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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Comunidade anglo-luterana volta à comunhão plena com Igreja Católica

Entrevista da infocatólica com o Metropolita da Igreja Católica Anglo-luterana. 

A Reforma foi um «trágico erro de proporções épicas que nunca devia ter acontecido».

O Arcebispo Irl A. Gladfelter preside uma das confissões cristãs que planejam voltar ao catolicismo nos ordinariatos criados por Bento XVI. A Igreja Católica Anglo-Luterana é a única com raízes luteranas e poderia considerar-se o primeiro passo pra a volta ao redil católico dos herdeiros de Lutero. Numa longa entrevista concedida a Infocatólica, este Arcebispo que ainda não é católico mas sim cooperador da Opus Dei, fala de sua alegria de voltar à Igreja Católica, da importância de uma única fé e de seu compromisso de desfazer a Reforma protestante.

Reverendo Irl A. Gladfelter, Metropolita da Igreja Católica Anglo-Luterana (ALCC), o senhor é biólogo, Doutor em Cirurgia Dental, tenente-coronel reformado do exército americano, Doutor em Teologia e Metropolita da ALCC. Como encontrou tempo para tantas coisas?

Não foi um problema. Só me tornei clérigo depois de ser reformado pelo Exército dos Estados Unidos e como dentista.

Quando foi fundada a ALCC? Por que a combinação de anglicanismo e luteranismo?

A ALCC foi formada em 1997 por antigos membros da Igreja Luterana – Sínodo de Missouri dos Estados Unidos (LCMS), os quais, por serem luteranos orientados ao catolicismo ou “Evangélicos Católicos” (também conhecidos como a “igreja alta”), não podiam aceitar a orientação cada vez mais protestante da LCMS e sua aceitação crescente da teologia evangélica fundamentalista, junto com alguns aspectos da soteriologia e da teologia sacramental que haviam sido importados do Calvinismo por vários meios já na sua fundação e a aceitação cada vez maior de serviços evangélicos não litúrgicos. Nossos fundadores também faziam reparos à teologia sacramental da LCMS, à sua política congregacional, a suas ideias sobre a natureza e o exercício da autoridade dentro da Igreja e à sua compreensão das Ordens Sagradas (o “ofício do ministério público”, segundo a linguagem que utilizam). Inicialmente, a ALCC adotou as posturas da ala “anglo-católica” do anglicanismo (ou anglicanismo da “igreja alta”). Ao longo do tempo, embora respeitássemos as relações que haviam sido estabelecidas com o anglicanismo da “igreja alta”, a ALCC encontrou também problemas com o anglicanismo, incluindo sua recusa da primazia papal, da infalibilidade papal, da infalibilidade do Sagrado Magistério e dos Concílios posteriores aos quatro primeiros Concílios Ecumênicos, além de sua tolerância de alguns graus de teologia eucarística de tipo protestante, que podem ser encontrados na Oração Eucarística do Livro de Oração Comum, entre outros problemas. Finalmente, a ALCC chegou a reconhecer a verdade absoluta da fé católica e se deu conta de que tinha a obrigação em consciência de voltar a Roma. Descreveu-se recentemente a Igreja Católica Anglo-Luterana (ALCC) como “totalmente romanizada” e como uma Igreja que “ensina a doutrina católica sólida, utilizando um vocabulário luterano e anglicano, corrigindo este último com o primeiro”. Ambos comentários são acertados e precisos. Em essência, a ALCC se “romanizou” totalmente, aceitando com entusiasmo a verdade objetiva de todos os aspectos da fé católica.

Foi importante para os senhores a declaração conjunta católica e luterana sobre a justificação (1997)?

Sim. Para a ALCC, a Declaração conjunta católica e luterana sobre a doutrina da justificação decidiu de uma vez para sempre o assunto fundamental da fase de Wittenberg (luterana) da Reforma. Uma vez que esse assunto tenha sido resolvido, a ALCC se deu conta de que tinha a “obrigação em consciência” de entrar na Igreja Católica, marcando o caminho para que outras jurisdições eclesiásticas luteranas (igrejas) possam segui-la.

Quantos membros e paróquias tem aproximadamente a ALCC? Estão presentes somente nos Estados Unidos ou estão também em outros países?

O número total de membros da ALCC é de aproximadamente 11.000 pessoas, nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Sudão e no proximamente independente Sudão do Sul. O maior número corresponde a africanos sub-saharianos, a maioria dos quais são do Sudão do Sul.

De onde vem a maioria de seus membros? Antes de ingressar na ALCC eram luteranos, anglicanos, católicos ou não cristãos?

A maioria de nossos membros não africanos entraram na ALCC procedentes de outras Igrejas luteranas, mas nossos membros sub-saharianos, tanto na África como nos Estados Unidos e Canadá são antigos anglicanos.

Na Comunhão Anglicana, há algumas congregações religiosas anglo-católicas. Também os senhores têm religiosos na ALCC?

Sim, temos uma Prelazia Pessoa, a Ordem de Santo Ambrósio (O.S.A) e uma Sociedade Sacerdotal, a Sociedade Sacerdotal dos Servos do Bom Pastor. A regra e a espiritualidade de ambas se parecem muito com as da Opus Dei. O Vigário Geral da ALCC e eu somos, com grande entusiasmo, Cooperadores da Opus Dei. Alguns de nossos bispos são membros da Confraternidade de São Pedro, dirigida pela Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), uma sociedade católica.

Ingressarão no ordinariato dos Estados Unidos quando for criado, no final deste ano?

Sim, porque é o que a Congregação para a Doutrina da Fé nos disse que façamos, mas a última palavra será da própria Congregação. Vimos trabalhando com eles desde 2009. Do ponto de vista da ALCC, trata-se de um tema de obediência à Congregação para a Doutrina da Fé. Em nossa petição a Roma para entrar na Igreja Católica (antes da promulgação da Anglicanorum Coetibus) não mencionamos um ordinariato, já que ainda não havia sido publicada a Constituição Apostólica. Por conselho de nosso advogado católico de Direito Canônico, a ALCC pediu apenas para entrar como “sociedade sacerdotal” ou da forma que dispusesse o Santo Padre. Nossa petição terminava com a frase: “O filho pródigo voltou e está à porta. Santo Padre, por favor, deixe-nos entrar”. A ALCC nunca pediu mais que isto. Está à porta e roga que a deixem voltar para casa. Entretanto, quando no outono de 2010 recebemos uma carta do Secretário da CDF notificando-nos que deveríamos entrar na Igreja Católica através das disposições da Anglicanorum Coetibus, por obediência aos desejos do Santo Padre e da CDF, a ALCC aceitou imediatamente estas instruções por escrito. Assim, portanto, atualmente a ALCC espera pacientemente e roga ao Senhor e a sua Bendita Mãe, Maria, que nos permita voltar para casa, a Igreja Católica, seja através da Anglicanorum Coetibus seja por outro meio.

Todos os membros da ALCC se farão católicos ou alguns decidiram esperar ou passar para outros grupos anglicanos ou luteranos?

Todos os membros da ALCC se farão católicos. A diferença de algumas Igrejas Anglicanas, a ALCC não tem “posturas inamovíveis” A ALCC não está interessada em absoluto em “preservar um patrimônio”. Ao contrário, trata-se de uma Igreja profundamente “romanizada”, que trabalha com todas as suas forças para “desfazer” a Reforma, porque considera que foi um trágico erro de proporções épicas, que nunca devia ter acontecido, e procura restaurar a unidade da Igreja segundo os critérios da Igreja Católica. A ALCC não pede para preservar um “patrimônio luterano”. A diferença do patrimônio anglicano, o patrimônio luterano é essencialmente teológico e, ao ter compreendido plenamente as heresias do luteranismo e ao ter aceitado a fé católica, a única coisa que pede e por que reza a ALCC é que se lhe permita “voltar para casa” e entrar na Igreja Católica, como filhos pródigos arrependidos. A única coisa que queremos é nos dissolvermos na Igreja Católica, como católicos normais. Faz tempo que a ALCC tem como política não admitir membros nem aceitar clérigos que não estejam plenamente comprometidos com a causa da unidade da Igreja de Cristo, sanando as feridas que infligiram a essa unidade o orgulho humano e as heresias dos líderes da Reforma protestante. Todos os membros da ALCC devem estar comprometidos em desfazer a Reforma.

Todos os clérigos da ALCC, desde o Metropolita até o último diácono permanente devem assinar uma versão adaptada do Mandato da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, o qual estabelece que “se comprometem a ensinar a doutrina católica e não pregarão, ensinarão, escreverão nem publicarão nada que entre em conflito com o magistério católico”. Este compromisso se controla e se faz cumprir estritamente. Já aconteceu de algum sacerdote ter sido destituído de seu cargo, permitindo-lhe escolher entre sua demissão e a excomunhão, por não cumprir o Mandato da ALCC.

Será um problema para os membros da ALCC a necessidade de aceitar o Catecismo da Igreja Católica, como expressão normativa de fé para os ordinariatos? Que textos utilizam atualmente para catequizar as crianças e os adultos?

Absolutamente. Há anos a ALCC aceitou oficialmente o Catecismo da Igreja Católica como nossa expressão completa da fé cristã. Catequizamos as crianças e os adultos usando o Catecismo da Igreja Católica, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica da Conferência Episcopal norteamericana, Fé para o futuro: Um novo catecismo ilustrado, publicado pela Liguori Press; o Compêndio de Doutrina Social da Igreja da Conferência Episcopal norteamericana e outros textos católicos unicamente. Para a catequese geral e o estudo, a ALCC usa a Bíblia de Navarra, publicada pela Scepter Press; a New American Bible e a Bíblia Católica de Estudo da Ignatius Press. A ALCC não permite o uso de qualquer catecismo luterano nem de outros catecismos protestantes.

Quais são as principais dificuldades encontradas até agora?

Toda organização nova tem “crise de crescimento” e a ALCC não é uma exceção. Sempre há lugar para melhorar e para formas de desenvolver nossos apostolados de forma mais eficaz. Entretanto, estamos muito bem, levando em conta que a ALCC foi fundada em 1997. A maior preocupação da ALCC, com muita diferença, consiste em conseguir seu objetivo de converter-se na primeira jurisdição eclesiástica luterana que volta à Igreja Católica como grupo unificado desde o final da Contra-reforma.

Uma vez que ingressem num ordinariato, o senhor e os demais bispos e sacerdotes da ALCC terão de ser ordenados como diáconos e sacerdotes católicos. É algo difícil de se aceitar?

Não, em absoluto. Alegramo-nos disto, porque eliminará a possibilidade de qualquer confusão entre os fiéis católicos sobre a validade de nossa ordenação de nossos sacramentos.

Sempre existiu um setor “católico” entre os luteranos?

Si, certamente. A tal setor foi dado muitos nomes: Gneiso-luteranos (luteranos originais), Velhos-luteranos, Luteranos Romanizados e, nos últimos anos, “Católicos Evangélicos”. A ALCC está simplesmente no extremo mais católico desta tradição.

Há outros grupos de luteranos que estão relativamente próximos da Igreja Católica?

Na Suécia existe o movimento Arbetsgemenskapen Kyrklig Förnyelse (União Eclesial Sueca) e outras sociedade menores. Há comunidades monásticas, como o Mosteiro de Östanbäck (um mosteiro beneditino), o convento de Alsike e a Congregação de São Francisco, a Fundação de São Lourenço, a Fundação de Santo Oscar, a Coalizão Eclesial pela Bíblia e a pela Confissão e a Förbundet För Kristen Enhet, que como a ALCC trabalha para conseguir a união visível e como grupo com a Igreja Católica. Na Alemanha existe a St. Jakobus- Bruderschaft, com a qual a ALCC permanece em contato, a Arbeitsgemeinschaft Kirchliche Erneuerung (Grupo de Trabalho para a Renovação da Igreja) da Igreja Luterana da Baviera, Humiliatenorden, St. Athanasius-Bruderschaft, Hochkirchlicher Apostolat St. Ansgar, Bekenntnisbruderschaft St. Peter und Paul, a Kommunität St. Michael en Cottbus, a Congregatio Canonicorum Sancti Augustini e o Priorado de São Wigberto. Há grupos similares na Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia.

O senhor crê que se formará algum tipo de ordinariato para os luteranos no futuro?

Quer se trate de um ordinariato ou de alguma outra estrutura mais simples e menos polêmica para estabelecer e integrar na Igreja segundo o Direito Canônico, como uma “sociedade sacerdotal” ou um “instituto de vida apostólica”, creio que se formará algum tipo de estrutura para que os luteranos de todos os países possam voltar à Igreja Católica. Há de se reconhecer: a Igreja Católica, e em geral o cristianismo, estão sendo atacados atualmente. As comunidades eclesiais como os anglicanos e luteranos se dividem ainda mais sob os ataques do ateísmo, do agnosticismo, da filosofia pós-moderna e das teologias heréticas de tipo liberal. A Igreja não pode se permitir o enfrentamento a essas e outras ameaças em seu estado dividido atual. É hora de os luteranos e outras comunidades eclesiais voltarem à Igreja Católica, para que lhe resulte mais fácil derrotar estas ameaças e realizar a Nova Evangelização promovida pelo Papa Bento XVI e outras pessoas! É hora de recuperar a unidade da Igreja de Cristo! Os luteranos devem se dar conta de que voltar à Igreja Católica não é algo bom, é estupendo. No Getsêmani, Jesus orou para que seus discípulos fossem um, como Ele e o Pai são um, assim a união com a Igreja Católica não é algo “bom”, mas algo “estupendo”, porque Jesus o pediu em sua oração e o ordenou (não o “sugeriu” simplesmente). Os luteranos devem voltar à Igreja Católica porque é o correto, é o único caminho correto.

Em sua homilia de vésperas, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, em São Paulo Extramuros, em Roma, 25 de janeiro de 2011, o Papa Bento XVI afirmou: “Os esforços para recuperar a unidade entre os cristãos divididos não podem reduzir-se simplesmente a reconhecer nossas diferenças recíprocas e a conseguir uma coexistência pacífica. O que desejamos é a unidade pela qual orou o mesmo Cristo e que, por sua própria natureza, se manifesta numa comunhão de fé, de sacramentos e de ministério. O caminho para esta unidade deve ser percebido como um imperativo moral, uma resposta a um chamado específico do Senhor... Devemos continuar com entusiasmo o caminho para este objetivo”. Isto é exatamente o que pretende fazer a ALCC ao esforçar-se para entrar na Igreja Católica como grupo unificado.

Se se criasse um ordinariato para luteranos no futuro, os senhores deixariam o ordinariato anglo-católico para integrar-se nele?

Certamente, estaríamos interessados e colaboraríamos com qualquer futuro ordinariato luterano ou estruturas alternativas segundo o Direito Canônico atual, mas faremos exatamente o que nos pedirem a Congregação para a Doutrina da Fé e o Santo Padre. Além do mais, os membros da ALCC só queremos converter-nos em católicos normais, como todos os outros, e nos injetar de forma segura no “centro” teológico e social da Igreja Católica. Ficaremos contentes em “florescer” onde quer que o Santo Padre e a CDF nos “plantem” dentro da Igreja Católica.

O senhor crê que sua união com a Igreja Católica influenciará outros luteranos?

Sem dúvida. Faz alguns anos o Pe. Richard John Nieuhaus, um pastor luterano dos Estados Unidos que se converteu ao catolicismo e foi ordenado como sacerdote católico (e era o editor da revista norteamericana First Things), escreveu que enquanto ele apenas podia perceber movimentos de luteranos para a Igreja Católica, algum dia uma Igreja Luterana “dará um passo adiante e então nada voltará a ser igual”. Esperamos e rezamos para que a Igreja Católica Anglo-Luterana seja a Igreja que dará este passo adiante e que isso leve muitos luteranos a abandonar as heresias da Reforma e voltem à fé católica; que se aproxime este bendito dia no qual a oração de Cristo no Getsêmani para que todos seus discípulos sejam um seja de novo uma realidade, em uma só Igreja sob Cristo e seu Vigário nesta terral, o Sucessor de São Pedro. Até este dia, a ALCC terá muito presentes dois lemas usados por nossa Igrejas: (1) “Voltar à unidade do Corpo de Cristo, Igreja por Igreja”, e (2) o lema do escudo papal de São Pio X, “renovar todas as coisas em Cristo”.

Muito obrigado por suas respostas. Espero que tenhamos a oportunidade de entrevistá-lo de novo quando o senhor for um membro do ordinariato.

Foi um prazer!


Tradução: OBLATVS

terça-feira, 14 de junho de 2011

Testemunho de Jonadabe Santos Rios - ex-protestante

Meu nome é Jonadabe Santos Rios* tenho 20 anos. Sou de Feira de Santana/BA, e nasci em uma família protestante. Todos, seja por parte de minha mãe e de meu Pai, são protestantes. Meu Pai é pastor da Igreja Missionária Quadrangular, da qual fundou várias na Bahia. Outros tios são de um "ramo" da Batista, e da Quadrangular (Igreja do Evangelho Quadrangular). É claro que ambos não concordam doutrinariamente entre si, como deve ser a Igreja, só concordam que eu devo estar equivocado. Bom, o melhor é que eles entrem em algum consenso antes de me dizerem que estou equivocado e tentem me fazer voltar à babel teológica que é o Protestantismo.

Quero contar uma parábola que reflete o que aconteceu e está acontecendo com a Igreja de Cristo. É a estória de um Rei Eterno que decidiu edificar um belo castelo para sua morada e de sua família, que seria qualquer um que o amasse e decidisse viver com ele. De forma que quem morasse em seu edifício, no tempo determinado por esse Rei Eterno, também viveria com suas palavras de vida eterna.

Ele edificou a pedra fundamental, as colunas e todas as partes do castelo. Da ponte às janelas; do quarto ao banheiro. Todas as partes eram necessárias para formar um castelo segundo sua vontade. Esse Rei teve que viajar, mas instituiu servos para o representar, cada um com uma função, e um líder geral de sua confiança para que eles andassem sempre unidos. A prometida vida seria vivida de uma vez por todas assim que voltasse.

O Rei demorou em sua viagem, de forma que com o passar do tempo seu castelo tornou-se sujo, até mesmo alguns lideres gerais cometeram certos erros. Mas o castelo não estava abandonado, pois hora ou outra apareciam moradores zelosos. Estes o pintavam e concertavam lugares danificados.

Todos eles recitavam os ensinos do Rei no seu dia a dia de forma oral. Os professores ensinavam aos alunos utilizando também alguns livros, pois eles eram úteis. Esses livros não eram suficientes pra explicar tudo, já que sempre surgem falsas interpretações de leitores desavisados. Por isso o ensino instituído pelo Rei era feito por pessoas autorizadas, que inclusive fizeram uma lista dos livros científicos. Isso eles chamavam de tradição real.

Passados centenas de anos, começaram a surgir moradores que diziam entender de construção e do verdadeiro conhecimento real. Segundo eles, o castelo não deveria ter janelas daquela forma, e a cor não combinava com uma realeza. “A porta está muito estreita”, afirmavam alguns. “Pra que tantas colunas?”, perguntavam outros. Nem mesmo os livros da biblioteca desse Rei, incluindo os livros científicos, feitas por escritores que o presenciaram, foram respeitados. Eles alegavam entender mais do que os próprios lideres instituídos pelo Rei! Acontece que, por obra do inimigo do rei, cada um se intitulou um reformador da casa (mas na verdade agiam na maioria das vezes como deformadores).

“Não combina com a realeza!”, era seu brado. “Vamos reformar a casa, assim que o Rei voltar, vai ver que fizemos a sua vontade”, “destruiremos estes fundamentos de falsos construtores e instituiremos os nossos próprios e verdadeiros fundamentos”. Mas eles não quiseram reformá-la da mesma forma que os outros servos zelosos. Eles desejaram um castelo segundo suas vontades. Pegaram machados e marretas; bombas e pedras. Tentavam demolir o castelo, mesmo discordando um do outro.

Um aceitava a janela, pois não gostava da luz do sol que batia na sala, por isso a apedrejou. Outro concordava que deveria ter janelas, para deixar o ar arejado. Mas todos concordavam que deveriam reconstruir a casa e destituir o líder instituído pelo Rei. Cada um deveria ser seu próprio líder. O problema é que cada um tentava fazer tudo segundo a sua própria vontade, por meio de divisões e mais divisões de grupos de reformadores.

Acabou que cada reformador decidiu montar seu barraco ou castelo de areia, e boa parte deles eram fora dos limites do castelo. Começou a surgir, então, vários conjuntos de barracos e castelos de areia, um do lado do outro, alguns isolados de tudo. Tinham até os sem telhado! Ou os sem barraco, pois concluíram que só seu corpo basta, e seu corpo é o castelo (ignorando todo o fundamento posto pelo Rei). Esses gostavam sempre de criar discussões para provar que fazer discussões sobre o que o Rei disse ou não é infantil, instituindo que o Rei não havia instituído nada além o que eles instituem. Assim, tentavam provar que não importa provar nada. Tinha alguns barracos dentro dos limites do castelo (afinal, até mesmo na Babilônia existem os exilados de Israel). Mas todos estes foram enganados por alguns reformadores enganados por outros que foram enganados pelo inimigo do Rei, um rei de outra província chamado Narciso. Interessante é que depois de chamar o Castelo como uma casa do demônio, cada mini construtor desses barracos, castelos de areia ou peregrinos sem casa, começou a chamar um ao outro de seguidor do demônio. Destruída as bases do castelo, de fato qualquer um poderia dizer isso e encontrar alguma forma para se justificar.

Muitos moradores do castelo foram convencidos pelos barraqueiros entrar no conjunto de barracas. Mas sempre existiam os que voltavam para seu verdadeiro lar: o Castelo Real. Mas os verdadeiros moradores zelosos, construtores autorizados de fato pelo Rei, trataram de concertar o estrago feito pelos autointitulados reformadores. Alguns eram sinceros, mas sinceramente enganados.

O Rei ainda não voltou, entretanto o castelo real continua de pé e segundo a vontade do Rei. Mesmo com algumas falhas na pintura, mas sempre repintada da cor original nas partes falhas. Este castelo continua firme e forte, afinal, o próprio Rei Eterno prometeu que estaria com eles até a consumação do século e que as investidas dos bárbaros não prevaleceriam contra seu castelo. Infelizmente ainda há os que se alimentam dos mitos criados em relação ao castelo. Os mesmos acabam perdendo os tesouros dados de graça pelo Rei.

Seus moradores zelosos continuam a trabalhar, principalmente trazendo de volta estas pessoas enganadas. Cada vez mais os filhos do Rei Eterno voltam pra casa, ora avaliando seus próprios erros de construção, ora sendo convencidos por outros. Ambos esperam a volta do Rei e a revelação geral do seu reino.

A Igreja, assim como o castelo, continua firme, mesmo com as tempestades e pedradas, pois, como nosso Rei Eterno Jesus prometeu as portas do inferno não prevalecerão contra a sua Igreja (cf. Mt 16,18). A Santa e Una Igreja Católica. Os mitos devem ser desfeitos, e os fundamentos reais reafirmados. Que o Rei envie cada vez mais trabalhadores zelosos para sua obra.

Mas por que me tornei católico? Uma das várias razões que me fez deixar o protestantismo é que suas bases não fazem sentido em si mesmas sem a tradição da Igreja. Além disso, observando as doutrinas católicas, vi que são mais bíblicas que algumas doutrinas protestantes. Se é que podemos dizer “algumas” desses vários ramos do protestantismo que surgem a cada dia com uma novidade primitiva. Se é ainda, que algo pode ser chamado de novidade (como uma nova revelação) e ao mesmo tempo ser primitiva!

Isso se deu principalmente quando comecei a estudar a igreja primitiva e a doutrina católica bem como a sua história, e percebi, assim como vários ex-protestantes, que os primeiros cristãos eram mais católicos que protestantes, também que as pessoas criaram vários mitos em relação ao catolicismo. Os mesmos mitos direcionados ao Castelo Real. Assim como o Castelo, a Igreja não foi modificada posteriormente por homens que queriam que os outros acreditassem em suas doutrinas humanas. Houve sim um desenvolvimento na forma de compreender as mensagens de Jesus, dos apóstolos e dos cristãos primitivos. Não um desenvolvimento no sentido de que algo diferente e até mesmo contraditório era acrescentado, mas um desenvolvimento na medida em que os cristãos começavam a meditar no depósito da fé, na Tradição e Escrituras, guiados pelo Espírito Santo, conforme Jesus prometera. Ao contrário do mito inventado por alguns supostos reformadores, nem o Castelo nem a Igreja escondiam os livros sagrados, ou proibiam a leitura de sua biblioteca. Na verdade foram ambos que preservaram seus livros, além de que, por meio de pessoas autorizadas, pois sucederam as colunas do Castelo e da Igreja e foram guiados pelo Espírito, que sabemos quais são os livros que de fato revelam a vontade do Rei. Da mesma forma que os moradores do castelo, os católicos adoram somente a seu Deus, mas, como foram ensinados desde o principio, prestam honras aos que seguiram de forma exemplar os mandamentos de seu Mestre.

Não pretendo fazer aqui nesse testemunho uma analise dos pontos principais que me fizeram católico. Quero é convidar as pessoas sinceras, principalmente protestantes, a buscarem a verdade a respeito da Igreja Católica. É certo que várias pessoas preferem criticar a Igreja com coisas simplesmente ridículas, como o uso de crucifixos (sim, ainda tem gente que critica isso!), mas só o fato de estar lendo esse texto, caso não seja católico, já indica disposição em examinar as evidências católicas.

Sobre a reforma protestante, penso que houve pouca comunicação de ambas as partes. Se hoje, com todos os meios de comunicação disponíveis, ainda há mitos alimentados e falta de comunicação, e até mesmo desonestidade por parte de alguns, imagine quando a imprensa nascia? Hoje, graças a Deus, vários desses mitos estão sendo desfeitos, não só mitos em relação a Igreja, mas de “reformadores” que foram transformados em mitos, em príncipes da liberdade de expressão e religiosa, quando na verdade não foram. Interessante é que as catacumbas de Roma, que nos dão inumeras e fortes evidencias da crença primitiva (principalmente das contrárias ao ensino protestante) foram redescobertas em uma época muito próxima em que as controvérsias protestantes estavam em alta. Supeito uma providência Divina nessa redescoberta. Será o Rei Eterno dando sinais de sua presença invisível?

Nunca imaginaria que iria encontrar a ortodoxia na Igreja Católica. Como certa vez disse G. K. Chesterton, “Tentei criar uma nova heresia; mas, quando já lhe aplicava os últimos remates, descobri que era apenas a ortodoxia.”. O mesmo bem afirmou que para se conhecer de fato o cristianismo ou tem que estar totalmente dentro dele, de forma que o conheça, ou totalmente fora a ponto de não odiar. Como uma casa que, se ficarem somente na entrada não se conhecerá a beleza vista de fora nem as maravilhas internas. Deve-se ou entrar dentro da casa, ou sair totalmente fora dela para vê-la por completo. A mesma coisa se pode dizer sobre a Igreja Católica.

No mesmo livro (O Homem Eterno), esse grande católico afirmou uma verdade que se vê em toda a história da Igreja: quando se pensa que a Igreja morreu, aí é que ela nasce de novo, isso porque tem um Deus que sabe morrer e voltar a vida. Quando Jesus morreu, todos pensaram que o seu movimento havia cessado, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. Seus discípulos pregavam que o Cristo havia ressuscitado dos mortos. E quando os imperadores pensavam que iriam destruir a Igreja do Senhor cortando seu corpo em pedaços, aí é que ela revivia e se revigorava a cada mártir que tinha seu corpo queimado, esquartejado ou jogado às feras. Ou, a exemplo de Chesterton, no tempo em que o imperador, filho de Constantino, desejava que a Igreja acreditasse na nova moda que era o arianismo, mas a crença de que Jesus é o Filho Eterno de Deus tornou-se novamente viva entre o povo por causa dos que mantinham essa chama acesa. Depois da reforma pensou-se que a Igreja, o barco que anda (mesmo que às vezes vacilante) no meio das águas mundiais com todas essas crenças divergentes, iria afundar e acabar sendo um barco entre as canoas que haviam afundado, ela continua firme e forte com o Vigário de Cristo nos guiando pela ajuda do Cristo que ainda não está presente de forma física. Hoje com muitos dos ditos católicos agindo como se não o fossem, ainda há um povo guiado por Jesus Cristo sendo levantado. Muitos estão gritando que a Igreja está morta, assim como seu Cristo que morreu. Mal sabem que o Cristo que soube fazer essa Igreja reviver nos tempos em que parecia desfalecer, está a levantar novamente seu corpo visível.

Sou um dos que nasceram dentro dos limites do Castelo, e, por isso, sempre fui católico. Da mesma forma que vários dos que são católicos mesmo sem saber. Mas criticava o catolicismo, pois não conhecia de perto. Eu o via por partes, e só concordava com essas partes que conseguia ver por completo, as outras, que via de relance, ou que alguns que afirmavam estar lá dentro (mas que nunca estiveram de fato) me diziam, eu descartava como algo que não é da vontade do Rei e assim preferia ficar ao redor do castelo.

Mas, por vontade de conhecê-lo de fato, depois de ver o exemplo de vida de alguns irmãos Católicos, comecei a entrar pela porta, e, por curiosidade, vasculhar as salas, os quartos, quadros e relíquias. Assim pude perceber a beleza e veracidade do depósito da fé pura revelada por Jesus e repassada pelos apóstolos e seus sucessores. Acabei ficando por lá mesmo, em um quarto que já estava preparado para mim antes mesmo de pensar em entrar. Vários quartos já estão preparados.
Como qualquer cristão, ainda há várias lutas para enfrentar, principalmente agora quando meus amigos e familiares me perguntam por que agora sou católico. Há luta também dentro de casa. Como é que um pastor evangélico pode se conformar que seu filho tenha se tornado católico? Bom, tenho que agradar a Deus e não aos homens, e tenho a fé de que ele vai ser mais um a testemunhar sua ida a Igreja de Cristo.
Não sou pessimista sobre esse assunto. Jesus me "otimizou", afinal, as portas do inferno não prevalecerão contra sua Igreja, e sinto que os tempos da Igreja estão a mudar. Cada vez mais a verdade está ficando clara com o protestantismo entrando em colapso consigo mesmo. Que todos sejam um, para que o mundo creia que nosso Senhor Jesus Cristo foi enviado pelo Pai (cf. João 17,21).
*Cedido carinhosamente pelo autor.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Milhares de ex-anglicanos se unirão a ordinariato pessoal da Igreja Católica na Grã-Bretanha.

900 pessoas, 61 delas sacerdotes, vão se unir ao Ordinariato

As milhares de pessoas que se unirão à Igreja Católica nesta Páscoa estão participando nestes dias dos ritos que marcam a fase final de preparação.

Nas dioceses da Inglaterra e País de Gales, existem mais de 4.700 candidatos e catecúmenos que se reuniram na semana passada, nas catedrais de suas respectivas igrejas locais.

Estima-se que, de todos eles, 900 se tornarão membros do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, criado para aqueles que, a partir da Comunhão Anglicana, desejam ser católicos, mantendo alguns elementos da tradição anglicana. Destes, 61 são antigos clérigos anglicanos.

Outros países

Em Washington, D.C. (EUA), duas cerimônias estão sendo preparadas para o Rito de Eleição e o Chamado a Prosseguir a Conversão, devido ao grande número de pessoas. A arquidiocese vai acolher 1.100 novos membros, de cerca de 100 paróquias.

O cardeal Donald Wuerl, arcebispo de Washington, dará a cada um dos catecúmenos e candidatos seu livro "Os Sacramentos. Um encontro contínuo com Cristo", agora publicado em inglês e espanhol.

Em Miami, 489 catecúmenos participaram do Rito de Eleição. O arcebispo local, Dom Thomas Wenski, lhes disse: "Permaneçam firmes na oração e saibam que seus irmãos e irmãs católicos estão rezando por vocês e aguardando com alegria sua entrada na Igreja".

"Lembrem-se das palavras repetidas inúmeras vezes nas Escrituras e que ouvimos tantas vezes do Papa João Paulo II: Não tenham medo. Não tenham medo de atravessar a vida como amigos de Deus." Enquanto isso, em Hong Kong, Dom John Tong anunciou que sua igreja batizará 3.400 catecúmenos, cerca de 350 a mais que no ano passado.

Esta diocese estava batizando mais de 2.000 pessoas por ano nos últimos anos, mas em 2010 o número saltou para mais de 3.000.

O aumento é atribuído a "um compromisso impressionante da diocese e à mobilização do laicado", informou a agência ‘Fides'. Existem aproximadamente 356 mil católicos em Hong Kong, cerca de 5% da população.

Tradição

Na Vigília Pascal, em 23 de abril, será realizada a celebração dos sacramentos da iniciação. Depois de receber os sacramentos do Batismo, Confirmação e Eucaristia, os escolhidos são chamados de neófitos, e são considerados membros plenos dentre os fiéis cristãos. Continuam com um período de reflexão chamado "mistagogia", que significa "saborear os mistérios" e que dura da Páscoa até Pentecostes.

Os anglicanos que se unirem ao Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham serão recebidos na Igreja perto da Páscoa, mas de acordo com a data estabelecida com bispos locais, com a intenção de permitir-lhes celebrar o Tríduo (da Quinta-Feira Santa até o Sábado Santo) como católicos.

Os antigos clérigos anglicanos cujas petições de ordenação foram aceitas pela Congregação para a Doutrina da Fé serão ordenados como padres católicos em datas próximas a Pentecostes.

Fonte:

Grã-Bretanha: Igreja se prepara para receber novos membros , LONDRES, quarta-feira, 16 de março de 2011 (ZENIT.org). Disponível em: http://www.zenit.org/article-27507?l=portuguese Acesso em: 17 Março 2011.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

John Henry Newman ex-padre anglicano, hoje beato católico.

Ainda que somente há alguns anos que sou católico, sei entretanto que o problema "por que sou católico" é muito diferente do problema "por que me converti ao catolicismo". Tantas coisas motivaram minha conversão e tantas outras continuam surgindo depois... Todas elas são colocadas em evidência somente quando a primeira nos dá o empurrão que conduz à própria conversão. Todas são também tão numerosas e tão diferentes umas das outras, que, no fim, o motivo originário e primordial pode chegar a nos parecer quase insignificante e secundário.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Conversão do ex-protestante Robert Ian Williams

Seque-se mais um testemunho, da Serie de Testemunhos de Ex-Protestantes, que estamos postando no blogger, testemunhos que foram retirados de varios sites na internet. e reunidos e agora publicados aqui no blog do Apsotolado São Clemente Romano.


A IGREJA E O PROFESSOR


"Como você pôde fazer isto? É serio mesmo a sua conversão? Você agora idolatra Maria? Como você pode contar os seus segredos mais íntimos a outro homem na confissão? Por que você se converteu? Como você pode aceitar ensinamentos que não se encontram na Bíblia?"

Estas são algumas perguntas que tenho recebido desde que fui recepcionado na Igreja Católica. À medida que vão passando os anos, têm se tornado mais freqüentes desde que decidi colocar os fatos no papel para informar os curiosos. Espero que este pequeno resumo ajude os católicos a entender a mentalidade "evangélica" e também ajude os evangélicos a pensar um pouco sobre o problema central que jaz no coração deste assunto: a autoridade.

Minha filiação à Igreja Católica não foi uma conversão paulina, como a ocorrida no caminho de Damasco. Embora seja certo que Deus pode fazer coisas assim, meu caminho para a fé romana foi uma experiência educativa e gradual. A conversão é, em suma, um assunto espiritual, porém, muitos fatores podem contribuir para que ocorra. Meu desagrado pela confusão em que se encontra a cristandede evangélica foi o ponto de partida. Creio que foi a graça de Deus que me permitiu discernir a debilidade desse sistema religioso.

Mas antes que a minha insatisfação se fizesse sentir, estava eu muito feliz no Cristianismo evangélico. Confiava em Cristo, acreditava que os meus pecados seriam perdoados e pensava que conhecia os Evangelhos e o Novo Testamento. Pensava também que todas as demais religiões estavam erradas e via a Igreja Católica como uma igreja apóstata, cheia de corrupção medieval, que obscurecia o Evangelho para a ruína das almas. Estava convencido que a Palavra de Deus na Bíblia era a única autoridade para o crente (Sola Scriptura) e que eu era justificado apenas por minha fé e nada mais que a minha fé (Sola Fide). Estes eram para mim os principais lemas da batalha da Reforma. Quando encontrava algum católico, ia logo mostrando a "verdade" e tentava levá-los ao conhecimento de Cristo. Eu era tão anticatólico que me negava a orar na capela existente na universidade onde dava aula. Sabia que a União Evangélica Cristã buscava converter os católicos e pensava, então, que todo assunto católico era nada mais que pura hipocrisia.

Porém, a graça de Deus começava a operar em meu coração. Tudo começou com o tema do batismo. Os cristãos evangélicos estão bastante divididos a este respeito. Alguns aceitam o batismo de crianças e outros crêem que o batismo é apenas para o crente adulto. Estudei os fatos e não encontrei nenhuma referência explícita ao batismo de crianças no Novo Testamento; assim, decidi investigar quanto tinha sido inserida esta prática entre os cristãos. Será que poderia remontar aos tempos dos Apóstolos ou tinha se infiltrado na Igreja durante os primeiros séculos? Ao seu tempo, descobrí que o batismo de crianças era claramente apoiado pelo registro histórico. Se tivesse sido uma inovação, deveria então existir algum protesto contra a sua introdução na Igreja. Não pude encontrar nem um só grupo cristão anterior ao século XVI que rejeitasse o batismo das crianças. E até descobrí que estes primeiros cristãos batistas apenas aspergiam a cabeça do adulto ao batizá-lo. Achei que a imersão (que também era um ponto importante para alguns evangélicos) não tinha sido iniciado até o século XVII. Descobrí, então, que as igrejas batistas eram frágeis quanto ao rigor e a continuidade histórica.

Assim, rejeitei o batismo "apenas para adultos". Para mim, isto era uma parte crucial da verdade e comecei a tentar convencer os evangélicos batistas agora que tinha conhecimento do erro de suas crenças. Alguns me disseram que eu estava obcecado por um assunto de importância secundária. Isto me chocou! Como poderia um mandamento solene de Jesus Cristo ser considerado como de importância secundária? Fiquei assombrado quando o renomado líder evangélico Martyn Lloyd-Jones, em seu livro "What Is an Evangelical?" ("O que é um Evangélico?") comentou sobre o assunto da desunião das igrejas evangélicas, dizendo: "Outro assunto que devemos pôr na mesma categoria é a idade e o modo do batismo: a idade do candidato e o modo de administrar o rito do batismo. Devo pôr, então, na categoria das coisas que não são essenciais porque não se pode provar nem um nem outro usando apenas as Escrituras. Lí livros sobre o tema durante 44 anos e creio que sei menos agora do que sabia no começo. Portanto, enquanto afirmo - junto com todos nós - que creio no batismo, porque é evidentemente uma ordem de Deus, não devemos nos separar no que tange à idade do candidato e ao modo de administrá-lo".

Aqui temos um homem que, crendo na autoridade da Bíblia como única condutora do crente, não pôde estabelecer o padrão bíblico para o Batismo. Isto é o que eu chamo de "aprender e não chegar ao conhecimento da verdade". Ironicamente, na mesma obra, Lloyd-Jones ensina a suficiência da Escritura e que o Evangelicalismo é muito mais claro em sua lógica que o Catolicismo! Isto me fez olhar para outras discordâncias que existem entre os evangélicos. Se fossem apenas assuntos secundários, não haveria a necessidade de criar denominações separadas, cada qual esgrimando diferentes teorias para o retorno do Senhor, para o significado da Ceia do Senhor, se o crente pode ou não pode perder a sua salvação, ou as disputas sobre os dons carismáticos. A lista é longa.

A minha formação acadêmica é a de historiador e, como tal, me concentrei na História da Igreja. Não pude deixar de me assobrar quando vi que não podia encontrar nem um só registro do cristianismo evangélico na Igreja anterior ao século XVI. Nem mesmo os valdenses e os seguidores de Wyclif tinham idéia da salvação apenas pela fé. Ambos os grupos participavam dos sacramentos da Igreja Católica e passaram como movimentos de reforma dentro da Igreja e não como igrejas separadas. Nenhum dos Padres da Igreja pregou a salvação somente pela fé. O próprio Wyclif morreu enquanto participava de uma missa, sem ter sido batizado como crente e contente com seu batismo católico que recebera quando criança!

A teoria de que a conversão do imperador romano Constantino no século IV deu início à corrupção da Igreja é ainda mais inacreditável. Descobrí que a Igreja primitiva cria no batismo das crianças, na regeneração pelo batismo, nos bispos, na sucessão apostólica, na presença de Cristo na Eucaristia, no sacerdócio sacrificial, nas orações pelos falecidos e de um papel todo especial do bispo de Roma. Tudo isto se encontra claramente séculos antes de Constantino. Nas palavras do Cardeal Newman, "quem adentra na História, deixa de ser protestante". Não pude achar um só registro dos evangélicos bíblicos, um grupinho de fiéis que se apegaram às crenças que caracterizam os evangélicos de hoje: somente a Bíblia e justificação apenas pela fé. O tratamento evangélico para a História da Igreja é superficial: nos fala de pessoas como Ambrósio, Agostinho e Atanásio como se fossem cristãos que apenas empregavam a Bíblia, ignorando completamente o contexto católico em que eles viveram. Classifico isto como intelectualmente desonesto.

Descobrí que a história dos evangélicos está assentada sobre mitos. A Igreja Católica - me afirmavam - tinha queimado as cópias da Bíblia. Pelo contrário, comprovei que a Igreja Católica preservou a Bíblia, definindo o seu cânon e só queimou e proibiu a leitura das edições que eram traduções inexatas e heréticas. Por exemplo, Bíblias como a tradução de Tyndale, que ostentava notas de rodapé atacando a Igreja e o Papa. Também descobrí versões traduzidas para os idiomas vernáculos vários anos antes da reforma alemã. Os Evangelhos foram traduzidos para o anglo-saxão muito antes que o idioma inglês fosse formado!

Também descobrí que o famoso "Livro dos Mártires", de John Fox, um católico apóstata do século XVI, era impreciso. Muitos dos "martires" durante o reinado de Maria Tudor eram anti-ortodoxos, tendo sido queimados durante o reinado da rainha Isabel, que era protestante. De fato, Fox apoiou um regime que torturou e assassinou católicos que apenas queriam viver na fé dos seus antepassados. Apoiou também um regime que queimou cristãos evangélicos como os batistas! Foram cristãos protestantes os que perseguiram os pais do Puritanismo na Inglaterra do século XIX e esse grupo, por sua vez, já estabelecido na América, passou a perseguir os seus próprios companheiros de fé.

Eu tinha aceito a falsa idéia perpetuada por Lloyd-Jones e outros mestres evangélicos, que os católicos crêem na revelação contínua. Descobrí que, muito pelo contrário, a doutrina católica ensina que a revelação pública terminou com o que receberam os Apóstolos e que a fé foi entregue de uma vez aos santos. É dever da Igreja, como "coluna e fundamento da verdade" (1Timóteo 3,15), a interpretação e o discernimento do depósito original da fé. A Igreja Católica não inventou a transubstanciação no século XII, nem inventou o dogma trinitário no século IV. Como evangélico, fiquei perplexo ao me encontrar na mesma situação dos Testemunhas de Jeová que afirmam que a palavra "Trindade" não se encontra na Bíblia. Eu imaginava que a doutrina estivesse ali e o termo simplesmente a definia. Porém, acabava tendo por problema o fato de não poder usar este argumento para discutir a questão do Purgatório com um católico. Eu acabava respondendo que o caso do Purgatória não podia ser definido claramente. Mas esta era uma resposta bastante deficiente pois era subjetivamente evangélica. Além disso, Lutero, Calvino, Wesley e uma certa quantidade de outros reformistas "enxergavam" o batismo das crianças, enquanto que Spurgeon, Billy Graham e muitos outros não o encontravam na Bíblia. O ensinamento católico era mais lógico: Deus estabeleceu uma Igreja como árbitro final e não pode ela ser culpada pela confusão. O desenvolvimento da doutrina é como a revelação de um filme fotográfico: a imagem está no filme, mas à medida que o tempo e as circunstâncias mudam, a imagem se torna mais visível.

Não pude encontrar um só texto que afirmasse que apenas a Bíblia era suficiente. A famosa passagem que afirma que a Escritura é útil (2Timóteo 3,16) significa claramente que é um apoio, não que seja suficiente. Assim como é útil para mim beber água regularmente, mas não é suficiente como a alimentação completa. Não pude encontrar um só versículo que ensinasse que a Palavra de Deus deveria ser exclusivamente a palavra escrita. Mas encontrei Jesus honrando as tradições da fé judaica de sua comunidade, que não se encontravam na Escritura; sua condenação das falsas interpretações das tradições feitas pelos fariseus não era uma condenação da tradição em si mesma, já que a Igreja que Ele fundou sobre os Apóstolos aceitou tanto as tradições escritas [Escrituras] quanto as orais.

Nesse momento decidi reexaminar a minha crença em Cristo. Seria possível alguém ter sido enganado? Seria possível que Cristo fosse um falso Messias? Depois de todos os judeus O terem negado, poderia o povo mais brilhante e durador do mundo ter se equivocado? Portanto, comecei a ler apologética judaica contrária ao Cristianismo, que centrava seus ataques principalmente afirmando que as profecias sobre o Messias não tinham se cumprido; afirma ainda que Jesus nunca declarou ser Deus e que os seguidores gentios acrescentaram "conceitos pagãos" como o nascimento virginal e a Encarnação. Isto me fascinava porque se parecia muito com as acusações que os anticatólicos fazem, dizendo que essas mesmas coisas são acréscimos pagãos. Passei a ver isto como a culminância lógica da teoria evangélica: se o Paganismo contaminou o Cristianismo, então como pode um ensinamento divino e permanente ser comparável à incorruptível Torah? Outro livro anticristão me levou ainda mais para essa direção ao me questionar: se a religião de Cristo é a verdade, por que existem tantas igrejas cristãs diferentes? Assim enxerga o Cristianismo o intelectual judeu: como um fracasso.

Então voltei novamente a observar Cristo. Não poderia rejeitar sua divindade. Poderia ver que o Novo Testamento ensinava que Ele é Deus e isto não era um acréscimo pagão. O judaísmo moderno não é igual ao judaísmo da época de Nosso Senhor; é algo que se desenvolveu com o tempo e que também se dividiu em seitas. Inclusive, dentro do judaísmo ortodoxo há interpretações rabínicas que estão em conflito. Continuei me apegando fervorosamente à minha crença no Cristianismo "apenas com a Bíblia". A forma de vida e a comunidade evangélicas são muito acolhedoras e, para mim, os cultos católicos pareciam frios quando comparados. Ao mesmo tempo, me desiludia cada vez mais da apologética anticatólica. Livros como "Catolicismo Romano", de Loraine Boettner (um clássico anticatólico), apresentavam grosseiras distorções da realidade da doutrina e história [católicas]. Lembro-me de ter lido um livro evangélico que ridicularizava a doutrina católica da intenção sacramental. Na verdade, ridicularizava uma má representação dessa doutrina. A interpretação evangélica clássica dos textos petrinos cruciais, como Mateus 16, fundamenta-se em uma visão defeituosa e, então, eu já podia vê-la claramente. O jogo de palavras entre "Petros" e "petra" era periférico, uma vez que Nosso Senhor falava aramaico. A maioria dos eruditos evangélicos de hoje aceita a visão de que Pedro é a pedra e que recebeu as chaves da autoridade de uma maneira especial, pois assim como os antigos reis de Israel delegavam suas chaves de autoridade ao seu principal ministro ou vizir, Jesus designou Pedro como seu representante ou vigário. As chaves, em qualquer cultura civilizada, representam poder. Me dei conta que distorciam os escritos dos Padres da Igreja para fazê-los harmonizar com seus argumentos anticatólicos.

Há algumas pessoas que propõem a idéia de que os Padres da Igreja estão em desacordo com a idéia de Pedro ser a pedra de que fala Mateus 16. Um exame cuidadoso dos escritos patrísticos revela que se referem a diversos aspectos e significados das Escrituras; assim como uma casa é construída sobre uma série de alicerces, os escritores patrísticos observam os diferentes sentidos da Escritura sem se contradizer em absoluto.

Ao contrário do que anunciava o mito evangélico, encontrei aí evidência histórica abundante para a presença de Pedro em Roma e o estabelecimento de seu Bispado. Ao ouvir Nosso Senhor dizer [a Pedro] que a carne e o sangue não lhe tinham revelado sua divindade, podemos ver o dom de Deus que é o Papado em sua forma embrionária. Me surpreendeu encontrar, já desde o século I (quando o Apóstolo João ainda vivia), que o bispo de Roma escrevesse à igreja de Corinto, instruindo e advertindo seus membros que, se não considerassem o seu conselho, estariam em grave perigo. Com o passar dos séculos, a evidência do Papado aumenta. Então descobrí que havia respostas razoáveis para as objeções evangélicas. Lembro-me muito bem do comentário que lí em um "livro de visitas" de certa igreja anglicana; foi escrito, obviamente, por um visitante católico e dizia: "Onde está Pedro, aí está a Igreja". Essas palavras que ficaram gravadas na minha mente, eram as palavras de Ambrósio, proferidas no século IV. A igreja angligana pode ter conservado os edifícios católicos erguidos antes da Reforma, porém, certamente, não conservou a antiga fé. Apesar de sua "cara de Catolicismo", a igreja anglicana do século XIX é protestante. Isso se manifesta na ordenação de mulheres e outras aberrações que nela tomaram forma. O papel de Pedro chegou a estar tão claro para mim, que nem sequer conseguia considerar a pretensão das igrejas ortodoxas orientais de ser a verdadeira Igreja de Cristo. Nessas igrejas (ou, melhor dizendo, nessas comunhões) pude apreciar uma formosa liturgia, mas também uma falta de clareza magisterial. Por exemplo, até a década de 1930, as igrejas cristãs rejeitaram claramente a anticoncepção como uma coisa instrinsicamente imoral. Em 1930, a igreja anglicana a aprovou e outras [igrejas] a seguiram a partir de então. Isso inclui os ortodoxos, que também aceitam o divórico e as segundas núpcias. Apenas a Igreja Católica manteve uma posição firme nesses assuntos e isso sob o custo de perder a Inglaterra no século XVI.

Os ortodoxos abandonaram o sucessor de Pedro para se apegar ao poder imperial de Constantinopla. Depositando sua confinça nos príncipes, colheram finalmente um fracasso. Enquanto todas estas coisas me indicavam, sem sombra de dúvidas, que a pedra da Igreja Católica era firme, o liberalismo de algumas pessoas dentro da Igreja me pertubava. Então, ao ler a parábola da casa construída sobre a pedra, me dei conta que a chuva e o vento a ferem também. Os excêntricos e os dissidentes, porém, não podem demolir a casa; podem tirar-lhe pedaços da pedra, mas não a pode destruir. Assim foi que descobrí, pararalelamente ao que ocorreu com Nosso Senhor, que a oposição se concentra em três áreas principais. Durante o ministério terrestre [de Jesus], as autoridades religiosas se horrorizaram diante:
1. Das suas declarações de ser Deus;

2. Do fato de que perdoava os pecados; e

3. De sua declaração que, para ter a vida eterna, deve-se comer de Seu Corpo e Sangue.

Tudo isto continua sendo a razão de uma oposição virulenta entre os evangélicos. Lembro-me muito bem que, quando era evangélico, ironizava o ensinamento católico da confissão a um sacerdote, da crença na transubstanciação, na Missa, na infalibilidade do papa e da Igreja. Lembro-me de ter refutado, afirmando que apenas Deus poderia ser infalível.

Meu exame cuidadoso das Escrituras me mostrou também que a doutrina católica sobre Maria se fundamenta na Palavra de Deus e não é importada do Paganismo. O fato de os pagãos terem cultuado deusas não invalida a crença em Maria, assim como o fato de os pagãos terem realizado sacrifícios não invalida os sacrifícios ordenados na Bíblia. Pude perceber que os católicos não a adoram mais que os anglicanos adoram a Oliver Cromwell, quando estes colocam flores aos pés de sua estátua nos dias comemorativos.

A doutrina católica da comunhão dos santos chegou a ser para mim uma verdade estabelecida. Se "a oração do justo tem muito poder" então aqueles que morreram no Senhor, sendo espíritos perfeitos de homens justos, devem possuir um valor superlativo para nós. Isto é ilustrado perfeitamente em Apocalipse 5, em que os 24 anciãos representam os santos que oferecem suas orações a Deus. Antes de ingressar na Igreja Católica, uma das últimas linhas de resistência evangélicas é levantar as vidas de certos católicos que são bastante desastrosas. Essa objeção me foi dissipada ao ler Ronald Knox. Knox foi criado em um ambiente profundamente evangélico e logo se converteu ao Catolicismo. Uma vez disse que se ele esquecesse o guarda-chuva na entrada de um templo metodista, ao retornar encontrá-lo-ia ainda ali; porém, não seria possível assegurar que o mesmo ocorreria em um templo católico. Os metodistas usaram muitas vezes esta frase a seu favor; contudo, na realidade, é um testemunho contrário a eles. Cristo veio para salvar os pecadores e a rede da Igreja foi lançada para pescar todos os homens. A Igreja não é um clube para leitores da Bíblia de classe média; a Igreja de Jesus Cristo é uma poção misturada e o erro dos reformistas foi acreditar que a Igreja deve ser composta 100% pelos eleitos de Deus.

Nosso Senhor disse claramente que "muitos são chamados, mas poucos os escolhidos". Ainda que seja certo que conheci alguns católicos bastante desviados da fé, também é certo que a grande maioria dos católicos são pessoas de bem que querem viver a vida em conformidade com os ensinamentos da Igreja. O fato de muitos católicos desobedecerem os ensinamentos da Igreja só confirma as palavras de Nosso Senhor: "A quem mais se dá, mais lhe será exigido". São os católicos os que terão um juízo mais severo, iniciado pela Casa de Deus, quando o Senhor, no fim dos tempos, separar o trigo do joio.

Comecei a perceber que, tal como os fariseus do tempo de Jesus, os evangélicos tinham um ponto de vista superficial sobre a adoração de Jesus. Isto pode soar um pouco duro, mas de fato muitos cristãos "bíblicos" acumularam uma série de regras que condenam comportamentos certamente inofensivos, como se fossem anticristãos. Primeiro, se favorece a opinião de que ingerir algo é pecado e logo se ensina que Jesus bebeu apenas suco de uva, e que o vinho do milagre de Caná não tinha teor alcóolico. A outro pode parecer que dançar é abominável. Pode-se escrever uma longa lista de costumes semelhantes. Há evangélicos que pensam que fumar é evidência de que alguém não é crente, mas Spurgeon, comentarista batista do século XIX, fumava. Outros não jogam na loteria, mas investem seu dinheiro na bolsa. É quase impossível criar um estereótipo do crente evangélico, mas é possível dizer com segurança que a grande maioria aceita a anticoncepção. Pagam o dízimo de seu ganho a Deus (o evangelismo não custa barato a ninguém), mas não de seus corpos. Todo o sistema da "Sola Scriptura" é subjetivo. Foi-me contada uma história sobre uma senhora a quem alguém perguntou se acreditava realmente que ela e seu empregado eram os únicos cristãos, ao que ela respondeu: "Bom... Não estou muito segura se Jaime é".

Não estou sozinho, pois nos últimos anos muitos evangélicos tradicionais converteram-se à fé católica. E o fizeram ainda que o caminho para a Igreja estivesse bloqueado por falsas representações semeadas pela oposição. Isto é seguramente uma graça de Deus, pois sempre haverá oposição para aqueles que quiserem cumprir perfeitamente as palavras de Nosso Senhor. A oposição provém das forças do secularismo, do materialismo, do modernismo e de outras filosofias. Tudo isto rejeita os ensinamentos que são peculiares à Igreja Católica. A Igreja é a pedra pequena predita pelo profeta Daniel, que destruirá a falsa imagem. É a semente que cresce até se tornar uma forte árvore. É o caminho que Isaías profetizou e que os homens não poderão deixar de encontrar. É a casa erguida sobre a rocha.

O Cardeal Herbert Vaughan (1832-1903) resumiu com palavras muito sábias o que usarei como corolário:

"É prática comum dos opositores da Igreja Católica tentar frear as almas apresentando-lhes uma multidão de dificuldades e objeções contra as doutrinas da Igreja. Sobre isto, podemos dizer duas coisas: Primeiro, seria muito fácil examinar esta lista de dificuldades e publicar um exame das mesmas, o que já foi feito por doutos católicos em grandes obras. Porém, é óbvio que para contender com tais problemas, deveria ser um teólogo ou passar toda a vida pesquisando, já que é necessário refutar todas as acusações. Por outro lado, temos as obras dos escritores anticatólicos, escritas para cegar ou confundir o caminho. Obras compostas por calúnias, citações adulteradas e uma mistura cuidadosamente dosificada de erro e verdade. Tais [obras] tentam, ao mesmo tempo, golpear e alienar tanto no sentido moral quanto no sentido intelectual. Se não conseguem total êxito assim, ao menos semeam perplexidade, ansiedade e o retardamento no caminho da busca de Deus. Porém, ao invés de ingressar em um labirinto cheio de dificuldades e quebra-cabeças de objeções, a via mais curta e satisfatória deverá ser eleita. Primeiro, encontrar o divino mestre, o pastor supremo, o vigário de Cristo. Concentre todas as suas faculdades mentais e morais na cabeça terrestre da Igreja de Deus. Essa é a chave para resolver esta situação".
Fonte:

Publicado originalmente em inglês na revista "This Rock" Vol. 9, nº 3 em março de 1998. Robert Ian Williams, oriundo de Gales, é professor em Londres e publicou uma série de curtos tratados sobre a fé católica e sua história. ROBERT IAN WILLIAMS: EX-PROTESTANTE Por Robert Ian Williams [Tradução: Carlos Martins Nabeto]. Disponível em: http://www.voxfidei.com Acesso em: 5 fevereiro 2010.





sábado, 24 de julho de 2010

Ex-Testemunha de Jeová, Willams Lezcano.

Meu nome é Williams e toda minha vida eu vivi em Villahermosa, uma cidade no sudeste do México. Quando menino, fui criado em uma família católica. Sempre tive curiosidade e o desejo de saber tudo sobre Deus e era fascinado pela Bíblia. Muito jovem eu tive meu primeiro contato com as testemunhas de Jeová. Estava na adolescência quando tudo levou a uma volta definitiva. Em minha inexperiência eu acreditei achar a verdadeira religião de tal modo que entrei na organização das Testemunhas.



Eu progredi depressa, tão rapidamente que aos 19 anos eu fui nomeado ajudante ministerial. Mas em meu estudo da Bíblia eu estava achando coisas que não concordava com o que a organização ensinava. Comecei a ver que o ensino doutrinal deles não tinha fundamentação bíblica nem histórica. Logo minha mente estava clareando em aspectos que são importantes, como relação direta com nossa salvação, Jesus Cristo como divindade, a identidade histórica e espiritual da verdadeira Igreja de Cristo e outros.

Mas a gota que encheu o copo era o comportamento de várias pessoas dentro da congregação. Eu posso dizer com uma consciência limpa e tranqüila que eu sempre tentei continuar ao pé da carta que eu acreditei para ser o testamento do verdadeiro Deus.

Eu pensei nesse assunto várias noites, e numa delas, estava sem dormir. Eu me levantei e fui a minha família para comunicar minha decisão de abandonar a seita. Minha irmã se surpreendeu depois de me escutar, me falou que tinha chegado à mesma conclusão, mas ela hesitou. Eu penso que o Espírito Santo nos levou à mesma conclusão, mas de modos separados! Minha mãe ficou muito feliz. Haveria novamente uma unidade espiritual em casa.

Decidi me afastar da organização.

Não era minha intenção ferir os sentimentos religiosos mais profundos em meus velhos companheiros.

Certa ocasião por causa das normas da organização, expulsaram um outro velho companheiro, criado ministerial, porque um dia estava bêbado. Ele foi um dos que me instruíram tempos atrás. Também me interrogaram pela minha ausência nas reuniões durante quase um mês. Foi quando eu declarei o desejo de deixar a organização e voltar à Igreja católica, mostrando as razões pelas quais tinha tomado tal decisão. Verdadeiramente era uma resposta inesperada para eles, pois não responderam nem me desencorajaram, porque o que eu tinha descoberto em meu estudo da Bíblia e da história a respeito deles era falso.

Nós sentimos uma grande emoção ao participar novamente depois de tantos anos de uma celebração eucarística. Agora eu freqüento os sacramentos e trabalho na Pastoral Litúrgica de minha paróquia, surpreendentemente aquela paróquia para qual tantas vezes fora quando menino.

Hoje nós voltamos à casa do Pai, para aquele que está sempre de braços aberto às crianças que, em algum momento estavam lá e partiram. Eu rezo para aqueles irmãos que deixaram a verdade de lado, rezo para que retornem para a verdadeira Igreja.

Eu compartilho esta experiência, e por isso sei que há muitas testemunhas de Jeová principalmente jovens que podem fazer uso da Internet, embora são proibidos pela Sociedade das testemunhas. Abro os olhos de muitas pessoas que procuram Deus com coração sincero. O Deus que esteve próximo a eles no batismo dado pela Igreja Católica. Por alguma razão eles ignoraram isto e foram procurar em outras casas.


Fonte: Livro Por que estes ex-protestantes se tornaram católicos. Editora ComDeus. Autoria de Jaime Francisco de Moura. http://www.veritatis.com.br/apologetica/testemunhos/567-willams-lezcano-ex-testemunha-jeova

domingo, 11 de julho de 2010

Ex-Testemunha de Jeová e Batista, Tom Been

Seque-se mais um testemunho, da Serie de Testemunhos de Ex-Protestantes, que estamos postando no blogger, testemunhos que foram retirados de varios sites na internet. E reunidos, sendo agora publicados aqui no blog do Apostolado São Clemente Romano (http://www.apologeticacatolica.com.br/).


O Caminho de Arizona a Roma

Um ex-membro do quartel-general dos Testemunhas de Jeová no Brooklyn (EUA) e sua esposa foram admitidos na Igreja Católica em 2006. Esta é a história desde o início:

"Meu pais foram batizados como testemunhas de jeová na primavera de 1954, logo após o meu quarto aniversário. Meu pai, àquela altura um rancheiro dedicado à criação de gado, cresceu sem freqüentar nenhuma igreja. Minha mãe tinha sido, até então, nominalmente metodista, sem freqüentar regularmente a sua igreja. Ambos foram atraídos pela versão de Cristianismo oferecido pela Torre da Vigia, aderindo a esta crença com grande entusiasmo.

PROGRESSO NO BROOKLYN 
LIÇÕES DE HISTÓRIA 
UMA MUDANÇA DE VISÃO FUNDAMENTAL

A SAGRADA TRADIÇÃO



Em cerca de dois anos, convencidos de que o fim do mundo (o Armagedon) se aproximava, venderam sua casa localizada no Phoenix (Arizona) e se ofereceram como voluntários 'para mudar para um lugar onde a necessidade de pregadores fosse mais urgente'. Em 1956, meu pai foi nomeado superintendente da Congregação Cottonwood, no Arizona, que nessa época era formada apenas por nossa família e um testemunha de jeová já em idade avançada. Em 1960 o grupo já tinha crescido; era uma pequena, porém muito dedicada Congregação composta por uma dezena de famílias. Papai rejuvenesceu o idioma espanhol que aprendera na escola secundária e fundou um pequeno grupo de estudo da Bíblia entre os hispânicos de Cottonwood. Pouco depois, a pedido da Sociedade Torre da Vigia, nos mudamos para El Centro, um povoado ao sul da Califórnia, onde meu pai serviu como superintendente de uma Congregação de fala hispânica.


Minha mãe e eu começamos a estudar espanhol. Eu aprendi o idioma com grande facilidade, porém ela teve muitas dificuldade para aprendê-lo e nunca conseguiu falá-lo fluentemente. Alguns anos depois, nos pediram novamente para que mudássemos para uma pequena Congregação de fala hispânica do Arizona. Após concluir a escola secundária em 1967, me dediquei ao ministério em tempo integral (Precursorado). Como resultado, fui classificado como 'Ministro Religioso' pela Junta local de recrutamento das forças armadas e fui isentado de prestar o serviço militar. No verão de 1968, por sugestão dos meus pais, apresentei a minha proposta para trabalhar no centro mundial dos Testemunhas de Jeová, no Brooklyn (Nova Iorque). Fui admitido e comecei a trabalhar ali a partir de 14 de novembro de 1968.

No Lar de Betel - como normalmente é chamado a central do Brooklyn - me apliquei com diligência ao meu trabalho. Estava determinado a aprender tanto quanto fosse possível sobre os ensinamentos da Torre da Vigia. Minha vontade de entregar-me ao trabalho e uma aptidão natural para o mesmo resultou que me fossem atribuídas outras responsabilidades, as quais geralmente eram reservadas a pessoas com mais idade do que eu.


Pouco depois da minha chegada a Betel, meus pais começaram o ministério em tempo integral (Precursorado). Meu pai foi convidado a ser superintendente de circuito (pregador itinerante) e assim se dedicou a visitar as Congregações de fala hispânica no sudoeste e nordeste dos Estados Unidos por cerca de 10 anos.



Em Nova Iorque fui apontado, aos 19 anos de idade, como membro do Comitê de Serviço de minha Congregação local; aos 21 anos, já era ancião. No ano seguinte, fui nomeado "ancião betelita". Como tal, me cabia falar nas conferências e assembléias públicas como representante da Torre da Vigia. Aos 26 anos, fui o orador principal na assembléia de distrito de Roanoke (Virgínia). Em Betel, passei a trabalhar no linotipo principal, que imprimia a revista "A Atalaia". Um ano depois, fui nomeado supervisor de uma série de linotipos. Aos 27 anos, fui nomeado superintendente da oficina de impressão. Cultivava amizades com membros influentes e responsáveis por Betel, muitos deles escritores ou pessoas que trabalhavam em outras oficinas importantes, as quais eram atribuídas aos testemunhas mais leais e melhor formados. Nesses tempos, mantinha diálogo com eles acerca dos ensinamentos da Sociedade e do funcionamento da Organização.



Em finais de 1973, voltei a me encontrar com uma jovem e encantadora mulher, chamada Glória, que também era betelita e que tinha conhecido pouco depois de sua chegada a Betel, no ano de 1971. Namoramos por algum tempo, nos noivamos e nos casamos em 25 de maio de 1974. Glória, da mesma forma que eu, era uma fervorosa entusiasta da Sociedade Torre da Vigia e uma pessoa bastante trabalhadora. Ambos tínhamos decidido dedicar completamente nossas vidas como membros da sede principal durante os poucos anos que faltavam para chegar o fim do mundo no Armagedon. Nós dois aprendemos francês e nos oferecemos para trabalhar com os testemunhas de fala francesa, em sua maioria haitianas, em Newark, Nova Jersei. 



SURGEM DÚVIDAS INQUIETANTES


Embora fosse testemunha de jeová durante quase 10 anos (me batizei em 1959), nunca tinha lido a Bíblia em sua totalidade. Decidi-me então a fazê-lo. Isto suscitou muitas dúvidas que assaltavam meus pensamentos. Quanto mais lia, mais contradições encontrava entre as simples explicações que ofereciam as Escrituras e as minhas crenças como testemunha. No princípio, atribuí a minha falta de compreensão à minha própria juventude e inexperiência. Porém, com o passar do tempo, o respeito e a confiança que os meus pares me conferiam passaram a aumentar. A esta altura, comecei a comentar cautelosamente as minhas dúvidas acerca da Bíblia aos membros superiores e mais respeitados da sede principal. Fiquei surpreso ao descobrir que muitos deles tinham os mesmos problemas que eu e também da forma sincera de se abordar esses assuntos. Comecei a olhar os ensinamentos da Torre da Vigia de diversos pontos de vista a partir da publicação do livro 'Auxílio para Entender a Bíblia', em 1971. Ocorreram mudanças na Organização que abriram as portas para o exame de outros ensinamentos fundamentais. Perguntava-me: 'Se nos enganamos pensando que certas atividades eram solidamente baseadas nas Escrituras, não poderíamos estar enganados também nas doutrinas?' E eu não era o único que perguntava essas coisas... Durante a década de 1970, uma crescente quantidade de pessoas sinceras da sede principal passou a ler outras traduções bíblicas além da Tradução do Novo Mundo da Torre da Vigia e ainda comentários bíblicos. Começamos a nos reunir em grupos informais; estudávamos e debatíamos abertamente, sem a 'assistência' das publicações da Torre da Vigia. Em 1979, me convenci que era impossível reconciliar certos ensinamentos-chaves da Torre da Vigia com a Bíblia. No entanto, ainda acreditava que Deus estava guiando a Organização, de forma que achava que grandes mudanças ocorreriam em breve. As aguardei com grande expectativa. Por outro lado, minha esposa Glória estava descontente em Betel. Suas dificuldades não eram, primariamente, de índole doutrinária, mas tinham a ver com a maneira como as pessoas eram tratadas. Desejava abandonar Betel para ter filhos. Segundo a minha forma de ver, a cronologia da Torre da Vigia estava correta; portanto, não conseguia entender o porquê de todo mundo querer ir embora faltando tão pouco para o fim do mundo...



Mencionei o caso a um amigo de confiança do Corpo Governante, Ray Franz. Ele me deu a cópia de uma carta que fora escrita à Sociedade Torre da Vigia por Carl Olof Jonsson, testemunha-membro do Corpo Diretivo da Suécia. Jonsson apresentava provas irrefutáveis de que a cronologia da Torre da Vigia continha erros sérios. A lógica que empregava e a documentação que apresentava eram sólidas e de grande erudição. Li a evidência uma e outra vez. Finalmente, me convenci. O que era difícil para eu aceitar não era o erro em si mesmo, mas a sua conseqüência. A cronologia era e é absolutamente essencial para determinar a afirmação da Sociedade Torre da Vigia de que é "o canal de comunicação" de Deus com a Humanidade neste breve período que antecede o fim do mundo. Comecei a considerar seriamente a possibilidade de que a Sociedade Torre da Vigia não era o que afirmava ser. Parecia existir a certeza de que os líderes da Sociedade, na melhor das hipóteses, tinham sido induzidos ao erro; ou, no pior dos casos, eram hipócritas e falsos profetas. Ainda que eu tivesse desfrutado muitíssimo em estar ao seu serviço e tivesse amado verdadeiramente os meus irmãos e irmãs testemunhas, parecia-me praticamente certo que minha partida definitiva era inevitável.



Assim, morreu em mim o desejo de apoiar ativamente algo que eu já não acreditava. Minha função na sede principal tinha encontrado o seu fim. No meio deste período confuso, meus pais vieram a Nova Iorque, provindos do Texas, para nos visitar. À raiz de alguns comentários que fiz acerca da excomunhão de alguns de nossos amigos íntimos, intuíram que a minha atitude incondicional anterior de apoio à Organização estava mudando. Lhes assegurei que jamais abandonaria a Deus, Jesus Cristo ou a Bíblia, porém, não podia negar que tinha sérias dúvidas quanto à autoridade da Organização. Todavia, já sem a fé na cronologia da Torre da Vigia, não havia mais nenhum motivo para adiar nosso desejo de formar uma família. Decidimos deixar Betel o mais rápido possível. Deixamos Betel em 15 de julho de 1980. Contudo, não estava preparado para me afastar totalmente da minha comunidade. Toda nossa vida estava ligada aos Testemunhas de Jeová. Também tinha a impressão de que estaríamos em uma situação mais favorável para que nossos pais compreendessem como tinha mudado a minha forma de pensar se ainda mantivéssemos alguma relação. As coisas não saíram como eu esperava. Esse foi o começo de um profundo distanciamento que durou um-quarto de século. Continuou aumentando até que me encontrei quase completamente isolado de meus pais. Nunca pude me reconciliar com meu pai antes que viesse a falecer em 2002. Porém, sempre o amei. Tudo estava para dar uma reviravolta. Tínhamos que recomeçar nossas vidas. Não tínhamos dinheiro guardado, pois servimos como voluntários nos doze anos anteriores, sem qualquer salário. Tinha, contudo, estudado muito, experiência trabalhista e conhecimentos técnicos, apesar de não possuir título universitário. Pedi 300 dólares emprestados ao meu sogro, para mudar-me para Lancaster (Pennsylvânia) com o pouco que tínhamos. Moramos com os pais de Glória durante 10 semanas, até que eu conseguisse encontrar um emprego e um lugar para viver.



EXPULSO DA COMUNIDADE DOS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ



Deixamos a sede principal por vontade própria, todavia a Organização me tinha em alta estima, de modo que pouco depois de chegar a Pennsylvânia fui nomeado membro do corpo de anciãos. Tinha dúvidas, mas não encontrava motivos para me afastar dos Testemunhas de Jeová, já que minha relação com eles não mandava desconsiderar o que me ditava a consciência. No entanto, descobri que isso ficava cada vez mais difícil, pois a tendência geral das publicações da Torre da Vigia desse período consistia em advertir contra aqueles que não concordavam com os seus ensinamentos, que eram classificados de "apóstatas" e merecedores da condenação eterna. Depois de 1 ano aproximadamente, renunciei ao meu cargo de ancião. Ao mesmo tempo, tivemos um filho, Matthew, que nasceu em 9 de agosto de 1981. Cerca de 1 ano e meio depois, os membros do Conselho da Congregação de Lancaster pediram para falar com Glória e comigo na habitual reunião de serviço de 5ª-feira à noite. Foi uma sessão judicial informal. Me interrogaram (na presença de Glória), durante mais de uma hora, se eu tinha "dúvidas". O único tema específico que me interrogaram era se acreditava ou não na Sociedade Torre da Vigia como uma organização de Jeová. Respondi que Deus tinha operado através dos Testemunhas de Jeová, mas que Ele não estava disposto a se limitar em operar através destes exclusivamente. Afinal, Ele é Deus - afirmei - e pode fazer tudo o que quiser. A reunião terminou sem que se tomassem medidas contra mim.



Ainda que tivéssemos sido muito ativos na Congregação, durante mais de dois anos e meio, poucos - se é que os havia - sabiam que tínhamos dúvidas. No entanto, em menos de dois dias, muitos ouviram que éramos "céticos". Pediram, então, para que comparecêssemos a outra breve reunião duas semanas depois. Os membros do Conselho nos fizeram saber que, considerando que as nossas dúvidas na Congregação eram "vox populi", precisavam tomar uma medida. Mencionei que nenhuma pessoa da Congregação sabia nada sobre as nossas dúvidas antes dos anciãos terem se reunido conosco. Era evidente que os próprios membros do Conselho tinham difundido essa idéia após aquela reunião. A esposa de um ancião tinha mencionado alguns detalhes da reunião a uma cunhada de Glória. Um dos membros do Conselho respondeu: 'Como você ficou sabendo dessa informação não é tema que interessa. Agora que é de domínio público, temos que tomar providências'. Anunciaram então sua decisão de nos expulsar. Isto significava que nossa família e amigos deveriam nos repudiar, caso contrário seriam também expulsos. Nós tivemos a impressão de que a decisão de nos expulsar já tinha sido tomada antes de se reunirem conosco, com base em fatores que não eram nem provas, nem o nosso próprio testemunho. Ficou evidente que não adiantaria apelar da decisão. Desta maneira, encerraram-se quase 3 décadas de nossa relação com os Testemunhas de Jeová. Nossa comunidade religiosa nos havia repudiado e agora estávamos sós.



OBRA DE DEUS ATRAVÉS DE UMA ORGANIZAÇÃO?



Apesar da forma como fomos tratados, havia muitas coisas admiráveis nos Testemunhas que eu tinha certeza que eram corretas. Tinha descoberto o erro, porém o que eu queria era a verdade. Precisava saber, de algum modo confiável, quais ensinamentos da Torre da Vigia eram verdadeiros e quais eram falsos. Uma vez que tinha acreditado que Deus empregara a Organização da Torre da Vigia como um canal exclusivo para se comunicar com seus fiéis, concentrei minhas reflexões nesse tema. Minha esperança era poder escrever um ensaio que ajudasse meus pais (antes de mais nada) a entender o porquê de eu ter mudado algumas das minhas opiniões sobre a Sociedade Torre da Vigia. Utilizando a minha Concordância e o Dicionário Bíblico, comecei a buscar minuciosamente nas Sagradas Escrituras evidências no sentido de verificar se Deus alguma vez usara ou não alguma organização como instrumento oficial para se comunicar diretamente com a Humanidade.


Concluí que não e publiquei o meu ensaio em um artigo que intitulei 'Deus opera através de uma organização?'. Com o passar dos anos, foi traduzido para diversos idiomas e teve uma circulação bastante ampla entre os Testemunhas que se separaram da Organização, especialmente quando a Internet passou a ser usada massivamente. Embora nesse momento tenha atuado sem sentimento de culpa, sinto um pouco de tristeza pelo êxito que teve e devo aceitar o fato de que meus escritos provavelmente induziram muitos ao erro. Inicialmente, não entendia a diferença entre as organizações humanas e a Verdadeira Igreja, o Corpo de Cristo. Posteriormente, corrigi o meu artigo para demostrar que Cristo estava organicamente unido ao seu Corpo, o que não ocorria com as organizações humanas. Porém, tinha ainda muito o que aprender sobre o que Jesus tinha começado e preservado: a Igreja visível, o Corpo vivo no qual Ele mora.



UMA MÃO EXTENDIDA AOS TESTEMUNHAS



Logo depois de ter deixado Betel, mantive contato com amigos ex-testemunhas e travei amizade com outros mais. Começou a se formar uma rede cada vez maior, mediante a qual se trocavam palavras de conforto e esperança. Durante o verão de 1983, meu amigo Peter Gregerson nos convidou, juntamente com vários testemunhas, para uma reunião na qual se decidiu dar um caráter oficial ao grupo, na forma de um ministério. Nosso grupo foi chamado 'Biblical Research and Commentary Incorporated' ou, abreviadamente, 'BRCI'. O objetivo era produzir material e proporcionar apoio aos testemunhas que se separavam, para facilitar-lhes na penosa transição da Sociedade Torre da Vigia para o 'mundo exterior'. No verão seguinte, em 1984, a primeira das várias reuniões anuais foi celebrada em Gadsden (Alabama).


Muitos testemunhas expulsos têm membros da família ou cônjuges que continuam sendo leais à Organização. Nos parecia assim que um nome bem mais neutro poderia facilitar a remessa dos materiais a essas pessoas sem chamar a atenção dos membros da família que continuavam como testemunhas para o fato de que o destinatário estava se correspondendo com um ex-testemunha, o que é terminantemente proibido. Pelo que me recordo, a sugestão do nome foi dada por Ray Franz, embora nunca tenha sido membro da diretoria da BRCI.



Estabelecemos uma linha telefônica confidencial de apoio para confortar as pessoas que sofriam por ter deixado a Organização da Torre da Vigia. Pouco depois de sua publicação, meu artigo sobre a Organização era sempre incluído no pacote informativo que era remetido aos que ligavam para a linha de apoio da BRCI.



EXPERIÊNCIA ECLESIÁSTICA 



Durante aproximadamente os sete primeiros anos, Glória e eu líamos e estudávamos a Bíblia por nossa própria conta ou com outros ex-testemunhas, com os quais nos reuníamos semanalmente através de um pequeno grupo de suporte. Formamos fortes laços sociais com estes queridos amigos, porém nosso crescimento espiritual foi lento. Geralmente nossos debates centravam-se mais naquelas coisas que havíamos alguma vez acreditado como verdade, mas que depois tínhamos rejeitado. Volta e meia voltávamos ao mesmo assunto sempre que nos reuníamos. Finalmente, Glória me disse: 'Já estou cansada de examinar uma e outra vez as mesmas coisas de sempre. Quero aprender algo novo e verdadeiro sobre Cristo!' Também já tinha chegado nosso segundo filho, James, nascido em 22 de novembro de 1986. À medida que nossos filhos começavam a crescer, sentíamos cada vez mais a necessidade de encontrar cristãos que cressem na Bíblia com os quais nossos filhos pudessem se relacionar.



Muitas das crianças de nosso bairro eram educadas como humanistas seculares e não compartilhavam nem de nossos princípios cristãos, nem de nossos pontos de vista sobre a importância de se agradar a Deus. Tentamos em uma igreja local e logo em seguida nos tornamos amigos do pastor e sua esposa. Quando se inteirou de meu 'curriculum', me pediu para que tomasse conta de uma classe da escola dominical para adultos. Me surpreendeu que não me pedisse maiores detalhes sobre as minhas verdadeiras crenças. Nem sequer apareceu na minha classe para ver o que eu ensinava. Isto me pareceu estranho pois, para mim, a precisão doutrinária era muito importante. Porém, sempre ensinava a 'ortodoxia' no sentido de que podia respaldar meus ensinamentos tanto nas Sagradas Escrituras quanto nos comentários protestantes que gozavam de respeito. Nem Glória, nem eu jamais nos tornamos membros dessa igreja. Não queríamos nos incorporar a nenhuma organização religiosa. Depois de ensinar ali, por cerca de 1 ano, o pastor me pediu, lamentando, que eu deixasse o posto de professor, já que entendia que ninguém poderia ter classes e, ao mesmo tempo, não ser membro da igreja. Creio que tinha razão. Foi uma boa experiência em termos gerais. Começamos a fazer amigos cristãos. Nos inteiramos que nem todos os cristãos evangélicos estavam totalmente convencidos acerca da verdade doutrinal como nós estávamos. Buscávamos uma comunidade de crentes que tivessem bastante filhos e uma grande quantidade de programas para eles. Finalmente, fomos nos adaptando, pouco a pouco, a uma comunidade batista evangélica independente. Aí conhecemos muitos cristãos excelentes e rapidamente nos envolvemos em atividades eclesiásticas. Alguns meses depois de termos nos associado a essa igreja, outra vez me pediram que assumisse classes bíblicas para adultos, atividade esta que desempenhei ininterruptamente durante 14 anos.



No final da década de 1990, comecei a trabalhar em outro artigo com o objetivo de complementar aquele que havia escrito sobre a Organização. Minha intenção era auxiliar ex-testemunhas a encontrar outros crentes, para que pudessem se relacionar com eles. Queria que se sentissem tranqüilos, ajudando-os a compreender que muitas igrejas atuais ensinam e prestam culto de maneira semelhante aos discípulos do século I. Pensei que seria útil mostrar como eram os primeiros cristãos, como eram estruturadas suas congregações, como viviam e prestavam culto e em quais aspectos se diferenciavam dos ensinamentos e da prática dos Testemunhas de Jeová. Queria que compreendessem que viver como cristãos era o que mais importava e os incentivava a se incorporarem a alguma comunidade cristã centrada na Bíblia.


Comecei empregando somente as Escrituras, mas logo percebi que muitas coisas que se ensinam e praticam nas igrejas não podem ser fundamentadas diretamente e apenas nas Escrituras. Acabei comprando livros de História - com o passar do tempo, obtive dezenas deles - além de fazer muita pesquisa na Internet. Quando terminei de escrever o artigo 'Onde se encontra o Corpo de Cristo' recebi maravilhosos comentários. Porém, o que eu ia descobrindo suscitava em minha cabeça muito mais perguntas do que respostas...



Enquanto pesquisava, comecei a encontrar por acaso referências aos 'Primeiros Padres da Igreja'. Praticamente todos os eruditos, tanto católicos quanto protestantes (exceto alguns eruditos modernos) demonstravam um grande apreço por eles. Nessa época, eu somente tinha uma idéia muito vaga de quem eram eles. Quando fiquei sabendo, no final da década de 1990, que meu amigo David Bercot tinha publicado um Dicionário das Crenças dos Primeiros Cristãos, adquiri um exemplar. Dei uma olhada, mas não o li muito. Tinha minhas próprias idéias sobre como era a Igreja dos primeiros cristãos e de que maneira criam e prestavam culto. Depois de transcorridos 20 anos de minha saída da Sociedade Torre da Vigia, acreditava que pouco depois do século I a fiel Igreja Apostólica dos primeiros cristãos tinha se transformado na corrupta Igreja Católica Romana. Os Reformadores, como fiquei sabendo depois, tinham um ponto de vista semelhante, exceto que estabeleceram a data da "Grande Apostasia" no século IV, V ou mesmo depois. Contudo, tanto Lutero quanto Calvino acreditavam que a Igreja Ante-Nicena era realmente autêntica. Um dos objetivos da Reforma foi devolver à Igreja sua pureza original, impoluta, ante-nicena. Isto me fez repensar as conseqüências do conceito da "Grande Apostasia". O corolário desta doutrina é que Jesus não teve uma congregação de fiéis discípulos, nenhuma organização visível ou igreja sobre a terra, durante um longo período, talvez vários séculos, até que algum indivíduo (Martinho Lutero, João Calvino, John Wesley, Joseph Smith, Charles Russell ou qualquer outro), baseando-se apenas nos escritos dos primeiros cristãos, os compreenderam corretamente e "restauraram" o verdadeiro cristianismo apostólico sobre a terra. Finalmente, concluí que esse ponto de vista era indefensável, pois significaria que a maioria das pessoas que viveram entre a apostasia e a "restauração" - toda vez que esta supostamente ocorria - na prática não tiveram nenhuma oportunidade de se converter em verdadeiros cristãos, visto que o parecer era que ninguém era capaz de reconhecer 'as simples verdades que são ensinadas na Bíblia' até que aparecesse algum desses reformadores.



A IGREJA: VISÍVEL OU INVISÍVEL?



Também comecei a pensar seriamente sobre como deveria ser a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Devido a minha própria experiência, não me custou aceitar o ponto de vista da 'igreja invisível', na qual todos os membros da 'única santa Igreja católica e apostólica' encontram-se disseminados por todas as confissões cristãs do mundo e é composta por homens e mulheres de cada comunidade cristã que realmente levam à sério a fé e tentam viver em conformidade com as Sagradas Escrituras. A maioria das comunidades de fé que vi estava aparentemente repleta de pecadores que não praticavam a sua fé. Porém, enquanto pensava nisso, comecei a perceber que esta perspectiva apresentava problemas insanáveis. Uma igreja invisível é uma "comunidade" de pessoas espalhadas que não se conhecem, nem estão em mútuo contato. Na verdade, carece totalmente de características visíveis (pois, afinal, é invisível!). Não podemos saber nada de certo acerca de semelhante igreja: onde estão, em que crêem, como prestam culto. Concluí que tudo isso era fruto da imaginação. É como queremos que ela seja, já que não existe nada real com o que podemos comparar. É uma igreja que pode ser interpretada da nossa própria maneira. E o mais importante: não se parece absolutamente em nada com a Igreja descrita no Novo Testamento, que estava repleta de pessoas reais, santas e pecadoras; possuía uma estrutura que incluía presbíteros, diáconos e discípulos de Cristo que se submetiam, em menor ou maior grau, à sua liderança. Cada congregação dos fiéis de Deus descrita nas Escrituras não é apenas visível, mas também humana, com todos os problemas que existem em uma família, clube ou comunidade de seres humanos de qualquer parte. De que outra maneira poderia qualquer igreja ser o sal e a luz da comunidade? De que outra maneira poderiam os não-crentes ver suas boas obras e glorificar a Deus? Até os reformadores, embora rejeitando a autoridade de Roma, reconheciam a existência e a necessidade de um conjunto visível de crentes. Continuei lendo livros de História e também as obras dos primeiros cristãos. A estes lhes considerava representações precisas do que o conjunto principal de antigos cristãos cria e praticava. Me surpreendeu que tantos conceitos e ensinamentos que anteriormente rejeitava me tivessem sido apresentados de maneira incorreta e, inclusive, desonesta na Torre da Vigia e na literatura evangélica, retratando-os como ilógicos ou contraditórios às Sagradas Escrituras. Tal como os apresentavam os primeiros cristãos, geralmente tinham mais sentido e correspondiam melhor às Sagradas Escrituras que muitas das explicações que tinha lido nos Comentários. Comecei a aceitar uma quantidade cada vez maior dos ensinamentos que ali encontrava, simplesmente porque eram claros, maduros e se ajustavam às Escrituras. Um por um, analisei estes ensinamentos comparando-os com as Sagradas Escrituras e, enquanto me convencia de sua validade, paulatinamente minha interpretação do Cristianismo começou a mudar. A complexidade de certas passagens com que havia lidado durante anos passou a desaparecer lentamente. Realmente todas as peças começavam a se encaixar (pela primeira vez na vida). Toda a minha interpretação do Cristianismo se modificou!


SACRAMENTOS



Os primeiros cristãos criam que o Pão e o Vinho servidos durante a comunhão, após serem consagrados pelo presbítero, realmente se convertiam no Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Isto é exatamente o que Jesus disse com clareza em João 6. No entanto, a maioria dos protestantes considera que as palavras de Jesus são simbólicas. Nenhum dos primeiros cristãos entendeu assim. Na verdade, fora pouquíssimas exceções, nenhum cristão anterior à Reforma alemã jamais duvidou deste ensinamento. Esta foi a minha introdução ao conceito de "sacramentos" da fé cristã: objetos materiais pelos quais Deus transmite a graça aos seus fiéis. Nunca ouvi mencionar acerca deles entre os Testemunhas ou os cristãos evangélicos. Todo o conceito me resultava novo e estranho. Porém, à medida que lia, orava e pensava nisso, o assunto tinha cada vez mais sentido. Em síntese, o culto sacramental ensina que Deus opera através de coisas simples como água, pão, vinho e óleo. Estes objetos materiais, quando são consagrados e empregados na Igreja fundada por Jesus, transformam-se em meios pelos quais a graça de Deus é comunicada aos seres humanos. Desempenham um papel fundamental na saúde e nos devolve a plena comunhão com nosso Pai celestial. Segundo esta perspectiva, Deus opera através da sua criação e não ao redor ou apesar dela mesma. No início, eu pensava que isto era totalmente alheio às Escrituras. Porém, agora, guiado pelos primeiros cristãos, passava a encontrar em todas as partes da Bíblia. Por exemplo: Naaman, um leproso sírio, foi curado ao obedecer a ordem de Eliseu (dita de passagem e transmitida por um criado seu) para banhar-se sete vezes no rio Jordão. A água não era mágica, porém Naaman precisou obedecer a ordem e banhar-se nessa água para ser curado (2Reis 5). Os primeiros cristãos criam que as águas do batismo tinham o poder de lavar ou eliminar o pecado dos novos discípulos (Atos 22,16), tal como tinha eliminado a lepra de Naaman. Outros exemplos: Jesus curou um cego fazendo lama, colocando-a sobre os seus olhos e mandando-o lavar-se na piscina de Siloé (João 9,6-11). Uma mulher acreditou que seria curada se tocasse apenas na borda das vestes de Jesus; e de fato foi curada. O pano não era mágico, mas em conjunto com sua fé, transformou-se no meio pelo qual recebeu o poder de Jesus (Mateus 9,20-22). Enquanto relia as Escrituras, me surpreendeu encontrar tantos relatos das obras poderosas de Jesus e dos Apóstolos que se davam por ações físicas como tocar ou soprar sobre os receptores, ou objetos usados como pão, peixe, óleo e vinho. Uma descoberta impactante! 



Nessa mesma época, estava folheando alguns livros usados em uma loja quando encontrei um exemplar do Catecismo Católico à venda por alguns centavos. O comprei e comecei a ler. Fiquei maravilhado com o que havia encontrado! A explicação católica da fé e dos princípios morais cristãos, inclusive a salvação, o batismo, a redenção e a expiação dos pecados, parecia-se muito mais com a explicação da Igreja dos primeiros cristãos do que de qualquer Comentário protestante que havia lido. Com muita freqüência se referia aos primeiros cristãos como fonte de autoridade. A partir desse ponto, comecei a considerar seriamente a Igreja Católica Romana. Me surpreendeu descobrir como seus ensinamentos e práticas guardavam uma íntima relação com a perspectiva dos primeiros cristãos. Porém, como poderia explicar a existência de tantos católicos que não levavam a sério o Cristianismo? No princípio, com certa dificuldade de conceito, mas sempre pensando e orando, recordei que Deus empregou o antigo Israel como "recipiente" da auto-revelação divina transmitida por Moisés durante mais de 15 séculos, mesmo quando a maioria dos israelitas e até suas autoridades eram infiéis. Não poderia ter feito o mesmo com a Igreja universal fundada por Cristo?

Eu havia me inteirado, pricipalmente através de fontes judaicas, que grande parte da prática judaica tinha sido transmitida durante séculos por via oral. Moisés comunicou as normas da Lei Mosaica aos israelitas no Sinai, porém nem tudo tido sido colocado por escrito. As tradições verbais foram colocadas por escrito pela primeira vez (no Talmud e na Mishná) logo após a destruição do Segundo Templo, no século I d.C. É certo que Jesus tinha dito que os fariseus tinham 'invalidado a Palavra de Deus por suas tradições'. Porém, me dei conta de que não quis dizer que toda tradição era negativa; apenas aquela que o homem tinha criado e que contradizia a Revelação divina. As Sagradas Escrituras dizem claramente que Cristo revelou muitas coisas aos seus discípulos e que não foram escritas (João 21,25). Também diz que 'a Igreja' (e não as Sagradas Escrituras) é 'a coluna e o fundamento da verdade' (1Timóteo 3,15). O que Jesus ensinou aos seus discípulos na forma oral não foi 'agregado às Escrituras' pelos Apóstolos; foram ensinadas oralmente aos novos discípulos que surgiram. As Escrituras foram redigidas dentro de um marco eclesiástico em pleno funcionamento, no qual cada ensinamento cristão havia sido transmitido na forma oral durante décadas. Quando o Apóstolo Paulo escreveu cartas às congregações, já tinha dedicado muito tempo antes ensinando-as na forma oral. Suas cartas podiam e diversas vezes deixou muitas coisas para expor. As cartas de Paulo tratam principalmente das contingências e problemas que requeriam o seu conselho e não dos ensinamentos e práticas que todos já conheciam, pois já tinham sido ensinados oralmente e previamente.


O MOMENTO DECISIVO: SEGUIMOS ADIANTE NA FÉ



Finalmente, fomos recompensados e a evidência mostrou ser conclusiva. Minhas investigações sobre a História da Igreja dos primeiros cristãos me permitiu adotar uma perspectiva católica sem que o meu anterior prejuízo contra a Igreja Católica viesse a interferir. O que íamos encontrando nos ensinamentos católicos era incrível: ensinamentos profundos, atraentes, respaldados pela História, de uma lógica coerente e que se ajustavam às Escrituras, resultando como gratificantes não apenas para a mente, mas também para o coração. Agora sentíamos que fazíamos parte desse caminho durante todos estes anos. Encontrei nos artigos de outros convertidos ao Catolicismo uma grande utilidade. Admito que tinha abordado a questão muito vagamente ao estudar o Cristianismo.


Muitos teólogos católicos são gigantes espirituais. Lendo-os, aprendi muito sobre Deus e suas peculiaridades, que jamais supus que existissem. Li 'The Everlastin Man', de G.K.Chesterton, que influenciou na conversão de C.S.Lewis ao Cristianismo. Seus livros 'Orthodoxy', 'Heresy' e 'Conversion' verdadeiramente me tocaram o coração. Os apologistas católicos têm um profundo respeito por C.S.Lewis, ainda que este fosse anglicano, já que sua teologia é praticamente ortodoxa. 'A Map of Life', 'Theology for Beginners' e 'Theology and Sanity', de Frank Sheed, são claros e concisos. Os livros de convertidos contemporâneos ao Catolicismo, como Jimmy Akin, Thomas Howard, Karl Keating, Scott Hahn, Dave Armstrong e Peter Kreeft são especialmente úteis para encarar as dúvidas que os protestantes têm sobre a fé católica. 'Catholic Christianity and his Christian Apologetics', do dr. Kreeft e Ron Tacelli, é mais claro e exaustivo que qualquer defesa protestante do Cristianismo que já li. 'Estas pessoas estão no caminho correto', pensei ao ler o livro. Pensam com maior profundidade que eu na maioria das questões e estão dispostas a arriscar suas vidas e carreiras para seguir a verdade aonde quer que estejam. Durante muito tempo cometi o erro de julgar os ensinamentos católicos baseando-me em pessoas católicas, a maioria das quais (como seus primos protestantes) são mais indiferentes acerca da teologia. Porém, depois de aceitar a evidência histórica de que a fé católica era a expressão original e mais completa do Cristianismo, não devendo julgar a Igreja inteira por causa do [mal] comportamento de alguns pecadores, minha perspectiva mudou. Comecei a ler obras católicas entusiasticamente. As explicações católicas do Cristianismo ajustam-se às Escrituras, ao mundo real e ao coração do ser humano. Creio, com toda a honestidade, que qualquer pessoa que as siga fielmente se transformará em um homem ou mulher de Deus. Os ensinamentos do Catolicismo são sólidos, plenos e retos. Chegamos a eles lenta e cuidadosamente, seguindo a verdade e identificando e rejeitando o erro. 



Compartilhei com Glória as coisas que estava lendo. Ela também as leu e refletiu. Falamos de algumas coisas, porém eu não queria pressioná-la, para que pudesse tomar uma decisão por si mesma. Continuou lendo. Certo dia, simplesmente me disse: 'Deveríamos nos converter ao Catolicismo' (ela tinha sido batizada na Igreja Católica logo após nascer). Consumamos o nosso desejo de tornar parte desta venerável Igreja reunindo-nos com o nosso pároco, o pe. James Cronin, durante alguns meses, a fim de examinar [um pouco mais] os ensinamentos católicos. Fomos admitidos no seio da Igreja Católica Romana em 9 de junho de 2006. Estamos emocionados por sermos católicos e por nossos novos companheiros católicos. Nos sentimos completamente felizes dentro da Igreja que Jesus Cristo fundou. Encontramos o Lar!"


FONTE:

(Tradução: Carlos Martins Nabeto. Fonte: http://www.voxfidei.com/)


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