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quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Divina Eucaristia

Por Eduardo Moreira.

Muitos católicos não conhecem o valor inestimável da Hóstia Santa. Esse valor muitas vezes é passado como mero simbolismo, simples sinal de Jesus ordenado na última ceia. Entretanto, sem se dar conta essas pessoas cometem um terrível engano. Perdem uma grande oportunidade de santificação ao negar ou negligenciar o Cristo Vivo consagrado na Hóstia. De fato, se lermos o Evangelho vemos que Jesus diz claramente que “Isso é o Meu Corpo” e “Isso é o Meu Sangue”.

São Francisco de Assis ao falar de tão grande mistério diz:

Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão. Vede, irmãos, que humildade a de Deus! Derramai ante Ele os vosso corações! Humilhai-vos para que Ele vos exalte! Portanto, nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá!"

 É também em termos como esses que nos fala São Paulo em sua primeira carta aos Coríntios, no Capítulo 11. São Paulo diz que quem come e bebe da Santa Ceia comunga o próprio Corpo e Sangue de Cristo. Não se fala aqui de símbolo ou de presença meta-estável de Jesus na Hóstia, mas sim de uma transformação, ou seja, isso é o Corpo e Sangue de Cristo.

E por que o Deus infinito se faz tão pequeno? Por que Deus se coloca a disposição dos homens no tesouro da Eucaristia, presente em Igrejas frequentadas por pecadores em todo o mundo? Porque Deus é misericórdia.

A Eucaristia é um Sacramento, ou seja, um sinal da graça de Deus. Não importa se os homens são pecadores, e de fato o são, pois onde abundou o pecado superabundou a graça (Rm 5, 20). De fato, qualquer um que, recebeu esse Elevadíssimo Sacramento, torna-se potencialmente passível de Comungar o próprio Deus, isto é, receber Jesus em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Se pelo Batismo somos unidos ao Corpo Místico de Cristo, o qual é a Igreja. Como podemos permanecer unidos a esse Corpo, senão pela Graça? Entretanto, a Graça se manifesta nos sinais visíveis de Deus, os Sacramentos. De fato, somos por nós indignos de fazer parte da Imensa Santidade de Cristo. O homem pecador não pode sequer se aproximar de Deus, quanto mais ser digno de fazer parte do Corpo d'Ele. Assim sendo, a Misericórdia de Deus se aproxima de nós e nos convida, pela Graça, a fazermos parte de Cristo.

Cristo, inocente crucificado, adquiriu com sua Santíssima Morte e Ressurreição, os méritos infinitos, capazes de perdoar todos os pecados. E como nós, que somos finitos e pecadores, podemos nos beneficiar disso? Pela Graça de Cristo, a qual Salvou o mundo. É pela Infinita Misericórdia de Deus que nós, pecadores, passamos à plena comunhão com Cristo, o qual através dessa Graça nos transmite os méritos de sua paixão. É por isso que nossos pecados estão perdoados, porque nós, mesmo indignos, estamos inseridos no Corpo Místico d'Aquele que inocente se fez culpado por nós e assim nos obteve o prêmio da Salvação Eterna.

E onde entra a Eucaristia? A Divina Eucaristia é o mistério que nos mantém unidos a Deus. O Corpo e Sangue de Cristo, recebidos por nós tomam conta de cada parte de nosso corpo envolvendo-nos na Santidade de Cristo. Não nos tornamos da mesma substância de Deus, pois ao contrário d'Ele, somos finitos e pecadores. Por isso dizemos que “comungamos” porque entramos em comum união (comunhão) com Deus.

Não é ousadia demais dizer que Deus, em sua Infinita Misericórdia, não se satisfez apenas em salvar a criatura humana, desgraçada e perdida. Deus quis deixar seu próprio Corpo para ser recebido por nós. Pode-se dizer que essa união entre o homem e Deus pelo Batismo é uma união desproporcional devido aos nossos pecados e nossa natureza é infinitamente mais medíocre. Entretanto, Deus, que superabunda a graça, nos resgatou de nossa culpa e não somente isso, Ele se fez pequeno como um pedaço de pão para que nós pudéssemos nos estabilizar nesse Corpo Místico. Deus se une a nós através da Divina Eucaristia. Que grande Graça!

De fato, pelo Batismo somos unidos ao Corpo de Cristo, mas esse vínculo, embora seja estável, é desproporcional. Dessa maneira, a Eucaristia estabiliza o homem em Deus, acostuma nossa natureza frágil e pecadora à natureza divina que é pura graça. Assim, da mesma maneira que temos o alimento material que nos mantém vivos, a Eucaristia, alimento Espiritual, permite criar vínculos de amor tão fortes que nem a morte pode separar. É pela Eucaristia que temos força para superar nossas fraquezas humanas e assim, ultrapassando toda a expectativa humana, atingir a Salvação Eterna.

A alma necessita da Eucaristia, aspira por ela e não sossega até tomar contato em seu mais íntimo com esse Deus infinito que se faz tão próximo a ponto de poder ser comungado. Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, Deus vivo na Hostia Santa que nos santifica acostumando assim a frágil natureza humana à natureza Divina com a qual teremos a Graça de conviver pela eternidade.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Por que Deus se fez homem? (Artigo IV)

Por Eduardo Moreira.
Quem é o homem e por que ele foi criado?
Continuando os artigos anteriores, é conveniente saber quem é o homem e por que ele foi criado. Não se fala mais hoje sobre o que dizia o pensamento medieval acerca do homem enquanto ser racional, criado a Imagem e Semelhança de Deus para amá-lo, tendo o livre arbítrio para decidir que caminho seguir.
Na obra Por que Deus se fez homem de Santo Anselmo consta que há um número perfeito planejado por Deus a ser preenchido com criaturas racionais para gozarem junto do criador dum paraíso. Logo, os anjos foram criados racionais para desfrutarem desse paraíso divino, mas um número dos anjos caiu e assim o número perfeito ficou distante de ser preenchido.
Falando primeiramente dos anjos, sabemos que os que caíram sofreram a queda por algum motivo. A primeira possibilidade é que foram criados mais anjos que o número perfeito, o que fez com que alguns anjos tivessem que cair posto que Deus não pôde ter calculado mal esse número. Tendo-se que Deus é imensamente sábio e bom, essa hipótese é absurda, pois seria o mesmo que dizer que Deus criou de má fé um número excedente de anjos, já pensando em deixar que alguns caíssem. A segunda possibilidade é que os anjos foram criados para fazerem parte do número perfeito, mas não prevaleceram nesse número e assim usando sua racionalidade e seu livre arbítrio, escolheram sem retorno a queda no pecado. Em outra oportunidade mostrar-se-á o porquê dos anjos caídos não poderem se reconciliar, mas por hora ficará apenas que a segunda hipótese é a mais lógica.
Se havia um número perfeito, esse número deve ser preenchido a fim de manter a perfeição natural querida por Deus. Esse número deve ser preenchido ao menos substituindo o número dos anjos caídos, mas ficará claro adiante que é superior. O número perfeito pode ser atingido mediante a criação de anjos ou de homens, todavia, a geração de novos anjos não pode seguir a reta justiça de Deus.
Os anjos são andróginos e por isso são incapazes de gerar novos anjos. Logo, ou Deus poderia criar novos anjos, ou poderia criar outro ente dotado de raciocínio que fosse capaz ao menos de substituir os anjos caídos e quiçá completar o número perfeito. Assim uma das hipóteses deveria ser cumprida para que a obra de Deus fosse perfeita.
Em uma análise vê-se que se Deus criasse anjos novos seria injusto posto que os anjos caídos, se não tivessem pecado seriam mais dignos de glória que os novos anjos. Os anjos que caíram se não tivessem caído seriam mais dignos do mesmo elogio que os anjos novos. Os antigos anjos que não pecaram, vendo o castigo dos anjos pecadores perseveraram, mas não foi por isso que ficaram de pé e sim por seu estado de plenitude e amor a Deus que escolheram, ou seja, por seu próprio mérito. Se houvesse de cair algum anjo para que os outros se confirmassem na fé, ou todos cairiam ou deveria necessariamente haver a queda de alguns para que os outros perseverassem. Como ambas hipóteses são absurdas, vemos que os anjos confirmados se confirmaram por seu próprio mérito. Assim nota-se que anjos novos e antigos não seriam iguais e isso seria, de fato, indigno.
Pelo raciocínio acima observa-se que novos anjos não podem ser criados para substituir os antigos, pois isso seria injusto e nenhuma injustiça pode vir de Deus. Vários motivos impedem que anjos se reconciliem com Deus, impedindo que anjos maus voltem a fazer parte do número perfeito. Os anjos, ao contrário dos homens, não  descendem de um mesmo anjo e por isso não podem ser remidos por um Deus-anjo comum posto que cada anjo é único em gênero e teria que remir a si mesmo. Deus não pode encarnar em cada anjo caído para remi-lo. Como os anjos não têm descendência, Deus não pode se encarnar em um único anjo para remi-los todos. Anjos não são mortais e assim não existiria o sacrifício de um Deus-anjo bem como não pode haver encarnação de Deus num anjo posto que anjos não têm carne. Por fim, os anjos estão em estado de plena consciência atemporal, conhecendo no ato de sua rebeldia todas as conseqüências dessa sendo assim incapazes de se arrependerem de alguma ação. Logo, uma vez cometido um pecado por um anjo, ele não pode mais voltar atrás e após pecar certamente cairá.
Partindo dos dois parágrafos anteriores vemos que Deus não pode remir os anjos e que não pode criar novos anjos, posto que a criação de novos anjos seria uma desigualdade e uma injustiça no que tange os méritos angelicais. Ver-se-á agora que se os anjos existiam em perfeito número, os homens foram criados apenas para substituí-los. Por outro lado, se não havia anjos em perfeito número, os homens foram criados de forma a substituir os anjos réprobos e completar o número perfeito e, portanto, deverá haver mais homens que anjos prevaricadores.
Se Deus criou os anjos em perfeito número, tem-se que o homem foi criado após os anjos e exclusivamente para substituir esses. Todavia, isso seria perverso, pois não pode ser digno de Deus criar o ser humano unicamente para substituir os anjos caídos, afinal, isso soa como um mero capricho divino. Tem-se que, por outro lado, se homens e anjos foram criados juntos e sendo que anjos não deixam descendência, coube aos homens o papel de completar o número imperfeito e, eventualmente se houvesse queda de anjos, substituir esses anjos que caíram. Ora, o homem então por esse segundo raciocínio, é, embora frágil e mortal, capaz de se elevar ao tão perfeito estado dos anjos e com isso o homem pode certamente substituí-los. Deus certamente em sua infinita sabedoria já estava ciente de que tanto homens como anjos poderiam prevaricar, mas seguramente a defesa de Deus em relação aos homens é maior devido à sua maior fragilidade. Dessa maneira, é mais lógico que homens e anjos foram criados em número imperfeito e cabe aos homens tanto substituir os anjos réprobos como completar o número perfeito.
Outro argumento mostra que seria perverso dizer que os homens foram criados apenas para substituir anjos caídos: se assim fosse a felicidade da salvação dos homens seria a mesma felicidade de se contemplar a queda dos anjos, afinal, aquela dependeria dessa. Deus, que é infinita bondade, não pode criar um ente que se regozije com a desgraça alheia. Logo, homens e anjos foram criados juntos pela infinita justiça de Deus. Alguém pode objetar dizendo que foi pela negação dos judeus que os demais povos conseguiram a redenção, o que seria tão injusto quanto criar homens apenas para completar o número de anjos caídos. Esse argumento é, entretanto falso. O Messias veio para todos os homens, independentemente da aceitação dos judeus ou não. Logo, os apóstolos não pregaram aos gentios porque os judeus não aceitaram a salvação, mas aproveitaram que os judeus negaram o Cristo para levar o Evangelho aos que queriam ouvi-lo, que no caso eram os gentios, pois toda pessoa que teme à Deus e pratica o bem lhe é agradável (At 10, 35).
Se, pois, é um inconveniente que o homem se alegre com a queda dos anjos e se não pode haver inconveniente na Jerusalém Celeste, então é de todo impossível que os homens tenham sido criados apenas para preencher um número de anjos caídos. Além disso, é um número misterioso a soma dos anjos caídos com o número de homens que falta para completar a Cidade Gloriosa, o que parece mais lógico aos insondáveis desígnios de Deus, pois não cabe aos homens saber quantos homens hão de se salvar. É bom dizer aqui também que não é digno de Deus criar homens para que se percam. Deus, portanto, criou os homens sendo todos eles passíveis de alcançarem a Salvação.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Escatologia errônea das Seitas

Ao passar dos séculos, diversas civilizações, indivíduos e seitas quiseram julgar, interpretar e catalogar a data especifica em que ocorrerá o “fim dos tempos”. Os maias, civilização indígena da América Central, por exemplo, antes mesmo de Cristianismo chegar as Américas, elaborando uma previsão do fim. Ao que consta e demonstra a História, várias seitas e hereges tentaram ao longo de anos preverem quando seria e se daria o advento de Cristo, mas falharam.

Não é um típico fenômeno de nossa época, existir estes grupos. Se estudarmos de forma exegética as Sagradas Escrituras perceberemos que já na segunda Epístola de Paulo aos Tessalonicenses (3, 10-12). Registra-se a existência de pessoas desordeiras que davam ouvidos a aqueles que diziam que o fim estava próximo e por isso deixaram seus afazeres civis, esperando o retorno de Jesus Cristo para eles “imediato”. Entretanto, São Paulo os corrige duramente dizendo que se não trabalhassem não teriam também o direito de comer.

Não só temos um exemplo, como demonstrado nas Escrituras. Há cerca de mil e novecentos anos atrás. Nos últimos 50 anos cresceram os grupos, movimento, seitas e comunidades “cristãs” que disseminam de forma literal e como eminente a volta de Jesus.

Na edição de 15 de novembro de 1984, as Testemunhas de Jeová publicaram material em sua revista intitulada “A Sentinela” dizendo que a geração de 1914 não passaria. Menciona ainda que ao menos parte dessa geração conseguiria se manter viva, para desfrutar da concretização das profecias sobre a vinda de Jesus.

Mas não foram somente as TJs que quiseram predizer o que nem Jesus sabia como disse aos apóstolos. (cf. Mt 24, 36). Os adventistas também quiseram marcar a volta de Cristo para o ano de 1843, mas não tiveram êxito. Nos dias atuais, os adventistas costumam dizer que o fim será “em breve”.

Curioso é o arranjo dessas seitas. Os adventistas, por exemplo, não parecem, ao menos em princípio, ter um estudo profundamente exegético e escatológico das Sagradas Escrituras. Seus teólogos inventaram que o Papa seria a besta do apocalipse, não conseguindo provar com sólidos argumentos esta falácia. Exemplo disto é o suposto título que assimilam como nome de cargo [no caso o Papa] “Vigário do Filho de Deus”, os adventistas concluem que a soma dessa frase em latim (Vicarivs Filli Dei) resulta em no total de 666, o número da besta. Entretanto, a soma correta resulta em 664 e não em 666.

Outro problema para esta interpretação truncada é o fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego, e não em latim; seria mais lógico que a soma resultasse 666 em grego ou hebraico, que são as línguas bíblicas, mas jamais em latim [pois os autores desconheciam primariamente e língua latina]. Existe outro obstáculo, o Papa jamais foi chamado canonicamente de “Vigário do Filho de Deus” se existe algum registro histórico é provável que sua utilização fora excepcional, É comum utilizar os termos “Vigário de Cristo” como verificado nos últimos séculos. A exegese católica sugere que a besta narrada no Apocalipse tenha sido um imperador romano, como César Nero, perseguidor de cristãos, assim como a outras alusões.

Os adventistas por várias vezes também foram acusados de plágios e mentirosos dentre eles, ex-membros da seita. Além de tudo isso, os adventistas demonstram um apego exagerado à lei dos judeus. Essa lei consistia em uma série de dietas alimentares, hábitos de lavar as mãos, guardar o sábado, circuncidar os fiéis e vários outros preceitos. A lei antiga foi, todavia, abolida por Jesus no Novo Testamento da Bíblia, especificamente “levada à perfeição” (cf. Lc 6, 5; Gl 4, 4-5; Rm 10, 4; Gl 4, 10-11, Gl 5, 4; Mt 15, 1-11; At 15, 1-30).

O Senhor Jesus ensinou-nos que toda a planta que o Pai não plantou será arrancada pela raiz (cf. Mt 15, 13) e certamente, esta erva daninha, assim como outras que infiltraram-se no que o Pai plantou,será extirpada. São Paulo também alerta que a lei é o ministério da morte e que o ministério de Cristo é algo muito superior a lei (cf. II Cor 3, 7-8).

Há muitos equívocos e erros oriundos das “hermenêuticas” que orientam estas seitas como as Testemunhas de Jeová, que por sua vez condenam a doação de sangue, a política e a submissão ao estado. Ora, a submissão ao estado é claramente recomendada por São Paulo (cf. Rm 13, 1-7).

Essas duas seitas teimaram, conforme já visto, em prever o fim dos tempos e tendo em comum algumas similaridades. As TJs têm, entretanto, um ponto extremamente diferente quanto a uma das pessoas da Trindade, pois negam a divindade de Cristo, o que é dito as claras São João (cf. Jo 1, 1-18) Já os Adventistas até alguns anos atrás, negavam a S.S. Trindade como entendida desde a antiguidade cristã pela Igreja Católica.

Para a exacerbada preocupação dessas duas seitas com os “tempos do Fim”, entretanto, Jesus deixa uma mensagem reveladora. Segundo a qual ninguém siga; as pessoas que pregam que o fim está próximo (cf. Lc 21, 8). Essas duas seitas, todavia, fazem mais que pregar o fim dos tempos. Pregam com terror que são as únicas igrejas de Cristo, ameaçando as pessoas a uma destruição eterna se não as seguirem, tendo em vista que nem uma e nem outra acreditam na existência do inferno.

Jesus não disse necessariamente que devemos nos preocupar exageradamente com o fim dos dias. Antes é melhor nós preocuparmos com o nosso fim, praticando o amor, que é a maior das virtudes (cf. 1 Cor 13). É triste ver como comunidades e movimentos que se intitulam cristãos possuem essa filosofia terrorista e pregação do medo, aspecto principal do fundamentalismo religioso ameaça as pessoas e defendem que apenas 144.000 pessoas serão salvas como dizem as TJs ou que é a igreja remanescente do Apocalipse, consta nos Adventistas, parece que seus adeptos pelo Mundo já superam os dados de 144.000.

Que possamos enraizados em Deus, tratar na caridade estes homens e mulheres que não alcançaram a verdade plenamente. Rezemos para amadurecimento e consumação de nossa missão. Em viver os ensinamentos contidos nos Evangelhos e não a usá-los com a finalidade de ameaças, sim com apego a verdade. O senhor não veio para condenar, mas para salvar os que estavam perdidos (cf. Lc 19, 10).

Por fim não podemos usar o Evangelho para pregar um Reino de Deus através do medo e condenação como fazem os fundamentalistas, que possamos junto aos nossos pastores na fé proclamar o evangelho unidos a única e verdadeira Igreja fundada por Cristo e entregue a Pedro (cf. Mt 16, 18). Portanto é incoerente crer nos adventistas e nas testemunhas de Jeová, bem como outros grupos, e conceder alguma confiança a estas fundações humanas e falhas. Não podemos pensar que Jesus tardou mais de 1800 anos para fundar sua Igreja, o que significa um erro crasso. Na concepção ideológica dessas comunidades, isso significa automaticamente que por mais de 1800 anos as almas se perderam, já que ninguém se salvará fora delas. Não é isso, entretanto, que Jesus pregou, fundando sobre São Pedro a sua única Igreja, que se manterá até “o fim do mundo” cf. Mt 28, 20.

Por: Eduardo M. Moreira e John L. J. da Silva

Notas:

TJ; siglas que significam abreviadamente “Testemunhas de Jeová”

Referências:

EX TESTEMUNHAS DE JEOVA. 1914 A geração que não passará, profetizou a Torre. Disponível em: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=46&t=3700 Acesso em: 14 novembro 2010.

DE CASTRO, F. C. O Apocalipse hoje. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1989, p. 123-132.

REA, P. W. T. A mentira branca. Edições eletrônicas. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/3288026/A-Mentira-Branca-Walter-T-Rea Acesso em: 14 novembro 2010.

ARAÚJO, U. T. A Igreja de vidro. Edições eletrônicas, disponível em: http://www.veritatis.com.br/ebooks/a_igreja_vidro.pdf Acesso em: 14 novembro de 2010.

DE MELO, F. R. Religião e religiões: perguntas que muita gente faz. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1997, p. 79-83; 85-90.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sentenças dos Padres da Igreja sobre a procedência do Espírito Santo

Vejamos algumas sentenças sobre a procedência e relação do Espírito Santo com o Pai e Filho, refletidos no Dogma da S. S. Trindade. Vindas de XII grandes figuras da Igreja, desde o II século até o séc. VII. Dentre estes alguns notáveis teólogos e Padres da Igreja do oriente e ocidente.

Atenágoras de Atenas

“Nós, porém, homens que consideramos a vida presente de curta duração e de mínima estima, que nos dirigimos pelo único desejo de conhecer o Deus verdadeiro e o Verbo que dele procede - qual é a comunicação do Pai com o Filho, que coisa é o Espírito, qual é a união de tão grandes realidades, qual a distinção dos assim unidos, do Espírito, do Filho e do Pai-;” (Petição em Favor dos Cristãos; Capítulo XII Atenágoras de Atenas).

S. Basílio de Cesareia

“Espírito de verdade (aletheia), Espírito de adoção, no qual clamamos Abba, Pai; que distribui e opera os dons de Deus em cada um conforme convém, conforme lhe apraz; que ensina e sugere tudo o que ouviu do Filho; que é bom, guiando cada um em toda a verdade (aletheia) e fortificando os fiéis na fé segura, na confissão exata, no culto santo e na adoração em espírito (pneuma) e verdade (aletheia), de Deus Pai, de seu Filho único, nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, e dele mesmo.” (S. Basílio de Cesaréia, Profissão de fé;).

Dídimo de Alexandria.

"Ele não falará sem mim e sem a decisão do Pai, porque Ele não tem origem em si, mas é do Pai e de mim. Pois o que Ele é como subsistência e como palavra, Ele o é pelo Pai e por mim" (Dídimo de Alexandria, professava, comentando palavras de Jesus: De Spiritu Sancto 34)

S. Epifânio de Salamina.

"É preciso crer, a respeito de Cristo, que Ele vem do Pai, é Deus proveniente de Deus, e, a respeito do Espírito, que Ele provém do Cristo, ou, melhor; de ambos, pois Cristo disse: '...Ele procede do Pai' e 'receberá do meu'" (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 67).
"Já que o Pai chama Filho o que procede do Pai e Espírito Santo o que provém de ambos,... fica sabendo que o Espírito Santo é a luz que vem do Pai e do Filho" (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 71).

São Gregório de Tours

“Eu acredito que o Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho, que não lhes é inferior, que não é verdade que não tenha existido antes, mas que é igual a ambos, e que, sempre coeterno com o Pai e o Filho, é Deus [...]” (História dos Francos - Livro I; Prefácio; São Gregório de Tours).

São Gelásio I de Roma

“Quanto ao Espírito Santo, não proveio apenas do Pai ou apenas do Filho, mas do Pai e do Filho; por isso está escrito: "Ele deleitou-se no mundo, o Espírito do Pai não está nele"; e novamente: "Entretanto, todo aquele que não possui o Espírito de Cristo, não lhe pertence". Assim, compreende-se que o Espírito Santo seja referido como provindo do Pai e do Filho, sendo que o próprio Filho, no Evangelho, diz que o Espírito Santo "procede do Pai" e "por Mim Ele é aceito e anunciado a vós".” (Decreto Gelasiano; Cap. I; 3; São Gelásio I de Roma:).

Santo Atanasio de Alexandria.

“A respeito do Espírito, que procede do Pai e que, sendo próprio do Filho, vem dado por este a seus discípulos e a todos os que crêem nele.” (Carta de Santo Atanásio a Serapião; Sobre a Divindade do Espírito Santo.)

São Cirilo de Alexandria.

"Espírito é o Espírito de Deus Pai e, ao mesmo tempo, Espírito do Filho, saindo substancialmente de ambos simultaneamente, isto é, derramado pelo Pai a partir do Filho” (S. Cirilo de Alexandria , De adoratione, livro I, PG 68,148).

Santo Agostinho de Hipona

"O Espírito Santo procede do Pai a título de princípio (principaliter), e, pelo dom intemporal do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão (communiter)" (Santo Agostinho, De Trinitate XV 25,47).

Boécio de Roma

“Pois é uma regra básica a de que as distinções em realidades incorpóreas são estabelecidas por diferenças e não por separação espacial. Não se pode dizer que Deus se tornou Pai pelo acréscimo de algo; pois Ele nunca começou a ser Pai, já que a produção do Filho pertence à sua própria substância; embora o predicado Pai, enquanto tal seja relativo. E se nos lembramos de todas as proposições feitas sobre Deus na discussão prévia, devemos admitir que Deus Filho procede de Deus Pai e Deus Espírito Santo de ambos e que eles não podem ser espacialmente diferentes por serem incorpóreos. Mas já que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e já que em Deus não há pontos de diferença que o distingam de Deus, Ele não difere dEles. Mas onde não há diferença, não há pluralidade; e onde não há pluralidade, há unidade. E, novamente, nada senão Deus pode ser gerado por Deus e, na realidade numerada, a repetição da unidade não produz pluralidade. E assim a unidade dos três está convenientemente estabelecida.” (Da Trindade; Cap. V; Boécio;).

São Leão Magno

“É verdade que, conforme as propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas não há divindade diferente, natureza distinta. Assim como o Filho precede do Pai, igualmente o Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho.” (Sermão Sobre Pentecostes: São Leão Magno;).

São João Damasceno.

"O Espírito Santo provém das duas Pessoas simultaneamente" (S. João Damasceno, De recta fide 21, PG 76,1408).

Fonte:

DA SILVA. John Lennon José. Senteças dos Padres da Igreja sobre a procêdencia do Espírito Santo. Apostolado Veritatis Splendor. Disponível em: Acesso em:  http://veritatis.com.br/patristica/extratos/934-sentencas-dos-padres-da-igreja-sobre-procedencia-do-espirito-santo 24 Outubro 2010.

sábado, 31 de julho de 2010

Quem é o Espírito Santo?

Bem o texto abaixo foi elaborado a pedido de uma irmã, que certa vez me perguntou quem é o que o Espírito Santo? Dogma negado em algumas seitas como os TJs e outras comunidades eclesiais.

O Espírito Santo é Terceira pessoa da SS Trindade, é Deus com o Pai e como o Pai, assim como o Filho. Em ma unidade indivisível, não fora criado e já estava junto ao Pai desde antes do mundo cf. Gen 1,2 “A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” veja também a aparição de três presenças angélicas que fazem alusão a trindade e segundo o Genesis “O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhos de Mambré, quando ele estava assentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia.” Gen 18 1-10, leia todo o texto;

Veja ainda sobre a atuação deste do Espírito de Deus no AT no caso Samuel “O Espírito do Senhor virá também sobre ti, profetizarás com eles e tornar-te-ás um outro homem” I Sm 10,6 veja também como Clama Davi “De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito” Sl 50,13, sobre a missão do Espirito Santo no NT profetiza Joel 3,1-2 “Depois disso, acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas”.

O Espírito Santo é Deus, pois tem os mesmos atributos de Deus. Vejas nas Sagradas Escrituras Por exemplo: santidade – em muitas passagens das Escrituras o adjetivo “santo” é acrescido ao nome do divino Espírito (Mc. 13:11; Tito 3:5); eternidade – (Hb. 9:14); onisciência – (I Cor. 2:10 e 11); onipotência – (em Lc 1:35, o Espírito Santo é chamado de “poder do Altíssimo”; confira, ainda, a palavra “poder” ligada ao Espírito em Is 11:2; Mq. 3:8; Luc. 4:14 e Atos 1:8); onipresença – (Sl. 139:7-12); Criador – (Gen. 1:2; Jó 33:4; Sl. 104:30 e Ez 37:14). Uma vez que só Deus tem esses atributos, e o Espírito Santo os tem, então ele é Deus, como Deus Pai e Deus Filho. Como expliquei no início veja o que o Apostolo Pedro disse sobre o Espírito de Deus (Atos 5:3 e 4).

O Espírito Santo é uma Pessoa. A vários atributos que as Sagradas Escrituras dão ao Espírito de Deus, Ele tem inteligência, pois “perscruta” ou investiga (I Cor. 2:10 e 11) e “ensina” (João 14:26 e I Cor. 2:13); apareceu sob forma de pomba cf. Lc 3, 22: tem vontade, pois distribui os dons “como Lhe apraz” (I Cor. 12:11); tem emoção, pois pode ser “contristado” (Is 63:10) ou “entristecido” (Ef 4:30). Ele fala (II Sam. 23:2 e Atos 13:2); ensina (João 14:26); guia (Rm. 8:14); convence (João 16:8); contende ou age (Gên. 6:3); testifica (Rm. 8:16); separa e envia (At 13:2); intercede (Rm. 8:26).

E vários são os testemunhos dos pais da Igreja a favor da doutrina sobre o Espírito Santo (pneumatologia) na Teologia, foi a Igreja católica que nós primeiros séculos através dos Concílios ecumênicos, aliados a reflexão dos Pais da Igreja ao longo de sua vidas que oficializou a doutrina da SS Trindade, nos escritos do período patristico, encontram-se testemunhos valiosíssimos desta nossa crença. Santo Inácio de Antioquia fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo como sendo três pessoas às quais devemos respeito igual. Santo Irineu diz que "a Igreja, espalhada pelos Apóstolos até os confins do universo, crê em Deus Pai todo-poderoso, em Jesus Cristo, seu Filho, encarnado por nossa salvação e no Espírito Santo que falou pelos profetas". Claríssimas são, também, na sua conclusão, as palavras de Tertuliano: "O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito-Santo é Deus e Deus é cada um deles". já comumente aceita entre os primeiros cristãos e deixada pelos apóstolos aos seus sucessores, confirmada pelas Escrituras.

Assim professa o Credo Niceno-Constatinopolitano Oficial da Igreja Católica.


“Creio no Espírito † Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas”.

John Lennon J. da Silva
Apostolado São Clemente Romano
Caruaru 31 de julho de 2010