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quinta-feira, 10 de março de 2011

Os monges do oriente e a espiritualidade bizantina.

Por John Lennon J. Da Silva.

Os Monges do mundo grego, sírio e palestino souberam entre os séculos V e VIII desenvolver uma espiritualidade mística e contemplativa profunda, posteriormente entre os séculos XIII e XIV, apotegmas¹ e obras de nomes como Evágrio Pôntico, João Clímaco, Simeão o Novo Teólogo, Nicéforo, Gregório o Sinaíta, Pacômio, Teodoro Estudita, Marcos o Eremita, e Elias o Écdico estavam espalhadas por quase todo o oriente cristão.

A herança da reflexão ascética de Santo Antão e de outros Padres do Deserto no oriente não se limitaram aos mosteiros, mais também há grandes teólogos, vários deles numerados entre os “Padres da Igreja” assim como muitos outros autores bizantinos. Os escritos destes homens foram muitos influentes na Igreja do oriente, a contribuição deles em especial a preeminência da Escola Sinaítica que desenvolve-se notavelmente nos séculos VI e VII principalmente quanto hesicasmo, método de oração fundamentado na repetição infinita e na apropriação interior do nome de Jesus. Técnica que com os monges do Monte Athos será profundamente transmitida a Igreja durante o Império Bizantino. A Salmodia e o uso das Escrituras foram grandes expressões da vida dos Padres do Deserto e dos monges orientais.

O Monaquismo ocidental tomou um rumo próprio e diferente como espiritualidade monástica quando comparado com os autores místicos do oriente e a espiritualidade bizantina, as abadias ocidentais tomaram das regras desenvolvidas por Santo Agostinho e São Bento uma enorme difusão ao longo dos séculos, a espiritualidade destas escolas oscilou no ocidente, mas apesar dos momentos que passou a espiritualidade ocidental, soube preservar uma teologia Ascética rica e abertamente conciliável quando alinhada com a profunda oração, humildade e ascetismo dos Padres monacais do oriente.

Os teóricos da oração, os grandes hesicastas e mestres na Ascese² no oriente, não são tão conhecidos no Ocidente, talvez porque suas obras ou sentenças foram tardiamente inseridas na literatura ocidental através de tratados e antologias traduzidas ou copiladas em raríssimas edições durante a Idade Média.

A tradição monástica oriental floresceu a vida de muitos cristãos por anos e ainda hoje alimenta a vida das Igrejas orientais Sui Juris em comunhão com o Papa ou as Igrejas ortodoxas separadas. Caminhos, exercícios, formulas e métodos penduraram anos de dedicação na mente e intelecto de homens e correntes de espiritualidade, “A oração do coração” ou “Oração pura, sem distração”, “A invocação do nome de Jesus” junto à clássica frase “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim”. Também ocupou e teve adesão de místicos no ocidente e influencia nas técnicas jaculatórias. Sem falar na “Lembrança de Deus” ou “Recordação de Deus” oriunda de São Basílio que ocupou a muitos monges do oriente, são os sinais e expressões visíveis da riqueza da espiritualidade oriental.

No século XVII fora publicada uma obra que se tornara clássica para a vida e oração das Igrejas do oriente a “Filocalia” que veio a reunir diversos autores, textos e sentenças espirituais dos Padres da Igreja e monges bizantinos. Trago abaixo citações desta obra que fora traduzida também para a língua portuguesa e tem obtido um verdadeiro interesse do Ocidente nos últimos séculos.

“Não poderias possuir a oração pura, estando perturbado com coisas materiais e agitado por inquietações contínuas, pois a oração é abandono dos pensamentos”. (p. 23, nº 70 Evángrio Pôntico).

“Nossa oração não deve começar por nenhuma convenção nem hábito: atitude corporal, silêncio, genuflexão. Devemos vigiar com atenciosa sobriedade o nosso espírito, esperando o momento em que Deus se apresente, visite a alma através de todas as passagens, atalhos e sentidos. Só é preciso calar-se, gritar e orar com clamores, quando o espírito está solidamente ligado a Deus. A alma deve despojar-se inteiramente, para a súplica e o amor de Cristo, sem distração, nem divagação de pensamentos”. (p. 31, Macário, o Grande).

“Se, portanto, começarmos a cumprir com fervor dos mandamentos de Deus, a graça logo iluminará nossos sentidos com um sentimento muito profundo; consumirá, por assim dizer, nossos pensamentos, suavizará nosso coração pela paz de uma inexprimível amizade, e dar-nos-á a disposição para pensar coisas espirituais e não mais carnais. É o que acontece continuamente com os que se aproximam da perfeição e guardam no coração, ininterrupta, a lembrança de Jesus.” (p. 47, Diádoco de Fótico).

“A lembrança de Deus é um labor do coração, suportado pela fé. Quem quer que esqueça Deus, torna-se amigo da paixão e insensível.” (p. 52, nº 122, Marcos, o Eremita).

“O coração de quem examina a própria alma a todo instante goza das revelações. Quem recolhe a contemplação no interior de si mesmo, contempla o brilho do Espírito; quem desprezou a dissipação, contempla o seu Senhor dentro do próprio coração”. (p. 59, Issac de Nínive (S. Isaac, o Sírio).

Citações de nomes que podem ser desconhecidos para os ouvidos de milhares de ocidentais e até bons católicos, no entanto a vida e obra destes homens contribuíram fortemente com a espiritualidade cristã. O estudo e a reflexão de suas obras são uteis aos cristãos que desejam deparar-se com uma ortodoxa espiritualidade nascida no seio da Igreja Católica.

Notas:

1. Apotegmas: São sentenças dos Santos Padres da Igreja.

2. Ascese: Em seu sentido original, é o conjunto dos exercícios ou práticas mortificantes e penitentes tendo a finalidade de reorientar tendências desordenadas, robustecer a liberdade e preparar o homem interiormente, fora desenvolvida pelos monges e Padres do Deserto.

Referências:

PEQUENA FILOCALIA, o livro clássico da Igreja oriental. [Tradução Nadyr de Salles Penteada]. 8º edição, Paulus, São Paulo, 2009, p. 23, 31, 45, 47, 51, 58, 60-61.

MAZZUCO, Frei Vitório. A Espiritualidade Hesicasta. Site da Província Franciscana da Imaculada Conceição em São Paulo, Brasil. Disponível em: http://www.franciscanos.org.br/noticias/noticias_especiais/espiritualidadehesicasta_110907/ Acesso em: 09 de Março 2011.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sentenças dos Padres da Igreja sobre a procedência do Espírito Santo

Por John Lennnon J. da Silva.

Vejamos algumas sentenças sobre a procedência e relação do Espírito Santo com o Pai e Filho, refletidos no Dogma da S. S. Trindade. Vindas de XII grandes figuras da Igreja, desde o II século até o séc. VII. Dentre estes alguns notáveis teólogos e Padres da Igreja do oriente e ocidente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A questão do Filioque

Um ponto nevrálgico:

Em síntese: As relações entre cristãos gregos e latinos se tornaram tensas por um motivo teológico: o Espírito Santo procede do Pai e do Filho? (posição latina) ou procede do Pai pelo Filho? (posição grega). A controvérsia se tornou candente nos séculos IX-XI, levando ao cisma bizantino de 1054, cisma que até hoje perdura, embora as conversações dos teólogos de parte a parte estejam contribuindo para aproximar entre si os irmãos. No fundo, pode-se dizer que a controvérsia é mais lingüistica do que propriamente teológica: gregos e latinos não entendem do mesmo modo o vocábulo "proceder".

Dando continuidade ao artigo anterior, voltamos-nos explicitamente para a controvérsia do Filioque, tida pelos gregos como motivo de cisma em 1054. Na verdade, o Evangelho afirma que o Espírito Santo procede do Pai (cf. Jo 15, 26); o Credo niceno-constantinopolitano (381) repetiu esta profissão de fé. Todavia os latinos acrescentaram ao Credo a partícula Filioque, professando que o Espírito procede do Pai e do Filho. Isto deu origem a calorosa controvérsia, pois os cristãos orientais se puseram a acusar os ocidentais de haver alterado o Símbolo da Fé.

A seguir, examinaremos o desenrolar dos acontecimentos desde o início e a atual posição da Igreja.

O Problema Lingüístico

A doutrina segundo a qual o Espírito Santo procede do Pai, está no Evangelho de S. João: "...o Espírito da verdade, que procede (ekporeúetai) do Pai" (15,26).

A Escritura também se refere à relação do Espírito com o Filho, quando Jesus diz: "Receberá do que é meu e vô-lo anunciará" (Jo 16,14s) ou ainda: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai" (Jo 15,26).

Estes dizeres levaram alguns Padres gregos a afirmar que o Espírito Santo é "do Pai e do Filho". Assim S. Cirilo de Alexandria (+444):

"O Espírito é o Espírito de Deus Pai e, ao mesmo tempo, Espírito do Filho, saindo substancialmente de ambos simultaneamente, isto é, derramado pelo Pai a partir do Filho" (De adoratione, livro I, PG 68,148).

S. João Damasceno (+749) professava:

"O Espírito Santo provém das duas Pessoas simultaneamente" (De recta fide 21, PG 76,1408).

S. Epifânio de Salamina (+403) escrevia:

"É preciso crer, a respeito de Cristo, que Ele vem do Pai, é Deus proveniente de Deus, e, a respeito do Espírito, que Ele provém do Cristo, ou, melhor; de ambos, pois Cristo disse: '...Ele procede do Pai' e 'receberá do meu'" (Ancoratus 67).

"Já que o Pai chama Filho o que procede do Pai e Espírito Santo o que provém de ambos,... fica sabendo que o Espírito Santo é a luz que vem do Pai e do Filho" (Ancoratus 71).

Dídimo de Alexandria (+398) professava, comentando palavras de Jesus:

"Ele não falará sem mim e sem a decisão do Pai, porque Ele não tem origem em si, mas é do Pai e de mim. Pois o que Ele é como subsistência e como palavra, Ele o é pelo Pai e por mim" (De Spiritu Sancto 34).

Deve-se observar que tais autores admitem, de certo modo, a origem do Espírito Santo a partir do Pai e do Filho, mas não dizem que o Espírito procede do Filho. Segundo esses escritores, o Espírito procede do Pai pelo Filho ou ainda provém do Filho, mas não procede do Filho. Acontece, porém, que, para os latinos, a tradução do verbo ekporeúetai, proceder, não tinha exatamente o mesmo sentido que para os gregos. Para estes, ekporeúetai significava procedência a partir de um Princípio absoluto, não procedente, não gerado, como somente é o Pai; o Filho é um Principio gerado, do qual, por conseguinte, não se pode dizer que dele procede (ekporeúetai) o Espírito Santo.[1]

Já que os latinos traduziam ekporeúesthai por procedere, entendido como "derivar-se de, originar-se de, provir de ...", aplicaram o verbo latino para designar a relação do Filho com o Espírito Santo[2]. Ora isto ofendeu os gregos, que fizeram deste gesto a ocasião de candente litígio até hoje não plenamente resolvido.

O desenrolar dos acontecimentos vai, a seguir, apresentado.

As etapas da controvérsia

A profissão de fé mais antiga que menciona a proveniência do Espírito a partir do Pai e do Filho é um Credo atribuído a S. Dâmaso Papa (366-384)[3]. Outras profissões de fé dos séculos IV-VI incluem o Filioque, geralmente na Espanha, onde estava difundida a concepção do Filioque.

Compreende-se então que alguns Concílios regionais de Toledo tenham feito idêntica declaração. Foi o que se deu em 447, 633, 638...

Muito mais importante e ousada foi a inserção do Filioque no Credo niceno-constantinopolitano. Os Concílios da Espanha adotaram esta medida no intuito de mais difundir tal crença. O primeiro testemunho de tal inserção data de 589: o Concílio de Toledo III recitou o símbolo da fé com o Filioque, e pronunciou o anátema sobre quem recusasse crer que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho; os conciliares, por quanto se depreende das atas do Concílio, julgavam que tal doutrina já fora professada por Nicéia I e Constantinopla I. - A inserção do Filioque no símbolo foi igualmente professada pelos Concílios regionais de Toledo VIII (653), XII (681), XIII (683), XIV (688), XVII (694), como também pelo 4º Concilio regional de Braga (675) e pelo de Mérida (666).

Enquanto isto acontecia, alguns teólogos rejeitavam o acréscimo do Filioque ao símbolo. A sé de Roma ou os Papas aceitavam a doutrina do Filioque, mas não favoreciam a inserção feita no Credo; repetidamente rejeitaram instâncias de cristãos sinceros que pediam à Santa Sé o reconhecimento e a oficialização do Filioque no símbolo de fé. Tinham consciência de que tal gesto podia melindrar os gregos, que, por razões culturais, lingüisticas e políticas, se distanciavam aos poucos da Sé de Roma (desejosos de fazer de Constantinopla a Nova Roma). Por conseguinte, nos séculos VI/VIII os Papas se abstinham de falar do Filioque na sua profissão de fé.

Da península ibérica a profissão do Filioque passou para o reino dos francos. Como atestam os Livros Carolinos, redigidos em 794 por ordem de Carlos Magno, tal uso era comum no território franco. A propagação deste costume era, em grande parte, movida pelo desejo de afastar qualquer heresia que restaurasse o adopcionismo ou o subordinacionismo. Em 809 o Filioque era cantado na capela de Carlos Magno.

No séc. VIII deu-se ainda o caso dos monges latinos de Jerusalém. Com efeito; Carlos Magno estava em boas relações com o Califa Haroum-al-Raschid, senhor da Terra Santa; em conseqüência o califa outorgou ao rei dos francos uma certa soberania sobre Jerusalém. Havia monges latinos estabelecidos no monte das Oliveiras, que seguiam suas Regras como eram vigentes no país franco e, por isto, cantavam o Filioque no Credo. Quando certo dia os monges gregos os depreenderam observando este costume ocidental, acusaram-nos de heresia e os agrediram, considerando-os bárbaros. Os monges latinos então apelaram para o Papa Leão III. Este houve por bem escrever uma encíclica, que ele enviou aos monges francos de Jerusalém, dizendo-lhes:

"Nós vos enviamos este símbolo de fé ortodoxa, para que vós, assim como o mundo inteiro, guardeis inviolavelmente a fé segundo a profissão da Igreja Romana Católica e Apostólica".

O Papa acrescenta por duas vezes que o Espírito procede do Pai e do Filho, e termina afirmando que este artigo pertence à íntegra da fé católica.

Leão III enviou a Carlos Magno a carta dos monges de Jerusalém, já que estes contavam com a tutela do monarca. O Imperador então reuniu um sínodo em Aquisgrano (809), que reafirmou a doutrina do Filioque e cujas atas foram enviadas ao Papa mediante delegados. O Papa recebeu estes emissários; mostrou-se plenamente de acordo com as conclusões do Concílio de Aquisgrano fundamentadas na tradição latina, mas não quis consentir na inserção do Filioque no Credo, mantendo assim a posição de seus antecessores. Eis o trecho final do diálogo de Leão III com os legados francos:

"Legados: Cantar o Credo sem o Filioque não dará aos fiéis a ocasião de crer que tal palavra foi condenada? Que remédio podemos dar a isto?

O Papa: Se de antemão me tivessem consultado sobre o acréscimo, eu o teria proibido. Eis agora o expediente que me aflora à mente: pouco a pouco no palácio imperial deixai de cantar o Filioque no símbolo de fé; dai como razão para isto o fato de que não é cantado na Santa lgreja Romana. Quando tiverdes cessado de o fazer; todos também cessarão. Desta maneira os fiéis guardarão o que tiverem aprendido, e desaparecerá um canto ilícito sem escândalo para a fé".

Esta declaração revela bem a prudência da Santa Sé, que, apesar de tudo, não conseguiu convencer os francos, levando-os à obediência, e queria evitar novos choques com os gregos. Para evitar, frente a estes, qualquer mal-entendido, Leão III mandou gravar sobre duas placas de prata o mesmo texto do Credo Niceno-Constantinopolitano em grego e em latim e quis que fossem afixadas na confissão (altar-mor) de São Pedro como testemunho de comunhão de fé entre o Oriente e o Ocidente.

A pressão dos cristãos ocidentais continuou a se exercer sobre a Santa Sé, que resistiu até o século XI. Em 1013, porém, o Imperador Henrique II (1002-1024) instou, mais uma vez, junto ao Papa Bento VIII (1012-1024) para que inserisse o Filioque no canto do Credo em Roma; o Pontífice anuiu ao pedido em 1014, ficando assim os latinos unânimes na observância de tal praxe.

No século IX, o Patriarca Fócio de Constantinopla levantou de novo a questão acusando os latinos de ser "transgressores da Palavra de Deus, corruptores da doutrina de Jesus Cristo, dos Apóstolos e dos Padres; seriam novos Judas a dilacerar os membros de Cristo". O Patriarca era movido não somente por zelo religioso, mas também por ambição política, já que desejava exaltar a nova Roma em detrimento da primeira. Redigiu uma carta encíclica aos Patriarcas e Arcebispos do Oriente, em que abordava questões discutidas, inclusive a do Filioque, e chegou a escrever:

"O símbolo de fé diz somente que o Espírito Santo procede do Pai. Por conseguinte o símbolo afirma que o Espírito Santo procede do Pai somente".

Como se vê, Fócio usa uma dialética vazia, que peca contra as regras da Lógica, maltratando o advérbio somente.

Em 867, Fócio reuniu em Constantinopla um Concílio anti-romano, pouco freqüentado.

Depois de Fócio, a situação se acalmou até o Patriarca Sísimo, de Constantinopla, que em 995 renovou os ataques aos latinos. As suas invectivas chegaram ao termo final sob o Patriarca Miguel Cerulário, quando em 1054 se deu a ruptura, até hoje existente, entre gregos e latinos.

De então por diante o Filioque foi sendo abertamente professado pelos Papas e pelos Concílios do Ocidente. Com efeito, em 1098 um Concílio em Bari (Itália) travou um debate com os gregos, professando o Credo ampliado. Em 1215 o Concílio do Latrão IV professou a processão do Espírito a partir do Pai e do Filho na sua exposição dogmática Firmiter credimus. Em 1274 o Concílio de Lião II condenou com anátema os que negavam tal artigo.

Ao afirmar que o Espírito procede do Pai e do Filho, os latinos não quiseram negar a fórmula grega "... do Pai pelo Filho"; elas se conciliam entre si, pois que o Pai gera o Filho dando-lhe a peculiaridade de ser Princípio do qual procede o Espírito Santo (está claro que isto não implica prioridade de dignidade ou de tempo para o Pai em relação ao Filho e ao Espírito Santo).

A teologia escolástica medieval latina, seguindo as pegadas de Santo Agostinho (+430), prova que o Espírito Santo procede do Filho, pois, se assim não fosse, não se distinguiria do Filho. Com efeito, em Deus há uma só essência ou divindade, na qual só pode haver distinção onde há oposição relativa; ora, para que o Espírito se distinga do Filho, tem que se lhe opor como o termo de processão se opõe ao ponto de partida da processão.

A atual posição da Igreja Católica

A Igreja Católica continua a professar o Filioque em sua Liturgia e em suas diversas declarações, mas não impõe aos orientais a sua inserção no Credo.

Assim já no Concílio de Lião II (1274) o Papa Gregório X pediu aos gregos que reconhecessem a verdade dogmática do Filioque, mas não os obrigou a cantar o símbolo da fé com esse acréscimo. Mesmo assim os gregos presentes a tal Concílio cantaram o símbolo com a partícula controvertida.

Também no Concílio geral de Florença, o Papa Eugênio IV (1431-1447) não obrigou os gregos a cantar o Credo ampliado. Da mesma forma Clemente VIII (1592-1605) não exigiu que os rutenos uniatas[4] cantassem o Filioque, desde que o aceitassem como artigo de fé. Mais importante ainda é a bula Etsi Pastoralis de Bento XIV, promulgada em 1742, que reza explícita e definitivamente:

"Embora os gregos tenham a obrigação de crer que o Espírito Santo procede também do Filho, não são obrigados a professá-lo no símbolo".

Esta regra está vigente até nossos dias.

Em 1995 deu-se um acontecimento significativo: o Patriarca Bartolomeu I, de Constantinopla, esteve reunido com o Papa João Paulo II aos 29/06 na basílica de São Pedro em Roma, ocasião em que o Papa pediu ao Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos que esclarecesse a questão do Filioque, a fim de facilitar o bom relacionamento com os orientais. Desse pedido resultou um longo texto assinado aos 08/09/1995, do qual extraímos a seguinte passagem, que reafirma quanto foi dito na Lição 1 deste Módulo:

"Apresentamos aqui o sentido doutrinal autêntico do Filioque na base da fé trinitária professada pelo Concílio Ecumênico de Constantinopla. Damos esta interpretação abalizada, conscientes da pobreza da linguagem humana para exprimir o inefável mistério da SS. Trindade...

A Igreja Católica interpreta o Filioque referindo-o à sentença normativa e irrevogável do Concilio Ecumênico de Constantinopla em seu símbolo... Na base da tradição teológica latina anterior, alguns Padres do Ocidente, como S. Hilário, S. Ambrósio, S. Agostinho e S. Leão Magno, haviam professado que o Espírito Santo procede (procedit) eternamente do Pai e do Filho.[5]

Como a Biblia latina (a Vulgata e as traduções latinas anteriores) tinha traduzido Jo 15,26 (parà tou Patrós ekporeúetal) por 'qui a Patre procedit', os latinos traduziram o ék tou Patrós ekporeuómenon do Símbolo niceno-constatinopolitano por 'ex Patre procedentem'. Assim foi criada uma falsa equivalência a propósito da origem do Espírito Santo entre a teologia oriental da 'ekpóreusís' e a teologia latina da 'processio'.

A 'ekpóreusis' grega significa apenas a relação de origem do Espírito frente ao Pai tão somente, Pai que é o Princípio sem princípio da Trindade. Ao contrário, a 'processio' latina é um termo mais amplo que significa a comunicação da divindade consubstancial do Pai ao Filho e do Pai, com e pelo Filho, ao Espírito Santo. Confessando o Espírito Santo 'ex Patre procedentem', os latinos supunham um 'Filioque' implícito, que seria explicitado mais tarde na sua versão litúrgica do Credo" (Ver La Documentation Catholique, 5/11/1995, p. 942).

Esta explicação, como dito, não é senão a que propusemos em nosso primeiro subtítulo pp. 120s. - Reduz o problema a um mal-entendido lingüístico. É para desejar que encontre acolhida entre os nossos irmãos orientais.

Notas:

[1] Quando se fala do Pai como princípio absoluto, não se tenciona dizer que o Filho é relativo ou é inferior ao Pai. Em Deus não há maior ou menor nem anterior ou posterior.

[2] Do verbo latino faz-se 'processão', vocábulo da Teologia Sistemática, que difere de 'procissão'.

[3] Há quem diga que a prioridade toca a S. Ambrósio de Milão (+397).

[4] Rutenos são os cristãos dependentes da antiga metrópole Kiev (Ucrânia), que após o cisma se uniram à Santa Sé pelo tratado de Brest-Litovak (25/12/1595). São ditos "uniatas" porque se uniram a Roma.

[5] S. Hilário de Poitiers (+367) escreve: "A quem julga que há diferença entre receber do Filho (Jo 16,15) e proceder (procedere) do Pai (Jo 15,26), respondemos que é certo que é uma só e mesma coisa receber do Filho e receber do Pai" (De Trinitate VIII 20). É neste sentido da comunicação da Divindade pela processão que S. Ambrósio de Milão formula o Filioque: "O Espírito Santo, quando procede (procedit) do Pai e do Filho, não se separa do Pai nem se separa do Filho" (De Spiritu Sancto 1,11,120). Desenvolvendo a teologia do Filioque, S. Agostinho quis salvaguardar a monarquia do Pai no seio da comunhão consubstancial da Trindade: "O Espírito Santo procede do Pai a título de princípio (principaliter), e, pelo dom intemporal do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão (communiter)" (De Trinitate XV 25,47). Ver S. Leão Magno, sermões LXXV, 3 e LXXVi, 2.
Fonte:

Pe. Estêvão Bettecourt. Revista Pergunte e Responderemos 442 - pp. 120-126. Apostolado Veritatis Splendor. Disponível em: http://veritatis.com.br/apologetica/deus-uno-trino/951-a-questao-do-filioque Acesso em: 17 Outubro 2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Sentenças dos Padres da Igreja sobre a procedência do Espírito Santo

Vejamos algumas sentenças sobre a procedência e relação do Espírito Santo com o Pai e Filho, refletidos no Dogma da S. S. Trindade. Vindas de XII grandes figuras da Igreja, desde o II século até o séc. VII. Dentre estes alguns notáveis teólogos e Padres da Igreja do oriente e ocidente.

Atenágoras de Atenas

“Nós, porém, homens que consideramos a vida presente de curta duração e de mínima estima, que nos dirigimos pelo único desejo de conhecer o Deus verdadeiro e o Verbo que dele procede - qual é a comunicação do Pai com o Filho, que coisa é o Espírito, qual é a união de tão grandes realidades, qual a distinção dos assim unidos, do Espírito, do Filho e do Pai-;” (Petição em Favor dos Cristãos; Capítulo XII Atenágoras de Atenas).

S. Basílio de Cesareia

“Espírito de verdade (aletheia), Espírito de adoção, no qual clamamos Abba, Pai; que distribui e opera os dons de Deus em cada um conforme convém, conforme lhe apraz; que ensina e sugere tudo o que ouviu do Filho; que é bom, guiando cada um em toda a verdade (aletheia) e fortificando os fiéis na fé segura, na confissão exata, no culto santo e na adoração em espírito (pneuma) e verdade (aletheia), de Deus Pai, de seu Filho único, nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, e dele mesmo.” (S. Basílio de Cesaréia, Profissão de fé;).

Dídimo de Alexandria.

"Ele não falará sem mim e sem a decisão do Pai, porque Ele não tem origem em si, mas é do Pai e de mim. Pois o que Ele é como subsistência e como palavra, Ele o é pelo Pai e por mim" (Dídimo de Alexandria, professava, comentando palavras de Jesus: De Spiritu Sancto 34)

S. Epifânio de Salamina.

"É preciso crer, a respeito de Cristo, que Ele vem do Pai, é Deus proveniente de Deus, e, a respeito do Espírito, que Ele provém do Cristo, ou, melhor; de ambos, pois Cristo disse: '...Ele procede do Pai' e 'receberá do meu'" (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 67).
"Já que o Pai chama Filho o que procede do Pai e Espírito Santo o que provém de ambos,... fica sabendo que o Espírito Santo é a luz que vem do Pai e do Filho" (S. Epifânio de Salamina: Ancoratus 71).

São Gregório de Tours

“Eu acredito que o Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho, que não lhes é inferior, que não é verdade que não tenha existido antes, mas que é igual a ambos, e que, sempre coeterno com o Pai e o Filho, é Deus [...]” (História dos Francos - Livro I; Prefácio; São Gregório de Tours).

São Gelásio I de Roma

“Quanto ao Espírito Santo, não proveio apenas do Pai ou apenas do Filho, mas do Pai e do Filho; por isso está escrito: "Ele deleitou-se no mundo, o Espírito do Pai não está nele"; e novamente: "Entretanto, todo aquele que não possui o Espírito de Cristo, não lhe pertence". Assim, compreende-se que o Espírito Santo seja referido como provindo do Pai e do Filho, sendo que o próprio Filho, no Evangelho, diz que o Espírito Santo "procede do Pai" e "por Mim Ele é aceito e anunciado a vós".” (Decreto Gelasiano; Cap. I; 3; São Gelásio I de Roma:).

Santo Atanasio de Alexandria.

“A respeito do Espírito, que procede do Pai e que, sendo próprio do Filho, vem dado por este a seus discípulos e a todos os que crêem nele.” (Carta de Santo Atanásio a Serapião; Sobre a Divindade do Espírito Santo.)

São Cirilo de Alexandria.

"Espírito é o Espírito de Deus Pai e, ao mesmo tempo, Espírito do Filho, saindo substancialmente de ambos simultaneamente, isto é, derramado pelo Pai a partir do Filho” (S. Cirilo de Alexandria , De adoratione, livro I, PG 68,148).

Santo Agostinho de Hipona

"O Espírito Santo procede do Pai a título de princípio (principaliter), e, pelo dom intemporal do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão (communiter)" (Santo Agostinho, De Trinitate XV 25,47).

Boécio de Roma

“Pois é uma regra básica a de que as distinções em realidades incorpóreas são estabelecidas por diferenças e não por separação espacial. Não se pode dizer que Deus se tornou Pai pelo acréscimo de algo; pois Ele nunca começou a ser Pai, já que a produção do Filho pertence à sua própria substância; embora o predicado Pai, enquanto tal seja relativo. E se nos lembramos de todas as proposições feitas sobre Deus na discussão prévia, devemos admitir que Deus Filho procede de Deus Pai e Deus Espírito Santo de ambos e que eles não podem ser espacialmente diferentes por serem incorpóreos. Mas já que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, e já que em Deus não há pontos de diferença que o distingam de Deus, Ele não difere dEles. Mas onde não há diferença, não há pluralidade; e onde não há pluralidade, há unidade. E, novamente, nada senão Deus pode ser gerado por Deus e, na realidade numerada, a repetição da unidade não produz pluralidade. E assim a unidade dos três está convenientemente estabelecida.” (Da Trindade; Cap. V; Boécio;).

São Leão Magno

“É verdade que, conforme as propriedades das Pessoas, um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas não há divindade diferente, natureza distinta. Assim como o Filho precede do Pai, igualmente o Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho.” (Sermão Sobre Pentecostes: São Leão Magno;).

São João Damasceno.

"O Espírito Santo provém das duas Pessoas simultaneamente" (S. João Damasceno, De recta fide 21, PG 76,1408).

Fonte:

DA SILVA. John Lennon José. Senteças dos Padres da Igreja sobre a procêdencia do Espírito Santo. Apostolado Veritatis Splendor. Disponível em: Acesso em:  http://veritatis.com.br/patristica/extratos/934-sentencas-dos-padres-da-igreja-sobre-procedencia-do-espirito-santo 24 Outubro 2010.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Confiabilidade e veracidade do ministério e estadia de Pedro em Roma


Tumulo de Pedro no Vaticano

Escreve-se muito sobre este assunto, muitos colegas apologistas católicos já argumentaram sobre o tema, mas novamente retomarei as provas do bispado de Pedro em Roma; por que na semana passada ao ter interpelado um protestante sobre o tema, cheguei até expor (I Pd 5,13) e o uso do termo ‘babilônia” usado simbolicamente para designar Roma, a “cidade das sete colinas” como também usará a mesma linguagem o Apostolo João no Apocalipse.

Fato é que vários escritores protestantes e teólogos reformados negam que Pedro tenha ido a Roma ou exercido ministério na cidade, muitos chamam de erro cronológico e ‘tradição’ esta afirmação católica, seria de esperar que eles deturpassem o que sempre foi acreditado pelo Cristianismo desde os primeiros séculos.

O mesmo colega protestante com que conversei até confessou que Pedro sofreu martírio em Roma, mas não acreditava que ele teria sido Bispo e consequentemente fundado a Igreja católica, nem valeu citar a Historia Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia, pois o mesmo apesar de fazer referencia a obra não a conhece profundamente, assim como a uma série ininterrupta de testemunhos sobre o tema, que apresentarei neste artigo.

Pedro estava na Igreja da “babilônia” segundo as Escrituras.

O Apostolado de Pedro e seu martírio em Roma, tem encontro na alusão de Jesus que falou (cf. Jo 21, 18) da morte do apostolo. Outro indicio da ida de Pedro a Roma encontra-se em sua primeira Epístola que alegoricamente e simbolicamente trata da Igreja instaurada em Roma. “A igreja que está em babilônia, escolhida, como vós saúda-vos...” (1Pd 5,13);

O termo “babilônia” cujo a exegese católica atribui-a referente a cidade de Roma, o Apostolo João usa o mesmo termo no Apocalipse quando retrata-se a “cidade das sete colinas” cf. Ap 14, 8; 16, 19; 17,5: linguagem pejorativa utilizada pelo cristãos primitivos para designar Roma nos tempos primeiros da perseguição do Império ao Cristianismo,é bom enfatizar que a cidade da babilônia junto a rio Eufrates, na época não era habitada encontrava-se e ruínas.

Pregação em Roma

Sobre seu ministério em Roma, temos os seguintes testemunhos:

"Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens [...] juntou-se grande multidão de eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo." (São Clemente Bispo de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1). Clemente o 3º Bispo de Roma após Pedro, dá testemunho do belíssimo exemplo que o Apóstolo deixou entre os cidadãos Romanos.

"Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado" (Santo Inácio Bispo de Antioquia - Carta aos Romanos 4,3 - 107 d.C). Se Pedro não esteve em Roma, qual é o sentido destas palavras de Inácio de Antioquia?

"Assim, Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja." (Santo Ireneu Bispo de Lião - Contra as Heresias,III,1,1 - 180 d.C)

A edição de Marcos do Evangelho segundo a tradição, fora escrito a pedido dos romanos que tinham sido catequizados por Pedro quando estava em Roma: cujo foi produzido baseado nas exortações de Pedro, e guardadas fielmente por Marcos, outros Padres da Igreja como Papias, Irineu de Lião e Orígenes também confirmam esta tradição.

"Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que ouviram a pregação de Pedro" (Clemente de Alexandria, [215 D.c.] Hist. Ecl. VI, 14).

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica.” (Dionísio de Corinto (170) Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.).

"Logo depois, o supracitado mágico [Simão], com os olhos do espírito impressionados por uma luz divina e extraordinária, após ter sido convencido de suas insídias [cf. At 8,18-23] pelo apóstolo Pedro, na Judéia, empreendeu uma longa viagem além-mar. Fugiu do Oriente para o Ocidente, julgando que, somente ali, poderia viver de acordo com suas convicções. Veio para Roma, onde foi bastante coadjuvado pela potëncia ali bem estabelecida [cf. Ap 17], e em pouco tempo sua iniciativas tiveram êxito, pois foi honrado como um deus pelo povo da região, com a ereção de uma estátua. Mas estas coisas pouco duraram. Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens, conduziu mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. Autêntico general de Deus, munido de armas divinas [cf. Ef 6,14-17; 1Ts 5,8], trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz [cf. Jo 1,9] e palavra da salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus" (Eusébio de Cesaréia - HE,III,14,4-6 - 317 d.C)

"Sob Cláudio [Imperador], Fílon [quande historiador judeu] em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes." (Eusébio de Cesaréia - HE II,17,1 - 317 d.C)

Este historiador e também filosofo judeu é mais conhecido como Fílon de Alexandria, segundo registros viajou a Roma nos tempos em que encontrava-se Pedro em Roma, e conversou com o Apostolo.

Bispo de Roma

Sobre o Bispado do Apostolo, os testemunhos abaixo dão detalhes sobre os anos e a certeza do ministério por Pedro exercido quando estava em Roma.

"Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (Sulpício Severo, falando do tempo de Nero. His. Sacr., n. 28)

“Pedro, de nacionalidade galiléia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade” ( Eusébio de Cesaréia, HE,III,14,4-6).

"Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro."(Doroteu, In: Syn.)

Argumentando nos seguintes termos a um grupo de hereges: "Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.” ( Gaio, presbítero romano, em (199) Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.).

"Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (S. Jerônimo, De Viris Ill. 1, 1).

"A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc...” (Epifânio de Salamina, ii. 27 - Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282).

"Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou." (Optato de Milevo, De Sch. Don).

"Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21]." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,III,2 - 317 d.C).

"[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,8 - 317 d.C).

Também citado por S. Agostinho:

"S. Lino sucedeu a S. Pedro" (Santo Agostinho de Hipona, Epist. 53)

"[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,1 - 317 d.C).

"A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.” (S. Cipriano (+258) Epístola 55,14. Ou De Ecclesiae Unitate)

Martírio em Roma

O Martírio de Pedro é até aceito por alguns protestantes, mais a pergunta que cabe a eles é Pedro exerceu ministério em Roma? Pregou o Evangelho aos Romanos antes de ser crucificado de cabeça para baixo? Organizou a Igreja em Roma junto com Paulo? São perguntas centrais postas as repostas confirmam a apostolicidade da Igreja de Roma.

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na HE II,25,8).

"Eu, porém, posso mostrar o troféu dos Apóstolos [Pedro e Paulo]. Se, pois, quereis ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontrarás os troféus dos fundadores desta Igreja" (Discurso contra Probo - Caio presbítero de Roma, + ou - 199 d.C). Eusébio também trata deste escrito em HE II,25,7.

"A Igreja também dos romanos publica - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro." "Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor." "Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.” ( Tertuliano (155-222) Scorp. c. 15).

"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na HE, III,1).

"Quando Nero viu consolidado seu poder, começou a empreender ações ímpias e muniu-se contra o culto do Deus do universo. [...] Foi também ele, o primeiro de todos os figadais inimigos de Deus, que teve a presunção de matar os apóstolos. Com efeito, conta-se que sob seu reinado Paulo foi decapitado em Roma. E ali igualmente Pedro foi crucificado [cf. Jo 21,18-19; 2Pd 1,14]. Confirmam tal asserção os nomes de Pedro e de Paulo, até hoje atribuídos aos cemitérios da cidade." Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,II,25,1-5 - 317 d.C).

"Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia [cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE III,2 - 317 d.C)

Indícios arqueológicos

Foram realizadas entre 1940 e 1950 buscas arqueológicas e varias escavações observadas pela Igreja, junto ao subsolo da Basílica de São Pedro no Vaticano onde acreditava-se encontrar o tumulo de Pedro, mesmo local do “Circo de Nero” onde proximamente Pedro sofreu martírio. A coordenação das pesquisas ficou a cargo da italiana Margherita Guarduci, que deparou-se com que seria uma necrópole atribuída a Pedro, inclusive contendo vários grafitos entre eles a inscrição “Petrós Ení” que significa “Pedro esta aqui” em grego.

Neste sepulcro encontrou-se uma ossatura, um esqueleto quase completo só não tinha os pés e a cabeça que pertenceriam a um homem robusto de 60 a 70 anos. Graças aos testes do Carbono 14, foi datado do I século, encontrou-se também fragmentos de uma estola púrpura com fios de ouro que envolvia o corpo, revelando se a reverencia e honra prestada a ele, denotando sua importância, sabe-se que a veneração a este local assim como as catacumbas de São Sebastião são provenientes do I século.

O Papa Pio XII que acompanhava tudo na época em 23 de Dezembro de 1950 anunciou a descoberta a todo o mundo durante a mensagem de Natal, e reafirmada nas palavras do Papa Paulo VI, no dia 26 de Junho de 1968.

John Lennon J. da Silva

Referencias:

LAURENTIN, René. Pedro, o Primeiro Papa. [tradução Elizabeth Centeno Maggio] São Paulo: Paulinas, p. 180-183, 1997.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Confiabilidade e veracidade do ministério e estadia de Pedro em Roma

Escreve-se muito sobre este assunto, muitos colegas apologistas católicos já argumentaram sobre o tema, mas novamente retomarei as provas do bispado de Pedro em Roma; por que na semana passada ao ter interpelado um protestante sobre o tema, cheguei até expor (I Pd 5,13) e o uso do termo ‘babilônia” usado simbolicamente para designar Roma, a “cidade das sete colinas” como também usará a mesma linguagem o Apostolo João no Apocalipse.

Fato é que vários escritores protestantes e teólogos reformados negam que Pedro tenha ido a Roma ou exercido ministério na cidade, muitos chamam de erro cronológico e ‘tradição’ esta afirmação católica, seria de esperar que eles deturpassem o que sempre foi acreditado pelo Cristianismo desde os primeiros séculos.

O mesmo colega protestante com que conversei até confessou que Pedro sofreu martírio em Roma, mas não acreditava que ele teria sido Bispo e consequentemente fundado a Igreja católica, nem valeu citar a Historia Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia, pois o mesmo apesar de fazer referencia a obra não a conhece profundamente, assim como a uma série ininterrupta de testemunhos sobre o tema, que apresentarei neste artigo.

Pedro estava na Igreja da “babilônia” segundo as Escrituras.

O Apostolado de Pedro e seu martírio em Roma, tem encontro na alusão de Jesus que falou (cf. Jo 21, 18) da morte do apostolo. Outro indicio da ida de Pedro a Roma encontra-se em sua primeira Epístola que alegoricamente e simbolicamente trata da Igreja instaurada em Roma. “A igreja que está em babilônia, escolhida, como vós saúda-vos...” (1Pd 5,13);

O termo “babilônia” cujo a exegese católica atribui-a referente a cidade de Roma, o Apostolo João usa o mesmo termo no Apocalipse quando retrata-se a “cidade das sete colinas” cf. Ap 14, 8; 16, 19; 17,5: linguagem pejorativa utilizada pelo cristãos primitivos para designar Roma nos tempos primeiros da perseguição do Império ao Cristianismo,é bom enfatizar que a cidade da babilônia junto a rio Eufrates, na época não era habitada encontrava-se e ruínas.

Pregação em Roma

Sobre seu ministério em Roma, temos os seguintes testemunhos:

"Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens [...] juntou-se grande multidão de eleitos que, em conseqüência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo." (São Clemente Bispo de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1). Clemente o 3º Bispo de Roma após Pedro, dá testemunho do belíssimo exemplo que o Apóstolo deixou entre os cidadãos Romanos.

"Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado" (Santo Inácio Bispo de Antioquia - Carta aos Romanos 4,3 - 107 d.C). Se Pedro não esteve em Roma, qual é o sentido destas palavras de Inácio de Antioquia?

"Assim, Mateus publicou entre os hebreus, na língua deles, o escrito dos Evangelhos, quando Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja." (Santo Ireneu Bispo de Lião - Contra as Heresias,III,1,1 - 180 d.C)

A edição de Marcos do Evangelho segundo a tradição, fora escrito a pedido dos romanos que tinham sido catequizados por Pedro quando estava em Roma: cujo foi produzido baseado nas exortações de Pedro, e guardadas fielmente por Marcos, outros Padres da Igreja como Papias, Irineu de Lião e Orígenes também confirmam esta tradição.

"Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos Romanos que ouviram a pregação de Pedro" (Clemente de Alexandria, [215 D.c.] Hist. Ecl. VI, 14).

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica.” (Dionísio de Corinto (170) Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.).

"Logo depois, o supracitado mágico [Simão], com os olhos do espírito impressionados por uma luz divina e extraordinária, após ter sido convencido de suas insídias [cf. At 8,18-23] pelo apóstolo Pedro, na Judéia, empreendeu uma longa viagem além-mar. Fugiu do Oriente para o Ocidente, julgando que, somente ali, poderia viver de acordo com suas convicções. Veio para Roma, onde foi bastante coadjuvado pela potëncia ali bem estabelecida [cf. Ap 17], e em pouco tempo sua iniciativas tiveram êxito, pois foi honrado como um deus pelo povo da região, com a ereção de uma estátua. Mas estas coisas pouco duraram. Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens, conduziu mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. Autêntico general de Deus, munido de armas divinas [cf. Ef 6,14-17; 1Ts 5,8], trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz [cf. Jo 1,9] e palavra da salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus" (Eusébio de Cesaréia - HE,III,14,4-6 - 317 d.C)

"Sob Cláudio [Imperador], Fílon [quande historiador judeu] em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes." (Eusébio de Cesaréia - HE II,17,1 - 317 d.C)

Este historiador e também filosofo judeu é mais conhecido como Fílon de Alexandria, segundo registros viajou a Roma nos tempos em que encontrava-se Pedro em Roma, e conversou com o Apostolo.

Bispo de Roma

Sobre o Bispado do Apostolo, os testemunhos abaixo dão detalhes sobre os anos e a certeza do ministério por Pedro exercido quando estava em Roma.

"Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (Sulpício Severo, falando do tempo de Nero. His. Sacr., n. 28)

“Pedro, de nacionalidade galiléia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade” ( Eusébio de Cesaréia, HE,III,14,4-6).

"Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro."(Doroteu, In: Syn.)

Argumentando nos seguintes termos a um grupo de hereges: "Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.” ( Gaio, presbítero romano, em (199) Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.).

"Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (S. Jerônimo, De Viris Ill. 1, 1).

"A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc...” (Epifânio de Salamina, ii. 27 - Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282).

"Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou." (Optato de Milevo, De Sch. Don).

"Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21]." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,III,2 - 317 d.C).

"[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,8 - 317 d.C).

Também citado por S. Agostinho:

"S. Lino sucedeu a S. Pedro" (Santo Agostinho de Hipona, Epist. 53)

"[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo" (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,IV,1 - 317 d.C).

"A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.” (S. Cipriano (+258) Epístola 55,14. Ou De Ecclesiae Unitate)

Martírio em Roma

O Martírio de Pedro é até aceito por alguns protestantes, mais a pergunta que cabe a eles é Pedro exerceu ministério em Roma? Pregou o Evangelho aos Romanos antes de ser crucificado de cabeça para baixo? Organizou a Igreja em Roma junto com Paulo? São perguntas centrais postas as repostas confirmam a apostolicidade da Igreja de Roma.

"Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na HE II,25,8).

"Eu, porém, posso mostrar o troféu dos Apóstolos [Pedro e Paulo]. Se, pois, quereis ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, encontrarás os troféus dos fundadores desta Igreja" (Discurso contra Probo - Caio presbítero de Roma, + ou - 199 d.C). Eusébio também trata deste escrito em HE II,25,7.

"A Igreja também dos romanos publica - isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas - que Clemente foi ordenado por Pedro." "Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!" - e falando da Igreja Romana, "onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor." "Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.” ( Tertuliano (155-222) Scorp. c. 15).

"Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (Orígenes, +253, conforme fragmento conservado na HE, III,1).

"Quando Nero viu consolidado seu poder, começou a empreender ações ímpias e muniu-se contra o culto do Deus do universo. [...] Foi também ele, o primeiro de todos os figadais inimigos de Deus, que teve a presunção de matar os apóstolos. Com efeito, conta-se que sob seu reinado Paulo foi decapitado em Roma. E ali igualmente Pedro foi crucificado [cf. Jo 21,18-19; 2Pd 1,14]. Confirmam tal asserção os nomes de Pedro e de Paulo, até hoje atribuídos aos cemitérios da cidade." Eusébio Bispo de Cesaréia - HE,II,25,1-5 - 317 d.C).

"Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia [cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer." (Eusébio Bispo de Cesaréia - HE III,2 - 317 d.C)

Indícios arqueológicos

Foram realizadas entre 1940 e 1950 buscas arqueológicas e varias escavações observadas pela Igreja, junto ao subsolo da Basílica de São Pedro no Vaticano onde acreditava-se encontrar o tumulo de Pedro, mesmo local do “Circo de Nero” onde proximamente Pedro sofreu martírio. A coordenação das pesquisas ficou a cargo da italiana Margherita Guarduci, que deparou-se com que seria uma necrópole atribuída a Pedro, inclusive contendo vários grafitos entre eles a inscrição “Petrós Ení” que significa “Pedro esta aqui” em grego.

Neste sepulcro encontrou-se uma ossatura, um esqueleto quase completo só não tinha os pés e a cabeça que pertenceriam a um homem robusto de 60 a 70 anos. Graças aos testes do Carbono 14, foi datado do I século, encontrou-se também fragmentos de uma estola púrpura com fios de ouro que envolvia o corpo, revelando se a reverencia e honra prestada a ele, denotando sua importância, sabe-se que a veneração a este local assim como as catacumbas de São Sebastião são provenientes do I século.

O Papa Pio XII que acompanhava tudo na época em 23 de Dezembro de 1950 anunciou a descoberta a todo o mundo durante a mensagem de Natal, e reafirmada nas palavras do Papa Paulo VI, no dia 26 de Junho de 1968.

John Lennon J. da Silva
29 setembro de 2010


Referencias:

LAURENTIN, René. Pedro, o Primeiro Papa. [tradução Elizabeth Centeno Maggio] São Paulo: Paulinas, p. 180-183, 1997.

sábado, 28 de agosto de 2010

O Valor da Patrística

O termo teológico Patrística aplica-se à era dos Padres da Igreja, sua época e suas Obras. Estende se para todo o trabalho a qual realizaram seja eles Dogmático, doutrinário, sistematizar, filosófico. Encontram-se entre as mais importantes figuras da Igreja, que por seu empenho e suas elaborações doutrinárias. Consolidou-se a doutrina da Igreja em seus aspectos fundamentais, vencem-se as heresias e as controvérsias doutrinárias que ameaçavam a integridade da fé e a continuidade da Igreja.

Foram homens movidos pela providência divina para auxiliar a Igreja em momentos difíceis, foram os verdadeiros Guardas do Deposito de fé, a Tradição.

Defenderam teses complexas que versavam sobre questões como: a divindade plena do Cristo, as duas naturezas de Sua Pessoa divina, sua união hipostática a maternidade divina de Maria, a sua virgindade perpétua, o primado de Pedro, o primado da Sé Romana, a necessidade universal da Graça, a Santíssima Trindade a qual brilhou a luz dos Padres Capadocios, os santíssimos sacramentos, entre muitas outras questões, a qual as Escrituras em sua base não respondem foram eles que quebraram a cabeça durante anos décadas através e pela luz das escrituras e da tradição foi também o ponto crucial tanto nestas resoluções quanto na escolha e na comprovação dos escritos canônicos que hoje compõem a Bíblia, esta mais antiga e salutar em que seus registros datados não contam Na oralidade a qual foram transmitidas pelos apóstolos à seus legítimos sucessores, sejam os Pais apostólicos ou os outros Bispos e Padres que os sucederam.

O objetivo desta seção é, portanto aprofundar os ensinamentos desses grandes teólogos da Igreja, e assim reverenciar as suas vidas e tudo o que fizeram pela fé católica.

A Literatura Patrística (Escritos dos Pais da Igreja) é de altíssima importância para o cristianismo, pois através deles é que podemos saber o que a Igreja primitiva pregava e qual foi à fé dos primeiros cristãos e se esta fé foi continuada podemos tirar a prova se o nosso cristianismo baseado nos ensinos e praticas dos cristãos primitivos a qual a fé e a doutrina foram guardadas pela Patrística.

A Literatura Patrística divide-se basicamente em 3 períodos: depois estudares e veremos este períodos e a atividades dos grupos de Pais da Igreja.

Fonte

Extratos de Patrologia. Apostolado São Clemente Romano.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Santo Atanásio de Alexandria, A Coluna Ortodoxa Contra a Heresia Ariana.

Icone Oriental representado Atanásio

Introdução


Durante o conturbado século IV, tem-se ascensão de uma das figuras mais ilustres e importantes para a Cristandade, na Tradição Alexandrina, a qual Santo Atanásio é Destaque, por seu notável talento intelectual, e o forte penhor Ortodoxo e eloquência doutrinária. Que fez com que o Arianismo Herético, fosse combatido pelos Bispos defensores da Sã Doutrina sendo ele mesmo um intenso percalço a os Arianos, uma fonte de perseguição na época, mais por fim foi legitimado.

Forte e fundamental peça foi no Concílio de Nicéia em (325) ao destacar-se ao lado do seu Bispo Alexandre, no combate do Arianismo e na resolução sobre as questões doutrinarias enfatizadas no concílio e nos conflitos durante sua vida, Grande Amizade manteve com a Sé Romana a qual o apoiou e o restituiu por ultimo a sua Cátedra em Alexandria, Grande Herói, conheceu o grande Padre do Deserto Santo Antão, que tinha muita admiração, introduziu praticas e costumes monásticos no Ocidente, viveu longos anos em Roma a qual também escreveu suas ricas obras, passou para a gloria celeste no dia 18 de janeiro de 373.

Neste mês no dia 2 de Maio, o mesmo é festejado e lembrado por seu exemplo e importância pela Igreja Católica Romana.

Crise Ariana

No Inicio das Primeiras décadas do século IV, após a liberação do culto cristão em 313 depois de uma longa jornada de perseguição com os cristãos a ultima entre os anos de (303-311), e do Inicio da cristianização da sociedade Ocidental, A Igreja vai sofrer um longo golpe malfadado de Heresia, pois que agora as forças diabólicas atacariam a Igreja com o envolvimento de Bispos e sacerdotes em correntes e facções tipicamente heréticas contra toda a reta Ortodoxia cristã e este primeiro impacto acontece com a doutrina pertinente e aparente nesta época chamada de “Arianismo”, o nome já traduz de quem foi seu dito surgimento e seu propagador. O Presbítero Ário (260-336).

Ário foi um influente e destacado pároco de Alexandria, no Egito, deu início a uma heresia tenebrosa que assombro a Igreja mais que por fim foi vencida pelos campeões da Ortodoxia cristã. A mais ambígua doutrina e corrente influenciadora a qual os pensadores heréticos anteriores o tinham dado fundo afirmativo;

Em sua posição ele alimentava a idéia herética que o Filho é criatura do Pai, a primeira e a mais digna de todas, e como as demais tirada de nada. Destinada a ser instrumentos para a criação de outros seres. Em virtude da sua perfeição, como primeira criatura o Filho ou Logos poderia ser chamado “Filho de Deus”, como reza a tradição;

Mas não detinha Divindade e nem tampouco era Deus verdadeiro e Igual ao pai, era criatura divinizada mediante foi criada todas as criatura inclusive o Espírito Santo. Tal doutrina foi devastadora na época, pois o cristianismo se solidificava teologicamente, e os padres da Igreja ainda buscavam solicitude e baseados na Revelação pouco a pouco resolveriam as questões de ordem teológica e doutrinária.

No ano de 318, Ário começava a provocar muitas discussões por causa da sua heresia, que apresentava nos seus sermões aparência de doutrina da Igreja.

Este mesmo que desde o fim do século III após o Cisma entre Melécio, Bispo de Lycopolis e São Pedro de Alexandria, fato este que dividiu o Patriarcado de Alexandria, este Cisma fora de autoria de Melécio por não aceitar a ordem e a indulgência, discordando da mesma que o Bispo de Alexandria tinha proposto para os que agora tinham sido recebidos de volta, á Igreja, os cristãos arrependidos que por medo e franqueza tinham sidos obrigados em vista de morte a oferecer incenso aos ídolos;
Tinha se juntado aos cismáticos quando veio da Líbia e fora eleva ao sacerdócio através da Ordenação presidida pelo sucessor de São Pedro na Sé Alexandrina, em busca de destaque e fama começa a negligenciar ao verdadeira doutrina da Igreja e começa a perdurar por anos a pregação de suas teses heréticas trazendo para sua causa, muitos adeptos isto provocou a atenção de muitos e entre este o primeiro a tomar firme atitude contra esta figura herética foi;
O Bispo Alexandre de Alexandria (312-328); reuniu um Sínodo local, sendo ajudado pelo seu diácono e secretario Santo Atanásio que viria a figurar nestes tempos difíceis, contando cerca de cem Bispos, que o auxiliaram na condenação da doutrina de Ário e dos seus seguidores em 319 e afirmaria o que iria ser doutrina professada pela Igreja no Concílio de Nicéia em 325. Por doutrina inovadora contrária a revelação feita pelos apóstolos e guardada pela Tradição A decisão foi comunicada a outros Bispos, como de costume inclusive ao Papa S. Silvestre.

Ário não tomará a decisão do Sínodo e começará a caluniar as decisões tomadas na reunião e assim sendo começou a expandir sua doutrina herética por outros amigos e colegas também já elevados ao sacerdócio ou ao episcopado, desta forma contrariando as tradições eclesiais, Santo Alexandre excomunga Ário por não aceitar suas decisões e não se subordinar a Ordem da Sé Alexandrina, além de excomungá-lo a outros de seus seguidores também recairia a excomunhão sobre dois bispos, oito sacerdotes e dez diáconos;

Tomada tal posição contra o grave erro herético causado a fé por Ario não foi o fim desta Heresia que ainda daria dor de cabeça aos membros da Igreja, um sistema seria implantado por intermédio de Ário e muitos bispo e seguidores o mesmo traria no Oriente Cristão sua badalação chegou a convencer Imperadores e governadores além de influentes no poder temporal e espiritual, dentre os Bispos que se tornaram seus amigos estavam Eusébio de Nicomédia e Eusébio de Cesaréia, que com outros escreveram e ajudaram a dar com astúcia forma ortodoxa a uma doutrina perversamente errada e herética. Nesta frenética batalha contra a heresia Ariana que causa crise de Ordem Eclesial da Igreja.

Destaque do Concílio

Neste cenário a nova heresia crescia e preocupou a muitos Bispos e o Imperador Constantino, que tinha sido comunicado por Santo Alexandre que escreveu para advertir os bispos da situação real do herege. Os Patriarcas de Antioquia, terceira Sé da Cristandade, e de Jerusalém, além do Papa em Roma apoiavam Alexandre; sendo assim Constantino enviou seu assessor teológico e mais venerado Prelado para diplomacia da época, Ósio Bispo de Córdoba, ao Patriarcado de Alexandria, para reconciliar ambos os lados fazendo cair esta armada que infelizmente separaria a Igreja e daria continuidade ao Arianismo. Lá o bispo Espanhol comprovara a fé e ortodoxia doutrinária de Santo Atanásio; e conhecera o erro herético de Ario. Apoiando o Patriarca Santo Alexandre, Contudo restaria ao mesmo comunicar a Constantino e a os outros Bispos, como o fez e neste momento aconselhou o Imperador sendo observado e auxiliado pelo Bispo de Roma, a convocar um Concílio em Nicéia.

Concílio ecumênico foi convocado para Nicéia na Ásia Menor em 325, ao qual compareceram cerca de 300 Bispos, provenientes de todas as partes do mundo cristão conhecido; o Papa Silvestre, de idade avançada, mandou dois presbíteros como seus legados Papais. As discussões foram longas e agitadas por causa da situação em vista. Por fim, os padres conciliares redigiram o Símbolo de Fé de Nicéia, que afirmava ser o Filho “Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não feito, consubstancial (homoousios) ao Pai; por Ele foram feitas todas as coisas”. A palavra homoousios em latim «consubstantialis»: indica que o Filho, o «Logos», é «da mesma natureza» do Pai, é Deus de Deus, é sua natureza, destroçando a Heresia de Ário, daqui por diante torna se, esta declaração Concíliar a reta doutrina professada a qual ante tinha sido vista no Sínodo Local de Alexandria que condenara Ário em 319. Significava que o Filho é da mesma natureza (= Divindade) que o Pai; não saiu do nada como as criaturas, mas desde toda a eternidade foi gerado sem dividir a natureza divina. Neste mesmo Concílio que abrangeria a catolicidade na época a Heresia de Ário é condenada pelos representantes Papais e por todos os outros Bispos menos dois.

Neste Concílio foi composto o famoso Credo de Nicéia, que alguns heresiarcas assinaram constrangidos, e outros, recusando-se a fazê-lo, e por isso foram exilados ao fim do Concílio por Constantino por não se subordinarem a uma decisão ecumênica e Universal e ficarem ao Lado da Heresia já condenada.

E nos bastidores deste Concílio estava o Jovem secretario Atanásio que tinha sido ordenado por seu Bispo, diácono e ainda secretário episcopal, por volta do ano de 318. e no Concílio atuou auxiliando seu Bispo Alexandre, neste momento ele por vezes desempenhou ativamente seu papel de Teólogo eloqüente e salutar em sabedoria e intelectualidade que abraçava e tinha convicta lealdade a Ortodoxia Católica, nas discussões promovidas pelos Bispos reunidos na Assembleia entre elas estavam principalmente o problema originado alguns anos antes pela pregação do presbítero de Alexandria, Ário a qual ele sobe testemunhar ao lado de seu Bispo, sendo guardião das decisões que no concílio ajudadas por ele foram adotadas. Como a Divindade de Jesus Cristo que seria confirmada pela Igreja, Iluminada pelo Espírito Santo.

Abaixo o Arianismo

Anos após o Concílio seria ele o salvador da fé católica. “A coluna da Igreja” como afirmara S. Gregório Nazianzeno («Discurso» 21, 26), por sua lealdade mesmo na perseguição, que foi movida por sua pessoa, e por causa do ódio de seus adversários Arianos revestidos de ação diabólica, Tendo ele sido apoio e rocha para que se mantivesse em pé a reta doutrina para Igreja.

Com a proclamação do Símbolo de Nicéia, tudo deveria entrar na ordem. Mas o intrigante Bispo Eusébio de Nicomédia, que tinha sido desterrado durante uns tempos por apoiar Ario, e tinha fina amizade com a Irmã do Imperador Constantino, mantendo boa influência sobre Constância, conservou a heresia e começará perturbar todo o mundo cristão, principalmente o Oriente que estava nos primários planos de infiltração do arianismo na Igreja, este mesmo antes por causa de sua ambição e desejo por poder apesar das regras eclesiásticas, tinha-se feito transferir do Bispado de Beirute para o de Nicomédia (Turquia), então capital imperial. Depois, fez-se nomear Patriarca de Constantinopla, destroçando os cânones da Igreja que ele mesmo havia assinado.

Durante meio século no Império Romano, e durante vários séculos traria problemas gravíssimos, pois que a heresia Ariana se pendura e influenciará a povos bárbaros que se converteram por intermédio de Bispos de linha Ariana como Ulfilas (311-383). Trazendo prejuízos a Igreja posteriormente para reabilitar estes cristãos que não conheciam a verdade em totalidade.

Com o apoio de seus amigos, e por convicção ariana, ou por não ter entendido bem a fórmula consubstancial, proclamada pelo Concílio de Nicéia em 325, o astuto Eusébio difundiu o semi-arianismo, cheio de ambigüidades e erros que favoreciam a heresia Ariana. Agiu de tal modo secretamente que Constantino o anistiou Ario em 327.

De Jovem Ortodoxo a Bispo de Alexandria

Atanásio que nasceu provavelmente no ano de 295 em Alexandria. Pela alta formação intelectual que ele possuía, deduzi-se que era provindo de classe mais elevada; contudo chamou a atenção de seu Bispo Alexandre quando ainda era adolescente, por isso ficou sob sua proteção. Quando ainda jovem teve experiências no deserto e conheceu Santo Antão. Recebeu, no seio da Igreja, uma sólida formação em filosofia e teologia. De estatura abaixo da média, magro se destacava Bondade e intelectual. No Concílio de Nicéia ainda não havia consumado sua ordenação o que acontecera meses depois do Concílio.

Em 328, apesar da sua pouca idade, foi eleito após o falecimento de S. Alexandre e consagrado sucessor de Alexandre e novo Arcebispo e Patriarca de Alexandria, que era a segunda Sé da Cristandade. Com apenas 30 anos de Idade, Atanásio tinha já fama de defensor intransigente da fé contra as inovações verbais destinadas a modificar a fé de Nicéia um verdadeiro Herói ortodoxo.

Ele governará durante 46 anos, a Igreja de Alexandria com diversos intervalos, por causa da frenética perseguição contra ele movida.

Exílio e Perseguição

Enquanto Atanásio tratava de pôr tudo em ordem na Igreja do Egito, Ario, anistiado, e agora apoiado também pelos Melecianos que causaram grande confusão em Alexandria, queria regressar ao Egito. O bispo Atanásio recusou-se a entrar em comunhão com ele, como queria Constantino. Os arianos de fora (os dois Eusébios e os egípcios hereges e cismáticos que compunham uma seita perniciosa e herética que tentavam penetrar na Igreja) começaram a difamar o santo e seus companheiros que guardavam a pureza da fé. Entre os anos de 333 e 334, trataram, sem êxito, mediante a sínodos, à condenar Atanásio. Falsamente com acusações fajutas e manipuladas por muitos Bispos Arianos e semi-Arianos, entre estes Concílios Heréticos quem foram por eles manipulados e convocados sem estar em comunhão com a Igreja e dentro dos parâmetros canônicos.

Estavam;

Concílio de Tiro (Líbano), em 335.

Concílio em Antioquia, em 341.

Concílio, em Milão, em 356.

Todo tipo de calunia e acuação foi levantada contra o Santo Bispo, estava também as de caráter político e religioso como;

• Querer esfaimar os da capital, guardando no Egito o trigo destinado a Constantinopla;

• Quebrar o cálice e destruir o altar de Isquiras, um sacerdote cismático; contudo este fato do cálice e do altar, as mesmas autoridades civis e o próprio Isquiras reconheceram Atanásio como inocente.

• Matar o Bispo Arsênio e fazer magia com o seu cadáver. Como prova, os arianos mostravam ao Concílio as mãos cortadas e secas de Arsênio; mas o santo Bispo fez trazer Arsênio dos desertos o que os deixou atordoados. Acontecimento que suspendeu a sessão fajuta

• Acusaram o Santo de ter abusado de uma mulher que foi trazida ao concilio aos gritos. Fato este desmantelado, pois que ela não conhecia a Atanásio fato que foi aproveitado por um de seus Amigos que a perguntou sobre a acusação e a infame e ignorante disse que o conhecia.

Em 335, já queriam sua cabeça a todo custo e, de fato, lograram obter do Imperador o seu desterro (exílio) na Alemanha em Tréveris. O injuriando de crimes políticos. A qual durou cinco anos e meio, terminando em 337. Após a morte de Constantino seu Filho o chamara para ocupar novamente sua sede em Alexandria em 338.

Em 336 Constantino dar is tatus a Ário, de homem com comunhão com a Igreja fato que o mesmo não tinha, estando em Constantinopla morre ao entrar na cidade rumo a Igreja, em um banho de morte. Sentindo-se mal quando era levado em triunfo pelos seus partidários, teve que retirar-se a um lugar escuso, onde morreu com as entranhas nas mãos. Uma morte cruel.

Entre os anos de (337-381)

Todavia, a morte do herege Ário, em 336, não afetou ou eliminou o seu partido, porque o chefe real da seita era o bispo Eusébio de Nicomédia. Já há algum tempo por sua influencia.

Apos a morte de Constantino em 337, os hereges de fato, puderam converter Constâncio, filho de Constantino, à sua seita, e a seus ideais heréticos e de infiltração do Arianismo na Igreja e com o apoio do Imperador, expulsão os bispos católicos, usurpando seu lugar. Isto acontece em uma grande parte dos templos, basílicas, catedrais e conventos.

Por exemplo, Constantinopla estava nas mãos dos arianos desde o ano 351. Também Antioquia e Alexandria em 340 com a Intromissão de um Bispo Ariano nesta Sé.

Muito depois o Papa Libério foi desterrado (exilado) durante dois anos, até que assinasse uma fórmula de fé ambígua e excomungasse Santo Atanásio o que aconteceu, em 357. Mas não por força voluntária própria e Ortodoxa ou canônica, sendo um pronunciamento pessoal em vista de seu Exílio, e não com ensino solene remetente de Infalibilidade só uma mesmo assim uma vez restituído, combate e condena o Arianismo e retira a excomunhão.

A Sé Romana e sua restituição

Os partidários de Eusebio tinham pedido a convocação de um Concílio. Mas, quando o Concílio de Roma, foi convocado em 340, não quiseram participar, porque não o podiam manipular. No Concílio, foram analisados os documentos da dita “bandidagem” de Tiro, e Atanásio apresentou a sua defesa. E sob o Papa Julio I O Concílio anulou as decisões do “Concílio” de Tiro, reabilitaram Atanásio e os demais bispos, vítimas da raiva herética. Contudo, Atanásio não pôde regressar ao Egito senão em 346.

Sustentou e difundiu no Ocidente, primeiro em Tréveris e depois em Roma, onde passou três anos à fé de Nicéia assim como os ideais do monaquismo oriental abraçado no Egito pelo grande eremita, Santo Antonio, com uma opção de vida pela qual Atanásio sempre se sentiu próximo. Também escreveu importantes Obras.

O Concílio em Sárdica (Sofia). Em (342-343). Em 343 morreu Eusébio de Nicomédia, chefe da seita ocupante da Igreja do Oriente. Sob a influência do Papa Júlio I e do Imperador do Ocidente, Constante, Constâncio que aceitou a reunião de um Concílio em Sárdica (Sofia). Quando os bispos arianos e os manipuladores viram Atanásio no Concílio, foi para Filipólis fazer outro concílio, excomungando Atanásio, o Papa Júlio e os demais bispos. Fato que não modificou nada, pois que tal concílio ilegal não tinha autoridade alguma.

O Concílio de Sárdica voltou a promulgar o Símbolo de Nicéia e a reabilitar Santo Atanásio, que pôde regressar ao Egito somente em 346. A sua entrada solene em Alexandria teve todo o aspecto de apoteose estando presente todos os bispos do Egito além da presença de seu amigo Santo Antonio Monge.

Antes de sua volta Em 343 foi exilado para a Gália. E entre a década de 346 a 356 foi o período marcado pela reorganização e zelo pela cristandade no Egito na Sé de Alexandria. Pôde dedicar-se inteiramente ao ministério episcopal, escrevendo muito, o que vez durante a vida inteira e nos deixou grandes Obras. Instruindo o clero e o povo, dedicando-se aos necessitados e favorecendo a vida monástica. Sobretudo desenvolveu papel missionário na Líbia enviando Evangelizadores.

Em um novo concílio, em Milão, em 356, os arianos reunidos obtiveram que Santo Atanásio fosse mais uma vez exilado. Ele retirou-se então para o deserto do alto Egito, ficando longos seis anos seguintes lá, vivendo com os monges e dedicando-se a seus escritos.

Em 357 o Papa Libério forçado, excomunga a Atanásio, pois que tinha sido deposto e exilado pelo Imperador Constâncio em 355 sendo esperto o mesmo escreve uma formula de fé que favorecia aos Arianos, para agrado deles e para que fosse restituído o que acontece 2 anos depois de seu exílio, Voltando a cátedra de Roma, combateu enfurecidamente o Arianismo e apoiou Atanásio a qual tinha o excomungado mais uma vez restituído, voltou suas atenções também a esse corajoso homem, como falamos acima.

Atanásio pôde voltar, em 362, quando Juliano o Apostata subiu ao trono Imperial, mesmo assim Juliano por inveja mandou voltar ao exílio, este mesmo tentou restituir o paganismo em vão, após um ano ele falece O novo imperador, Joviano, anulou o exílio de Atanásio, que voltou mais uma vez a Alexandria.

Não tendo o gostinho de estar restituído e pastorear seu rebanho, Joviano faleceu no ano seguinte fazendo o mesmo voltar ao exílio, a qual será o ultimo, pois o povo de Alexandria recorreu juntamente com outros Bispos a Valente, irmão do Imperador ariano Valentiniano, que o concedeu e S. Atanásio Finalmente encontra paz em sua sé em Alexandria.

O grande protetor da ortodoxia católica, no fim do século IV, foi o Imperador cristão Teodósio (379-395), que, pouco depois de subir ao trono, e após os longos anos de preces dos Católicos para que um Imperador Cristão e ortodoxo subi se ao Trono Imperial. Convidou todos os habitantes do Império a aderir “aquela fé que professam Damaso em Roma e Atanásio em Alexandria”; mandou também entregar as igrejas de Constantinopla aos católicos e outras demais que estavam em pode dos Semi-Arianos. Também teve notável participação no Concílio Ecumênico de Constantinopla I (381) que haveria de consolidar a proclamação da reta fé contra o arianismo. Que já havia sido feita antes Isto, porém, não quer dizer qual tal heresia se tenha sido extinta; várias tribos e povos germânicos, estando dentro das fronteiras do Império, foram infelizmente sendo evangelizados por Semi-Arianos, de modo que abraçaram o Cristianismo ariano sob forma de religião estatal e que possibilitara grande problema a cristandade no futuro.

Morte e importância

Ao Fim lá estava ele Atanásio em pé por Amor a Ortodoxia católica, foi um verdadeiro e insistente cristão, coluna contra a heresia Ariana, que Amor demonstrou ele por seu Senhor e por seu Corpo a Igreja como diria São Paulo, fale dizer o que disse São Gregório Nazianzeno disse dele: “O que foi a cabeleira para Sansão, foi Atanásio para a Igreja.”.

“Há outro traço que não queremos deixar de assinalar, é a sua abnegação total, o enorme autodomínio que exercitou durante toda sua vida e que contribuiu decisivamente para forjar a sua personalidade de santo. Se com alguém foi violento, foi, sobretudo consigo mesmo; os desmedidos ataques que sofreu durante toda a sua vida, tanto da parte dos seus irmãos no episcopado como da autoridade civil, não serviram para o fazer dobrar no seu empenho de servir a Igreja de Cristo: a sua fidelidade valeu-lhe passar quase vinte anos afastado, pela força, do exercício do seu ministério. O amor à verdade pôde mais que toda a violência sofrida diretamente no seu corpo, pelo que passou à História como Pai da Ortodoxia e Coluna da Igreja”, que “extraía a sua força de uma contemplação assídua”, disse São Gregório Nazianzeno grande admirador do Santo.

Morreu em Paz no dia 2 de maio do ano 373, dia no qual celebramos sua memória litúrgica.

Santo Atanásio Ora ao verbo de Deus que sejamos servos, fieis, e ortodoxos persistentes na fé e na Esperança da Salvação!

Amém

Coordenador. John Lennon J. da Silva

“O Filho santíssimo do Pai celeste, sendo a imagem do Pai, veio até nossa região, visando renovar o homem criado segundo seu modelo, visando remir os pecados daquele que estava perdido, a fim de reencontrá-lo; conforme as palavras da Escritura: “eu vim para encontrar e salvar o que estava perdido". Assim, dirá também ele aos judeus: "se alguém não renascer, não poderá ver o reino de Deus", aludindo, não a um renascimento a partir da mulher, como pensaram os judeus, mas ao renascimento que é a recriação da alma segundo a imagem divina.

Um bom mestre se interessa pelos alunos, procura descer, com ensinamentos mais simples, aos que não entendem as lições mais difíceis. Assim também faz o Verbo de Deus, conforme Paulo: "já que o mundo, com sua sabedoria, não chegou a conhecer a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem". Estando os homens desviados da contemplação divina e mergulhados em profundo abismo, com os olhos voltados para baixo, a procurarem Deus na criatura e nas coisas sensíveis, fabricando para si mesmos deuses, de homens mortais e de demônios, eis que o Verbo divino, “filantropo” e salvador, assume um corpo e vem viver como homem entre os homens, atrai a si a percepção dos sentidos - para que pudessem conhecer a verdade e chegar ao Pai os mesmos que situavam a Deus entre os seres corpóreos. Sendo homens e tudo pensando humanamente, eis que eles agora, onde quer que se deixassem levar pela percepção sensorial, encontravam o ensinamento da verdade.” (Santo Atanásio; Tratado Sobre a Encarnação do Verbo).

Fontes;

Santo Atanásio, coluna da Igreja / Plinio Maria Solimeo

As Heresias Trinitárias / D. ESTEVÃO BETTENCOURT, OSB.

Wikipédia, a enciclopédia livre / Santo Atanásio de Alexandria. http://pt.wikipedia.org/wiki/Atan%C3%A1sio_de_Alexandria

SANTO ATANÁSIO E A CRISE DA FÉ NO SÉCULO IV/ http://www.beneditinos.org.br/atualidades/documentos/atanasio.htm