Mostrando postagens com marcador Gayzismo esquerda e política-religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gayzismo esquerda e política-religião. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de março de 2012

Aborto e as eleições 2012


Por Ivanaldo Santos*.

Até o ano de 2010 a grande mídia, o governo, os partidos políticos de esquerda e ONGs ligadas ao movimento pró-aborto apresentavam o aborto como uma unanimidade nacional. Nas reportagens da grande mídia, nos discursos políticos, nos projetos de Lei, principalmente do PT, e nos encontros organizados por entidades pró-aborto só se falava que o aborto era uma necessidade nacional, que o povo brasileiro queria e precisa desesperadamente da legalização do aborto e coisas semelhantes. Até o ano de 2010, se dizia, por exemplo, que era preciso se fazer um amplo debate sobre o aborto e que apenas uma minoria de reacionários e conservadores é que eram contrários a essa prática. 

Nas eleições presidenciais de 2010, quando a então defensora do aborto, a Sra. Dilma Rousseff, mudou de ideia e passou a ser defensora da vida humana, a sociedade brasileira resolveu seguir o conselho da grande mídia, do governo, do PT e de outros grupos favoráveis ao aborto, ou seja, a sociedade resolveu debater, de forma aberta a questão do aborto. Esse debate se deu principalmente por meio da internet.

Curiosamente, ao contrário do que se dizia na grande mídia, no governo e em outros setores pró-aborto, a sociedade civil brasileira se apresentou majoritariamente contrária a legalização do aborto. Inclusive o tema do aborto, que foi colocado de forma indireta por meio de blogueiros independentes, terminou mudando o rumo da campanha eleitoral de 2010. Uma campanha que estava destinada a ser sem graça, sem novidades e ter o coroamento da vitória esmagadora da candidata do PT no primeiro turno. Por causa do apoio a legalização do aborto a então candidata, a Sra. Dilma Rousseff, quase perdeu a eleição e deve que mudar de opinião. O aborto foi o diferencial na campanha eleitoral de 2010.

O que vimos em 2010 foi que, ao contrário do que se dizia na época, a sociedade brasileira não é a favor dessa prática desumana e não são grupos minoritários que criticam essa prática. Pelo contrário, a grande maioria da população faz duras e severas críticas ao aborto. Devido a isso, de forma surpreendente, o aborto simplesmente sumiu da pauta da mídia, do governo, do PT, das ONGs, etc. Parece até que nunca se falou de aborto no Brasil.

O problema é que em 2012 teremos novas eleições. Dessa vez para prefeitos e vereadores. É claro que prefeitos e vereadores não criam ou modificam as leis, mas são agentes políticos e, por causa disso, têm poder de influenciar na construção das leis. Sem contar que a prefeitura de algumas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, têm projeção e influência política nacional, incluindo o congresso. Por causa disso as eleições 2012 são importantes tanto a nível nacional como dos interesses políticos no congresso.

Um dos temas que, com toda certeza, voltará à pauta é o aborto. Por mais que a grande mídia, o governo, o PT e outros setores políticos tentem apagar e abafar, esse é um tema que está sendo discutido e debatido nas ruas. As ruas falam uma linguagem diferente daquela que é falada pela mídia e pelos partidos políticos. As ruas falam do aborto e querem saber o que pensam os candidatos a prefeitos e a vereadores. O povo brasileiro não quer que o aborto seja legalizado e, por isso, está curioso para saber o que pensam os candidatos sobre esse e outros temas morais.

Por exemplo, em São Paulo, grande e importante colégio eleitoral, qual a posição do pré-candidato ou candidato Fernando Haddad (PT) sobre o aborto e outros temas morais? Vale salientar que até poucos dias atrás ele era o ministro da educação, um importante e estratégico ministério. Um ministério que deve, teoricamente, promover a educação do cidadão brasileiro. Então, o que pensa o ex-ministro sobre o aborto e outros temas?

O que pensam os grandes candidatos a prefeitos de cidades, como, por exemplo, Rio de Janeiro e Porto Alegre? Serão defensores do aborto? Ou serão aqueles políticos que em entrevistas concedidas a intelectuais dizem que o Brasil precisa legalizar o aborto e quando chegam diante do povo dizem que são contrários a essa prática desumana? A questão está posta. Engana-se quem pensa que o aborto é um assunto que morreu em 2010. Pelo contrário, é um tema que nasceu nesse ano. O cidadão brasileiro está atento às ideias e posturas dos candidatos sobre esse e outros temas morais.

Notas:

*É filósofo e doutor em Estudos da Linguagem pela UFRN, professor do departamento de Filosofia e do programa de pós-graduação em Letras da UERN. Autor de alguns livros "Aborto: Discursos filosóficos" (Ideia, 2008),  "Teologia da Libertação: Ensaios e reflexões" (Letra Capital, 2010), entre outros. É também organizador do livro "Linguagem e Epistemologia em Tomás de Aquino" (Ideia, 2011), obra que foi cedida pelo próprio autor aos leitores(as) do site, estando disponível para download no link: Atualmente colabora com o Apostolado SCR na sessão "Sociedade, moral e política".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Breves considerações sobre o ateísmo

A existência de Deus não é um dado apenas da fé, pois Ele é cognoscível naturalmente, ou seja, sua existência pode ser verificada por meio de provas racionais. Dessa forma, como explicar que haja ateus? Será verdade que existem? E, se existem, quais são as causas e conseqüências do ateísmo?

Ateu é o que não crê na existência de Deus.

Desta definição se vê que não devemos incluir no número dos ateus:

a) Os indiferentes, que põem de parte o problema da origem do mundo e da alma, e vivem sem preocupações acerca de seu destino. Ainda que esta disposição de espírito conduza ao ateísmo, os indiferentes não são ateus propriamente ditos.

b) Os agnósticos, para os quais Deus pertence ao domínio do incognoscível. Esta atitude equivale a um cepticismo religioso.

c) Muito menos devem ser tidos por ateus aqueles que ignoram quase por completo a religião e professam exteriormente o ateísmo, porque julgam essa atitude própria dos espíritos fortes, ou porque têm interesse de seguir a corrente do favoritismo oficial.

Portanto, devemos somente considerar como ateus os homens de ciência e os filósofos que, depois de ponderar maduramente as razões, pró e contra, da existência de Deus, optam pela negativa. Embora pouco numerosos proporcionalmente, os ateus têm um número crescente e geralmente atuam em conjunto com agnósticos.

As causas do ateísmo podem ser intelectuais, morais e sociais.

Causas intelectuais

a) A incredulidade dos homens de ciência, deve atribuir-se ordinariamente a preconceitos e ao emprego de um método falso. É evidente que nunca poderão ultrapassar os fenômenos e atingir as substâncias, se nesta matéria empregam o método experimental, que só admite o que pode ser objeto da experiência e ser observado pelos sentidos. Notemos ainda que algumas fórmulas, por eles usadas, não são verdadeiras, pelo menos no sentido em que tomam. Por exemplo, quando alegam que a matéria é necessária e não contingente, invocam para o demonstrar a necessidade da energia e das leis. Ora, é bem claro que a palavra necessária neste caso é equívoca. A necessidade pode ser absoluta ou relativa. É absoluta, quando a não-existência encerra contradição; relativa quando a coisa em questão, na hipótese de existir, deve possuir tal ou tal essência, esta ou aquela qualidade, por exemplo: uma ave deve ter asas, sem elas já não seria ave.Como a energia e as leis são necessárias somente no sentido relativo, os materialistas erram em concluir que a matéria é o “Ser necessário no sentido absoluto”.

b) O ateísmo dos filósofos contemporâneos tem a sua origem no criticismo de Kant e no positivismo de Conte. Segundo os criticistas e os positivistas, a razão não pode chegar à certeza objetiva, nem conhecer as substâncias que se ocultam sob os fenômenos. Diminuindo assim o valor da razão, rejeitam todos os argumentos tradicionais da existência de Deus. Pode pois dizer-se que a crise de fé, na maioria dos filósofos contemporâneos, é de fato uma crise da razão. Mas há de acontecer a esta o que acontece aos que estão injustamente detidos: será um dia reabilitada e retomará os seus direitos.

Causas morais

a) A falta de boa vontade. Se as provas da existência de Deus se estudassem com mais sinceridade e menos espírito de crítica, não haveria tanta resistência à força dos argumentos. Também não se deve exigir dos argumentos mais do que eles podem dar: é evidente que a sua força demonstrativa, ainda que real e absoluta, não nos pode dar evidência matemática.

b) As paixões. A fé é um obstáculo para as paixões. Ora, quando alguma coisa nos incomoda, encontramos sempre motivos para nos afastar. “Há sempre no coração apaixonado, motivos secretos para julgar falso o que é verdadeiro...facilmente se crê o que muito se deseja; e quando o coração se entrega à sedução do prazer, o espírito abraça voluntariamente o erro que lhe dá razão” (Frayssinous, Defense du christianisme. L´ incrédulité dês jeunes gens). P. Bourget (Essai de psychologie contemporaine), refletindo sobre a realidade francesa, numa análise penetrante que faz da incredulidade, escreve as seguintes linhas: “O homem quando abandona a fé, desprende-se, sobretudo, duma cadeia insuportável aos seus prazeres...Nenhum daqueles, que estudaram nos nossos liceus e universidades, ousará negar que a impiedade precoce dos livres pensadores de capa e batina começou por alguma fraqueza da carne, seguida do horror de a confessar. Acode imediatamente a razão a aduzir argumentos (!!!) em defesa duma tese de negação, que já antes admitira por causa das necessidades da vida prática”.

c) Os veículos de comunicação. Não aludimos aos que são claramente imorais, mas aos que atacam disfarçadamente e continuamente os fundamentos da moralidade e, em nome de um pretendido progresso e de uma suposta ciência, querem fazer-nos crer que Deus, a alma e a liberdade são apenas palavras a encobrir quimeras.

Causas sociais

a) A educação. Não é exagero dizer que as escolas neutras são um terreno excepcionalmente próprio para a cultura do ateísmo. A sociedade hodierna em geral caminha para o ateísmo, porque assim o quer.

b) O respeito humano. Muitos têm medo de parecer crentes porque a religião já não é estimada em certos círculos influentes e temem cair no ridículo.

Conseqüências do ateísmo

O ateísmo, pelo fato de negar a existência de Deus, destrói radicalmente o fundamento da moral e dá origem às mais funestas conseqüências para o indivíduo e para a sociedade.

Para o indivíduo:

a) O ateu deixa-se arrastar pelas paixões. Se não há Deus, se não existe um Senhor Supremo, que possa impor a prática do bem e castigar o mal, porque razão não se hão de satisfazer todos os apetites e correr atrás da felicidade terrena, por todos os meios que estiverem ao alcance de cada um?

b) Além disso, o ateísmo priva o homem de toda a consolação, tão necessária nos reveses da vida.

Para a sociedade:

As conseqüências do ateísmo são ainda mais prejudiciais à sociedade. Suprimindo as idéias de justiça e de responsabilidade, o ateísmo leva os Estados ao despotismo e à anarquia, e o direito é substituído pela força. Se os governantes não vêem acima de si um Senhor que lhes pedirá contas da sua administração, governarão a sociedade segundo os seus caprichos. Mais ainda, os homens, na realidade, não são todos iguais nas honras, nas riquezas, nas situações e nas dignidades. Ora, se não existe um Deus para recompensar um dia os mais deserdados da fortuna, que cumprem animosamente o seu dever e aceitam com resignação as provas da vida, porque não haveriam de se revoltar contra um mundo e uma sociedade injusta e reclamar para si, a todo custo, o seu quinhão de felicidade e prazer?

Nota:

*Texto de Thiago Santo de Moraes

Bibliografia:

BOULANGER. Manual de Apologética.

Fonte: