quinta-feira, 28 de abril de 2011

Três perguntas e três respostas

Três acusações absurdas que frequentemente encontramos em (péssimas) aulas de história (A Igreja Católica vendia lugares no Céu; A Igreja Católica apoiou a escravidão no Brasil; A Igreja Católica matou milhares de judeus na Inquisição espanhola), e suas respostas.

A Igreja Católica vendia lugares no Céu?

É claro que não!

Para que possamos compreender como responder a esta absurda acusação, é necessário que compreendamos a doutrina das Indulgências.

"O pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama 'pena eterna' do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo o venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta purificação liberta da chamada ''pena temporal' do pecado. Estas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas antes como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, não subsistindo mais nenhuma pena. O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. O cristão deve esforçar-se, suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora de enfrentar serenamente a morte, aceitar como uma graça essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, através de obras de misericórdia e caridade, como também pela oração e diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do 'velho homem' para revestir-se do 'homem novo". (Novo Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1472 e 1473)

A pena eterna do pecado nos é perdoada pelo Sacramento da Reconciliação (Confissão). Quando recebemos a absolvição sacerdotal, temos perdoadas a pena eterna, mas não a temporal. Afinal, Jesus disse que devemos "pagar até o último centavo" (Mt 5,26).

A remissão da pena temporal pode ser feita pela caridade, oração e penitência.

Um costume muito antigo na Igreja é o das penitências públicas; o penitente, desejoso de pagar a pena temporal de seu pecado, após a absolvição sacerdotal ia para a rua para publicamente pagar por seu pecado.

Esta forma pública e pesada de penitência, entretanto, muitas vezes era impossível de cumprir para muitos, por razões de idade ou saúde.

A Igreja então, por misericórdia, apelou para o seu Tesouro de Méritos (as orações e obras de todos seus membros, vivos e mortos), e passou a indulgenciar alguns atos já por si meritórios. Dentre eles podemos contar, por exemplo, a oração feita em um cemitério no dia de Finados, a participação na construção de uma catedral, e muitos outros.

A Indulgência corresponde a um período de penitência pública. Uma indulgência de cem dias, por exemplo, referir-se-ia a cem dias de penitência pública. Hoje em dia, por não haver mais penitências públicas (a não ser em alguns lugares, como as Filipinas), as pessoas perderam de vista o referencial que era então usado, e a Igreja passou a classificar as indulgências apenas como plenárias (remissão total da pena temporal) ou parciais.

Para que uma indulgência possa ser recebida, porém, é necessário que sejam cumpridas algumas condições:

1 - Deve ter sido feito um exame de consciência rigoroso e minucioso, seguido de Confissão e subsequente absolvição sacerdotal, além de assistir a Missa completa e comungar.

2 - A pessoa que faz o ato indulgenciado deve ter absoluto horror aos pecados que cometeu e a firme intenção de não mais cometê-los.

3 - Ela deve ter em mente seu desejo de lucrar a indulgência associada ao ato enquanto o executa.

Dentre as ações indulgenciadas, havia algumas que podiam ser feitas de maneira indireta (o que foi proibido no século XVI, por haver uma compreensão errônea da doutrina por muitos). Um exemplo disso seria a participação financeira na construção de uma catedral. Ora, para que alguém lucre uma indulgência, é necessário que antes tenha se confessado. Para lucrar uma indulgência, portanto, a pessoa já deve ter sido absolvida da pena eterna de seu pecado, que a levaria ao Inferno.

Indulgências, portanto, nunca poderiam levar para o Céu alguém que por seus atos escolheu o Inferno.

Além disso, há a necessidade de que a pessoa tenha horror ao pecado cometido e firme intenção de não mais pecar. As indulgências não podem ser aplicadas aos pecados ainda a cometer, apenas aos já cometidos, e mesmo assim apenas nas condições expostas acima.

A indulgência é na verdade muito menos "indulgente" que a doutrina humana da garantia de salvação dos crentes independentemente dos pecados posteriores à sua conversão, pregada por Lutero.

Dificilmente isso poderia ser considerado venda de lugares no Céu!...

A Igreja Católica apoiou a escravidão no Brasil?

Claro que não!

A nossa história começa com uma congregação que anda muita na moda no meio esotérico de hoje: a Ordo Templi, a Ordem dos Cavaleiros Templários.

Os Templários eram uma congregação fundada no período das Cruzadas, com o fim de libertar a Terra Santa. Tratava-se de uma congregação de monges-guerreiros, que faziam voto de pobreza e castidade.

Surgiam os estados nacionais; as nações começaram a ter um governo único para cada nação, ao invés de centenas de pequenos nobres, cada qual com seu feudo. Nesse tumulto foi fechada por bula papal a Ordem dos Templários, acusada de crimes hediondos.

Muitos lucraram com o fim desta congregação , apossando-se de seus bens, que não eram poucos.

Já em Portugal, houve um estranho fenômeno: surgiu uma outra congregação, chamada a Ordem de Cristo. Esta congregação reuniu os templários ibéricos e os bens da congregação.

D. João III, Rei de Portugal, recebeu em 1522 o título de grão-mestre da Ordem de Cristo, título hereditário que garantia ao Rei direito de governo religioso. Com isso D. João estava em condições de apontar bispos e padres, sendo um pequeno papa em seu território.

Isso era chamado de Padroado.

Devido ao Padroado, a Igreja no Brasil pouca ligação tinha com a Sé de Roma. Os reis ignoravam o Papa, apontando bispos de sua preferência para as sés importantes, assumindo a coordenação de todo o aparato da Igreja. A Igreja no Brasil estava em mãos do Rei de Portugal.

Uma exceção eram os jesuítas, congregação fundada por Santo Inácio de Loyola, que não obedece ao ordinário local, apenas ao Papa. Os jesuítas na América do Sul fizeram um trabalho maravilhoso, procurando evangelizar os índios, acabando com o canibalismo, instituindo uma língua franca (o nheengatu, ou Língua Geral), formando em suma uma nação indígena que os portugueses respeitariam.

Por irem contra os interesses portugueses, impedindo a escravização dos índios, acabaram expulsos do Brasil por ordens do Marques de Pombal em 1759.

Quando falamos de Igreja no Brasil colonial, portanto, temos os jesuítas, fiéis ao Papa e à Doutrina da Igreja (que prega serem os índios livres por natureza, não podendo ser escravizados), e a Igreja sob o Padroado, aquela que não ouvia o Papa e obedecia ao rei e seus interesses.

Os jesuítas chegaram a fazer uma república democrática com os índios guaranis, posteriormente dizimados a mando dos reis ibéricos.

Exemplo do que é e sempre foi a doutrina da Igreja (não do Rei) pode ser encontrado nas encíclicas de Leão XIII LIBERTAS (liberdade) e CATHOLICAE ECCLESIAE (Igreja Católica); a primeira, endereçada aos Bispos do Brasil em 1888, faz um apanhado de toda a história da luta da Igreja contra a escravidão; a segunda, endereçada aos missionários africanos, mostra a importância da luta contra a escravização dos nativos.

Podemos afirmar sem erro que aqueles no Brasil que apoiavam a escravidão estavam na verdade levantando-se contra a Sã Doutrina da Igreja Católica e desobedecendo ao Papa.

A Igreja Católica matou milhares de judeus na Inquisição Espanhola?

Claro que não!

O problema, mais uma vez, é a submissão da Igreja ao Estado que surgiu na medida em que os estados nacionais se organizaram.

Quando, como ocorria na época, um rei passa a ter poderes sobre a ação da Igreja, sobre quem deve receber a sucessão dos apóstolos, a Igreja se vê de mãos atadas.

Naquela época o rei estava estendendo o seu poder muito além do que os reis anteriores haviam estendido; um interdito papal (proibição de ministério sacramental) não os teria parado, e provavelmente se isso não houvesse ocorrido a Igreja não estaria mais aqui.

A Inquisição foi feita por pessoas da Igreja, no sentido de terem as ordens sacerdotais e até episcopais, mas isso não quer dizer que ela tenha sido uma ação da Igreja.

As pessoas hoje, acostumadas com a separação de Igreja e Estado, tendem a considerar a Inquisição como uma espécie de prática de natureza religiosa e exclusiva da Igreja.

Ora, a Inquisição existiu tanto entre católicos como entre protestantes.

Todos os horrores da Inquisição foram perpetrados em nome de Cristo, mas ela não é o triste apanágio do catolicismo que a imprensa leiga faz crer.

Vejamos o caso da Inquisição da Espanha, por exemplo, que foi a mais virulenta dentre as católicas:

A Espanha havia sido território mouro (muçulmano) por 800 anos, sofrendo então retomada semelhante à de Israel pelos judeus após a segunda guerra.

A guerra da reconquista da Espanha foi enorme; todo o território que ia sendo recuperado aos mouros estava dividido em vários reinos, que em 1340 acabaram formando apenas dois: Castilha e Aragão.

Então se casaram Isabel de Castilha, dona de metade da Espanha e Fernando de Aragão, dono da outra metade.

Os dois começaram um programa para recolocar a Espanha de pé. Desde o tempo dos califas, a maior parte da administração era composta por judeus, que ocupavam ministérios e dominavam o mercado financeiro. Entre eles estava o grande sábio Isaac Abravanel, teólogo, pesquisador da Palavra de Deus, financista brilhante e antepassado do Silvio Santos.

Os judeus eram preferidos basicamente porque não eram muçulmanos, mas haviam vivido sob a dominação muçulmana, sendo pessoas cultas que já sabiam o funcionamento de um governo civil.

A Igreja na Espanha estava já naquele momento sob absoluta tutela do Estado, com regime de padroado (governo apontando bispos, etc.) e o escambau.

Quando já havia um certo número de jovens nobres espanhóis católicos preparados para assumir as funções de poder financeiro e legal, um movimento começou entre a nobreza espanhola para botar os judeus para fora.

Trata-se, portanto, de um movimento racista surgido entre a nobreza, movida por ganância de poder material. Era necessário, para eles, criar um sistema de apadrinhamento, perpetuando assim o seu poder em uma época em que não mais havia guerras para subir na vida. Eles tinham que passar a dominar os mecanismos do mercado e da administração pública, tirando-a dos eficientes judeus e colocando-os em poder de sua panelinha.

Isso foi feito através de leis civis que impediam o acesso de judeus a cargos de confiança (a rigor, qualquer cargo na administração pública). Muitos judeus então se converteram ao cristianismo nominalmente, apenas para poder continuar trabalhando.

Em 1481 foi apontado Torquemada como Grande Inquisidor, para descobrir os judeus que se haviam convertido mas não acreditavam na fé católica e seguiam o judaísmo às escondidas. É mais que evidente que isso não era causado por desejo de garantir que alguém fosse para o céu, mas sim por cobiçarem os nobres os bens materiais e a posição social dos judeus.

A população judaica que seguia a sua religião sofria com impostos cada vez maiores e outras medidas civis, mas não era tocada pela Inquisição, que só tem poderes sobre os batizados.

Como os bens do falso cristão iriam para a pessoa que o denunciasse, esta foi a forma de ascensão escolhida por muitos nobres de Espanha.

Até que, simultaneamente à conquista do reino mouro de Granada, em 1492, foi assinado um decreto expulsando os judeus da Espanha. Chegava a seu auge a perseguição iniciada pela gananciosa nobreza espanhola.

Desconfia-se, inclusive, que Cristóvão Colombo teria apressado a sua saída da Espanha por ser um cripto-judeu.

A partir de 1492, a coisa era simples: o judeu pego na Espanha perderia seus bens e seria expulso. O judeu convertido seria vigiado para ver se havia sido uma conversão real.

E o prêmio para o delator ainda estava de pé.

Ou seja: foi um crime? Foi.

Mas não foi um crime da Igreja. Toda a ação foi movida por ganância de poder da nobreza espanhola, que devido ao momento histórico tinha virtual controle da Igreja na Espanha.

Podemos dizer que a nobreza teoricamente católica da Espanha matou milhares de judeus, mas não que a Igreja Católica o fez.

Fonte:

RAMELHETE, Carlos. Três Perguntas e três respostas. Blog A Hora de São Jerônimo. Disponível em: http://hsj-online.blogspot.com/2011/04/tres-perguntas-e-tres-respostas.html Acesso em: 27 Abril 2011.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus no Twitter

Fantástico vídeo que acabo de ver em outros sites de amigos, vale à pena, ver a história de Jesus em seus momentos de paixão, morte e ressurreição no twitter. Vale pena aos leitores aqui do site dar uma conferida no excelente vídeo.

É também ótimo para reflexão nesta Semana Santa.



domingo, 17 de abril de 2011

Adeus, ateus!

Um poema em estilo coordelista, vi no orkut, vale a pena refletir, é de um amigo. O título é "Adeus, ateus!".


Tinha um tal de Nietzsche

chamado pai dos ateus

ele batia no peito

dizendo que matou Deus.

Morreu doido namorando

com o cavalo que o lambeu.



Já Voltaire esculhambava

a Igreja todo dia,

danou-se vomitar sangue

e apelou pra sacristia

se convertendo católico,

vivendo com alegria.



Karl Max, foi um ateu

sustentado por mulher,

zombou da religião

e daqueles que tem fé.

Deu-lhe um cancro na garganta

que o bicho juntou os pés.

Hitler era outro ateu

que a Karl Marx seguia,

morreu de bala no quengo,

um veneno ele mordia.

Queimou tanto na coivara

que ninguém lhe conhecia.



Já o Sigmund Freud

que muito de Deus zombou,

deu-lhe um câncer na mandíbula

que o cabra estrebuchou,

trinta e três cirurgias

da morte não o livrou.



O tal Arthur Schopenhauer,

que com Deus não se juntava

odiava o ser humano

e com cachorro morava,

quando sofreu um enfarte

o cachorro nem ligava.



Charles Chaplin disse um dia

não acreditar em Deus,

o ator Harold Lloyd

na fatura lhe bateu

e no “Grande Ditador”

ele à Bíblia recorreu.



O doutor Drauzio Varella

ainda tá respirando,

adora ser contra Deus

e já entrou pelo cano,

um mosquito lhe picou

quase o velho ia pifando.



Autor: Fernando Nascimento

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Papa Bento XVI, recebe Igreja Maronita e seu novo Patriarca

Hoje de manhã, o papa recebeu na Sala Clementina um grupo de 150 bispos e fiéis que acompanham Sua Beatitute Béchara Boutros Raï, Patriarca de Antioquia dos Maronitas nesta primeira visita ao Sucessor de Pedro após a eleição.

O encontro de hoje solenizou a “ecclesiastica communio” já comunicada por Bento XVI em carta no último dia 24 de março. Hoje o papa louvou a eleição de Dom Béchara Raí, ocorrida dias após o encerramento do Ano Santo que comemorou os 16 séculos da morte de São Maroun, fundador da Igreja, como uma proeminente bênção.

Discursando, o pontífice saudou inicialmente toda a comitiva por este grande momento de comunhão e unidade entre a Igreja Maronita e a Igreja de Roma e colheu a presença do Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, (patriarca emérito) para expressar seu carinho e gratidão pelos 25 anos dedicados à liderança da Igreja Maronita em meio às turbulências da história.

“Por estar no coração do Oriente Médio – disse o papa ao patriarca – você tem uma tarefa enorme junto aos homens, anunciando-lhes a Boa Nova da Salvação”. No recente Sínodo de outubro de 2010, foi evocada muitas vezes a urgência de voltar a propor o Evangelho às pessoas que sabem pouco ou que estão afastadas da Igreja.

Encorajando os católicos maronitas, Bento XVI disse que com todas as forças vivas presentes no Líbano e no Oriente Médio, a Igreja priorizará o anúncio, o testemunho e a vida na comunhão com a Palavra, para recuperar o ardor dos primeiros cristãos.

Esta região do mundo em que patriarcas, profetas, apóstolos e o próprio Jesus Cristo foram abençoados por sua presença e pregação, aspira a uma paz duradoura que a Palavra da Verdade, acolhida e partilhada, poderá estabelecer.

“Para continuar este trabalho – ressaltou o papa – é preciso formar a juventude, humana e espiritualmente, através de uma rede escolar e catequética de qualidade. Só assim, os jovens de hoje serão homens e mulheres responsáveis em suas famílias e na sociedade; e poderão construir uma maior solidariedade e fraternidade entre todos os componentes da Nação”.

Neste sentido, o papa também convidou a intensificar a formação dos sacerdotes e dos numerosos jovens chamados pelo Senhor às suas eparquias e congregações religiosas.

Finalizando, Bento XVI se disse certo de que o Espírito Santo irá ajudá-los no exercício de sua responsabilidade e consolá-los em suas dificuldades, e concedeu sua benção a todos os fiéis e membros do Patriarcado. (CM)

Fonte:

Cidade do Vaticano, 14 abr (RV). Disponivel em: Acesso em: http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=478545 14 Abril 2011.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Economia das Imagens no Antigo Testamento

Por John Lennon J. da Silva.


No fim do I séc. d.C. alguns grupos de judeus não observavam ardentemente as prescrições mosaicas sobre o uso de imagens, registra-se o uso comum de afrescos e mosaicos figurativos em algumas famosas sinagogas. Com a Sinagoga de Dura-Europos (inicio do séc. III), o fato de estes grupos utilizarem Imagens, afrescos não é novo remonta os tempos bíblicos do AT.

Analisaremos a “economia das Imagens”¹ no AT seu uso, prescrições e comodidade e finalidade para época visto que Deus não havia ainda se encarnado e o povo hebreu vivia em constante perigo de envolver-se com a adoração de Ídolos e sua fabricação, como mostrou-se antes de Moises trazer ao Povo a lei, aos pés do monte Sinai com o “Bezerro de ouro” (Ex 32, 1-6. 19) Este mesmo recebeu de Deus este mandamento.

“Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam. Mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Ex 20, 3-6).

Mas esculturas e pinturas foram produzidas por ordem de Deus no Antigo testamento vejamos três casos bíblicos:

Arca da Aliança:

“Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.” (Exodo 25,18-20)

Lembrando que as Sagradas Escrituras dizem que Deus falava através desta arca com os israelitas (cf. Ex 25, 22). Que era o símbolo de uma aliança de Javé com o povo destinado ao sacerdócio real o povo hebreu.

Serpente no Deserto:

“O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” ( Nm 21,7-9)

Serpente ordenada por Deus, através dela realizava-se curas: posteriormente os hebreus curvados à idolatria começaram a adorar a serpente como a um deus. O resultado, o Rei Ezequias teve de destruí-la. (Cf. 2 Rs 18,4). Pelo fato dela começar a ser tida como uma “divindade”. De forma analógica a “serpente estendida” simbolizará Cristo Jesus no Novo Testamento (cf. Jo, 14-17).

Templo de Jerusalém:

Durante a construção do templo de Jerusalém empreendida pelo rei Salomão no “quarto ano do seu reinado” (I Reis 6, 1) foram postos no interior do edifício os seguintes objetos narrados nos textos abaixo:

“Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura.” ( I Reis 6,23).

“Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.” (I Reis 7, 29)

“Para o interior do Santo dos Santos, mandou esculpir dois querubins e os revestiu de ouro.” (II Cr 3,10)

Mesmo o famoso véu do templo tinha querubins desenhados nele, como vocês podem ler em II Cr 3,7-14.

Após a construção do templo foi transladado para o mesmo, à arca da aliança e os levitas a colocaram “no santuário do templo, o Santo dos Santos” (cf. II Cr 5, 7) Após isto houve uma intensa celebração de Louvor ao Senhor cf. II Cr 5, 13 frente à arca, observe que como sobre a tampa dela havia duas “Imagens” representações ou esculturas de “Querubins” (Ex 25, 18):

E o mais incrível diz o texto de Crônicas que durante o “louvor ao Senhor” o templo “encheu-se de uma nuvem tão espessa” que os Sacerdotes não puderam exercer seu oficio; e continua “A glória do Senhor enchia a casa de Deus” II Cr 5, 14. Você leitor imagine a “glória de Deus” enchendo a casa do Senhor (o templo de Jerusalém) estando o edifício repleto de imagens e esculturas.

Haveria então controvérsia entre o mandamento Divino de não “esculpir imagem alguma”, e a “utilização de imagens pelos hebreus” nestes casos expostos? Obviamente não, pois as Escrituras estão livres de qualquer erro ou contradição como constata a [Inerrância bíblica] doutrina sobre a qual as Sagradas escrituras estão vetadas quanto a contradições, e nem se pode dizer que Deus é contraditorio “ordenando e desordenando” Como devemos entender então estes casos:

Como explicamos logo na introdução deste texto, Deus logo instituiu o Mandamento contra as Imagens, por conta do perigo que poderia ser aos hebreus não ter nenhuma prescrição que os vetassem de se contagiar com os povos visinhos que eram povos “politeístas” observam a vários deuses e prestavam cultos a estas falsas divindades “Ídolos”. Assim a condenação do Mandamento, resume-se na proibição de esculpir e adorar “falsos deuses” cf. Ex 20,23 e 34,17; Lv 19, 4.26; Dt 4,23-24.27,15. Como era visto nos povos idólatras do oriente.

Sobre o uso de imagens entre os hebreus como visto na Serpente erguida no deserto, Arca da aliança e no Templo de Jerusalém fica claro sob a ordem de Deus que o Senhor não condenou a pintura, esculturas ou a arte, mas em primeira mão as representações, imagens e simulacros utilizados pelo povo com “a finalidade de serem adoradas e proclamadas como divindades”.

Por isto mais tarde a teologia católica vai entender que “O culto cristão das imagens [ou ícones] não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos”. (CIC 2132) Já a interpretação (hermenêutica) protestante tem muitos problemas ao entender a questão das Imagens e seu uso, pelo fato de a problemática esta circundando a temática quanto ao “culto respeitoso que se presta as Imagens e não se confunde com a Adoração prestada competida só a Deus”. (Catecismo da Igreja Católica nº 2132)

Como fora utilizado pelos primitivos cristãos e hoje se encontra testemunhada pela arqueológica que provou o uso de imagens, afrescos e representações já no fim do I século, como comporta as catacumbas de culto dos cristãos e outros edifícios e lugares de celebração dos crentes, estendidas tanto no ocidente e oriente regiões que já foram integrantes do Império romano, sem mencionar os textos hagiográficos e testemunhos patrísticas ou a grande Tradição Apostólica que nos guarneceu o uso de ícones nas celebrações como se expressou o II Concílio Ecumênico de Nicéia:

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos Padres e da tradição da Igreja católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre os utensílios e as vestes sacras, sobre paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos. ”(CIC n° 1161)

Notas:

¹ “Economia das Imagens” [termo teológico aplicado as disposições de Deus sobre o uso das Imagens entre os hebreus e cristãs na Historia da humanidade, neste a “economia” é o plano direcionado e orientado pela vontade de Deus].