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sábado, 12 de maio de 2012

O cerne de uma alma que busca humilhar-se

Por Tiago de Oliveira P. Correia



“Mãe, ensine-me a ser nada, para que Cristo seja tudo em mim. Amém”.

Partindo dessa premissa, eu inicio: ah, se fôssemos humildes como a Mãe de Deus! Ah, grande espelho de virtude, humildade e beleza! Oh, grande exemplo de amor e servidão à Verdade, verdade essa que é imutável e Eterna!

Oh, Virgem Maria, assim como Santa Teresinha disse: “Prestai atenção ao que faz Maria; imitai-a... e esse Deus de bondade recompensará vossa fé". Ah, Deus meu, Deus de bondade, dai-me essa graça!

Sim, minha Mãe, rogue por mim a Deus para que eu possa ser inexorável ao que é imoral e que eu possa estar nos trilhos dos planos de Deus em minha vida, igual à Senhora, minha Mãe, pois não deixou brecha para o pecado em sua vida, ó Cheia de Graça. Mariae, Gratia Plenam Dominus tecum! Foi a Senhora quem disse: “Ecce ancilla Domini; fiat mihi secundum verbum tuum ” (Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se de mim segundo a tua palavra).

Sim, Senhor, dai-me essa graça!

Deus meu, muitas vezes me entristeço, pois, freqüentemente, sou fraco e frouxo! Como S. Josemaría Escrivá disse: "Não sejas frouxo, mole. Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo." Sim, Senhor, quantas vezes fui e sou assim! Quantas vezes fui frouxo e mole, temendo as humilhações e tribulações? O que temo, Pai? Dai-me o desejo de mortificar-me a cada dia mais, dai-me o desejo de ser humilhado por Vós, Senhor! Dai-me um incessante desejo de lutar por Vós, em Vossa defesa, em defesa da Vossa Santa Mãe, dos Vossos Santos, em defesa da Vossa Santa Igreja Católica! Ah, Deus meu! Como eu quero, como eu quero!

Quando poderei dizer o que Santa Teresinha do Menino Jesus disse, Dominum nostrum? "Não tenho decepções, pois a quem só espera sofrimentos a mínima alegria o surpreende."

Como é difícil entender que não devo acreditar nas pessoas, pois elas mudam tão facilmente; mudam como o vento. Só decepção, que insensatez! Sensato mesmo é crer somente em Vós, meu Deus! Decepção nenhuma encontrarei em Vós, Deus de minh’alma!
Ah, Pai, quantas vezes hesito, dai-me vossa graça!

Vejo tantas seitas, tantos hereges, tanta gente que precisa de Vós, oh Pai! Entristece-me muito ver que na sua Santa Igreja existem pessoas com pensamentos rasteiros e mundanos, profanando o templo do Espírito Santo, servindo a satanás e a seus anjos decaídos! Entristece-me ver a falta de humildade dessas pessoas, pois preferem crer na verdade que elas mesmas fizeram e não na Verdade que Sois, não na Verdade Eterna e Imutável! Deus meu, não duvido que, devido à soberba e à pretensão desses homens, um dia dirão que 1+1 não são 2! Piedade, Senhor! Tende misericórdia desses tolos, insensatos, lascivos, néscios e idólatras, pois se fazem como deus.

Sim, Deus meu, como são doces vossas Leis, tão doces e deliciosas quanto o mel.  Como é bom caminhar por este caminho tão estreito e tão longo. Vosso Caminho, Senhor, é ladrilhado com as mais belas e valiosas pedras! Cada pedra representa vossas verdades reveladas à Vossa Santa Igreja Católica, fora da qual não há salvação. Esse conjunto de ladrilhos, Senhor, forma um só caminho, pois como há um Só Senhor, não poderá haver outro Caminho para chegar até Vós; sensato é o que vê, crê, obedece e comunga a fé da Igreja Una.

Em última análise, Senhor, humildade é deixar de lado o nosso querer e submeter-nos ao vosso querer. É ser radical no vosso propósito para conosco, Domine! Humildade é dizer como Santo Inácio de Loyola: “Acredito que o branco que vejo é negro, se a hierarquia da Igreja assim o tiver determinado." Humildade é ser como o doutor angélico, São Tomás de Aquino: “Espero nunca ter ensinado nenhuma verdade que não tenha aprendido de Vós. Se, por ignorância, fiz o contrário, revogo tudo e submeto todos os meus escritos ao julgamento da Santa Igreja Romana.” Aaaaaah, Senhor, quanta humildade, dai-me essa graça.

Pauper e humilis, Domine! Sim, Senhor, quero ser pobre e humilde; e, como Santa Teresinha do Menino Jesus: “Eu vos suplico, ó meu Deus, enviar-me uma humilhação cada vez que eu tentar me elevar acima dos outros”.

Santa Teresinha ainda diz: “Não quero ser santa(o) pela metade. Não me faz medo sofrer por Vós. A única coisa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a Vós, pois “escolho tudo” o que Vós quiserdes!...”  

 Ah, ser humilde como São Francisco! "Tanto é o bem que espero... que todo sofrimento para mim é alegria.”

Santa Teresinha do Menino Jesus, São Francisco de Assis, ora pro nobis, orem para que o Senhor dê-me essa graça e para que eu possa imitá-los, pois imitaram a Cristo!

Sensatos foram os Santos! Ah, sim, Senhor, é belo ver a bravura com que os Santos lutaram por Vós. Quero isso para mim, Pai. Os Santos jogaram os seus nomes na lama por Vós, meu Deus. Dai-me essa graça!

Ah, Senhor, clamo-Vos para que façais Justiça (Ap 6, 10); pois cheguei num momento em que não estou suportando mais! Anseio por aquele dia em que Vós direis: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” (Ap 3,15-16)

“Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos? Toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis.”

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!” (Mt 7, 16-23).

O Papa São Pio X dizia: "os homens vos acusarão de papistas, retrógrados, intransigentes; Orgulhai-vos disso!" Assim, dai-me a graça de um dia receber a coroa da vitória e da justiça.

Sim, Senhor, desejo isso para mim. Queira o Senhor que um dia possa ver-Vos, junto com Vossa Mãe, todos os Santos, anjos e arcanjos! Amém

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A Liturgia Católica [Programa Credo in Ecclesia]

Por John Lennon J. da Silva.

Coloco a disposição dos amigos e leitores do Apostolado ao Clemente Romano, para download o último programa que gravei para o “Credo in Ecclesia”. Na verdade o áudio foi gravado no dia 13 de Agosto e com atraso faço postagem aqui no site. Lembrando que o programa que vai ao ar todos os sábados pela rádio-web Resgate a partir das 18:30 hs.

Neste áudio trato especificamente da liturgia católica. Seu nascimento, desenvolvimento, importância e referência para a Igreja desde os primeiros séculos. Falo sobre como o fiel católico deve perceber a liturgia que se realiza na Santa Missa. Faço também comentários quanto à situação da liturgia no Brasil e do verdadeiro espírito que devemos nutri quanto ao culto perfeito que a Igreja celebra.

Abaixo o leitor pode escutar e através do 4shared baixar o áudio.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As arbitrariedades contra a Sagrada Liturgia

Por John Lennon J. da Silva.

Uma das maiores feridas deixadas pela crise que enfrenta a Igreja nestas últimas décadas, sem dúvida alguma se trata das “chagas visíveis” que podem ser verificadas na má aplicação da Sagrada Liturgia. Nas últimas décadas as noções de sacrifício que deveriam permear as celebrações de muitas paróquias principalmente no Brasil, parecem ter desaparecido e dado lugar a arbitrarias compreensões de culto.

Que na maioria das vezes não sublinham a presença de Cristo crucificado e sua redenção, deram lugar a picadeiros onde os expectadores aguardam ansiosos por apresentações recheadas de movimentos e emoções; onde não mais o sacerdote faz às vezes de Jesus, mas é o signo do humano. Fato que fazer “Missas” mais atraentes e recheadas de novidades para alguns soam como o melhor atalho para encher os templos de gente.

Há vale salientar que alguns destes preferem fugir de uma boa catequese que converta a alma e coração dos fieis que andam distantes da Igreja, para que sejam estes introduzidos verdadeiramente na fé e prática católica, limitam-se a badalação e a numero expressivo de corações que se animam com os “frutos da terra” (cf. Gn 4,3) que oferece Caim, mas batem em retirada e deparam-se no mundo com seus corações vazios da Palavra de Deus e das orientações eficazes da Igreja.

Do outro lado também se encontra bispos e padres que apoiam e dão aparato para celebrações que na verdade são shows, ao melhor, torna-se o “sacrifício de Caim”. Existe também o modernismo teológico que vigora na ideologia eclesial destes sujeitos, que usam de forma grossa o Concílio Vaticano II para apoiar suas copiosas aberrações; tentam esconder eles que o concílio freia seus erros e proíbe as suas arbitrariedades. Alguns podem alegar que estou sendo duro nas palavras. Mas no momento em que vivemos quando predominam os covardes devem aparecer os duros e zelosos junto à verdade, como profetas que não têm medo de perder sua cabeça por amor ao reino de Deus.

Desde o início a Igreja procurou prestar a Deus um “oficio” puro e perfeito aos moldes dos louvores que prestam continuadamente na eternidade os anjos que ministram na Igreja triunfante composta pelos querubins, serafins, arcanjos, anjos e santos na alegria celeste. Dentre os séculos homens prudentes e iluminados se levantaram a fim de aperfeiçoar e corrigir os erros na liturgia. Para fazer dela um sacrifício perfeito como o de Abel que fora abençoada por Deus. A liturgia sempre foi um misto composto pelas suas raízes hebraicas e legislação dada por Javé á Moisés, que encontra ápice no aprimoramento cristão trazido na encarnação de Cristo e seu sacrifício em expiação de nossos pecados.

As Mentes frívolas de nossos tempos esquecem suas origens e perderam sua identidade. Já não mais fazem para glória de Deus, o sagrado oficio. Mais se gloriam no homem. Em nossos dias os inimigos da religião infiltrados na Igreja vêm a “profanar o santuário, a fortaleza” e como profetiza Daniel, tentam “cessar o holocausto perpétuo” e lutam para instaurar “a abominação do devastador” (cf. Daniel 11,31).

Por isto tomam lugar às arbitrariedades nos movimentos, [exemplo, dança, pulos e gritos]. Sem contar na composição das músicas e nos etilos musicais. Na falta dos paramentos e objetos de uso litúrgico. Mesmo quando os Papas continuam a exortam que cessem os abusos e desregramentos litúrgicos. O Inimigo, a antiga serpente (cf. Ap 20,2) continua e querer ludibriar e atrapalhar o verdadeiro culto a Deus trazendo confusão a Noiva de Cristo. Onde deveria existir o maior de todos os zelos, pois que da Sagrada Liturgia depende a nossa vida de adoração, os livros litúrgicos que deveriam ser luzes; são nestas ocasiões figurantes, as rubricas litúrgicas que deveriam ser sinais nas mãos dos sacerdotes, são negligenciadas. Estes são alguns dos reflexos da “crise na liturgia” que são vistos em muitas celebrações artífices que contribuem para tornar a “Santa Missa” mais humana e menos divina. Quando busco as celebrações ordinárias em minha cidade busco ortodoxia litúrgica, mas o que enxergo e presencio são as palmas de quem não entende nada do que se passa no altar!

Sempre me vêm à memória a Santíssima Virgem, e o apostolo amado e me interpelo como se sentiram vocês “aos pés da Cruz” (cf. Jo 19,25-26). Tinham seus corações repletos de sofrimento, modéstia, espera e silêncio. Estes são os sentimentos que deveriam ser nutridos pelos fieis hoje, são modelos de comportamento ante a realidade da Cruz que na Santa Missa realiza-se o mistério pascal para nossa salvação.

Rezemos para que Deus suscite nos corações dos clérigos e fieis a nuvem de sentimentos e comportamento que detinham os que estavam no Calvário. Que possamos pelejar para que os não católicos ou os que ainda se mantenham longe da sã doutrina vejam com seus olhos que prestamos a Deus um verdadeiro culto e nutrimos e cremos que a Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício Redentor de Cristo.

Tomemos como palavras para nos guiar em uma melhor postura que devemos alimentar internamente e externamente na Santa Missa, lugar onde Cristo oferece-se de um modo sacramental, debaixo das aparências do Pão e do Vinho. As palavras de São Leonardo de Porto-Maurício.

“Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” (São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto).

Que possamos ir à missa e estarmos nela, semelhante aos que assistiram no calvário Jesus Cristo oferece-se de um modo sangrento pelos pecados do homem.

terça-feira, 31 de maio de 2011

O canto litúrgico medieval no contexto cultural

Os hinos litúrgicos caracterizam-se pela estranha magia da língua: vogais longas, com preferencia pelos ditongos; determinadas combinações de sons; recitativos monótonos; a melodia do verso encontra-se “abaixo do limiar dos conceitos intelectuais”, como se as palavras fossem feitas para acomodar-se a um ritmo já preexistente, à inaudível harmonia das esferas. Essa magia linguística é que exprime as angústias apocalípticas e júbilos angélicos do “homo cluniacensis”. Pela magia linguística, o hino representa, em forma adequada, certos sentimentos religiosos – a “majestas tremenda”, o “amor mystic” – que são, por si mesmos, inefáveis: os sentimentos “numinosos”. Esse traço característico é comum aos hinos de todas as religiões em certa fase da sua evolução: ressoam hinos assim nos templos budistas e nas sinagogas. O hino litúrgico em língua latina distingue-se pelo fato de conservar a capacidade de exprimir conteúdos dogmáticos de maneira muito precisa. Naqueles hinos marianos, porem, o ritmo prejudica o conteúdo, transformando o dogma mariano em substrato de uma poesia quase erótica; as censuras não são determinadas pela lógica da frase, e sim pela música do verso; um elemento musical, a rima, rompe o equilíbrio métrico; os símbolos, que pretendem representar o dogma, tornam-se independentes.

O grande poeta dessa fase é Adam de St. Victor. Grande poeta exatamente porque o valor da sua poesia reside mais nas qualidades literárias do que nas qualidades litúrgicas. O poeta do “Salve, mater salvatoris” e do “Ave, virgo singularis” um criador de símbolos: inventou ou popularizou um conjunto impressionante de metáforas mariológicas. Desde Adam de St. Victor, toda a gente entende imediatamente o

“Rosa mystica,
Turris Davidica,
Turris ebúrnea,
Domus aurea,
Foederis arca,
Juana coeli,
Stella matutina.”

Adam de St. Victor moveu esses símbolos por meio de uma arte extraordinária do verso, de troqueus de sete ou oito silabas, fortemente ritmadas e suavemente rimadas. Arte quase parnasiana, que devia acabar, nos seus imitadores, em rotina.

O hino salvou-se pela influência do grande movimento religioso que de deu ímpeto inédito aos sentimentos numinosos do franciscanismo. Mas a última palavra coube à solidificação do sentimento: a volta ao conteúdo dogmático sem o qual o hino da Igreja perderia a sua significação especial. Por isso, o maior teólogo dogmático da Igreja romana também é o seu maior poeta litúrgico: Tomás de Aquino. Os seus poucos hinos – “Pange, lingua, gloriosi“ e “Lauda, Sion, Salvatorem” – reúnem duas qualidades que raramente se encontram na poesia lírica: a maior precisão e maior musicalidade. Seria possível comentar esses hinos como se fossem tratados teológicos sobre a eucaristia; ao mesmo tempo, versos como

“Tantum ergo sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentuum
Novo cedat ritui:
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui...”

ficam indelevelmente na memória, o que é um dos critérios mais seguros da grande poesia.



Esta última fase da hinografia latina tem, outra vez, importância mais do que literária. A Igreja romana não adotou o “credo ut intelligam”, algo fideísta, de santo Anselmo, mas tomou como base do seu dogma a filosofia aristotélica. Também não foi aos discípulos entusiasmados de são Francisco, e sim aos filhos eruditos de são Domingos, que coube a tarefa de construir a catedral da escolástica. Quando ficou pronto o edifício, que o “homo liturgicus” de Cluny começara, era um sistema filosófico e uma instituição jurídica.


Otto Maria Carpeaux
História da Literatura Ocidental, p. II, cap. I