério da Igreja. Nesta perspectiva, estou persuadido de que também as Conferências episcopais hão de realizar cuidadosamente o exame dos textos destinados ao canto litúrgico, e prestar uma atenção especial à avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas para o uso sacro.

14. Ainda no plano prático, o Motu proprio do qual se celebra o centenário, aborda também a questão dos instrumentos musicais a serem utilizados na Liturgia latina. Dentre eles, reconhece sem hesitação a prevalência do órgão de tubos, sobre cujo uso estabelece normas oportunas. O Concílio Vaticano II acolheu plenamente a orientação do meu Predecessor, estabelecendo: «Tenha-se grande apreço, na Igreja latina, pelo órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de trazer às cerimônias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito a Deus e às coisas celestes».

Deve-se, porém, reconhecer que as composições atuais utilizam freqüentemente modos musicais diversificados não desprovidos da sua dignidade. Na medida em que servem de ajuda para a oração da Igreja, podem revelar-se como um enriquecimento precioso. É preciso, porém, vigiar a fim de que os instrumentos sejam aptos para o uso sacro, correspondam à dignidade do templo, possam sustentar o canto dos fiéis e favoreçam a sua edificação. 15. Desejo que a comemoração centenária do Motu proprio Tra le sollecitudini, por intercessão do seu santo Autor, conjuntamente com Santa Cecília, Padroeira da música sacra, sirva de encorajamento e estímulo para aqueles que se ocupam deste importante aspecto das celebrações litúrgicas. Os cultores da música sacra, dedicando-se com impulso renovado a um sector de relevância tão vital, contribuem para o amadurecimento da vida espiritual do Povo de Deus. Os fiéis, por sua vez, expressando de modo harmônico e solene a sua própria fé com o canto, experimentarão cada vez mais profundamente a riqueza e harmonizar-se-ão no esforço em vista de traduzir os seus impulsos nos comportamentos da vida quotidiana. Poder-se-á, assim, alcançar, graças ao compromisso concorde dos pastores de almas, dos músicos e dos fiéis, aquilo que a Constituição Sacrosanctum concilium qualifica como verdadeira «finalidade da música sacra», isto é, «a glória de Deus e a santificação dos fiéis».

Nisto, sirva também de exemplo e modelo a Virgem Maria, que soube cantar de modo único, no Magnificat, as maravilhas que Deus realizou na história do homem. Com estes bons votos, concedo-vos a todos a minha afetuosa Bênção.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 22 de Novembro de 2003, memória de Santa Cecília, no vigésimo sexto ano de Pontificado.

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Notas
1) Pio X, Pontificis Maximi Acta, vol. I, pág. 77.
2) Ibidem.
3) Ibid., n. 1, pág. 78.
4) Ibidem.
5) N. 12.
6) Ibidem.
7) Ibidem.
8) Cf. AAS 59 (1967), pp. 312-316.
9) Cf., por exemplo, Discurso ao Pontifício Instituto de Música Sacra no 90 aniversário de fundação (19 de Janeiro de 2001), 1: Insegnamenti XXIV/1 (2001), pág. 194.
10) Audiência geral de 26 de Fevereiro de 2003, 3: L' Osservatore Romano (ed. port. de 1.3.2003), pág. 124.
11) Concílio ecumênico Vaticano II, Const. sobre a Liturgia Sacrosanctum concilium, 112.
12) Discurso aos participantes da assembléia geral da Associação Italiana Santa Cecília (18 de Setembro de 1968), em: Insegnamenti VI (1968), pág. 479.
13) Ibidem.
14) N. 50, em: AAS (2003), pág. 467.
15) N. 2, pág. 78.
16) Ibid., pp. 78-79.
17) Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium, 116.
18) Cf. S. Congregação para os Ritos, Instrução sobre a música na sagrada Liturgia Musicam sacram (5 de Março de 1967), 50, em: AAS 59 (1967), 314.
19) Motu proprio Tra le sollecitudini, n. 3, pág. 79.
20) Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium, 116.
21) Cf. Ibid., n. 30.
22) Ibid., n. 114.
23) N. 19, em: AAS 59 (1967), 306.
24) Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 115.
25) Cf. Motu proprio Tra le sollecitudini, n. 28, pág. 86.
26) Cf. Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 115.
27) Pio X, Motu proprio Tra le sollecitudini, n. 2, pág. 79
28) Cf. n. 119.
29) N. 49, em: AAS 95 (2003), pág. 466.
30) N. 118.
31) Ibidem.
32) João Paulo II, Discurso no Congresso Internacional de Música Sacra (27 de Janeiro de 2001), 4, em: Insegnamenti XXIV/1 (2001), pp. 239-240.
33) Motu proprio Tra le sollecitudini, n. 3, pág. 79.
34) Cf. Concílio ecumênico Vaticano II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 112.
35) N. 12, em: Insegnamenti XXII/1 (1999), pág. 718.
36) Concílio ecumênico Vaticano II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 112.
37) Motu proprio Tra le sollecitudini, n. 24, pág. 85.
38) Cf. João Paulo II, Carta ap. Vicesimus quintus annus (4 de Dezembro de 1987), 20: AAS 81 (1989), pág. 916.
39) Cf. João Paulo II, Const. ap. Pastor Bonus (28 de Junho de 1988), 65, em: AAS 80 (1988), pág. 877.
40) Cf. João Paulo II, Carta enc. Dies Domini (31 de Maio de 1998), 50, em: AAS 90 (1998), pág. 745; Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Liturgiam authenticam (28 de Março de 2001), 108, em: AAS (2001), pág. 719.
41) Institutio generalis Missalis Romani, editio typica III, pág. 393.
42) Motu proprio Tra le sollecitudini, nn. 15-18, pág. 84.
43) Concílio ecumênico Vaticano II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium, 120.
44) Ibid., n. 112.

Fonte:

Texto original em Italiano disponível no site: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/2003/documents/hf_jp-ii_let_20031203_musica-sacra_it.html Acesso em: 12 Fevereiro 2011.

Leia também o artigo do blog Mulher Católica, de autoria de Melissa Bergonso: Lista Negra: Músicas desaprovadas para serem tocadas na igreja

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Motu Proprio promungado por Bento XVI, sobre a forma extraordinária do rito latino completa três anos.

O prefeito do Tribunal da Assinatura Apostólica, Arcebispo Raymond Leo Burke, dos Estados Unidos, em foto ao lado celebrando missa na forma extraordinária.

O Motu Proprio Summorum Pontificum – carta apostólica através da qual Bento XVI colocou novamente em ampla e plena vigência a possibilidade de os sacerdotes celebrarem a Santa Missa de acordo com o rito de São Pio V, também conhecido como o da "Missa Tridentina" – completa três anos de publicação neste ano.

O prefeito do Tribunal da Assinatura Apostólica, Arcebispo Raymond Leo Burke, escreve o prefácio de um Comentário publicado pela Igreja na Alemanha sobre o Motu Proprio.

"A forma extraordinária do Rito Romano – isto é, a da Missa em latim – segundo o antigo rito pré-conciliar é uma tarefa para toda a Igreja, que não interessa somente a certos grupos, pois trata-se de um ato de legislação do Santo Padre", explica.

O Comentário é escrito pelo padre alemão latinista e canonista Gero P. Weishaupt e alude à celebração da Missa em latim, colocando em realce todas as questões de fundo a ela relacionadas.

"Dessa maneira, a decisão com a qual Bento XVI autorizou a celebração da antiga Missa em latim deve ser compreendida como um ato de legislação universal que interessa a toda a Igreja em todo o mundo e não como um favor feito a um indivíduo ou a um grupo, porque se trata se uma lei cuja finalidade é salvaguardar e promover a vida de todo o corpo místico de Cristo e a máxima expressão desta vida, isto é, a liturgia Sacra", escreve Dom Burke.

O prefeito do Tribunal do Vaticano lembrou que, na carta apostólica de publicação do Motu Proprio, o Papa indicou que deste tempos imemoriais, bem como no futuro, é necessário manter o princípio segundo o qual cada Igreja particular deve concordar com a Igreja universal, não somente no que diz respeito à doutrina da fé e as sinais sacramentais, mas também nos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica, "que devem ser observador não somente para evitar erros, mas também para transmitir a integridade da fé, para que a lei da oração da Igreja corresponda à sua lei de fé", assinala.

Após três anos da aplicação do Motu Proprio e da verificação sobre o estado das coisas, Dom Burke explica alguns temas de fundo acerca dos quais é importante fazer um esclarecimento, devido a interpretações controvertidas: não pertencem aos direitos fundamentais do batizado nem o serviço ao altar de pessoas do sexo feminino, nem o uso de leigos para as leituras ou para a distribuição extraordinária da comunhão. Por consequência, esses desenvolvimentos mais recentes não são introduzidos na forma extraordinária do rito romano, com a finalidade de respeitar a integridade da disciplina litúrgica contida no Missal Romano de 1962.

Na introdução ao Comentário, Dom Burke precisa também um princípio mais geral: a disciplina definida através da reforma litúrgica do Concilio Vaticano II é aplicada ao rito romano "somente se tal disciplina diz respeito a um direito dos crentes que deriva diretamente do sacramento do batismo e serve para a salvação de suas almas".

Saiba mais

Com efeito, na Carta Apostólica de Bento XVI sob forma de Motu Proprio Summorum Pontificum – sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970 –, os dois primeiros parágrados indicam que "os sumos pontífices, até nossos dias, se preocuparam constantemente que a Igreja de Cristo oferece-se à Divina Majestade um culto digno de louvor e glória de Seu nome e do bem de toda a sua Santa Igreja".

O Motu Proprio foi publicado em 7 de julho de 2007 e seus efeitos entraram em vigor a partir de 14 de setembro do mesmo ano, na festa da Exaltação da Cruz.

Fonte;

Leonardo Meira: Da Redação, com Rádio Vaticano (em espanhol - tradução de CN Notícias). Disponível em: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=277377 Acesso em: 12 agosto 2010.