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sábado, 7 de abril de 2012

Obediência como caminho para renovação da Igreja

Por John Lennon J. da Silva.
O Papa Bento XVI, na homilia da Santa Missa de Crisma na basílica de São Pedro hoje, aludiu de práxis a “situação tantas vezes dramática da Igreja de hoje” (homilia de 05/04/12), que a década é conhecida pelos católicos de boa percepção. Na homilia o sucessor de Pedro,comentou e refletiu as motivações que cercam a recente revelia de um grupo de sacerdotes europeus que publicou um apelo à desobediência, instruindo com a indicação de algumas formas de desobediência, até mesmo quanto às decisões de cunho dogmático, ou seja, que já foram solidamente definidas pelo Magistério Extraordinário da Igreja.
Questões como o veto do Magistério à ordenação de mulheres que como explica Bento XVI, lembrando o seu predecessor: “o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer”. (Ibidem). Em seguida o pontífice faz uma pergunta crucial para entender as consequências de tais atos, oriundos em muitas partes do mundo por leigos, teólogos e sacerdotes: “será a desobediência um caminho para renovar a Igreja?” Um caminho que anda e desenrola-se na contramão de uma verdadeira unidade na caridade.
E quantos casos, movimentos e homens não se seguiram e se levantaram contra a obediência na caridade e verdade. Se pusermos os nossos olhos no transito histórico que viveu a Igreja no decorrer os séculos, verificaremos, exemplos notáveis de desobediência como nos séculos XII e XIII. Época de insurgência de grupos e indivíduos nascidos no seio da Igreja não propuseram novos misticismos e espiritualidades que pretendiam purificar o mundo e até mesmo as estruturas da Igreja, que para estes jazia nas trevas.
O Valdismo fundado por Pedro Valdo em 1173. Catarismo, nomeados como albigenses (movimento herético que surgiu ao sul da França). Berengário que foi professor de teologia em Tours. Amaury de Bène professor de teologia na universidade de Paris. Pedro de Bruys era padre, foi considerado por São Bernardo e Pedro o Venerável e Aberlado como o mais perigoso herege da época. Arnaldo de Bréscia fundador do arnaldismo movimento doutrinal anti-eclesial. Além do gnosticismo muito presente nestes círculos de heresias. Sem esquecermos dos séculos XIV ao XVI, com os chamados“pré-reformadores” e sua oposição em matéria eclesiológica, escatológica e doutrinaria João Wycliff, João Huss, Jerônimo Savonarola, João de Wessália e João Wesselus, até chegarmos ao célebre Martinho Lutero que se revoltou contra a Igreja em 1517, e posteriormente impulsionou o surgimento de movimentos encabeçados por João Calvino, Ulrico Zuínglio, Thomas Cranmer, Henrique VIII, John Knox.
E nos séculos XVIII ao XIX com movimentos surgidos no interior da Igreja, talvez impulsionados pelo multi pluralismo teológico eclesial, apoiados no liberalismo e nas primeiras sementes de relativismo, racionalismo que foram sendo gestados nos tempos posteriores a Contra Reforma iniciada em no concílio de Trento (1545-1563). Os véteros-católicos liderados por Johann Joseph Ignaz von Döllinger (1799–1890) que oporram-se as decisções do Concilio Vaticabo II. O Jasenismo que têm origem nas ideias morais, dogmaticas e disciplinares do bispo Cornelius Jansen (1585-1638) desenvolveu-se na Holanda, Bélgica e França. O movimento de Sillon fundado em 1899, sob a direção de Marc Sangnier, movimento que chegou a ser aprovado pelo Papa, mas posteriormente foi condenado por mostra-se cunhado por liberalismo eclesial, social e político. O ultramontanismo corrente fortemente orientada pelo pensamento de Joseph de Maistre, Lamennais, Louis Veuillot, teve muito de seus aspectos condenados pela Igreja.
O modernismo teológico, corrente teológica que defendia a “evolução do dogma” e que Deus só poder ser conhecido “pelo sentimento subjetivo do homem”, encontrou grande ascensão no final do século XIX e inicio do século XX, teve entre seus defensores os teólogos Alfred Loisy, George Tyrell, Ernesto Buonaiuti e Albert Houtin. A“Nova Teologia” inaugurada por Henri de Lubac, e auxiliada pelo pensamento de Blondel, Valensin e Teilhard de chardin, que teve seus aspectos condenados por Pio XII na encíclicaHumani Generis, de 1956. E a revelia de Marcel Lefebvrede após o fim do concílio Vaticano II, este que em 1970 fundou a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, que tem uma situação canônica delicada em relação ao Magistério extraordinário da Igreja.
O que todos estes exemplos históricos refletem? Podemos dizer unicamente com maestria: revolta, incompatibilidade e a falta de caridade e fidelidade com o anuncio querigmático da Igreja, nesta mesma direção. O pontífice esclarece fundamentalmente: “Todo o nosso anúncio se deve confrontar com esta palavra de Jesus Cristo: «A minha doutrina não é minha» (Jo 7, 16). Não anunciamos teorias nem opiniões privadas, mas a fé da Igreja da qual somos servidores(Ibidem). Ou seja, o serviço que presta a Igreja unicamente aos desígnios de Deus; não obedece a “nossa vontade”, nem mesmo, às “nossas doutrinas”. Mas a doutrina e a vontade de Deus que foram estabelecidas no decorrer da história através da Revelação. No caso, destes muitos homens que se levantaram contra o Magistério da Igreja, de formas múltiplas sejam elas teologicamente ou eclesiologicamente. Deixaram eles, ao melhor, abandonaram eles a resposta a unidade que pede Deus ao seu Corpo Místico a Igreja.
Mostra o papa que não é por uma via subjetiva ou individualista ou “um impulso desesperado de fazer qualquer coisa, de transformar a Igreja segundo os nossos desejos e as nossas ideias” que irá ajudar verdadeiramente a renovação da Igreja. Mas “Os Santos indicam-nos como funciona a renovação e como podemos servi-la. E fazem-nos compreender também que Deus não olha para os grandes números nem para os êxitos exteriores, mas consegue as suas vitórias sob o sinal humilde do grão de mostarda”. E não foram exemplos salutares como o de São Francisco de Assis, que fizeram um caminho em contramão, sempre mais edificante e eficaz. Que é a “verdadeira vontade de Deus, à sua palavra sempre válida” (Ibidem).
Falando no mesmo sentido Bento XVI, esclarece: “Não será que, com tais considerações, o que na realidade se defende é o imobilismo, a rigidez da tradição? Não!” (Ibidem). Como o argumento da“rigidez” é utilizado, por propostas teológicas e novas metodologias espiritualistas: “rígida hierarquia eclesial” ou “rígido ritualismo litúrgico”são argumentos vivos no paladar intelectual dos defensores da “Teologia da Libertação”, movimento latino-americano iniciada nos fins da década de 1950 e desenvolvida através das décadas de 1960 e 1970 pelo padre Gustavo Gutiérrez, José Comblin, Leonardo Boff, Jon Sobrino, Juan Luis Segundo, corrente politico-social-teologica de aspiração marxista. Considerada como “heresia singular” pelo papa Bento XVI quando ainda era cardeal.
Obteve condenação a maioria de suas preposições nos documentos da Congregação para a Doutrina da Fé: Libertatisnuntius (1984) e Libertatis Conscientia (1986). Que entre algumas coisas, limitava o evangelho a uma dimensão social, além de simplificar a pregação do evangelho e o engajamento eclesial ao “imanente”, destroçando em matéria catequética a teologia da “transcendência” católica, além de propor ao homem uma hermenêutica marxista da função da Igreja, no campo da “luta de classes”,da dominação do “homem pelo homem”, da desapropriação da “propriedade privada”,ou seja, dando uma roupagem “cristã” às premissas e terminologias presentes no marxismo-socialismo teórico e cientifico. O que é contraditório a um bom católico como disse o papa Pio XI: “Ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista”.
É verdade que ao longo dos mais de 500 anos, principalmente no ocidente têm a Igreja em seu orbe. Enfrentado desafios tremendos, quanto, a se manter unida pela ação do Espírito Santo, ao anúncio que foi conferido pelo próprio Senhor Jesus e fundamentada na natureza de seu ministério. Não se deixando desviar pela pluralidade de novidades e vontades humanas que têm sido levantadas pelo Inimigo contra a Igreja que se perpetuará até o “fim dos tempos”, como mencionado nos evangelhos. Bento XVI resume o ônus do ministério da Igreja dizendo em sua homilia: “Todo o nosso anúncio se deve confrontar com esta palavra de Jesus Cristo: «A minha doutrina não é minha» (Jo 7, 16)” (Ibidem).
Continuemos então unidos ao Corpo do Senhor, erguido com seu próprio sangue e levado a frente pelos seus apóstolos, os de outrora e os atuais que se encontram unicamente na Igreja Católica. Que o “zelo das almas” (animarum zelus), que segundo o Bento XVI, é “uma expressão fora de moda, que hoje já quase não se usa” (Ibidem), movimente nossos corações e nossa resposta de servos, à vontade e obediência que solicita Deus, para com sua Igreja.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Papa Bento XVI "tuíta" pela primeira vez

Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 29-06-2011, Gaudium Press) "Caros amigos, acabo de lançar news.va. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Com minhas orações e bençãos, Benedictus XVI". Esta foi a mensagem, desde já histórica, que o Papa Bento XVI enviou aos seguidores do perfil no Twitter do novo portal de notícias do Vaticano, http://www.news.va, lançado ontem pelo pontífice, através de um tablet, do Palácio Apostólico Vaticano.

O inédito "tuíte" pontifício foi escrito na plataforma iPad em italiano, mas traduzido para diversas línguas - há um perfil de notícias do Vaticano na rede social para cada idioma -, inclusive em português. A iniciativa da novidade foi do presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, Dom Cláudio Maria Celli.

Papa escreve primeiro "tuíte" na plataforma iPad

"Devo dizer que o Papa aceitou imediatamente e de bom grado [abençoar os usuários da rede e lançar o portal]. Além disso, ele estima muitíssimo a comunicação e, sobretudo, deseja que a Igreja esteja presente lá onde o homem vive e se encontra", afirmou o arcebispo ao jornal vaticano L'Osservatore Romano, cujos conteúdos noticiosos também comporão, juntamente com os materiais da Radio Vaticana, do Centro Televisivo Vaticano e da Sala de Imprensa da Santa Sé, o novo portal multimídia de notícias da Igreja.

Por enquanto, o news.va está disponível somente em italiano e inglês, mas espera-se que em breve o site esteja abranja outras línguas, como alemão, espanhol, francês e português.

Fonte:

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Papa Bento XVI, recebe Igreja Maronita e seu novo Patriarca

Hoje de manhã, o papa recebeu na Sala Clementina um grupo de 150 bispos e fiéis que acompanham Sua Beatitute Béchara Boutros Raï, Patriarca de Antioquia dos Maronitas nesta primeira visita ao Sucessor de Pedro após a eleição.

O encontro de hoje solenizou a “ecclesiastica communio” já comunicada por Bento XVI em carta no último dia 24 de março. Hoje o papa louvou a eleição de Dom Béchara Raí, ocorrida dias após o encerramento do Ano Santo que comemorou os 16 séculos da morte de São Maroun, fundador da Igreja, como uma proeminente bênção.

Discursando, o pontífice saudou inicialmente toda a comitiva por este grande momento de comunhão e unidade entre a Igreja Maronita e a Igreja de Roma e colheu a presença do Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, (patriarca emérito) para expressar seu carinho e gratidão pelos 25 anos dedicados à liderança da Igreja Maronita em meio às turbulências da história.

“Por estar no coração do Oriente Médio – disse o papa ao patriarca – você tem uma tarefa enorme junto aos homens, anunciando-lhes a Boa Nova da Salvação”. No recente Sínodo de outubro de 2010, foi evocada muitas vezes a urgência de voltar a propor o Evangelho às pessoas que sabem pouco ou que estão afastadas da Igreja.

Encorajando os católicos maronitas, Bento XVI disse que com todas as forças vivas presentes no Líbano e no Oriente Médio, a Igreja priorizará o anúncio, o testemunho e a vida na comunhão com a Palavra, para recuperar o ardor dos primeiros cristãos.

Esta região do mundo em que patriarcas, profetas, apóstolos e o próprio Jesus Cristo foram abençoados por sua presença e pregação, aspira a uma paz duradoura que a Palavra da Verdade, acolhida e partilhada, poderá estabelecer.

“Para continuar este trabalho – ressaltou o papa – é preciso formar a juventude, humana e espiritualmente, através de uma rede escolar e catequética de qualidade. Só assim, os jovens de hoje serão homens e mulheres responsáveis em suas famílias e na sociedade; e poderão construir uma maior solidariedade e fraternidade entre todos os componentes da Nação”.

Neste sentido, o papa também convidou a intensificar a formação dos sacerdotes e dos numerosos jovens chamados pelo Senhor às suas eparquias e congregações religiosas.

Finalizando, Bento XVI se disse certo de que o Espírito Santo irá ajudá-los no exercício de sua responsabilidade e consolá-los em suas dificuldades, e concedeu sua benção a todos os fiéis e membros do Patriarcado. (CM)

Fonte:

Cidade do Vaticano, 14 abr (RV). Disponivel em: Acesso em: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=478545 14 Abril 2011.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Papa envia ajuda econômica ao Haiti por meio do Cardeal Robert Sarah.

O Papa Bento XVI enviou o cardeal Robert Sarah ao Haiti, país que, em 12 de janeiro de 2010, sofreu um terremoto que deixou 250 mil mortos e um milhão de desabrigados. "O presidente do Cor Unum leva uma mensagem do Papa e uma ajuda financeira à população tão gravemente afetada há um ano", explica um comunicado do Conselho Pontifício Cor Unum, divulgado ontem.

O cardeal chegou à ilha caribenha ontem e permanecerá até a quinta-feira, 13 de janeiro, fazendo várias visitas, presidindo as celebrações e renovando o compromisso da Igreja na reconstrução do país.

Na segunda-feira, o cardeal Sarah visitou, em Léogane, as comunidades religiosas das Irmãs de Cristo Rei, cujo hospital foi destruído pelo terremoto, e das Irmãs de Santa Teresa do Menino Jesus, que dirigem uma clínica para pessoas com HIV e tuberculose.

Também visitou a comunidade das Compagnes de Jésus, que tinha um centro de idosos e uma escola, ambos destruídos pelo terremoto. Lá, lançou a pedra fundamental da Ecole Notre Dame des Anges.

Em nome do Papa, o cardeal Sarah leva ajuda concreta procedente das oferendas recebidas para o terremoto: 800 mil dólares para a reconstrução de escolas e 400 mil dólares para a reconstrução das igrejas.

Hoje, o cardeal Sarah, acompanhado pelo subsecretário de Cor Unum, Dom Segundo Tejado, vai se encontrar com o presidente da República do Haiti, René Préval, e visitará o campo de deslocados do Parc Acra, onde celebrará uma Missa. "Em 12 de janeiro, o cardeal lerá a mensagem do Papa durante a Missa em recordação do terremoto", disse o comunicado.

Depois, ele se reunirá com os bispos e seminaristas do país e, finalmente, com os funcionários da Cáritas e das organizações internacionais de voluntariado. O último encontro desta viagem ao Haiti terá lugar na quinta-feira, 13 de janeiro, quando o prelado celebrará uma Missa no convento das Filhas de Maria Parideans, que sofreram a perda de 15 religiosas sob os escombros deixados pelo terremoto, que também feriu outras 12 irmãs. "A visita terá também como objetivo agradecer a todos que colaboraram no enorme trabalho da fase de emergência e renovar o compromisso da Igreja na reconstrução - conclui o comunicado -, instando a uma nova fase de compromisso caritativo."

Fonte:

CIDADE DO VATICANO, Zenit. Disponível em: http://www.zenit.org/article-26947?l=portuguese. Acesso em: 11 Janeiro 2011.

domingo, 28 de novembro de 2010

O que disse o Papa sobre os preservativos?

O novo livro de Bento XVI, "Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos", nem sequer tinha sido publicado e já estava no centro de uma controvérsia nos meios de comunicação on-line.

A polêmica explodiu na semana passada, quando o L'Osservatore Romano violou unilateralmente o embargo sobre o livro, publicando alguns extratos em língua italiana das diversas declarações do Papa, para grande desgosto dos editores em todo o mundo, que trabalhavam cuidadosamente visando um lançamento orquestrado do livro, que se daria na terça-feira seguinte.

Um dos extratos tratava do uso de preservativos para tentar evitar a propagação da AIDS e a imprensa imediatamente tirou proveito disto (p.ex.: Reuters, Associated Press, BBC Online). E assim, surgiram manchetes como:

- Papa diz que os preservativos são admissíveis em certos casos para deter a AIDS

- Papa: "Os preservativos justificam-se em alguns casos"

- Papa diz que os preservativos podem ser usados na luta contra a AIDS

Particularmente notória é a declaração de William Crawley, da BBC:

"O Papa Bento XVI parece ter alterado a postura oficial do Vaticano sobre o uso de preservativos, adotando uma posição moral que muitos teólogos católicos já recomendavam há muito tempo".

Bah!

Pois bem: em primeiro lugar, trata-se de um livro de entrevistas. O Papa foi entrevistado. Não estava exercendo seu múnus oficial de ensinar. Este livro não é uma encíclica, uma constituição apostólica, uma bula papal, nem nada semelhante. Não é uma publicação da Igreja. Trata-se de uma entrevista realizada por um jornalista, em idioma alemão. Conseqüentemente, o livro não representa um ato do Magistério da Igreja, nem tem a capacidade de "alterar a postura oficial do Vaticano" em nada. Não possui força dogmática nem canônica. O livro - que é fascinante e sem precedentes, mas isto é tema para outra oportunidade - constitui aquilo que se classifica como opiniões pessoais do Papa sobre as perguntas questionadas pelo entrevistador Peter Seewald.

E como o Papa Bento XVI observa no livro:

"Há que se dizer que o Papa pode ter opiniões privadas que se encontram equivocadas".

Não estou assinalando isto para insinuar que naquilo que o Papa Bento XVI fala a respeito dos preservativos está incorreto - chegaremos a este ponto ao seu tempo - mas para indicar o contexto da situação, deixando claro que se trata das opiniões privadas do Papa. São apenas isto: opiniões privadas. Não é ensino oficial da Igreja. Então, continuemos...

Entre os desserviços do L'Osservatore Romano feitos para romper o embargo do livro da maneira que fez, houve também o fato de que apenas publicou um pequeno trecho da seção em que o Papa discutia sobre o uso dos preservativos. Como resultado, o leitor não tinha como ver o contexto das suas declarações e, assim, garantir que a imprensa secular não estava tomando as observações do Papa fora do seu contexto (o que seria feito de qualquer modo, mas talvez nem tanto). Especialmente notório é o fato de que o L'Osservatore Romano omitiu o material onde Bento esclarece sua declaração sobre os preservativos, em uma pergunta logo a seguir.

Com efeito, o L'Osservatore Romano causou um grande dano tanto às comunidades católicas quanto às não-católicas.

Felizmente, agora você pode ler o texto completo das declarações do Papa.

Ademais, prevendo a controvérsia que estas palavras poderiam produzir, a drª. Janet Smith preparou um guia útil sobre o que o Papa disse e não disse.

Lancemos vista aos comentários do Papa, para ver o que ele realmente disse.

"Seewald: (...) Na África, se apontou que o ensino tradicional da Igreja demonstrou ser a única maneira segura de se deter a propagação do HIV. Os críticos, incluindo a crítica dentro das próprias fileiras da Igreja, objetam que é uma loucura proibir a população de alto risco de usar preservativos.

Bento XVI: (...) Em minha intervenção, eu não estava fazendo uma declaração geral sobre o tema do preservativo, mas apenas dizendo - e isto é o que causou grande ofensa -, que não podemos resolver o problema mediante a distribuição de preservativos. Resta muito o que fazer. Devemos estar próximos das pessoas; devemos guiá-los e ajudá-los; e temos que fazer isto antes e depois do contágio com a doença. É um fato, como você já sabe, que as pessoas podem obter preservativos quando o desejarem, de qualquer modo. Porém, isto serve apenas para demonstrar que os preservativos por si próprios não resolvem o problema em si mesmo. Muito mais precisa ser feito. Enquanto isso, no âmbito secular, desenvolveu-se a teoria chamada 'ABC' - abstinência, fidelidade, preservativo -, em que se entende o preservativo somente como um último recurso, quando os outros dois pontos foram rejeitados. Isto quer dizer que concentrar-se no preservativo implica em uma banalização da sexualidade, e, além de tudo, é precisamente a origem perigosa da atitude da sexualidade, não como a expressão do amor, mas como uma espécie de entorpecente que as pessoas administram a si mesmas. Esta é a razão pela qual a luta contra a banalização da sexualidade é parte também da luta para garantir que a sexualidade seja tratada como um valor positivo e para que possa ter um efeito positivo na totalidade de ser do homem".

Consideremos que o argumento geral do Papa é que os preservativos não resolvem o problema da AIDS. Em apoio disto, ele aponta vários argumentos:

1) As pessoas já podem obter preservativos, mas é evidente que o problema não foi resolvido.

2) No mundo secular foi proposto o 'Programa ABC', em que o preservativo só será usado quando os dois primeiros procedimentos verdadeiramente eficazes - a abstinência e a fidelidade - tiverem sido rejeitados. Assim, a proposta secular do ABC reconhece inclusive que os preservativos não são a única solução. Eles não funcionam tão bem quanto a abstinência e a fidelidade. Os dois primeiros são melhores.

3) Concentrar-se no uso do preservativo representa uma banalização (trivialização) da sexualidade, que se converte de ato de amor em ato de egoísmo. Para que o sexo desempenhe o papel positivo que deve ter, esta banalização do sexo - e, portanto, a fixação nos preservativos - deve ser resistida.

Esse é o contexto da afirmação que a imprensa reproduziu:

"Pode haver casos individuais justificados como, por exemplo, quanto um prostituto usa um preservativo, e isto pode ser um primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Porém, não é realmente a maneira de tratar com o mal da infecção pelo HIV, o que realmente pode apenas vir de uma humanização da sexualidade".

Há várias coisas a se considerar: em primeiro lugar, leve em conta que o Papa diz que: "Pode haver casos individuais justificados", e não que: "Está justificado". Esta é uma linguagem especulativa. Mas sobre o quê o Papa especula? Que o uso do preservativo está moralmente justificado? Não, não foi isso o que ele disse, mas que pode haver casos "sempre e quando [o uso do preservativo] pode ser um primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver novamente a consciência de que nem tudo é permitido".

Em outras palavras, como diz Janet Smith:

"O Santo Padre está simplesmente observando que para alguns prostitutos homossexuais o uso de um preservativo pode indicar um despertar do sentido moral, um despertar acerca de que o prazer sexual não é o valor máximo, mas que devemos ter o cuidado de não prejudicar ninguém em nossas escolhas. Ele não está falando de uma moralidade do uso de preservativos, mas de algo que pode ser certo sobre o estado psicológico daqueles que os usam. Se estas pessoas, usando preservativos, o fazem com o fim de evitar prejudicar outras, com o passar do tempo perceberão que os atos sexuais entre membros do mesmo sexo são intrinsecamente maus, já que não estão de acordo com a natureza humana".

Pelo menos isto é o máximo que se pode razoavelmente inferir das declarações do Papa, o que poderia ser expresso com maior clareza (e espero que o Vaticano emita um esclarecimento urgente).

Em segundo lugar, repare que o Papa segue imediatamente sua declaração acerca da prostituição homossexual usuária de preservativos com a afirmação: "Porém, não é realmente a maneira de se tratar com o mal da infecção pelo HIV, o que realmente pode apenas vir de uma humanização da sexualidade".

Por "uma humanização da sexualidade", o Papa quer reconhecer a verdade sobre a sexualidade humana, que deve ser exercida de maneira amorosa, fiel entre um homem e uma mulher unidos em matrimônio. Esta é a verdadeira solução e não colocar um preservativo e manter relações sexuais promíscuas com pessoas infectadas com um vírus mortal.

Neste momento da entrevista, Seewald faz uma pergunta de continuidade, e é verdadeiramente um crime que o L'Osservatore Romana não tenha reproduzido esta parte:

"Seewald: Quer dizer, então, que a Igreja Católica, na realidade, não se opõe em princípio ao uso dos preservativos?

Bento XVI: Ela, obviamente, não os considera como solução real ou moral, porém, neste ou em outro caso, pode haver, todavia, a intenção de reduzir o risco da infecção, como um primeiro passo para uma forma distinta e mais humana de viver a sexualidade".

Assim, Bento XVI reitera que esta não é uma solução real (prática) para a crise da AIDS, nem tampouco uma solução moral. No entanto, em alguns casos, o uso de preservativo mostra "a intenção de reduzir o risco da infecção", que é "um primeiro passo para... uma forma mais humana de viver a sexualidade".

Portanto, não está dizendo que o uso de preservativos é justificado, mas que pode mostrar uma intenção particular e que esta intenção é um passo na direção correta.

Janet Smith oferece uma analogia útil:

"Se alguém fosse assaltar um banco e estava decidido em empregar uma arma de fogo, seria melhor para essa pessoa usar uma arma desmuniciada: reduzir-se-ia o risco de lesões mortais. Porém, não é tarefa da Igreja ensinar possíveis assaltantes de banco a assaltar bancos de uma maneira mais segura; menos ainda é tarefa da Igreja apoiar programas para oferecer a possíveis assaltantes de banco armas de fogo incapazes de ser municiadas. Não obstante, a intenção de um assaltante de banco em assaltar um banco de uma maneira que é mais segura para os funcionários e clientes do banco pode indicar um elemento de responsabilidade moral que poderia ser um passo para a compreensão final da imoralidade que é o assalto a bancos".

Muito mais se poderia dizer de tudo isto, mas pelo que vimos, já resta claro que as declarações do Papa devem ser lidas com cuidado e que não constituem o tipo de licença para o uso de preservativos que os meios de comunicação desejam.

Há mais por vir...

Fonte:

AKIN. James. O que disse o Papa sobre os preservativos? [Tradução de Carlos Martins Nabeto]. Apostolado Veritatis Splendor. Disponivel em: http://www.veritatis.com.br/doutrina/a-igreja/955-o-que-disse-o-papa-sobre-os-preservativos Acesso em 29 outubro 2010.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Papa escreve carta aos seminaristas

Foi publicada nesta segunda-feira, dia 18 de outubro, a Carta que Bento XVI escvreveu aos seminaristas de todo o mundo. Publicamos o texto na íntegra.

Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objecções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a «comunidade dos discípulos», o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma recta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus».

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma «norma da doutrina», à qual fomos entregues no Baptismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: «Sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar “a razão” (logos) da vossa esperança» (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, reflectindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecuménica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canónico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente «íntegro». Por isso, a tradição cristã sempre associou às «virtudes teologais» as «virtudes cardeais», derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: «Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.

7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.
Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Vaticano, 18 de Outubro – Festa de São Lucas, Evangelista – do ano 2010.

Vosso no Senhor

Benedictus PP XVI

Fonte:

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Novo dicastério para levar a frente a Nova Evangelização

Conteúdo do motu proprio “Ubicumque et semper”

A Santa Sé publicou ontem a carta apostólica de Bento XVI, em forma de motu proprio, intitulada Ubicumque et semper, com a qual se institui um novo dicastério da Cúria Romana: o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

O documento contém quatro artigos e uma reflexão do Papa sobre a necessidade de evangelizar e as particularidades da evangelização atual.

A finalidade do novo conselho pontifício, indicada no artigo 1 do motu proprio, inclui estimular "a reflexão sobre os temas da nova evangelização" e identificar e promover "as formas e os instrumentos adequados para realizá-la".

O motu proprio explica que a ação do novo conselho "está ao serviço das Igrejas particulares, especialmente nesses territórios de tradição cristã onde, com maior evidência, manifesta-se o fenômeno da secularização".

Entre as tarefas específicas do dicastério, o documento, datado de 21 de setembro, em Castel Gandolfo, indica "aprofundar no significado teológico e pastoral da nova evangelização".

Também busca favorecer o Magistério pontifício relativo às temáticas relacionadas à nova evangelização, dar a conhecer iniciativas ligadas a esta que já se realizam e promover novamente sua realização.

Tudo isso em estreita colaboração com as conferências episcopais interessadas e "envolvendo ativamente também os recursos presentes nos institutos de vida consagrada e nas sociedades de vida apostólica, assim como nas agregações de fiéis e nas novas comunidades.

Outra das tarefas do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização é "estudar e favorecer a utilização das modernas formas de comunicação como instrumentos para a nova evangelização".

Finalmente, o dicastério se encarrega também de "promover o uso do Catecismo da Igreja Católica, como formulação essencial e completa do conteúdo da fé para as pessoas da nossa época".

O novo dicastério é dirigido por um arcebispo presidente, o primeiro dos quais é o arcebispo italiano Rino Fisichella, que apresentou ontem publicamente, na Santa Sé, o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Também contará com um secretário, um subsecretário, "um adequado número de oficiais" e membros próprios. Além disso, pode dispor de consultores próprios, segundo estabelece Ubicumque et semper.

Sempre e em todos os lugares

O título do motu proprio faz referência ao dever que a Igreja tem de anunciar sempre e em todos os lugares o Evangelho de Jesus Cristo.

No documento, Bento XVI constata que a missão evangelizadora da Igreja "assumiu na história formas e modalidades sempre novas, segundo as épocas, as situações e os momentos históricos".

E continua explicando que, "em nossa época, um dos traços singulares foi confrontar-se com o fenômeno do afastamento da fé, que se manifestou progressivamente em sociedades e culturas que há séculos pareciam impregnadas pelo Evangelho".

Também cita algumas transformações sociais das últimas décadas, "que modificaram profundamente a percepção do nosso mundo".

Entre elas, o Papa destaca "os gigantescos progressos da ciência e da tecnologia", "a ampliação das possibilidades de vida e dos espaços de liberdade individual", "as profundas transformações no campo econômico", "o processo de misturas de etnias e culturas, causado por fenômenos migratórios massivos" e "a crescente interdependência entre os povos".

A seguir, constata as consequências - algumas benéficas, outras preocupantes - de tudo isso na dimensão religiosa da vida do homem.

"Por um lado, a humanidade conheceu inegáveis benefícios destas transformações e a Igreja recebeu posteriores estímulos para dar razão da esperança que tem", explica o Pontífice.

"Por outro - acrescenta -, verificou-se uma preocupante perda do sentido do sagrado, chegando inclusive a questionar-se esses fundamentos que pareciam indiscutíveis, como a fé em um Deus criador e providente, a revelação de Jesus Cristo como único salvador e a comum compreensão das experiências fundamentais do homem como o nascer, morrer, viver em uma família, a referência a uma lei moral natural."

Bento XVI indica que recolhe os ensinamentos do Concílio Vaticano II e dos seus predecessores sobre a questão da relação entre a Igreja e este mundo contemporâneo e "a necessidade de encontrar formas adequadas para permitir que nossos contemporâneos escutem ainda a Palavra viva e eterna do Senhor".

Particularmente, recorda que Paulo VI destacou a cada vez maior necessidade do compromisso da evangelização devido às frequentes situações de descristianização, assim como o conceito de "nova evangelização" no qual João Paulo II aprofundou.

O conceito de "nova evangelização", recorda Bento XVI na carta, "resume a tarefa que espera a Igreja hoje, em particular nas regiões de antiga cristianização", que, "ainda que não se refira diretamente à sua forma de relacionar-se com o exterior, pressupõe, no entanto, antes de tudo, uma constante renovação interior".

"Considero oportuno oferecer respostas adequadas para que a Igreja inteira, deixando-se regenerar pela força do Espírito Santo, apresente-se ao mundo contemporâneo com um impulso missionário capaz de promover uma nova evangelização", afirma o Papa.

E acrescenta: "Esta faz referência sobretudo às Igrejas de antiga fundação, que, no entanto, vivem realidades muito diferentes".

O Papa constata a necessidade de evangelizar de maneira diferente "territórios onde a prática cristã manifesta uma boa vitalidade e um profundo arraigamento; outros onde se nota um mais claro distanciamento da sociedade em seu conjunto com relação à fé, com um tecido eclesial mais fraco e, finalmente, regiões que parecem completamente descristianizadas".

Estas últimas terras, nas quais "a luz da fé se confia ao testemunho de pequenas comunidades - explica Bento XVI -, precisam de um renovado primeiro anúncio do Evangelho" e, ao mesmo tempo, "parecem ser particularmente refratárias a muitos aspectos da mensagem cristã".

O Papa acrescenta que "todas as Igrejas que vivem em territórios tradicionalmente cristãos têm necessidade de um renovado ardor missionário, expressão da nova generosa abertura ao dom da graça".

E conclui afirmando que, "para proclamar de maneira fecunda a Palavra do Evangelho, é necessário antes de tudo que se faça uma profunda experiência de Deus".

Fonte:

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 12 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - http://www.zenit.org/article-26266?l=portuguese

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

“Viver em contato com a palavra de Deus” diz Bento XVI.

“É importante que todo cristão viva em contato e em diálogo pessoal com a Palavra de Deus, que nos foi dada na Sagrada Escritura, não como palavra do passado, mas como Palavra viva que se dirige a nós hoje e nos interpela”: foi o que disse Bento XVI saudando ontem à tarde os funcionários das Vilas Pontifícias, na conclusão da sua permanência na residência de verão em Castel Gandolfo.

De fato, na tarde de hoje o Papa retorna ao Vaticano. O Santo Padre disse também que hoje a Igreja recorda São Jerônimo, “um Padre da Igreja que colocou a Bíblia no centro da sua vida: ele traduziu a Bíblia para o latim, e a comentou em seus escritos. Este eminente Doutor da Igreja advertia que “ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Bento XVI agradeceu os funcionários pelo trabalho que realizam e assegurou uma constante recordação na oração. (SP)

Fonte:

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Papa Bento XVI, diz ser ‘peregrino’ em seu pontificado

Papa pede que se ressalte a riqueza de peregrinar aos santuários

"Neste momento histórico, em que, com força porventura ainda maior, estamos chamados a evangelizar o nosso mundo, há que sublinhar a riqueza que provém da peregrinação aos santuários."

Assim destaca o Papa em sua mensagem ao 2º Congresso Mundial de Pastoral de Peregrinações e Santuários, que se realiza em Santiago de Compostela desde ontem até a próxima quinta-feira, 30 de setembro, com o lema "E entrou para ficar com eles", tirado da passagem evangélica dos discípulos de Emaús.

Bento XVI destaca, em primeiro lugar, a "extraordinária capacidade de atração" dos santuários, que reúnem "um crescente número de peregrinos e turistas religiosos, alguns dos quais se encontram em situações humanas e espirituais complexas, um tanto distantes da vivência da fé e com uma débil pertença eclesial".

"A todos eles Cristo se dirige com amor e esperança. A aspiração à felicidade presente no espírito encontra n'Ele a sua resposta, e é junto d'Ele que o sofrimento humano encontra um sentido."

Orientações

O Papa afirma que, "como o velho Simeão encontrou Jesus no Templo (cf. Lc 2, 25-35), assim também o peregrino deve ter a oportunidade de descobrir o Senhor no santuário".

Para que se dê essa descoberta, o Pontífice oferece diversas orientações. "É preciso fazer com que os peregrinos não percam de vista que os santuários são lugares sagrados, comportando-se, portanto, neles com devoção, respeito e decoro", pede.

"Desse modo - explica -, a Palavra de Cristo, o Filho do Deus vivo, poderá ressoar com clareza e proclamar-se-á em toda a sua integridade o acontecimento da sua morte e ressurreição, fundamento da nossa fé".

Por outro lado, Bento XVI indica que é preciso "cuidar, com grande esmero, o acolhimento dos peregrinos, dando o justo destaque, nomeadamente, à dignidade e beleza do santuário, imagem da ‘tenda de Deus com os homens' (Ap 21, 3)".

Também destaca a importância de cuidar "dos momentos e espaços de oração, tanto pessoais como comunitários; e da atenção às práticas de piedade".

"Ao mesmo tempo - acrescenta -, nunca se insistirá demasiado no fato de que os santuários hão de ser faróis de caridade, incessantemente dedicados aos mais desfavorecidos mediante obras concretas de solidariedade e misericórdia e uma constante disponibilidade para escutar."

O Papa sublinha a importância de fomentar nos santuários também "o acesso dos fiéis ao sacramento da Reconciliação, consentindo-lhes participar dignamente da Celebração Eucarística, de tal modo que esta possa ser o centro e o cume de toda a ação pastoral dos santuários".

Assim, "tornar-se-á manifesto que a Eucaristia é, sem dúvida alguma, o alimento do peregrino, o ‘sacramento de Deus, que não nos deixa sozinhos no caminho, mas se coloca ao nosso lado e nos indica a direção'", como recordou na homilia da solenidade de Corpus Christi de 2008.

O Bispo de Roma indica que "a celebração da Eucaristia deve ser considerada o ponto culminante da peregrinação".

Exorta também aos que se dedicam a esta belíssima missão a que favoreçam nos peregrinos, "o conhecimento e a imitação de Cristo, que continua caminhando conosco, iluminando com a sua Palavra a nossa vida e partilhando conosco, na Eucaristia, o Pão da Vida".

Dessa forma, "a peregrinação ao santuário será assim ocasião propícia para revigorar naqueles que o visitam o desejo de partilhar com outros a maravilhosa experiência de saber que somos amados por Deus e enviados ao mundo para testemunhar este amor".

O Papa, peregrino

Em sua mensagem, Bento XVI revela que, "desde o início do meu pontificado, quis viver o ministério de Sucessor de Pedro com os sentimentos do peregrino que percorre os caminhos do mundo com esperança e simplicidade, levando nos lábios e no coração a mensagem salvadora de Cristo Ressuscitado e confirmando na fé os seus irmãos".

"É como sinal explícito desta missão que figura no meu escudo, entre outros elementos, a concha de peregrino", explica.

Também recorda: "Eu próprio me deslocarei dentro em pouco como peregrino ao túmulo do Apóstolo São Tiago, o ‘amigo do Senhor', do mesmo modo como tenho dirigido os meus passos a outros lugares do mundo, para onde convergem numerosos fiéis com fervorosa devoção".

A mensagem está dirigida ao presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Dom Antonio Maria Vegliò, e ao arcebispo de Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio, representantes da organização do 2º Congresso Mundial de Pastoral de Peregrinações e Santuários.

Nela, Bento XVI faz chegar aos congressistas sua "proximidade espiritual, que os alente e acompanhe no exercício de um trabalho pastoral de tanta relevância na vida eclesial".

Alto nível

Participam do congresso cerca de 300 pessoas dos cinco continentes, comprometidas no âmbito da atenção pastoral às peregrinações e santuários, com o objetivo de aprofundar na importância das peregrinações aos santuários enquanto manifestações da vida cristã e espaços de evangelização.

A última edição foi realizada há 18 anos, em Roma. Entre os numerosos expoentes, encontram-se os subsecretários das congregações pontifícias para o clero e para o culto divino e a disciplina dos sacramentos, o reitor dos santuários de Lourdes e o presidente de Ajuda à Igreja que Sofre.

O Papa confia "à intercessão de Maria Santíssima e do Apóstolo São Tiago os frutos deste Congresso, ao mesmo tempo em que dirijo a minha oração a Jesus, ‘Caminho, Verdade e Vida' (Jo 14, 6), ao qual apresento todos os que, peregrinando ao longo da vida, andam à procura do seu rosto".

Sua mensagem, datada de 8 de setembro, termina com uma oração ao "Senhor Jesus, peregrino de Emaús, que caminhas ao nosso lado, por amor, mesmo se tantas vezes o desalento e a tristeza não nos deixam descobrir a tua presença".



Fonte:

CASTEL GANDOLFO, terça-feira, 28 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – BENTO XVI: VIVO MEU PONTIFICADO “COM OS SENTIMENTOS DO PEREGRINO”. Disponível em: http://www.zenit.org/article-26141?l=portuguese Acesso em: 28 setembro 2010.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Papa lança apelo à oração pelo diálogo com os ortodoxos

Nestes dias se reúne a Comissão Mista para debater a questão do primado de Pedro.

O Papa Bento XVI lançou um apelo hoje a todos os fiéis católicos, para que rezem pelo êxito do diálogo entre católicos e ortodoxos, que nestes dias entra em uma nova e importante fase.

Nesta semana, acontece em Viena (Áustria) a reunião plenária da Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto, uma reunião que estava sendo preparada há muito tempo.

"O tema da atual fase de estudo é o papel do Bispo de Roma na comunhão da Igreja Universal, com particular referência ao primeiro milênio da história cristã", recordou o Papa.

"A obediência à vontade do Senhor Jesus e a consideração dos grandes desafios que hoje se apresentam ao cristianismo nos obrigam a comprometer-nos seriamente na causa do restabelecimento da plena comunhão entre as Igrejas."

O Papa exorta todos a "rezar intensamente pelos trabalhos da Comissão e por um contínuo desenvolvimento e consolidação da paz entre os batizados, para que possamos dar ao mundo um testemunho evangélico cada vez mais autêntico".

A Comissão está buscando uma leitura comum dos fatos históricos e dos testemunhos relativos ao primado petrino no primeiro milênio, com o fim de alcançar uma desejável e possível interpretação compartilhada.

A convergência na interpretação histórica do primado no primeiro milênio poderia ajudar a fazer avançar o diálogo entre os católicos e os ortodoxos sobre o tema central que os separa: o exercício do primado do Papa.

De fato, a esperada sessão, que começou no dia 20 e terminará no dia 27 de setembro, aborda pela segunda vez este tema, que também centrou o anterior encontro da Comissão Mista, realizado em Chipre em 2009.

Fonte:

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Disponível em: http://www.zenit.org/article-26107?l=portuguese Acesso em: 23 setembro 2010.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Bento XVI alerta para a influência de "formas mais agressivas de secularismo"

Primeiro discurso do Papa no Reino Unido frisa que supremacia cultural do país implica responsabilidades no bem comum

No primeiro discurso proferido no Reino Unido, Bento XVI pediu respeito pelas expressões tradicionais e culturais que as “formas mais agressivas de secularismo" não admitem.

“Hoje, o Reino Unido esforça-se por ser uma sociedade moderna e multicultural. Que neste nobre desafio ele guarde sempre o seu respeito pelos valores tradicionais e as expressões da cultura que formas mais agressivas de secularismo não apreciam nem sequer toleram”, assinalou o Papa.

Na alocução pronunciada no palácio de Holyrood, em Edimburgo, Bento XVI pediu para que “não se obscureçam os fundamentos cristãos” que sustêm as liberdades dos povos residentes no país e faz um apelo para que esse património inspire o “exemplo” que o país “dá aos dois mil milhões de membros da Commonwealth e à grande família das nações de língua inglesa”.

Perante a rainha de Inglaterra, Isabel II, que discursou em primeiro lugar, o Papa frisou também que o influência do Reino Unido no contexto mundial “impõe uma especial obrigação de actuar com sabedoria com vista ao bem comum”.

O Papa dirigiu-se também aos meios de comunicação britânicos, que devido à sua audiência “têm uma responsabilidade mais grave do que a maioria e uma maior oportunidade para promover a paz das nações, o desenvolvimento integral dos povos e a difusão dos autênticos direitos humanos”.

Depois de evocar as raízes cristãs do país, Bento XVI aludiu ao seu papel no combate contra o regime de Hitler, especialmente durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

“Podemos recordar como a Grã-Bretanha e os seus dirigentes enfrentaram a tirania nazi que pretendia erradicar Deus da sociedade e negava a muitos a nossa humanidade comum, especialmente aos judeus, a quem não consideravam dignos de viver”, disse.

“Lembro também – prosseguiu – a atitude do regime em relação aos pastores cristãos ou aos religiosos que proclamaram a verdade no amor, opuseram-se aos nazis e pagaram essa posição com as suas vidas.”

O discurso papal realçou a influência positiva que o país teve na pacificação que se seguiu ao conflito: “Há 65 anos, a Grã-Bretanha jogou um papel essencial ao suscitar o consenso internacional do pós-guerra, que favoreceu a criação das Nações Unidas e inaugurou um período de paz e prosperidade até então desconhecido na Europa”.

Bento XVI visita o Reino Unido entre 16 e 19 de Setembro, passando pelas cidades de Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham.

Foto: Bento XVI e Rainha Isabel II no Palácio de Holyrood House, Edimburgo.

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Por que Bento XVI presidira à beatificação de Newman?

Usualmente cerimônia fica a cargo do prefeito da Congregação para as Causas dos Santos

Pela primeira vez, Bento XVI presidirá a uma cerimônia de beatificação. Será no dia 19 de setembro, com a chegada aos altares do cardeal John Henry Newman, no Hyde Park, em Londres.

A última vez que um papa presidiu a uma cerimônia deste tipo foi a 3 de outubro de 2004, quando João Paulo II beatificou na praça de São Pedro Pierre Vigne, Joseph-Marie Cassant, Anna Katharina Emmerick, Maria Ludovica de Angelis e Carlos de Áustria.

Desde o começo de seu pontificado, Bento XVI estabeleceu que as cerimônias deste tipo deveriam se fazer nas dioceses de origem de cada beato. O Papa ordenou que fossem presididas pelo prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em sua representação.

Este mês se celebram outras duas beatificações em diferentes dioceses na Europa: a de frei Leopoldo da Alpandeire Sánchez Márquez, em Granada (Espanha), aconteceu a 12 de setembro, e a de Chiara Badano, no santuário do Divino Amor, em Roma, realiza-se dia 25. Eventos presididos pelo arcebispo Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

O padre Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, em um encontro com os jornalistas na sexta-feira, explicou que a beatificação do cardeal Newman se trata de uma excepção. “Esta cerimônia está muito unida à viagem do Papa ao Reino Unido”, disse.

Bento XVI sente um apreço especial pela figura do cardeal Newman. Em 1990, escreveu o prólogo do livro Apologia pro vita sua, uma autobiografia do futuro beato. O então cardeal Ratzinger confessava no texto a importância do pensamento de Newman durante seus estudos de filosofia no seminário de Freising.

“Para nós, naquele tempo, o ensinamento de Newman sobre a consciência chegou a ser uma base importante do personalismo teológico, cujo desenho nos era oferecido equilibradamente”.

“Nossa imagem do ser humano, assim como nossa imagem da Igreja, ficava penetrada por este ponto de partida”, disse o hoje Papa Bento XVI.

"De Newman aprendemos a compreender o primado do Papa", assegurou. “Liberdade de consciência”, nos dizia Newman, não equivale a ter direito “a prescindir da consciência, a ignorar o legislador e juiz, a ser independente de obrigações invisíveis”.

Por isso, esta beatificação é “um sinal particular de apreço, de interesse e importância que o Papa atribui a esta figura”, disse padre Lombardi.

Fonte:

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de setembro de 2010 (ZENIT.org). Por Carmen Elena Villa. Disponível em: http://www.zenit.org/article-26003?l=portuguese Acesso em 13 setembro 2010.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Papa Bento XVI envia mensagem aos fiéis Ingleses

Durante a Audiência Geral na manhã de ontem, na Sala Paulo VI, no Vaticano, o Papa Bento XVI enviou uma mensagem aos fiéis da Grã-Bretanha, na qual expressou sua grande expectativa por sua próxima visita ao Reino Unido, que se realizará entre os dias 16 e 19 de setembro.

“Espero com grande expectativa a visita, dentro de uma semana, ao Reino Unido e saúdo de todo coração o povo da Grã-Bretanha”, disse o Santo Padre. Ele indicou que está ciente do grande trabalho que requer a preparação da visita e agradeceu as pessoas que têm trabalhado e rezado pelo bom andamento da visita e para que Deus derrame muitas bênçãos sobre a Igreja e o povo do Reino Unido.

Nesse sentido, manifestou seu “grande apreço pelos esforços feitos para conseguir que os diversos acontecimentos previstos sejam realmente eventos felizes. Graças às inumeráveis pessoas que rezaram pelo êxito da visita e pela efusão da graça de Deus sobre a Igreja e o povo de sua nação".
Bento XVI também se referiu à beatificação do Cardeal John Henry Newman. Disse que será “um motivo de alegria especial” beatificar “este grande inglês” que “viveu uma vida sacerdotal exemplar e com seus numerosos escritos contribuiu um aporte duradouro à Igreja e à sociedade, tanto em sua terra natal como em muitas outras partes do mundo”.

“Espero fervorosamente e rezo para que cada vez mais pessoas se beneficiem de sua amável sabedoria e se inspirem em seu exemplo de integridade e santidade de vida", disse o Papa.

Em sua mensagem, o Santo Padre também manifestou seu desejo de “reunir-me com representantes das diferentes tradições religiosas e culturais que conformam a população britânica, assim como com seus líderes civis e políticos”.

“Estou muito agradecido à Sua Majestade a Rainha e ao arcebispo de Cantuária por me receberem e desejo encontrar-me com ambos. Embora sinta que há muitos lugares e pessoas que não terei a oportunidade de visitar, quero que saibam que os recordo a todos em minhas orações. Deus abençõe o povo do Reino Unido!”, finalizou o Papa.

Fonte:

Cidade do Vaticano, 09 set (RV). Disponível em: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=421185 Acesso em 9 setembro 2010.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhar para Cristo “como um modelo de humildade e de gratuidade” convidou o Papa Bento XVI.

Olhar para Cristo “como um modelo de humildade e de gratuidade”. É o convite feito hoje aos fiéis pelo Papa Bento XVI durante o habitual encontro para a oração mariana do Angelus, comentando as passagens evangélicas e a parábola na qual Jesus afirma que “quando você for convidado para uma festa de matrimônio, não se coloque no primeiro lugar, porque talvez exista um convidado mais digno do que você, e aquele que o convidou pedirá para que você dê o seu lugar.

O último lugar – disse o Papa aos peregrinos reunidos no pátio interno da Residência Apostólica de Castel Gandolfo – pode “de fato, representar a condição da humanidade degradada pelo pecado, condição da qual só a encarnação do Filho Único pode reerguê-la”.

“Por isso, Cristo mesmo, - acrescentou Bento XVI citando sua encíclica ‘Caritas in veritate' - tomou o último lugar no mundo - a cruz - e, precisamente com esta humildade radical nos redimiu e nos ajuda constantemente”'.

“Mais uma vez, portanto, - disse o Santo Padre - olhamos para Cristo como modelo de humildade e de gratuidade: d’Ele aprendemos a paciência nas tentações, a mansidão nas ofensas, a obediência a Deus na dor, esperando que Aquele que nos convidou nos diga: ‘Amigo, vem mais perto!’; o verdadeiro bem, de fato, é ficar perto d’Ele”.

O Papa citou em seguida São Luis IX, Rei da França – recordado na última quarta-feira – que colocou em prática o que está escrito no Livro de Sirácida: “Quanto maior você for mais humilde deve ser, e você encontrará graça diante do Senhor”.

Bento XVI lembrou ainda que hoje recordamos o martírio de São João Batista, “o maior entre os profetas de Cristo, que soube renegar a si mesmo para dar espaço ao Salvador, e sofreu e morreu por causa da verdade”. E concluiu pedindo a São João e à Virgem Maria que nos guiem no caminho da humildade, para nos tornarmos dignos da recompensa divina.

Em seguida o Papa concedeu a todos a sua Benção Apostólica...

Antes de se despedir dos fiéis e peregrinos reunidos em Castel Gandolfo Bento XVI destacou que no próximo dia 1º de setembro celebra-se na Itália o Dia da Salvaguarda da Criação, promovido pela Conferência Episcopal Italiana. É um evento já habitual, importante também no âmbito ecumênico.

“Este ano nos recorda que não pode existir paz sem o respeito pelo ambiente. De fato, temos o dever de entregar a terra às novas gerações em um estado tal que também elas possam dignamente habitá-la e conservá-la. Que o Senhor nos ajude nesta tarefa”.

Saudando os fiéis de língua espanhola o Papa recordou com afeto os mineiros que se encontram soterrados na mina de São José, na região chilena de Atacama.

“Confio eles e seus familiares à intercessão de São Lourenço, assegurando-lhes minha proximidade espiritual e minhas contínuas orações, para que mantenham a serenidade na espera de uma feliz conclusão dos trabalhos que estão sendo feitos para o seu resgate. E a todos – concluiu o Papa - convido a acolher hoje a Palavra de Cristo, para crescer na fé, na humildade e generosidade”.

Fonte:

Castel Gandolfo 29 ago (RV). ANGELUS: CRISTO MODELO DE HUMILDADE E DE GRATUIDADE. Disponível em: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=418692 Acesso em: 30 agosto 2010.