segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A Imitação de Maria: Parte XI


Maria e a Eucaristia no mistério da Igreja

Por: Eduardo Moreira 

Erroneamente hoje se difunde que a Igreja Católica é uma mera instituição, ou uma religião qualquer, ou ainda, mais uma dentre tantas “igrejas” cristãs. A verdade é que existe apenas uma Igreja, uma única esposa de Cristo e não várias, fora da qual não existe salvação.
Cristo ao se dar numa cruz pela humanidade ganhou méritos infinitos com sua morte. Esses méritos são de Cristo, mas Ele quis cedê-los, pela Graça, ao homem para que ele se salve. O homem, por sua vez, esse verme e arrogante pecador é nada mais que pó e por mais que queira jamais passará de uma sombra aos pés do Criador. O homem caiu na desgraça do pecado através de nossos primeiros pais e dela não pôde sair por si mesmo porque, sendo o homem finito, não pode limpar a mancha infinita do pecado.
O homem ao se colocar como redentor de si mesmo comete um absurdo metafísico porque, sendo o homem cometedor de faltas infinitas contra Deus, não pode jamais se limpar por mais que se esforce. Assim sendo, a humanidade depende da misericórdia divina para se salvar. Essa misericórdia deu-nos Jesus Cristo, o Filho único de Deus para que Esse, morrendo numa cruz, obtivesse méritos infinitos capazes de reparar as faltas dos homens.
Entretanto, esses méritos são de Cristo, não dos homens. Os homens que desejam abraçar essa Salvação conquistada por Cristo têm que abraçar o Batismo para que, através dele e pela Graça, entrem na comunhão do Corpo Místico de Cristo que é a Igreja e só assim possam ser salvos porque Cristo, embora tenha morrido por todos, deu apenas aos batizados a Graça de se salvarem.
Os pagãos e os não-católicos, de alguma forma podem se salvar por caminhos que só Deus conhece, mas com certeza passarão pela Igreja Católica afinal, a Salvação só existe porque nós, fazendo parte do Corpo de Cristo que é a Igreja, tomamos parte do mistério salvífico.
Entretanto, mesmo com o perdão de Deus o homem não deixou de pecar. Muito embora a mancha do pecado original seja retirada no Batismo, o homem permanece com o coração duro, incapaz de evitar integralmente o pecado. Não raras as vezes o homem comete faltas tão violentas contra Deus e contra a razão que se aparta por completo da Graça. Se permanece no erro, o homem se condena eternamente. Assim sendo, está clara nossa fragilidade e nossa dependência constante da Graça e da Misericórdia de Deus.
Deus, não satisfeito em dar a nós a Salvação através de seu Divino Filho, deu-nos também o Espírito Santo, guia infalível da Igreja, Maria, nossa mãe bondosa e exemplo de vida, Graça e Santidade e, enfim, deixou-nos também a Eucaristia, o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, o alimento de nossas almas, pão dos anjos, fonte inexaurível de paz e suavidade. Como o corpo precisa do alimento e de água, a alma precisa do Corpo e Sangue de Cristo. Por misericórdia, Deus também deixou-nos o sacramento da Confissão através do qual, se cairmos em pecado, podemos nos reconciliar.
Assim sendo, podemos concluir sem erro que a Igreja, representada na figura do Papa, é a graça de Deus, o mistério da Salvação ao qual somos ligados pelo Batismo e mantidos pela Eucaristia e pela União com Maria. Maria é quem nos dá os passos a seguir para que não nos desvinculemos da Graça. A Eucaristia é o alimento espiritual que faz com que Deus habite em nosso Espírito, garantindo-nos o Estado de Graça.
Maria é aquela que nos dá os caminhos a seguir e as forças necessárias para não desanimarmos e para voltarmos à comunhão com Deus quando saímos. Maria, essa Mãe bondosa, é também quem melhor pode fazer render os frutos da Eucaristia que comungamos.
Nós, sendo parte do Corpo de Cristo que é a Igreja, nos tornamos também por adoção, filhos de Deus e de Maria, tal qual o próprio Cristo, muito embora não herdemos sua substância. Maria é pois, a geratriz do homem novo, nascido de Cristo.
Feliz aquele que reconhece sua pequenez e recorre ao auxílio desses dois tesouros. Maria foi o primeiro Sacrário por portar o Cristo Vivo em seu seio. Também Ela hoje está sem cessar a nos apresentar o Filho de Deus através da Eucaristia e a nos convidar a adorá-lo e amá-lo a fim de que nos matenhamos unidos à Graça Salvífica presente no mistério da Santa Igreja, o Corpo Místico de Cristo. Feliz aquele que encontra esse tesouro e muito mais feliz ainda será na outra vida ao poder contemplar Deus face a face ao lado de Nossa Senhora, a mais perfeita criatura.
Se pelo Batismo somos anexados ao Corpo de Cristo, pelo amor de Maria nos mantemos atrelados a Ele também com o auxílio da Eucaristia. A Eucaristia aproxima a natureza frágil e decaída do homem à natureza Gloriosa e Puríssima de Deus. Maria é a mãe capaz de unir essas duas naturezas. A Eucaristia nos dá a força, mas sem um caminho a seguir, toda a força do mundo torna-se vã e dispersa. Assim sendo, Maria é a luz que nos mostra o caminho da Salvação, o qual devemos percorrer com a força dispensada pelo Pão dos Anjos, a Eucaristia. Alguns podem pensar que isso é negar o poder de Deus. Respondo, pois, que não há nada mais insensato porque também a Virgem Santíssima é manifestação do poder infinito de Deus.
Eis duas colunas indispensáveis ao cristão para que ele consiga se manter na Graça. Maria, de forma similar àquela feita com Cristo, nos une a Deus, como Ela uniu o Verbo Divino à natureza humana. De forma parecida, Nossa Senhora une seus filhos ao corpo de Cristo, Deus, para que eles se tornem pela Graça merecedores da Salvação obtida por Cristo e filhos do Pai Eterno.
Certamente Deus não privou Nossa Senhora das provações as quais submeteu todos seus filhos. Ela venceu o pecado por seus próprios méritos. Conforme já dito inúmeras vezes, Deus deu o Livre Arbítrio a todos, inclusive à Nossa Senhora. Entretanto, ao contrário de nós que, tendo o livre arbítrio escolhemos deliberadamente o pecado, Nossa Senhora que sempre esteve em plena comunhão com seu Divino Filho escolheu a santidade.
Maria é a nova Eva. Pelo sim de Eva, o pecado entrou no mundo e tornou toda a humanidade decaída. Pelo sim de Maria, ao dizer sim à geração do Salvador, a redenção entrou no mundo. Dessa maneira, de certa forma a Salvação do mundo e até a vontade de Deus estão submetidas à Virgem Santíssima. Confiemos, pois, a Ela nossas dificuldades e peçamos a Ela: Mãe, mostra-nos Teu Filho.

Oração
Santa Maria, Rainha dos céus, Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhora do mundo, que a nenhum pecador desamparais nem desprezais; ponde, Senhora, em mim os olhos de Vossa piedade e alcançai-me de Vosso amado Filho o perdão de todos os meus pecados, para que eu que agora venero com devoção a Vossa santa e Imaculada Conceição, mereça na outra vida alcançar o prêmio da bem-aventurança, por mercê do Vosso benditíssimo Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina para sempre. Amém.

domingo, 4 de agosto de 2013

Há salvação fora da Igreja Católica?

Por: Eduardo Moreira

 Uma recente polêmica que vem esquentando a rede social Facebook motivou esse texto. A polêmica ocorreu por causa de algumas declarações do vocalista da banda de rock católico Rosa de Saron, Guilherme de Sá, as quais o Padre Paulo Ricardo respondeu em forma de um vídeo condenando as frases do cantor como sendo heréticas. Em outras vezes já cometemos erros no Apostolado São Clemente Romano em julgar apressadamente as pessoas, mas é evidente que o vocalista dessa banda precisa esclarecer melhor o que ele disse porque, afinal de contas, ficou mesmo confuso, muito embora em sua defesa ele tenha citado a Encíclica Redemptoris Missio do Papa João Paulo II.
A questão polêmica é sobre o dogma, em princípio enunciado por São Cipriano de Cartago que diz “extra Ecclesiam nulla salus” (não há salvação fora da Igreja Católica). Entretanto, essa declaração forte do bispo de Cartago, um grande orador que viveu no século III, tem também que ser interpretada para que não se cometam equívocos como muitas pessoas realmente fazem. Primeiramente é mister dizer que a verdade é que a doutrina da Igreja não muda, ou seja, aquilo que era dogma há 2000 anos continua sendo dogma hoje e, portanto, a afirmação desse santo (que foi elevada a dogma) vale para os dias atuais. Também Santo Agostinho, o grande bispo e doutor de Hipona se posicionou em defesa desse dogma e assim sendo nada nos resta a não ser concordar com ele. Cabe aqui, entretanto, esclarecer 1) o que é Igreja Católica e 2) o que é o dogma em questão e o porquê das coisas serem assim.
É importante dizer que Igreja Católica não é uma mera instituição como foi difundido pela cultura moderna, especialmente após a Reforma Protestante como uma via de desmoralizar a Igreja. A Igreja antes de tudo é o Corpo Místico de Cristo, do qual Cristo é a cabeça invisível e o Papa é a cabeça visível. É bom dizer também que não é qualquer um que se salva, afinal, o homem não é redentor de si mesmo porque se assim fosse, o Sacrifício de Cristo teria sido inútil. Afirmar que o homem pode limpar a si mesmo do pecado é cair na heresia gnóstica, uma heresia primitiva irracional que prega, dentre outras coisas, a negação da matéria e a reencarnação.
O homem ao pecar comete uma ofensa infinita contra Deus, que é infinito. Ora, se o homem comete uma ofensa infinita então ele precisa reparar de forma infinita, mas o homem sendo finito é incapaz de fazer isso. Pra reparar as faltas dos homens, Deus, por misericórdia, morreu na cruz e adquiriu um sacrifício reparatório capaz de limpar qualquer pecado. Entretanto, Deus adquiriu o mérito pra todos os homens, mas nem todos os homens tomam parte desse tesouro tão facilmente. Para que tenhamos os méritos de Cristo devemos formar um corpo com Ele e esse corpo, conforme já mencionado, é a Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo do qual fazemos parte através do Batismo (para mais detalhes leia a obra “Por que Deus se fez homem? de Santo Anselmo de Cantuária). Ora, se Cristo possui méritos infinitos e se nós fazemos do Corpo d'Ele, então também nós, pela graça e não por nosso merecimento, tomamos parte nesses méritos. A nossa conduta de vida em evitar o pecado nos garante a comunhão com a Graça, o que nos garante a Salvação. Assim sendo, não é a conduta de vida que nos salva, ela apenas nos mantém unidos à Salvação que nós já recebemos de Deus. A salvação vem pela graça, não por nossos méritos.
Aqui já sabemos que é condição para a salvação que sejamos parte do Corpo Místico de Cristo. Entretanto, pela misericórdia Deus estende esse Corpo a pessoas que não estão fisicamente na Igreja Católica quando em vida, mas apenas espiritualmente. De fato, a Igreja Católica é muito maior do que podemos ver. Pessoas que estão em um estado de ignorância invencível, não pelos méritos próprios, mas pela misericórdia de Deus também podem se salvar.
Aqui devemos fazer alguns esclarecimentos para que não haja nenhum equívoco. 1) não é a religião que a pessoa segue fora da Igreja Católica que salva (embora todas religiões tenham elementos da verdade, apenas a Igreja Católica tem a verdade revelada plenamente), 2) não é o homem que se salva, mas a misericórdia de Deus e 3) não é por merecimento, mas por graça, misericórdia e justiça divinas que os não católicos se salvam.
Ora, se em um ponto remoto da Terra existe um povo que nunca teve entre eles um pregador, será mesmo que Deus seria justo em cobrar deles algo que não conhecem? É claro que não! Por causa disso as pessoas que tiveram uma boa conduta de vida fora da Igreja Católica serão julgadas não pela sua fé, mas pela sua conduta. Deus deixou uma lei moral sensível ao homem, isto é, há um criador (a beleza do mundo nos revela isso) e não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam conosco (amarás o teu próximo como a ti mesmo).
Os pagãos ao morrerem se encontram com Cristo e Ele, por sua Infinita Misericórdia, concede a eles seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade para que tomem parte do riquíssimo tesouro de Cristo. Dessa maneira a Igreja crê e ensina que aqueles que não pertenceram à fé católica, a única onde está revelada integralmente a verdade divina, devem entrar em comunhão com a Igreja, o Corpo Místico de Cristo, após a morte para que sejam salvas. Para ver um belíssimo testemunho acerca disso recomendamos que o leitor procure o “Livro da Vida” que conta a história de Glória Polo, uma colombiana que teve uma experiência de quase-morte e visualizou um índio recebendo a Eucaristia antes de entrar no Céu.
Assim sendo, o dogma da Igreja permanece válido até hoje. Cristo de fato morreu por todos, a Igreja existe pra todos, qualquer um pode ser batizado e tomar parte dessa grande graça, mas sem a Igreja não há salvação. Qualquer afirmação que seja diferente dessa é herética e condenada pela Igreja e com justa razão. Esperamos que nossos leitores não sejam divagadores de heresias cujo pensamento é distinto do que ensina a Santa Madre Igreja.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Brasil e o que é iniquidade institucionalizada


Por: Eduardo Moreira

Na véspera das eleições muita gente dizia “sou cristão, voto Dilma”. Entretanto, que cristã é essa que sanciona integralmente uma lei que, na prática, libera o aborto? Muitos questionarão: mas ela não sabia, não era intenção dela. Mentira!
Na véspera das mesmas eleições citadas muito alvoroço foi feito. Incontáveis vídeos de Dilma defendendo abertamente o aborto foram apresentados, mas mesmo assim estavam lá os católicos dizendo que a Dilma era católica, afinal, ela até tinha ido no Santuário de Aparecida. Mais ainda, muitos diziam que as questões morais não importavam frente ao desenvolvimento social (suposto) que o Brasil vinha tendo durante a gestão do PT. A esses católicos eu digo, sinto muito, vocês não são católicos. Digo mais, não existe desenvolvimento social que compense a ruína moral de uma nação posto que uma sociedade sem moral não sobrevive tempo o bastante pra colher os frutos de seu desenvolvimento.
Entretanto, vamos esquecer os péssimos católicos que votaram na Dona Dilma Roussef, a mesma que antes das eleições jurou de pés juntos que jamais faria algo pra liberar o aborto no Brasil. Vamos apenas falar da iniquidade institucionalizada. Entretanto, o que é iniquidade? Iniquidade é a incapacidade do indivíduo se incomodar com o pecado. Uma pessoa que comete a iniquidade é uma pessoa que peca deliberadamente e aquilo já não lhe deixa horrorizada porque está acostumada, anestesiada pela maldade. É o pecado arraigado no mais íntimo do ser.
É exatamente isso que vemos nos abortistas e nos que apoiam suas causas. São pessoas que não se compadecem com o sofrimento alheio. Uma pessoa que tem um pouco de humanidade olharia com horror para aqueles pequenos corpos dilacerados e choraria. Não obstante, uma pessoa normal ficaria tomada de tanta fúria que iria querer fazer justiça àquele pobre feto que foi brutalmente assassinado. Entretanto, infelizmente não é isso que muitos católicos têm pensado.
Em nome de mais concursos públicos, isto é, de mais dominação do estado em nossas vidas, as pessoas se tornaram fiéis praticantes dos pecados mais terríveis. A iniquidade está sendo institucionalizada e poucas pessoas têm lutado contra ela. A máquina estatal nas mãos do Partido dos Trabalhadores e de sua base aliada tem cada vez mais instalado o pecado entre nós e Deus não aguentará isso por muito tempo.
Quando digo as pessoas riem de mim achando que estou exagerando, mas chegaremos em breve a um tempo em que as Igrejas Cristãs serão obrigadas a não só se calarem perante à maldade do estado como também a cumprir tudo o que o mesmo quer. Vão vendo: se a máquina estatal não parar, haverá tempos em que os padres serão obrigados a casarem homossexuais nas Igrejas. Vide que já existem advogados que vão à justiça secular revogar excomunhões, como se o estado pudesse interferir em temas da Igreja.
Muitos já estão pensando que isso é exagero, afinal, a constituição garante a liberdade de culto. Ora, a constituição também garante o direito à vida, entretanto, o aborto foi legalizado debaixo de nossos olhos, mesmo com a constituição proibindo que isso fosse feito e mesmo com todos os juramentos da Sra. Dilma Roussef.
A questão é que os cristãos, a maioria nesse país, necessitam urgentemente retomar as rédeas do Brasil e livrá-lo das mãos da esquerda. É preciso urgentemente que acordemos para o que está se passando em nosso país. Leis esdrúxulas vêm sendo aprovadas ou colocadas em votação e as pessoas não têm feito nada. Não existe mobilização nas paróquias, não existe uma palavra dos bispos, padres e diáconos e a conivência dos leigos é completa.
Católicos de todo o Brasil, acordem! Vocês estão colocando uma forca no próprio pescoço e não estão percebendo.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Dia do Senhor: Sábado ou Domingo?

Por: Alessandro Lima

Todos sabem que no AT, o Senhor instituiu o Sábado como o Seu dia de adoração. Mas resta a pergunta: por que? Para entendermos o motivo deste mandamento divino, devemos responder às seguintes perguntas: 1) Por que Deus instituiu um dia para o Seu culto? 2) Por que o Sábado (Shabath) foi escolhido para ser este dia?
A resposta para a primeira pergunta encontramos no livro do Deuteronômio, onde lemos: "Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou. É por isso que o Senhor, teu Deus, te ordenou observasses o dia do sábado" (Dt 5,15).
Como vemos a observância de um dia de adoração está relacionada à libertação que o Senhor proporcionou ao povo Hebreu, quando o tirou do cativeiro no Egito. Deus manifesta-se como o libertador de Seu povo, manifestando todo o Seu Poder e Glória, como verificamos no envio das pragas (cf. Ex 8;9;10;11) e depois ao separar o Mar Vermelho (cf. Ex 14,21-31) para que Israel pudesse finalmente se ver livre do julgo do Faraó.
O Deus libertador é aquele que guia o Seu Povo à Terra Prometida. Devemos perceber aqui que a libertação promovida pelo Senhor da escravidão do Egito é prenúncio da libertação que Cristo posteriormente promoverá da escravidão do pecado, nos conduzindo à Jerusalém Celestial.
Quanto à segunda pergunta, a resposta encontramos no livro do Êxodo: "Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que contêm, e repousou no sétimo dia; e por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o consagrou" (Ex 20,11; cf. Gn 2,3).
Por esta razão no dia da libertação, o homem também deveria livrar-se do trabalho secular (cf. Am 8,5; Ex 34,21; 35,3; Ez 22,8; Jr 17,19-27; Dt 5,12-14); no dia em que Deus manifestou o Seu Amor pelo povo, o povo também manifestaria o seu amor por Ele (Lv 23,3; Lv 24,8; 1Cr 9,32; Nm 28,9-10; Is 1,12s). Isto lembra as palavras de São João: ?Nós amamos, porque Deus nos amou primeiro? (1 Jo 4,19).
Depois do que foi exposto, podemos identificar a dupla raiz da instituição do Dia de Adoração:
1)  O dia da salvação do povo de Deus conforme Dt 5,15;
2)  O dia da plenitude da criação cf. Ex 20,11; pois o Senhor cessou o seu trabalho (a criação do mundo) no sétimo dia, por que ele foi terminado no sexto dia. Deus não se cansa, caso contrário não seria Deus. O "descanso" ou "repouso" de Deus refere-se à cessão do Seu Divino trabalho. Shabath (Sábado) significa "cessão", "término de alguma atividade". Por isso, o Sétimo Dia também é o dia da Plenitude da Criação e não do "descanso" de Deus.
Jesus, o Sábado e o Domingo
Com o passar do tempo, os Judeus deturparam a observância do Sábado. Eles se esqueceram das raízes espirituais desta divina observância, e se prenderam apenas à letra.
Na época de Jesus, 39 tipos de trabalho eram proibidos. Entre eles colher espigas (cf. Mt 12,2), carregar fardos (Jo 5,10), etc. Os doentes só podiam ser atendidos em perigo iminente de morte, motivo pelo qual se opuseram a Jesus, que curava aos sábados (cf. Mt 12,9-13; Mc 3,1-5; Lc 6,6-10; 13,10-17; 14,1-6; Jo 5,1-16; 9,14-16).
O Senhor contra os fariseus afirmou: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado" (Mc 2,27). Por isso, declarou que era o Senhor do Sábado (Mc 2,28) e foi incriminado pelos doutores da Lei (Jo 5,9), ao que respondeu que nada mais fazia senão imitar o Pai que, mesmo tendo cessado a criação do mundo, continuou a governá-lo e também aos homens (Jo 5,17).
Alguns cristãos acreditam que neste momento Jesus estava abolindo a observância do Sábado. Os sabatistas contra-argumentam dizendo que não; que Jesus estava era resgatando o sentido espiritual (a verdadeira raiz) desta divina observância. E neste ponto eles estão com toda razão.
Entretanto, os sabatistas enganam-se em pensar que a divina observância do Dia de Adoração, estaria para sempre fixada no Sábado.
Eles argumentam que o Sábado é perpétuo. Se isto fosse verdade, significaria que toda Lei Levítica (circuncisão, páscoa, incenso, sacerdócio, etc) também seria perpétua. Por exemplo, em Ex.12:14 está declarado que a páscoa terá de ser observada "por suas gerações" e "para sempre", exatamente como é dito sobre o Sábado. A oferta de incenso também é dita como perpétua (Ex.29:42). Lavagem de mãos e pés também (Ex.30:21).
Quando o Senhor afirma que o Sábado é perpétuo, não está se referindo à fixação do sétimo dia como dia de Adoração, mas refere-se ao Seu acordo, à Sua fidelidade para com a humanidade.
É o próprio Deus que através dos Profetas do AT anuncia que Seu Acordo se dará de uma nova forma: "Eis que os dias vêm, diz o Senhor, em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados" (Jr.31:31-34) (grifos meus).
O pacto da Antiga Aliança seria substituído por um Novo, onde o primeiro foi apenas uma figura do segundo que é Eterno (cf. Hb 9 ). Neste Novo pacto, o Senhor instituiria um novo dia para Sua Adoração, pois em um novo dia Ele iria salvar o seu Povo para sempre, conforme profetizou Oséias: "Farei em favor dela [Sua nova nação, a Igreja], naquele dia, uma aliança, com os animais selvagens, com as aves do céu e com os répteis da terra: farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra e os farei repousar em segurança. Então te desposarei para sempre; desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com misericórdia e amor. Desposar-te-ei com fidelidade, e tu conhecerás o Senhor" (OS 2,20-22) (grifos meus).
O Senhor Jesus não aboliu a observância do Sábado em seu debate com os fariseus. Ele o fez após cumprir o anúncio dos Profetas, morrendo na Cruz e ressuscitando no primeiro dia da semana: Domingo.
Na Antiga Aliança, o Sábado foi estabelecido como o Dia de Adoração, pois foi o Dia da Libertação (cf. Deut 5,15) e o Dia da Plenitude da Criação (cf. Ex 20,11).
Na Nova e Eterna Aliança, o Domingo é estabelecido como o Novo Dia de Adoração, pelas mesmas razões: é o Dia em que o Senhor nos salvou do cativeiro do pecado e o Dia em que ressurgindo da Mansão dos Mortos, cessou o trabalho em Sua nova Criação (a natureza humana incorruptível). Desta forma, o Domingo também é o Dia da Libertação e da Plenitude da Criação.
A própria carta aos Hebreus acentua a índole figurativa do sábado, afirmando que o repouso do sétimo dia era apenas uma imagem do verdadeiro repouso que fluiremos na presença de Deus (cf. Hb 4,3-11). Onde no Sábado estava a figura (o prenúncio), no Domingo está a concretização. O Domingo é o Sábado eterno.
O Testemunho de Cristo, dos Apóstolos e do Espírito Santo
Jesus aparece à primeira vez aos Apóstolos no domingo, no dia da Ressurreição. Imaginem a alegria que os Apóstolos sentiram ao ver o Senhor Ressuscitado! Sobre isto escreveu o Salmista: "A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça da esquina. Foi o Senhor que fez isto, e é coisa maravilhosa aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijem-nos e alegremo-nos nele" (Sl 118,22-24). Ora, Jesus se tornou a Pedra Angular no dia em que Ressucitou, o dia da Ressurreição "foi o Dia que o Senhor fez".
Conforme o Profeta Jeremias, em Seu novo pacto, o Senhor promete escrever a Sua Lei no interior e no coração dos homens. E conforme Ozéias, no dia em que isto acontecer, os homens O conhecerão. Ora, isto se cumpre exatamente num Domingo, quando o Espírito Santo é dado aos Apóstolos (cf. Jo 20,19-23; At 2,1-4); pois é o Espírito Santo que nos convence da vontade de Deus.
A segunda aparição do Senhor aos discípulos não é no Sábado, mas no novo "dia que o Senhor fez" (cf. Sl 118,24), isto é, no Domingo (cf. Jo 20,26), dia em que Tomé o adora como Deus (cf. Jo 20,29). Talvez temos aqui a primeira adoração cristã a Deus no dia de Domingo.
O Culto Cristão acontece no domingo (cf. At 20,7; 1Cor 16,2). Os Sabatistas alegam que a "Ceia do Senhor" não era uma reunião de culto. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios mostra claramente que a reunião da "Ceia do Senhor" era uma reunião de culto. Basta verificar os capítulos 11 a 16.
No entanto muitos cristãos se viam tentados a judaizar, isto é, a observar as prescrições da Lei Mosaica. Os Gálatas era um exemplo e por causa deles São Paulo dirige-lhes uma epístola exatamente para tratar desta questão. E vejam a bronca que o Apóstolo dá neles: "Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?" (Gl 3,1-3).
Quem ainda duvidar de que São Paulo também estava se referindo à observância do Sábado, então veja o que ele escreveu aos Colossenses: "Que ninguém vos critique por questões de comida ou bebida, pelas festas, luas novas ou sábados. Tudo isso nada mais é que uma sombra do que haveria de vir, pois a realidade é Cristo" (Cl 2,16-17) (grifos meus).
São Paulo confirma que o Antigo acordo (que incluía a observância do Sábado) foi substituído pelo Novo acordo cumprido pela Morte e Ressurreição do Senhor Jesus (que inclui agora o Domingo como o Dia do Senhor).
Mais uma confirmação Bíblica de que o Domingo é o Dia do Senhor, está no Livro do Apocalipse. Em Ap 1,10 São João escreve: "Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta". A expressão que no português está como "num domingo" no original grego está "té kyriaké hémerà", que significa "No Dia do Senhor". Ora, aqui São João está dizendo que no Domingo, que é Dia do Senhor, Deus lhe deu uma revelação. Se o Domingo não é o Dia do Senhor, por que São João assim o indicou no Livro do Apocalipse?
Testemunhos dos primeiros cristãos
A Igreja do período pós-Apostólico, também confirmou a doutrina do Novo Dia de Adoração que recebeu dos Apóstolos. Vejamos alguns exemplos:
"Reúnam-se no dia do Senhor [= dominica dies = domingo] para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro" (Didaqué 14,1 - primeiro catecismo cristão, escrito no séc. I, mais precisamente no ano 96 dC) (grifos meus).
Santo Inácio, Bispo de Antioquia, que segundo a Tradição foi a criança que Cristo pegou no colo em Mc 3,36, também confirma a Doutrina Apostólica do Domingo: "9. Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. Como podemos viver sem aquele que até os profetas, seus discípulos no espírito, esperavam como Mestre? Foi precisamente aquele que justamente esperavam, que ao chegar, os ressuscitou dos mortos. 10. Portanto, não sejamos insensíveis à sua bondade. Se ele nos imitasse na maneira como agimos, já não existiríamos. Contudo, tornando-nos seus discípulos, abraçamos a vida segundo o cristianismo. Quem é chamado com o nome diferente desse, não é de Deus. Jogai fora o mau fermento, velho e ácido, e transformai-vos no fermento novo, que é Jesus Cristo. Deixai-vos salgar por ele, a fim de que nenhum de vós se corrompa, pois é pelo odor que sereis julgados. É absurdo falar de Jesus Cristo e, ao mesmo tempo judaizar. Não foi o cristianismo que acreditou no judaísmo, e sim o judaísmo no cristianismo, pois nele se reuniu toda língua que acredita em Deus " (Carta de Santo Inácio de Antioquia aos Magnésios. 101 d.C.) (grifos meus).
Como se vê o discípulo pessoal de São Paulo confirma a doutrina que recebeu do Mestre, conforme este mesmo expôs aos Gálatas (Gl 1;3) e aos Colossenses (Cl 2,16-17).
Outro testemunho do séc II sobre o Domingo é de Justino de Roma, vejamos:
"67. Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame" (Justino de Roma 155 d.C, I Apologia cap 67) (grifos meus).
No tempo de Justino os cristãos eram ferozmente perseguidos e acusados das mais variadas calúnias. Justino que era responsável por uma escola de estudos bíblicos, escreve uma apologia (defesa) ao Imperador em favor dos cristãos. Por isso, ele ao se referir ao domingo utiliza a expressão "dia do sol", pois era no primeiro dia da semana que os pagãos adoravam o sol.
Podemos verificar aqui mais uma vez que a "Ceia do Senhor" não era uma mera reunião de confraternização, mas uma celebração de culto a Deus.
Ainda do segundo século temos o testemunho do advogado cristão Tertuliano, que escreveu muitas obras para as autoridades romanas em defesa dos cristãos perseguidos:
"Outros, de novo, certamente com mais informação e maior veracidade, acreditam que o sol é nosso deus. Somos confundidos com os persas, talvez, embora não adoremos o astro do dia pintado numa peça de linho, tendo-o sempre em sua própria órbita. A idéia, não há dúvidas, originou-se de nosso conhecido costume de nos virarmos para o nascente em nossas preces. Mas, vós, muitos de vós, no propósito às vezes de adorar os corpos celestes moveis vossos lábios em direção ao oriente. Da mesma maneira, se dedicamos o dia do sol para nossas celebrações, é por uma razão muito diferente da dos adoradores do sol. Temos alguma semelhança convosco que dedicais o dia de Saturno (Sábado) para repouso e prazer, embora também estejais muito distantes dos costumes judeus, os quais certamente ignorais" (Tertuliano 197 d.C. Apologia part.IV cap. 16) (grifos meus).
Tertuliano como escreve para os pagãos, também se refere ao primeiro dia da semana como "o dia do sol". Ele é testemunha que nestes dia os cristãos não adoravam o sol, mas a Cristo.
Do terceiro século temos o testemunho de Hipólito de Roma, que também confirma a Tradição Apostólica de celebrar o culto cristão no Domingo: "No domingo pela manhã, o bispo distribuirá a comunhão, se puder, a todo o povo com as próprias mãos, cabendo aos diáconos o partir do pão; os presbíteros também poderão parti-lo. Quando o diácono apresentar a eucaristia ao presbítero, estenderá o vaso e o próprio presbítero o tomará e distribuirá ao povo pessoalmente. Nos outros dias, os fiéis receberão a eucaristia de acordo com as ordens do bispo" (Hipólito de Roma 220 d.C Tradição Apostólica part III) (grifos meus).
Conclusão
A fundadora do Adventismo do Sétimo Dia, a senhora Ellen G. White, afirmava em seus escritos que a instituição do Domingo como dia do Senhor, era invenção do Papado, e quem observasse este dia com Dia do Senhor receberia a marca da Besta. Por esta razão alguns Adventistas (acreditando mais na senhora White do que na Bíblia, nos Apóstolos, no Espírito Santo e nos cristãos dos primeiros séculos) têm procurado fundamentar esta afirmação pesquisando onde o Papado teria feito tal instituição.  O melhor que fizeram até agora foi afirmar que o Papado substituiu o Dia do Senhor de Sábado para Domingo durante o Concílio de Laodicéia na Frigia, realizado em 360.
O Concílio de Laodicéia apenas confirmou a doutrina apostólica da observância do Domingo contra os cristãos judaizantes. Este Concílio não foi Geral, mas Local, e por esta razão, não envolveu o Bispo de Roma e nem tinha o poder de alcançar a Igreja inteira espalhada pelo mundo.
Devemos lembrar que os decretos contra os cristãos judaizantes foram instituídos pelos Apóstolos durante o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Conforme já expomos, estes decretos não favoreciam a observância do Sábado como Dia do Senhor.
Os Bispos de Jerusalém sempre foram fiéis a estes decretos, conforme podemos observar no testemunho de São Cirilo, Bispo de Jerusalém: "Não ceda de forma alguma ao partido dos Samaritanos, ou aos Judaizantes: por Jesus Cristo de agora em diante foste resgatado. Mantenha-se afastado de toda observância de Sábados, sobre o que comer ou como se purificar. Mas abonime especialmente todas as assembléias dos perversos heréticos" (São Cirilo de Jerusalém. Carta 4, 37) (grifos meus).
Então, devemos ficar com o testemunho de Ellen G. White ou com o testemunho de Jeremias, Oséias, Jesus, Espírito Santo, dos Apóstolos e dos primeiros cristãos?

Fonte:

http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/631-dia-do-senhor-sabado-ou-domingo

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Imitação de Maria: Parte X


Ter amor por aqueles que são crucificados todos os dias

Por: Eduardo Moreira

Pode alguém pensar que Maria sofreu apenas pela morte de Cristo por ser Ele seu filho. Nada mais insensato! Cristo do alto da Santa Cruz deu sua Mãe a todos os homens para que, confiando nela, fossem salvos passando pelos caminhos queridos por Deus e que a Virgem Maria foi capaz de conhecê-los. Essa verdade deveria ser unânime entre os cristãos, mas mesmo entre as Igrejas Apostólicas há aqueles que mantém uma devoção fraca e cuidadosa para com a Santíssima Virgem. Essas pobres almas escondem em seu interior uma profunda soberba, pois pensam que por si próprias podem atingir o Cristo que habita nos Céus, no mais Alto e Inacessível que podemos conceber.
Maria, pois, não sofreu apenas com a morte de Cristo, Ela continua a sofrer ao ver cada filho d'Ela ser desprezado e crucificado pelos homens. E quantas almas são crucificadas todos os dias? Quantas pessoas sob as quais Cristo se esconde são ignoradas nas ruas onde estão famintas, maltrapilhas e abandonadas (Mt 25, 40)?
Maria sofreu por cada apóstolo que foi morto, cada discípulo perseguido e exilado, e continua a sofrer, mesmo hoje, ao ver com pesar que seus próprios filhos não se ajudam. Longe dos discursos socialistas que só fizeram tudo aquilo que condenaram, Maria pede-nos hoje para sermos mais humanos.
Cristo não veio ao mundo para nos ensinar a sermos Deuses, mas sim para mostrar ao homem o caminho, a via perfeita de ser plenamente homem, imagem e semelhança de Deus, demonstrando compaixão para com todos, inclusive para com os mais necessitados.
Cada vez que vemos a desigualdade social gritante se alastrar pela Terra e ficamos calados ou, pior, até apreciamos esse alastramento medonho, somos cúmplices do diabo e permitimos que a mensagem do Evangelho seja usurpada por grupos que, em nome do fim da pobreza, defendem atitudes imorais, assassinato de bebês no ventre materno, massacres das pessoas que seguem alguma religião, enfim, todo tipo de ódio que se possa imaginar. O socialismo é a soma das virtudes enlouquecidas. Esse regime coloca virtudes acima de Deus, extingue o ser humano enquanto indivíduo e provoca as piores tragédias que se conhece quando colocado em prática.
O bom cristão não pode ser socialista porque o socialismo promete apenas a ajuda material e trata o ser humano como uma parte do coletivo. O bom cristão enxerga o próximo como ser humano, não como membro de uma sociedade. Ninguém pode se dizer cristão se não tem compaixão pelo próximo ou se concorda com as mazelas mundiais da fome e da doença. Cristo disse que veio para que todos tivessem vida, e vida em abundância!
Cada vez que negamos ajudar o próximo, tratá-lo como ser humano, negamos isso ao próprio Cristo. Cada vez que ignoramos os anseios do irmão, ignoramos o próprio Cristo que, sendo Rei, veio à Terra pobre como um mendigo.
Tal como Maria teve pena de seu Filho crucificado, também nós devemos ter pena de tantos que são crucificados todos os dias. Se jejuamos, aquele alimento do qual nos abstemos não deve ser reservado, mas sim servir de sustento a quem não o tem. Cabe também a nós em cada jejum ou penitência, não só nos abstermos friamente do alimento, mas também entregar esse sofrimento a Deus pelas mãos Imaculadas de Maria para que Ela, dispenseira de todas as graças, aplique como for melhor.
Além da abstinência, da partilha e da entrega, convém também que façamos, pelo menos por um breve instante, uma reflexão acerca das pessoas que passam por esses sofrimentos todos os dias, não espontaneamente, mas sim por não ter lhes restado opção. Dessa forma certamente quando algum desses pequeninos nos vier pedir alguma coisa saberemos nos colocar em seu lugar, conseguiremos imaginar o desespero e a dificuldade que ele está passando e não pensaremos duas vezes em ajudá-lo e em tratá-los com dignidade.
As mães bem sabem de quantos sacrifícios fazem pelos filhos. Maria, naqueles tempos difíceis, certamente se absteve de muitas coisas para o bem do próximo, de Jesus e de São José principalmente. Certamente esse grande exemplo de santidade moldou grandes santos como São Francisco que ficava feliz quando, mendigando, ganhava um pão que não usava para o próprio sustento. São Francisco ficava feliz porque com aquele pão não mataria a própria fome, mas sim a fome do irmão.
Nisso se resume a passagem de 1 Cor 13 na qual podemos ver que o verdadeiro amor pensa antes no próximo que em si mesmo. Deus não pensa em Si mesmo, mas sim nos seus filhos porque não há nada de que Ele necessite. Quando procuramos imitar a Deus através da Imitação de Maria nosso egoísmo se extingue e, tal como São Francisco, ficamos felizes ao vermos que poderemos ajudar o próximo.
Também testemunhou essa virtude com profundidade Madre Tereza de Calcutá que, saindo de si mesma, foi viver na Índia cuidando de pessoas que nem católicas eram porque viu nelas não hindus, mas criaturas de Deus necessitadas de pão e compaixão. Esse é, talvez, o maior esplendor do cristianismo e também sua maior riqueza, como disse Santo Estêvão, nossa maior riqueza são os órfãos, as viúvas e os mendigos.