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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Livrar o concílio Vaticano II das Confunções Pós-concíliar?

Por ocasião da ordenação presbiterial de cinco diáconos da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), Dom Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, proferiu em Wigratzbad (sede do seminário da FSSP na Europa) uma importante conferência.


A FSSP é uma família religiosa de direito pontifício, fundada em 1988 por sacerdotes tradicionalistas que não quiseram seguir Dom Lefebvre após a ordenação ilícita de quatro bispos.

Dom Pozzo mostrou como as supostas rupturas com o Concílio foram exageradas pela mídia sensacionalista. Para esclarecer as questões abordadas por Dom Pozzo em sua conferência, ZENIT entrevistou o padre Alfredo Morselli, pároco em Bolonha e especialista no assunto.

ZENIT: O secretário da Comissão Ecclesia Dei proferiu sua conferência no seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro. Qual o significado da escolha deste local?

Pe. Morselli: A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro está entre os mais belos frutos do diálogo da Igreja com o mundo tradicionalista. Enquanto muitos seminários estão vazios, definitivamente a FSSP não sofre com este problema. A maior parte de seus membros não conheceu pessoalmente Dom Lefebvre. Acolhidos por bispos de maior visão e mais obedientes, deram provas de sua capacidade de se integrar às diversas realidades diocesanas. Junto a tantas outras famílias de carisma análogo, constituem a prova viva de que a paz litúrgica – ou mesmo a coexistência na Igreja das duas formas de rito romano (Missa Gregoriana e o Novus Ordo Missae) – é não apenas possível como também muito frutífera.

ZENIT: Quais foram os principais assuntos tratados na conferência?

Pe. Morselli: Dom Pozzo quis abordar dois assuntos “quentes”: a unidade e a unicidade da Igreja católica, e da Igreja católica e as religiões referente à salavação; buscou demonstrar que “a questão crucial e o ponto verdadeiramente determinante na origem da disputa, da desorientação e da confusão não está no Concílio Vaticano II nem os ensinamentos objetivos contidos em seus documentos, mas sim em uma interpretação deste ensinamento”. Ele chamou tal interpretação de uma “ideologia para-conciliar, difundida principalmente por grupos intelectuais católicos neo-modernistas e por centros midiáticos de poder mundano secular”.

ZENIT: Por que justamente estes dois temas?

Pe. Morselli: Conforme reporta o blog Missa em Latim (http://blog.messainlatino.it/), “o interesse principal deste texto é que este (...) representa uma síntese das posições dos teólogos vaticanos empenhados nos colóquios com a Fraternidade São Pio X: na prática, os esclarecimentos doutrinais sobre alguns temas controversos do Concílio que Roma se dispôs a realizar”.

ZENIT: Qual foi a contribuição de Dom Pozzo?

Pe. Morselli: Sustentou que o único caminho católico para uma solução seria constituído pela hermenêutica da continuidade.Tentarei simplificar em poucas palavras: a ideologia para-conciliar afirma: “Que ótimo, após o Concílio a Igreja mudou!”; enquanto os tradicionalistas dizem: “Que desgraça, após o Concílio tudo mudou!”. As promessas do Salvador, porém, nos garantem que a Igreja jamais mudará em sua natureza. À tentação dos tradicionalistas, hoje se responde: “Quanto à crise e aos graves erros, vocês têm razão; eles são evidentes e não se pode negá-los; mas – atenção – eles não são intrínsecos ao Concílio! Trata-se de uma crise neo-modernista – crise esta que já se esboçava antes do Concílio, com a assim chamada Nouvelle Théologie e outras aberrações nos movimentos litúrgicos – grave, mas extrínseca aos documentos do Concílio”.

ZENIT: Dom Pozzo responde às objeções de alguns Tradicionalistas?

Pe. Morselli: Dom Pozzo conhece bem todo o panorama tradicionalista: em particular, responde à hipótese segundo a qual o Concílio, sendo pastoral e não dogmático, não seria vinculante no que se refere à sua aplicação: “Seria equivocado pensar que o caráter expositivo e pastoral dos Documentos do Concílio Vaticano II não impliquem também em uma doutrina que exige o comprometimento por parte dos fiéis segundo os diversos graus de autoridade das doutrinas propostas”.

Além disso, cumpre dizer que é infalível não apenas o que é definido, mas também tudo o que é continuamente proposto pelo Magistério: por exemplo, muitos são os teólogos que consideram infalível a encíclica Humanae Vitae, ainda que isto não esteja contido em nenhuma definição no sentido estrito. Os pontos considerados “quentes” do Concílio, examinados por Dom Pozzo, são continuamente citados reapresentados pelo magistério ordinário; de modo que não podem ser considerados opcionais.

ZENIT: A conferência de Dom Pozzo pode vir a influenciar positivamente o diálogo da Santa sé com a Fraternidade São Pio X?

Pe. Morselli: É bom sinal que finalmente tenha sido conferida aos tradicionalistas e suas instâncias uma grande dignidade, ainda que nem tudo vá como o Papa desejaria. E uma vez que quem discute são pessoas e não ideias abstratas, estou certo que a sabedoria e a caridade pastoral de Bento XVI e seus colaboradores trarão grandes frutos.

A nós cumpre apenas orar, nos sacrificar e trabalhar para que isto se dê o mais breve possível.

FONTE:

ROMA, quinta-feira, 29 de julho de 2010. LIVRAR O CONCÍLIO VATICANO II DAS CONFUSÕES PÓS-CONCÍLIO. (Entrevista com Pe. Alfredo Morselli, Paróco em Bolonha). Disponível em: http://www.zenit.org/article-25653?l=portuguese

terça-feira, 27 de julho de 2010

Grã-Bretanha prepara recepção do mais alto nível para visita de Bento XVI em Setembro.

Enquanto a Grã-Bretanha prepara uma recepção do mais alto nível para o Papa Bento XVI, a expectativa cresce, e os católicos se tornam cada vez mais conscientes da importância do papel desempenhado pela Igreja na sociedade britânica.

ZENIT entrevistou Dom Andrew Summersgill, coordenador da visita papal que se realizará entre 16 e 19 de setembro próximo. O bispo explica a importância do convite dirigido ao Papa por Sua Majestade a Rainha Elizabeth II, e descreve como os católicos estão se preparando para a visita do Santo Padre.

ZENIT: Quais são as últimas novidades em relação aos preparativos para a visita de Bento XVI?

Dom Summersgill: A 2 de julho passado, a Santa Sé, o governo britânico e as conferências episcopais da Inglaterra, Escócia e País de Gales confirmaram os elementos principais da visita do Santo Padre de setembro. O programa detalhado deve ser publicado cerca de um mês antes da chegada do Papa Bento XVI.

Neste momento estamos definindo os locais em que serão realizados os principais eventos públicos com o Santo Padre: a Missa em Glasgow, a Missa de beatificação (do cardeal John Henry Newman) em Birmingham e a vigília em Londres.

Ao longo das últimas semanas, tivemos uma série de reuniões de planejamento com representantes da Santa Sé.

Estamos também preparando os detalhes junto ao governo britânico, às autoridades locais, à Comunhão Anglicana, com a polícia e os serviços de segurança.

ZENIT: Os veículos de comunicação têm destacado a atitude negativa de alguns grupos ateístas e secularistas em relação à visita de Bento XVI. Como definiria o clima nas paróquias e entre o público em geral frente à visita papal que se aproxima?

Dom Summersgill: Sim, de fato há grupos que questionam a visita do Santo Padre, dentre os quais alguns fazem objeção especificamente da visita ser tratada como uma visita de Estado – o mais alto nível de boas-vindas que o Reino Unido pode conceder a um visitante.

Há também aqueles que questionam elementos fundamentais do ensinamento da Igreja Católica, e que aproveitam a ocasião para manifestar suas posições.

Além disso, a Grã-Bretanha está atravessando um momento difícil em termos econômicos, e alguns têm levantado objeções em relação aos gastos envolvidos com a visita do Papa Bento XVI.

Devo dizer, porém, que estas atitudes contrastam com a atitude de boas-vindas da maior parte da sociedade, especialmente entre as diversas comunidades cristãs.

No último final de semana, tive a oportunidade de conversar com um professor que está organizando uma excursão de alunos para participar do encontro com os representantes da educação católica, que será celebrado no segundo dia da visita; tive contato ainda com diversos grupos de jovens que se organizam para representar suas paróquias durante a visita.

Recentemente, as conferência episcopais publicaram um livreto no qual respondem a uma série de questões referentes à visita. A página na internet do evento também é muito popular.

ZENIT: O Papa deixou clara em diversas ocasiões sua intenção de dialogar com toda a sociedade britânica, inclusive com os ateus. A seu ver, qual o significado desta visita para o público em geral?

Dom Summersgill: Uma das maneiras pela qual o público em geral se relaciona com o Papa é através da mídia. A forma com que o evento será noticiado tem, portanto, importância fundamental.

O arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, definiu a expectativa geral relativa à visita: que nossa sociedade seja capaz de compreender, com a visita do Papa Bento XVI, que a fé é uma bênção a ser redescoberta e não um problema a ser solucionado.

ZENIT: No que esta visita será diferente em relação à visita de João Paulo II de 1982?

Dom Summersgill: A visita do Papa João Paulo II foi uma visita pastoral aos católicos da Inglaterra, Escócia e País de Gales. Em 1982, todo o itinerário do Santo Padre foi concebido em função da celebração dos sacramentos. À época, a Guerra das Malvinas estava em curso e havia dúvidas se aquele seria de fato um momento oportuno.

Desta vez, o Papa Bento XVI vem para visitar a sociedade britânica como um todo, além, é claro, para celebrar a Eucaristia, e especialmente para a beatificação do cardeal John Henry Newman.

A visita de João Paulo II durou nove dias, e este esteve em mais locais do que Bento XVI terá oportunidade de conhecer durante sua breve visita. Em 1982, com exceção da visita à rainha, não houve os aspectos formais associados a uma típica visita de Estado.

A visita de João Paulo II foi também mais local; desta vez, a vista de Bento XVI estará centrada em quatro localidades: Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham, de modo que muitas viagens estarão envolvidas.

ZENIT: Esta visita tem um significado especial pelo fato do Papa vir em resposta a um convite da rainha. Poderia falar mais a respeito? Por que razão Sua Majestade a Rainha Elizabeth II escolheu este momento em particular para convidá-lo?

Dom Summersgill: A rainha é cristã praticante e claramente uma mulher de fé. Um convite para uma visita de Estado é única para o Chefe de Estado visitante, visto que não pode ser repetida. Por isso, estou certo de que se trata de um desejo pessoal da rainha – ainda que, em questões desta natureza, a rainha atue assessorada pelo governo.

O governo está comprometido em oferecer as boas-vindas ao Santo Padre na condição de líder espiritual de cerca de 10% da população britânica, bem como consolidar a cooperação em diversas áreas entre o governo e a Santa Sé, especialmente no que se refere ao combate à pobreza no mundo e a mútuos compromissos no âmbito da educação.

ZENIT: A visita papal que se aproxima tem atraído a atenção para a Igreja católica de uma maneira peculiar no Reino Unido. Poderia dizer algo sobre essa publicidade? Como a Igreja poderia fazer uso dessa publicidade para alcançar os não católicos?

Dom Summersgill: Espero que os preparativos para a visita e a própria visita em si mesma sejam ocasiões para que nós católicos recuperemos a confiança em nós mesmos e em nosso papel na sociedade britânica.

Por uma série de razões que prefiro não detalhar, não tem sido fácil nos últimos anos ser católico em nossos países, e acredito que a vista do Santo Padre será um momento muito importante.

Será também uma oportunidade para reconhecer as profundas mudanças ocorridas na Igreja do Reino Unido: somos uma Igreja muito diferente, em grande parte devido à imigração.

Será também um momento para proclamar a mensagem do Evangelho no âmbito público.

Por uma feliz coincidência, o domingo da chegada de Bento XVI coincidirá com nossa tradicional celebração da Home Mission Sunday, de forma que tudo parece se encaixar perfeitamente.

FONTE:

Genevieve Pollock: Grã-Bretanha prepara recepção do mais alto nível para Bento XVI (Entrevista com Dom Andrew Summersgill) Londres, terça-feira, 27 de julho de 2010 (ZENIT.org) – http://www.zenit.org/article-25628?l=portuguese

sexta-feira, 12 de março de 2010

"Há Bispos Catolicos Ligados ao Diabo" Afirma o Exorcista-Chefe da Igreja Católica, o Pe.Gabriele Amorth

Em entrevista a jornal italiano, Gabriele Amorth diz que o Diabo está no Vaticano.


O exorcista-chefe da Igreja Católica disse a um jornal italiano que "o Diabo reside no Vaticano" e que bispos estariam "ligados" a ele.




Em entrevista ao diário "La Repubblica", o padre Gabriele Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que o ataque ao papa Bento XVI na noite de Natal e os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que "é possível ver as consequências disso".

O sacerdote, de 85 anos, disse ainda que há, na Igreja, "cardeais que não acreditam em Jesus e bispos ligados ao Demônio".

Amorth, que já teria realizado o exorcismo de 70 mil possuídos, publicou um livro no mês passado, chamado Memórias de um Exorcista, em que narra suas batalhas contra o mal.

A série de entrevistas que compõe o livro foi realizada pelo jornalista Marco Tosatti, que conversou com o programa de rádio Newshour da BBC.

Tosatti disse que o Diabo atua de duas formas. Na primeira, a mais ordinária, "ele te aconselha a se comportar mal, a fazer coisas ruins e até a cometer crimes".

Na segunda, "que ocorre muito raramente", ele pode possuir uma pessoa. Tosatti disse que, de acordo com Amorth, Adolf Hitler e os nazistas foram possuídos pelo capeta.

O exorcista católico conta em suas memórias que, durante as sessões de exorcismo, os possuídos precisavam ser controlados por seis ou sete de seus assistentes. Eles também eram capazes de cuspir cacos de vidro, "pedaços de metal do tamanho de um dedo, mas também pétalas de rosas", segundo o sacerdote.

Guerra contra a Igreja

Amorth defende que a tentativa de assassinato do papa João Paulo II em 1981, assim como o ataque ao atual papa no Natal passado e os casos de abuso sexual cometidos por padres são exemplos de que o Diabo está em guerra com a igreja.

O exorcista contou que o Demônio "pode permanecer escondido, ou falar diferentes línguas, ou mesmo se fazer parecer simpático".

Para Tosatti, não há nada que se possa fazer quando o Diabo está apenas influenciando as pessoas, em vez de estar possuindo-as.

Segundo o exorcista-chefe do Vaticano, o papa Bento XVI apoia o seu trabalho.

"Sua Santidade acredita de todo coração na prática do exorcismo. Ele tem encorajado e louvado o nosso trabalho".

No jornal italiano, Amorth também comentou sobre como o cinema retrata o exorcismo e a magia.

Segundo ele, o filme "O Exorcista", de 1973, em que dois padres lutam para exorcizar uma garota possuída é "substancialmente preciso", apesar de "um pouco exagerado".

Já a série do jovem bruxo britânico Harry Potter é descrita como "perigosa" pelo sacerdote, pois traça "uma falsa distinção entre magia negra e magia do bem".


Fonte: Original BBC Brasil
 
Fonte de transmissão: G1 Portal de noticias da Rede Globo;  http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1526349-5602,00-EXORCISTACHEFE+DA+IGREJA+DIZ+QUE+HA+BISPOS+LIGADOS+AO+DIABO.html